Capítulo 76
Os olhos dela arregalaram, tipo os de um sapo, 'Minha Rainha!! Quantos anos você tem?!' A pergunta dela a fez cair na gargalhada, foi tão alto que Xerxes ouviu e, quando viu ela rindo, ficou bolado. Ele tava esperando por horas e ela tava se divertindo com Sheila, ele tava morrendo de medo de que algo pudesse ter acontecido com ela.
'Eu não sou tão velha!!' Ela faz biquinho fofo, 'Eu conheci sua Mãe, ela era… uma figura…' Ela lembra da treta de uma vida toda que teve nos anos de juventude, Sheila suspirou tristemente, sentindo falta da Mãe dela, 'ela teve a sorte de parir antes de mim. Já faz quase quatro décadas desde a guerra contra os lobos demônios, já faz tempo e não faz tempo.'
'Otávia!!' O tom dele ecoa e dá um baita susto nela, 'Eu tô estressado desde que você foi embora!! Você não levou nenhum soldado, você só correu!!'
'Eu levei Sheila.' Ela se apressa em apontar pra esconder a cagada,
'Na real, Pai, eu tive que correr atrás dela,' ela entrega o ouro, dá uma olhada feia pro jovem assassino antes de rir sem jeito, ela nunca gostou quando ele ficava bravo com ela,
'Ah, Xerxes, relaxa, eu sei me cuidar, eu não sou uma mulher fraca e você sabe disso.' Ela dá um sorriso de canto, mas ele não tava sorrindo nem um pouco, a criança nos braços dela dá uma risadinha, ela deve tá tendo um sonho bom, 'ela é tão fofa.' Ela faz um carinho.
Xerxes se aproxima da Rainha e puxa o cabelo dela, ela faz uma cara de choro, mas ele chega mais perto do ouvido dela, 'Eu vou te punir do jeito certo pelas suas ações descuidadas.'
'Mal posso esperar.' Ela ronrona de volta e Sheila estremece com o romance antigo,
'Quem é ela?' Ele tira ela dos braços da esposa dele bem devagar, pra não acordar ela, 'ela é linda.'
'E ela tava largada, fomos atacadas por lobos,' Sheila aponta para as roupas delas cobertas de sangue, 'lobos demônios.' Ela completa.
'Eles são reais?!' Até ele não acreditava e o aumento do tom dele fez a criança se mexer nos braços dele, ele solta um suspiro de alívio antes de se virar pra esposa, 'você tem certeza que foi isso que você viu?'
'Eu nunca confundiria isso com nada, temos um problema sério em mãos. Preciso falar com a Mazi.' Ela passa por Sheila devagar,
'Vem pro quarto quando terminar, Arcádia fez merda de novo.' E ela suspira pesado, os lobos e agora era a filha dela. Era tão difícil ser Rainha, Mãe e esposa. Ela precisava de férias de toda essa loucura.
'Eu já vou, Sheila, descanse, você precisa. Xerxes, querido, por favor, leve a criança pro Conan, ela também precisa de atendimento médico.' E com isso ela vai atrás da Mazi Sativa.
Ela joga o chicote no chão, ela tava de saco cheio dele, a respiração dela instável, a raiva a encheu até a borda. Ele tava lá, imóvel, enquanto as cicatrizes queimavam a pele dele, as lâminas levavam um pedaço da carne dele toda vez que pousavam no corpo dele. Ele tava muito machucado e sangrando por todos os lados.
'Pega um pano e limpa ele!! Até a visão do sangue dele me dá nojo.' Ela cospe com desdém antes de sair da prisão escura. Eles carregam o corpo inconsciente dele e o limpam, ele nem se mexeu quando a água tocou as feridas dele. A visão dele tava preta.
Ela se esforçou pra tirar o sangue dela quando saiu da masmorra, ela cheirava a uma versão estacada dele, e só isso já era nojento pra ela. Ela tenta levantar a perna, mas ela é segurada no chão por uma força. Ela se vira pra ver Loki segurando a perna dela,
'Minha Rainha, eu imploro, onde está meu irmão?' Ela luta pra se soltar do aperto dele, mas ele tava tão pesado, 'Minha Rainha, por favor, solte-o. Ele não fez nada que justificasse apanhando, por favor, Rainha!!' Ele chorou aos pés dela, mas o coração dela tava de pedra, o relatório do soldado ainda doía no coração dela.
O povo dela tava morrendo e era por causa do Mace.
'Sai dos meus pés!' Ela arrasta o pé pra longe dele, mas ele segurou nos sapatos dela, 'ele vai morrer eventualmente, ele tirou muitas vidas e vai pagar com a dele.' Ela sibila e o primeiro passo dela foi suave, ela dá o segundo, mas o terceiro é segurado no chão; Loki não queria que ela fosse.
'Por favor, faça o que quiser fazer com ele comigo, ele já sofreu o suficiente, por favor, deixe-me arcar com a punição dele, Rainha.'
