Capítulo 52
Debruçada, ela sentia as tripas torcerem de dor, estava botando pra fora tudo que comeu ontem à noite e uma baita tontura a dominou.
"Não sei o que tá rolando comigo ultimamente." Ela lava a boca pra tirar o resto e volta pra cama, joga as mechas magenta pra fora da cara e deita aquele corpinho fraco no conforto da cama, tinha ficado bem mais pálida, mas isso não quer dizer que não pudesse meter o louco se precisasse.
Na real, ela não queria que a Arcádia soubesse, senão ela ia impedir de ir pra Batalha, e essa era a última coisa que ela queria. Os olhos dela estavam pálidos e ela sentia que ia voltar a dormir. Mas sabia que ia acordar de novo pra só botar tudo pra fora. Era sempre assim de manhã, mas melhorava quando chegava perto da tarde. E assim, ela ia ficar melhor depois de um tempo.
Risadas podiam ser ouvidas do quarto da Rainha e o casal tá acordado e pelado nos braços um do outro, ele nunca tinha ficado tão satisfeito antes em toda a vida dele. Mas ele tava especialmente safado essa manhã.
"Asher, por favor, a gente precisa ir, lembra do nosso acordo?" Ela lembra ele e ele revira os olhos, ele não queria sair da cama,
"Ainda tá tão cedo, Arcádia, a gente nem ouviu os pássaros cantarem, todo mundo tá dormindo, menos a gente. Bora voltar pra cama." Os braços dele esmagam ela e ela tá engasgando com a saliva, ela tenta escapar, mas ele dificulta pra ela,
"Asher, como sua Rainha, eu ordeno que você me solte AGORA!! Não podemos atrasar nossa jornada, Conan roubou o decreto e e se ele resolver vender ou reivindicar? Tinha o selo Real, é como se você não entendesse o que eu tô falando." Ela tava falando com alguém que já tava fechando os olhos de sono, ela aperta a pele dele com força e ele se afasta,
"Por que você fez isso?" Ele chora enquanto coça o lugar irritado,
"Você nem tava me ouvindo! Levanta! Precisamos começar a andar." Ela já tava quase fora da cama, mas ele puxa ela de volta e ela bate no corpo dele,
"Nós não vamos sair daqui até eu dizer." Ele impõe a autoridade emprestada dele sobre ela, e isso faz ela sorrir,
"E quem é você pra dizer isso?" Ela levanta as sobrancelhas e espera a resposta dele,
"Quem você acha que eu sou?" A forma dele se levanta pra quase cair em cima dela, "hmm, Arcádia?"
"Você é um homem tarado, é isso que você é!" Ela ri e afasta ele, mas não adiantou muito, "Asher, para!! Para!!" E ele tá fazendo de novo, botando ela sob domínio com o peso dele; magra, mas cheia por dentro.
"Me implora…" Ele geme no ouvido dela e as bochechas dela começam a corar de novo,
"Eu te imploro, meu cavaleiro… me coloque pra dormir…" Foi a resposta dela. E ele agiu na ordem da sua Rainha.
Amanheceu e o reino já tava na estrada de novo, com o cavalo da Arcádia galopando na frente e o do Asher tentando acompanhar ela. Xerxes e Sheila montavam com o exército em um ritmo moderado, mas ele notou que a Sheila tava meio pálida hoje,
"Sheila," ele chama ela pra chamar a atenção, já que ela tava pensando muito, "tá tudo bem com você? Você parece doente." Ele disse e ela não conseguiu evitar o rubor que manchou as bochechas dela, foi tão gentil da parte do Rei notar a saúde dela,
"Deve ter sido alguma coisa que eu comi, eu suspeito que foi o Asher, ele me deu umas frutinhas pra comer quando a gente tava no vale e eu sinto que elas não caem bem pra mim." Ela dá uma explicação razoável, algo que ela conseguia entender porque ela não tinha certeza do que tava acontecendo com ela.
"Eu podia falar pra Arcádia diminuir um pouco pra você descansar." O gesto gentil dele a incendeia e ela quase cai do cavalo,
"Parar o exército inteiro por causa de dor de barriga? Não, meu Rei, não seria atencioso com a Rainha e com os outros. Eu consigo me comportar, vai melhorar com o tempo." Ela recusa a oferta, mesmo querendo muito descer do cavalo, correr pro arbusto mais próximo e botar pra fora as tripas. Xerxes não gostou da cara de desconforto dela, mas também não achou que eram as frutinhas, porque ele comeu também.
