Capítulo 24
A terra dele tava pegando fogo, tinha fogo pra todo lado, ele fez de tudo pra apagar, mas o fogo não apagava, todos os homens dele tinham morrido e ele não fazia ideia de onde estavam os Betas dele, eles simplesmente o deixaram pra morrer.
Ele não tem mais força pra lutar, então começa a se esconder e se encolher, até que foi encontrado pela sua pior inimiga,
'Tá fugindo de mim agora?!' Ela zomba dele enquanto o puxava do esconderijo, ela se ajeita confortavelmente no tronco dele, ela botava medo no coração dele, pois as presas dela estavam pingando sangue, 'não me quer mais como Mate?' Ela inclina a cabeça brincando antes de rir como a demônia sedenta por sangue que ela era.
'Fique longe de mim!!' Ele mais implora do que comanda, ele tava com medo dela,
'Aaaawn, o grandão do alpha com medo de mim? Sou só uma mulher afinal.' Ela se aproxima dele pra que ele sentisse o cheiro de sangue velho, ele a empurra e corre o mais rápido que pode, só pra esbarrar nela mais uma vez, 'Não vá!!!' Ela gargalha maniacamente e isso faz ele virar pra outra direção, ele precisava escapar dela.
Qualquer coisa pra escapar dela, mas ela tava em todo lugar. Ele tava correndo, olhando pra trás quase a cada dois segundos pra ter certeza de que ela não tava correndo atrás dele, até que ele vira o olhar pra frente e vê uma lâmina apontada pra cabeça dele. Ele nem teve chance de gritar, mas ele acorda do sono, suor escorrendo pelo rosto.
Ele tava respirando pesado enquanto se esforçava pra entender o significado do sonho,
'Arcádia…' Era o único nome que vinha na mente dele, ele não conseguia tirá-la da cabeça, ela virou um disco repetido, 'a Sativa, ela deve saber o significado desses pesadelos que eu tenho tido…' Ele lembra que não curtiu muito a vinda dela da última vez e ela pode decidir não responder pra ele dessa vez.
Ele talvez tenha que fazer uma visita privada pra ela então. Ele olha pra lua, ela brilha em sua glória e, embora ela tenha um efeito calmante, Mace ainda precisava de respostas. Respostas para os pesadelos que ele tava tendo.
Ele veste uma capa e esconde a espada nela, puxa o capuz sobre a cabeça pra evitar que alguém veja seu rosto. Ele abre a janela pra deixar o vento fresco da noite entrar no rosto dele, isso foi logo antes dele pular dela.
Ele sabia que tinha que cobrir uma boa distância a pé antes de chegar na Sativa, mas ia valer a pena se ele conseguisse as respostas que procurava. Ele passa pelo mercado e ainda tem gente comprando e vendendo, a maioria tava falando dele e de como ele governa eles.
Outros aprovam ele, enquanto alguns não, ele tinha seus prós e contras, mas depois da guerra, a imagem dele na sociedade tinha caído muito. E era dever dele reconquistar o respeito de todos os seus seguidores mais uma vez.
Ele deixa as fronteiras e vai pras redondezas, passando pela floresta das rosas, uma floresta sagrada onde o lendário clã das rosas costumava habitar. Até que o Rei Magnus veio invadir a paz deles e ele foi oferecido a guerreira mais poderosa deles.
As lendas diziam que eles tinham poderes sobrenaturais que se correlacionavam com flores e música, e a maioria deles tinha a capacidade de realizar Reiki; uma arte sagrada de cura através das energias, diziam que eles eram de leve origem japonesa, mas isso não importava muito pra ele.
Não importava de qual clã ela era, ele ia derrubá-la se fosse a última coisa que ele fizesse. Ele se move mais fundo na floresta, a lua o servia com luz suficiente pra ver onde ele tava indo. Mas então ele avista um corpo se movendo lentamente entre as árvores,
'Quem é aquele?!' Ele saca a arma, pronto pra se defender,
'Eu não esperava te ver aqui.' Uma voz familiar ecoa, Sativa se revela de trás de uma árvore, ela tava segurando um monte de rosas perto do peito e isso faz Mace relaxar depois de perceber que era ela,
'Eu achei que você estivesse… por que você tá aqui fora tão tarde da noite? É perigoso ficar fora a essa hora.' A preocupação dele faz ela corar como uma garota do ensino médio,
'Talvez se eu fosse mais nova, você teria se casado comigo.' Ela ri levemente, 'Eu consigo me cuidar, eu não sou uma velhinha fraca e indefesa, sabe.' Ela avança em direção a ele, 'e o que traz o Rei de toda a terra a uma floresta memorial?'
'Eu tava procurando por você, na verdade.' Era novidade pra ele admitir que precisava de ajuda, mas ele teve que falar, 'Eu preciso da sua ajuda, eu continuo tendo um pesadelo específico e é sobre—'
'Arcádia?' Ela adivinhou e acertou, mas ele ainda não tava pronto pra dizer, mas a expressão dele o entregou,
'Sim… o Espírito dela me assombra, eu acredito que ela é uma bruxa.' Ela ri da ingenuidade dele e ele cora de vergonha,
'Siga-me, criança.' Ela indica e ele a segue obedientemente, 'você vê todas essas rosas?' As mãos dela roçam em vários arbustos, 'se você decidir incendiá-las, elas simplesmente crescerão novamente.'
'Como elas fariam isso?' Ele não entendia o que ela tava dizendo,
'Porque é assim que elas são, a destruição só faz elas crescerem mais rápido e elas ficam maiores toda vez que você tenta eliminá-las.' Ela colhe uma rosa, 'elas são como a princesa do norte, volte em três dias pra ver se a flor floresceu, você vai se surpreender.' Ela dá a rosa pra ele,
'Então não há como derrotá-la?' Essa era a única coisa que passava pela cabeça dele, derrubá-la,
'Se você quer derrotá-la, então você deve enfraquecê-la por dentro e não por fora. E pra fazer isso, você precisa fazê-la gostar de você.' Ela sorri.
'De jeito nenhum que eu vou fazer isso!!! Eu odeio ela! Ela é rude e orgulhosa e—'
'Você também é muito disso, Majestade.' Ela sorri um pouco, 'você tem sonhado com ela, não é? Isso vai se manifestar muito em breve, é só uma questão de tempo. Não tente lutar contra ela, você só vai perder, ela é seu destino e você não pode lutar contra seu destino.'
'Eu prefiro que arranquem meus bagos do que tê-la como Mate!' Ele faz uma careta antes de deixá-la na floresta, ele só perdeu tempo, ele nunca deveria ter vindo ver ela, ela sempre falava besteira.
Sativa observa ele ir e balança a cabeça, seus ouvidos captam o farfalhar das folhas e ela se vira pra ver quem é,
'Quem está aí?'