Sheila entra pra ver seu Mate implorando pra meia-irmã dela, ela se sentiu extremamente mal ao vê-lo nessa situação. Ela se aproxima deles,
'Levanta!!' Ela comanda ele e ele corre pros pés dela em obediência à sua mestra, 'Minha Rainha, o que está acontecendo?' Ela notou que os olhos dela estavam sangrando lágrimas e os punhos dela estavam cerrados de raiva, as presas dela estavam visíveis e também a dor no coração dela, 'Arcádia, fala comigo, qual é o problema?' Ela usa uma abordagem mais suave e ela desmorona. Ela não responde, mas sai correndo com lágrimas nos olhos.
'Mestra, por que você está coberta de tanto sangue?!' Ele temia o pior,
'Você me chama de Sheila quando estamos a sós. Vá pro meu quarto e traga toalhas, nos encontramos no banheiro, precisamos conversar.' Ela sai correndo, mas a pessoa na mente dele era o Mace. Ele orou pra que ele estivesse bem.
E quanto ao Czar, ele não tinha ideia de onde ele estava. Ou o que ele estava fazendo. A Rainha tinha sumido por horas e ele nem tinha vindo checar ele ou perguntar como o Mace tava. O Mace tinha sumido por horas e nem passou pela cabeça dele descobrir onde o mestre dele estava. Ele tava começando a sentir que o Czar não via o Mace da mesma forma que via quando ele ainda tava no trono.
Arcádia se tranca no quarto, ela afunda no chão em lágrimas, abraçando os joelhos e chorando pela perda do povo dela. Ela se sentiu pior ainda quando teve que bater no Mace várias vezes com o chicote, mas ela não tinha ideia de que tinha feito algo errado e ele não tinha culpa. Ou ela achava que ele tinha culpa.
Os gritos dela ficaram mais altos com o passar do tempo e logo ela estava exausta de tanto chorar, ela encosta a cabeça no chão e adormece involuntariamente esperando que o pesadelo chegasse ao fim, e tentando ver como ela se perdoaria pelas suas ações cruéis em relação a ele. Uma parte profunda dela sabia que ele não fez nada, mas ela não queria acreditar, ele tinha causado tanta dor nela que, mesmo que ele dissesse que ela só fez isso por um motivo, ela não se importaria, ela ainda não acreditaria nele.
A raiva que alimentava dentro dela enquanto ela batia nele era insuportável, ela precisava encontrar uma maneira de liberar e foi isso que levou à punição, mas ela não sabia que tinha começado a sentir coisas por ele quando ela sentiu o cheiro dele, isso tava a intoxicando e ela não tinha onde parar de se sentir atraída por ele, ele parecia uma pessoa totalmente nova e um novo Alfa.
Uma parte dela queria largar o chicote e abraçar e beijá-lo, e dizer aos guardas pra deixá-los sozinhos por algum tempo pra fazerem coisas juntos, mas ela sabia que isso seria errado. Ele matou o povo dela, afinal, não matou? Ela não tinha certeza, mas a única coisa que ela tinha certeza era a raiva e a dor que estavam crescendo dentro dela a cada minuto, sem falar na luxúria que ela sentia depois de sentir o cheiro dele.
Os olhos dela estavam se fechando lentamente, ela estava imóvel no chão, enquanto as lágrimas vazavam de seus orbes; ela estava com tanta dor, mas ela aposta que ele estava com mais dor ainda. Ela se lembrou de como o irmão dele implorou, como ele segurou os pés dela e implorou pra ela deixá-lo ir, mas ela não ouviu ele. Talvez ela ouça ele, talvez ela o liberte. Talvez.
Czar estava procurando na biblioteca antiga que estava no palácio, ele estava procurando por algo, alguma informação, algum pergaminho, que o ajudasse em sua busca pra alcançar o poder supremo. Ele sentiu que estava chegando mais perto de seu objetivo enquanto espalhava e desorganizava tudo que estava lá e, pra sua sorte, ele encontrou um livro empoeirado que caiu da prateleira quando ele estava tentando alcançar alguns dos pergaminhos antigos. Ele pega ele, vira as páginas e percebe que encontrou o que estava procurando.
Ele encontrou o que ele foi instruído a procurar.
E logo ele será o alfa mais poderoso que já governou a terra, ele faria questão de reduzir Arcádia ao pequeno lobo que ela era e então ele a levaria pra si e ninguém seria capaz de impedi-lo. Ele não só levaria Arcádia, mas também levaria a Mãe dela, Otávia, e as manteria como suas Mates pra serem usadas sempre que ele quisesse.
Depois que Mace perdeu seu Reino pra Arcádia, ele nunca mais o viu da mesma forma que via, como um alfa poderoso que era implacável e temido em toda a terra. Ele tinha sido derrotado por uma mulher e isso era uma abominação aos olhos dele. Ele assumiu a responsabilidade de restaurar o reino à sua glória, mas não ter Mace como o alfa, achava que seria o Alfa e pra ganhar o poder supremo que Arcádia tinha escondido dentro dela.
Ele sorriu sinistramente pra si mesmo, 'Eu levaria isso de volta pra eles e eles não teriam escolha a não ser viver de acordo com a parte deles do acordo.' E uma risada maligna o seguiu antes que ele reorganizasse tudo e deixasse a biblioteca revirada, mas, sem deixar rastros.