Talvez ela fosse alérgica? Mas eram amoras pretas. Ele sentiu que a Sheila tava muito doente e não era algo causado pelas frutinhas.
Conan tava andando de um lado pro outro, ele tinha visto outro Corvo e ele tinha entregado outra carta do Asher. Dizia que eles iam chegar ao palácio ao anoitecer e o Conan tava nervoso. A carta também dizia que a Arcádia tava furiosa com ele e que com certeza ia querer degolar ele, então era melhor ele fugir antes que eles chegassem.
Foi isso que fez ele começar a andar de um lado pro outro.
Orla entra no quarto e no momento em que ela fecha a porta atrás dela, ela se torna Otávia, ela vê ele nessa situação, e sendo a sádica que ela é, não conseguiu evitar de se deliciar com o sofrimento dele.
"O que tá te deixando tão inquieto, Conan?" Ela pula na mesa de exame dele com um sorriso malicioso, pega a carta dele e ri um pouco antes de ler. Os olhos dela começam a lacrimejar quando ela vê o nome da filha dela escrito, ela lê mais e a última parte da carta fez ela rir ainda mais,
"Você parece gostar quando as pessoas sofrem." Ele fala sarcasticamente e o sorriso dela se alarga mais ainda,
"Claro!! Tem esse prazer na dor que você sente, isso me excita." Ela respira fundo e feliz antes de soltar, "seu irmão tá certo, você precisa se esconder, pois a Arcádia é mais provável de vir atrás de você, já que você fez mal a ela. Ela vai querer te enterrar primeiro antes de desafiar o Mace pelo povo dela."
"Mas eu não posso simplesmente ir embora, o Mace ia saber que tem alguma coisa errada, e ele não ia me deixar ir embora tão fácil." Ele fala um pouco de bom senso pela primeira vez em um tempo, "Eu não tô totalmente indefeso, sabe." Ele adiciona com vergonha manchando as bochechas dele, Otávia ri dele com desprezo antes de afastar um pouco o cabelo do rosto,
"Hmmm." Ela concorda com ele com apenas um aceno simples, "mas eu aprecio sua coragem, Conan, eu ia me certificar de falar com minha filha antes que ela te mate." Ela ri um pouco mais uma vez.
"Minha Rainha, eu não vou fugir disso. O que você quer que eu faça? Como eu posso ajudar mais?" Foi um choque pra ela, uma nova onda de coragem inundou o ser dele, os olhos dela suavizaram com afeto de mãe, "Eu não consegui salvar meu clã naquela época, mas eu posso salvar este pelo menos…" Memórias brilham nos olhos dele, tudo queimou e ele achou que o irmão dele queimou com a família dele.
"Você já fez muito, mesmo que você não acredite, Conan, você é mais que bem-vindo para ser um membro do clã Rosa, nós ficaríamos felizes em ter um homem corajoso, jovem e talentoso à nossa disposição." Ela elogia ele e o coração dele salta de alegria, "mas tem uma coisa que você precisa fazer por mim." Ela tira rosas do cabelo dela.
Ele pega com cuidado, sentindo que elas podem ser delicadas e elas eram, "o que eu faço com elas?" Ele sabia que elas não eram comuns, já que acabaram de sair do nada.
"Você vai colocá-las pelo palácio, nas passagens secretas e na prisão. Elas vão emitir um cheiro que meu povo vai reconhecer, Xerxes vai conseguir encontrar os cativos, já que ele está acostumado ao cheiro. Os outros vão saber como se infiltrar no palácio sem o Loki saber." Ela olha para o sol nascendo, "Eu estive aprendendo os detalhes deste lugar e posso dizer com orgulho que eu conheço cada passagem e túnel neste prédio. Eu vou te dizer onde plantá-las e você vai deixar mensagens em cada parada."
"Sim, minha Rainha." Ele se curva em submissão, e ela sorri, ele pode não ser o mais esperto, mas ele era leal até a morte.
Mas ela queria ver quem ia derrotar quem, ela precisava ver como a filha dela ia provar sua força e pegar seu povo de volta e conquistar o Mace. Ela tava animada pra ver quem ia ganhar a luta pelo poder.
Será que vai ser o Alfa ou a Luna?