Capítulo 3.
A Bela Adormecida tá lá, dormindo no quarto dela, até o chilrear dos passarinhos acordarem ela. Ela abre os olhos devagar pra mostrar as joias azuis, que brilham na luz do sol, e um sorrisinho aparece nos lábios dela.
"Já é de manhã?" Ela coça os olhos, bocejando alto, bagunçando o cabelo magenta dela e jogando pro lado. Ela sai da cama pra abrir as persianas de vez. "Só dois dias!!!" Ela grita pra si mesma e dá uma rodadinha de comemoração. "Acho que a Mãe vai me dar o quê dessa vez!!!" Ela bate palmas animada e corre pra se arrumar.
Ela sai correndo do banheiro, jogando a toalha no chão e sentando na frente do espelho descabelada, tentando fazer o cabelo dela sozinha dessa vez.
Ela suspira, irritada, porque não conseguia prender as madeixas dela sozinha.
"Acho que a Mãe sempre consegue," ela murmura pra si mesma e desiste, acabando por fazer um coque simples. Ela pega um vestido florido, um pouco acima do joelho, e prende a presilha favorita dela no cabelo.
Era uma presilha de rosa com pedras que a Mãe deu pra ela quando ela fez 10 anos.
Ela ficou pensando no que ela ia dar pra ela agora que ela ia fazer 18 em dois dias.
Ela sai do quarto pra ver as Donzelas dela entrando, surpresas que a Princesa decidiu acordar e se arrumar sozinha dessa vez, talvez a Arcádia estivesse começando uma nova fase.
Não, ela queria saber qual era o presente de aniversário dela.
"Otávia, pode me ajudar com isso?" O marido dela pede pra ela ajudar com as joias reais dele. Ela larga o pente e vira pra ele, ajudando ele a colocar os anéis e a coroa. Ela sorri satisfeita. "Eu não te vi na cama ontem à noite, onde você estava?" Ele pergunta, o que faz ela cair na risada.
"Tá com medo que eu tenha fugido?"
Ela ri mais alto da piada dela, enquanto garante que o adorno de cabeça tá bem colocado.
"Essa não é a resposta pra minha pergunta." Ele é firme nas palavras dele, o que faz ela revirar os olhos.
"Eu tava no jardim, querendo um pouco de ar fresco, só tive um pesadelo, é só isso." Ela joga a toalha antes que ele comece a desconfiar dela.
"Uma revelação? O que você viu, querida?" Ele fica intrigado de repente, e essa foi a razão pela qual ela não queria contar pra ele em primeiro lugar.
"Eu não entendo ainda, então não posso dizer…" Ela leva um tempo. "Mas eu vi fogo, e fogo significa perigo."
Ela avisa antes de decidir que a coroa tava bem colocada. "Minha recompensa?" Ela coloca a mão no peito dele, esperando algo dele. Ele se curva pra beijar os lábios dela, sugando suavemente, resultando em um gemido baixo dela. Ele para pra olhar nos olhos hipnotizantes magenta dela. "Homens…" Ela balança a cabeça.
"Eu te puniria por sair escondida ontem, mas tenho coisas pra resolver. Quando eu terminar, vou lidar com você como deve ser." Ele flerta com ela.
"Isso se você me ver, Magnus. O aniversário da Arcádia é em dois dias, e tenho certeza que ela tá correndo pra pegar o presente dela de mim, sendo que, na real, eu nem pensei no que dar pra ela ainda."
Os ombros dela caem quando ela solta um suspiro frustrado. Magnus ri da expressão cômica dela antes de beijá-la mais uma vez.
"Eu queria poder te salvar, mas tô na mesma situação. Eu ia evitar ela o máximo possível se fosse você."
Ele aconselha antes de ir pra porta. "Mas por favor, esteja disponível ao meio-dia, temos assuntos inacabados pra resolver." Ele abre a porta pra ir embora.
Assim que ele sai de vista, ela fecha a porta de novo, pra arrumar o cabelo dela. Ela senta na frente do espelho e brinca com o cabelo magenta dela pra ver qual é o melhor estilo que ela pode fazer pra oprimir a filha dela com ele. Ela faz ondulações com um pouco na frente.
Ela gostava de fazer o cabelo dela sozinha, era o orgulho supremo dela, o sinal do clã dela. Enquanto ela se admirava no espelho, os pensamentos dela vagam pra noite passada e o que aconteceu. Estar nos braços dele depois do sonho sempre acalmava ela.
"Xerxes…" Ela geme o nome dele na memória, ele realmente não poupou ela, ele pegou tudo dela e deu tudo dele em troca, ele era a verdadeira definição de um homem pra ela. E ela não conseguia resistir a ele, por mais que tentasse.
Ela afasta algumas madeixas luxuosas do pescoço dela pra mostrar uma mordida de amor, os olhos dela dilatados de luxúria e amor. "Ele é tão bobo, precisava colocar ali?" Ela xinga ele antes de rir pra si mesma.
Ela era infiel, mas feliz, o destino tinha sido cruel com ela, mas ela conseguiu encontrar um pouco de felicidade nas tempestades da vida dela, valorizando o pouquinho de amor que chegava até ela, sem se importar com o que pensavam dela.
Se descobrissem, chamariam ela de tudo quanto é nome: trapaceira, infiel, promíscua, mentirosa, mas, em tudo isso, ela ficaria feliz com tudo que tem.
Ela nunca pediu pra ser da realeza, isso veio como uma bênção disfarçada, porque ela teve a oportunidade de conhecer o Xerxes.
Os pensamentos dela vão pra revelação que ela teve, o amante dela estava sangrando muito e ela foi morta pelo próprio marido dela.
E a filha dela, a Arcádia, queria tanto abraçá-la, mas não conseguiu. Ela tava confusa e machucada, e, no fundo, a Otávia sabia que ia enfrentar muita coisa na vida dela.
Já que ela veio do clã dela.
Mas ela tava começando a entender o significado do sonho, tudo era figurativo, sempre tinha uma reviravolta em tudo.
Mas ela sabia que ia perder a vida dela eventualmente, e a dor no coração da Arcádia é algo que ela carregaria por muito tempo depois da morte dela.
Seria voltado pra alguém por quem ela supostamente ama loucamente.
E o Xerxes ficaria ferido com a partida dela, já que ele não conseguiu proteger a Rainha dele.
E Magnus, o marido dela… ele ia ter uma mão em tudo que ia acontecer.
Isso ela conseguiu entender, mas não tinha ideia de como exatamente ia acontecer, não fazia ideia de como ia morrer. Mas ela ia morrer protegendo o mundo dela.
A família dela.
Como uma loba nascida, ela foi ensinada a defender a matilha dela e morrer defendendo ela.
Uma batida quebra todos os pensamentos dela e a traz de volta à realidade, olhando pro reflexo dela, antes de virar pra estrutura de madeira.
"Entra."