Capítulo 79.
A manhã chegou e tinha mais notícias sobre os lobos demônios atacando qualquer um que vissem, isso colocou Arcádia numa situação difícil porque o povo dela veio implorando por ajuda, procurando proteção da sua Rainha.
Mas tava tudo errado.
Xerxes e Otávia foram investigar a parada e foram atacados por uns lobos, mas se safaram porque ela usou os poderes dela pra defender os dois. Era um lado da Otávia que ele nunca tinha visto e ela tinha um monte de coisa pra explicar; a maior parte, coisa do passado dela.
Ela teve que botar uns feitiços pra espantar os lobos demônios com o cheiro de rosas, que eles achavam ofensivo. Era a principal razão pela qual eles continuavam atacando a cidade, já que a maioria das pessoas que moravam lá eram do clã da rosa.
"Essa é a última."
Ela amarra com cuidado na árvore maior e enxuga o suor da testa. Se sente tonta por um tempo, mas o marido dela tá atrás pra segurá-la. "Muito obrigada, faz um tempão que eu não fazia isso." Ela ri envergonhada antes de sentar na sombra da árvore.
"Otávia, acho que temos que conversar sobre umas coisas."
Ele se junta a ela e ela encosta a cabeça no ombro dele.
"Manda ver."
Era óbvio que a primeira pergunta que ele ia fazer era como ela sabia de tudo isso e tava fazendo isso. Mas ele a surpreende.
"Você já comeu hoje?"
Aquilo foi uma surpresa, mas ela balança a cabeça suavemente. "Eu não quero que Arcádia seja marcada pelo Mace."
Foi sussurrado e ela sorri um pouco.
"Magnus disse a mesma coisa, ele queria ser o único a me marcar, mas olha o que aconteceu." Uma risada baixa dela. "Acho que não temos controle sobre o que acontece, Xerxes. No fim, somos só brinquedos da Deusa." Um suspiro dela.
"Podemos controlar algumas partes das nossas vidas, Otávia. Nós não ficamos longe um do outro, mesmo sabendo que o que estávamos fazendo era errado. Acho que devíamos matar o Mace."
Foi amargo demais vindo dele.
"Hmm? E de onde vem toda essa raiva, querido?" Ela senta pra examinar ele direito. "Se matarmos ele, a nossa filha ficaria sem par! O que você tá me dizendo agora?" Ela volta pra posição de descanso com um biquinho fofo no rosto. "Você tá com ciúmes porque se o Mace decidir mudar, a Arcádia vai te esquecer?" Ela alivia a situação, mas ele não engole.
"Você sabe por que eu tô falando isso, mas não vai entender", ele revira os olhos pra ela, mas não conseguia ficar chateado com ela. A forma dela de abordar a conversa era só um lembrete gentil de que ela não queria falar sobre isso, por enquanto.
O som de galope é ouvido e eles viram uma loba magenta correndo numa velocidade incrível. Ela para e na boca dela tá a cabeça de um lobo demônio. Ela senta e Sheilia tá ensanguentada até não poder mais,
"Minha rainha, seus feitiços funcionam muito bem, eles não ressuscitam depois de mortos." Ela joga a cabeça no chão e tenta tirar um pouco de sangue dela. "Isso deve ser distribuído pro povo usar pra se defender. Vou dizer aos soldados pra fazerem mais acampamentos aqui, pra cidade ficar bem guardada."
"E o Asher?" O rei pergunta, porque ele não tinha visto o aluno dele o dia todo.
"A Rainha Arcádia mandou ele proteger outras áreas, já que teve notícias de ataques lá. Ele tá indo pro Sul pra garantir que a terra que conquistamos na batalha esteja segura." Ela chuta a cabeça do lobo demônio e Otávia pega por instinto.
"É bom ver que os feitiços são bem eficazes." Ela examina a cabeça e sorri, cutuca Xerxes e imita um rosnado profundo, balançando a cabeça do lobo de brincadeira. "Me come!!" Ela brinca, mas afasta a cabeça dele, fazendo-a rir.
Sheilia vira pra umas meninas sussurrando algo no ouvido dela, ela balança a cabeça e segue elas.
"Sheilia parece bem melhor agora, ela não tá vomitando o tempo todo. Você acha que a mão do Loki tá nisso?" Ela dá um sorriso largo, mas Xerxes ainda tá pensativo. "Sinceramente, não sei o que eu tava pensando quando escolhi o Czar como meu servo, ele não consegue fazer nada direito sem fazer besteira. Me pergunto como o Mace sobreviveu com ele."
