Capítulo 30
Marco
Existem pontos cruciais na vida, incidentes que mudam a direção em que você está. Eu sempre lutei por caminhos diferentes, esperando influenciar um cenário que salvasse um pouco mais de vidas do que eu matava, mas Deus deve ter outros planos para mim porque descobri que quanto mais eu queria uma coisa, menos dela eu tinha.
Manter minha família segura era uma dessas coisas, mas com a morte do Ren, eu desonrei minha promessa. Vingá-lo se tornou o próximo caminho em que eu estava, e para trazer alívio aos meus irmãos, fui atrás disso com força total, mas Aliyana Capello entrou no meu caminho e mudou esse destino quando ela escolheu proteger a amiga dela. Não a culpo por fazer a escolha, por escolher a vida dele em vez do nosso amor.
Eu ainda guardo a carta que ela me deixou na Mansão. Leio a letra dela todas as noites, esperando tentar encontrar um pequeno sinal de que ela não queria arrancar meu coração, que se sentir daquela forma era apenas a maneira dela de tentar lidar com a situação. Mas isso não vai acontecer.
Meu telefone toca e eu giro o copo ainda cheio de líquido âmbar na minha mão enquanto penso em não atender. Mas eu atendo de qualquer jeito.
"Lucca explodiu a casa da Aliyana."
Meu copo escorrega da minha mão quando cada pensamento, cada momento nosso, desvanece.
"Ela está...?" Fecho os olhos, não querendo saber, mas precisando saber.
"Não, estou indo para lá agora." Killer encerra a chamada e eu piso nos cacos de vidro, corro para a entrada da minha cobertura e saio. Não perco um segundo, assim como não penso em mais nada, além dela sorrindo para mim.
Chego na casa da Aliyana, os portões estão abertos. Há policiais por toda parte, sirenes, pessoas estão paradas por perto enquanto os gritos dela cortam o ar. Saio do meu carro olhando para a casa, que agora está pela metade, pode ser reconstruída.
Eu a vejo. Cabelos loiros longos emaranhados, seu corpo pequeno no chão. Minhas pernas me levam mais perto, enquanto seus gritos ficam mais altos. Meu irmão Leonardo a segura. Chego mais perto, e é então que eu vejo, a garota no chão, grávida, morta.
Dizem que a morte vem em trio.
Eu vejo meu irmão segurar a mulher que amo, que grita por sua irmã, e ele que tenta respirar por sua esposa e filho não nascido, e sinto minha própria lágrima escorrendo pelo meu rosto porque eu sei, sem sombra de dúvida, que não havia como voltar disso.
A Aliyana grita, e eu dou mais um passo em direção a ela, quando uma mão me segura.
"Não, deixe-a."
Não tenho certeza se o destino é apenas uma criatura cruel, porque Aliyana me vê, e ela corre para mim, e eu fico aqui esperando. Seu rosto está vermelho, enquanto suas lágrimas caem. As noites são frias e potentes, quando sua mão se estende para o meu rosto.
Leonardo e Deno tentam subjugá-la enquanto ela me ataca.
"Você fez isso, VOCÊ. Lucca queria te machucar. Ela é a morte e é o sangue dela nas suas mãos." Ela está gritando e eu sei que o que ela está dizendo é verdade. Lucca conhecia meu coração, ele foi atrás dele.
Eu fico aqui parado, assistindo meus irmãos segurarem a mulher que tem todo o direito de me matar, que tem todo o direito de me culpar.
"Atenda o telefone Marco..." Dizem que a Morte vem em trio.
Eu pego meu telefone e não digo uma palavra depois de ouvir a outra pessoa falar. Olhando para a Aliyana que está me dizendo com cada parte do seu ser o quanto ela me odeia, viro as costas para ela e vou embora.
É dito que a Morte vem em trio, hoje veio em quartetos, Guilia Catelli, e seu bebê de 7 meses, Marcello Catelli, meu pai e Massimo Ricci, um piloto e amigo.
Hoje eu acordei com uma pedra no cu, puto com Deus por não tornar essa merda fácil, hoje à noite eu questiono qual é a razão real da fé, quando ela te fode assim.