"Eu desconfio dele, quase sempre ele não está em lugar nenhum e aparece do nada, parecendo que roubou alguma coisa. Devíamos ser muito cautelosos com ele, tenho a sensação de que ele tá tramando algo, pode ser ele o responsável pelos ataques."
"Você tá certa, devia colocar um rastreador nele pra saber os movimentos dele.", tanto trabalho. Ela sempre pegava as pessoas mais problemáticas pra lidar.
"Eu recomendo muito, da última vez que eu vi ele, ele tava procurando algo na sua biblioteca, ele deve ter achado que tava sozinho." Os olhos dela arregalaram.
"Minha biblioteca?!"
"Sim, sua biblioteca, ele não achou nada, então foi embora. Eu tive a sensação de que ele voltou pra continuar a busca, ele pode ter sentido que eu tava observando ele de um canto, pois ficou suspeitamente mais alerta." Ele examina a espada dele, mas a descoberta dele tinha colocado uma carranca no rosto dela.
"Vou investigar isso; como ousa, sem a minha permissão?" Irritada até a alma, ela não sabia quando começou a brilhar.
"Calma, Otávia, você sempre é rápida pra ficar com raiva, precisa aprender a ser mais como eu." Sativa ri enquanto caminha até o casal, movendo-se devagar com sua bengala de madeira.
Otávia ri alto. "Você me conhece mais do que ninguém, mas, infelizmente, fui construída com fogo dentro de mim." Ela brinca e cutuca Xerxes de lado, ele revira os olhos com um sorriso no rosto.
"Você é mais parecida com sua mãe." Ele finalmente chega até eles e senta na frente deles com as pernas cruzadas. "Eu vim pra discutir os acontecimentos que têm ocorrido." O olhar dela fica sombrio.
"E você sabe quem tá por trás disso?" Xerxes é rápido pra desvendar esse quebra-cabeça e matar qualquer um que estivesse causando tantos problemas pra filha dele.
"Não tenho certeza, mas o que eu vi foram três homens encapuzados, não vi os rostos deles, mas deviam ser eles os responsáveis por esse mal. Otávia, parece que você vai ter que lutar de novo, mas você tá envelhecida, sugiro que converse com a Arcádia sobre como usar os poderes da Deusa de forma eficaz."
"Eu tenho pensado nisso também, sábia, mas Arcádia tá tão ocupada com os assuntos do reino, seria difícil pra ela lidar com tudo." Ela expõe sua preocupação.
"Bem, teremos que apoiá-la de qualquer forma que pudermos, quando ela estiver treinando com você, eu posso assumir." As palavras dele a chocam, mas ela se orgulha dele. Sabendo que Xerxes nunca acreditou que ele foi feito pro trono, mesmo sendo o destino dele ser rei. Ele nunca gostou daquela parada de rei e costumava se ater aos deveres de Mestre de Asher e Sheilia, mas vê-lo pronto pra assumir o volante pela filha dela foi emocionante.
"Finalmente você criou ossos." Sativa brinca e ele não gostou. "Você vai resolver a questão hoje?" Ela tá falando com Otávia, ela balança a cabeça em afirmação. "Acho que meu trabalho acabou aqui." Ela se levanta do chão, embora instável. "Eu ainda vou conversar com você, Otávia, quando você voltar ao palácio." E ela começa a jornada de novo, até o fim.
"Ela é uma mulher tão estranha." Xerxes comenta enquanto ela se afasta. Era uma longa caminhada, mas ela fez isso pra fazer algum exercício.
"De acordo com a minha mãe, ninguém acreditava que ela se tornaria uma sábia, ou seria muito favorecida pela deusa. Ela sempre foi diferente." Ela sorri pra ele. "E quanto a mim? Sou apenas uma parte atemporal da história."
"Quer compartilhar? Já que você nunca mencionou isso." Ele sorri pra ela.
"Foi escuro e eu não senti a necessidade de trazer coisas que só me machucariam mais." Ela entrelaça os dedos com os dele. "E eu sei que a Arcádia passaria pela mesma coisa, sempre soube que seria assim, no momento em que ela atingisse a idade do despertar."
Um corpo cai na frente deles e a assassina favorita deles tá limpa, mas molhada, ela parece que se divertiu. "Estou pronta pra ouvir a história!!" E eles riem um do outro.