Capítulo 13
Eu fico observando cada movimento dele, o jeito que ele explica cada detalhe do projeto na tela. Pra ser sincera, ele fica gato quando age normal, em vez de ser um babaca. Meus lábios dão uma tremidinha, olhando pra as mãos dele que se mexem de um jeito expressivo.
"Todo mundo entendeu?", ele pergunta, apoiando os braços na mesa e se inclinando pra frente.
"Sim, senhor", eles dizem em uníssono, enquanto anotam uns pontos.
Olhando ao redor, meus olhos capturam o Dylan, que tava lendo o arquivo. Ele coloca a caneta na mesa, olha pros lados e nossos olhares se encontram. Ele me dá um sorriso e se inclina pra frente, me observando. Eu sorrio de volta pra ele, com aqueles olhos que demonstram algo especial.
Às vezes o Dylan me olha de um jeito que me faz sentir especial, e eu curto muito isso, pra ser sincera.
Eu franzo o nariz quando escuto alguém pigarreando do meu lado. Viro pra direita e encontro ninguém menos que o Sr. Estranho.
"Tá tudo claro, Ana?", ele pergunta, enquanto senta.
"Sim", eu respondo, ajeitando meus óculos.
"Deixa eu ver", ele diz, pegando meu livro na mesa e abrindo pra ler. Ele levanta uma sobrancelha enquanto lê. "Você é bem talentosa", ele solta, se aproximando e me encarando. Seus lábios se curvam num sorriso.
Pegando meu livro, eu me encosto na cadeira.
"Vamos encerrar", ele anuncia, olhando pros funcionários que estavam sentados ao redor da mesa de madeira enorme. Todo mundo levanta das cadeiras e sai.
"Vou esperar lá fora", o Dylan diz quando passa por mim.
Depois que todo mundo sai da sala, eu pego minhas coisas. "Ana", ele chama, e eu paro no lugar, me viro.
"Sim, senhor?", eu respondo educadamente.
"Uma nova loja da Ucomfy abriu na rua do lado. Amanhã é o primeiro dia da inauguração, então precisa ser checado", ele anda pra frente. "Então, temos que ir agora ver os produtos",
"Agora?", eu exclamo.
"Sim, eu não te falei antes porque você nem apareceu na minha frente, sumiu num piscar de olhos depois dos papéis", ele reclama, me olhando de cima.
"Vou pegar minha bolsa", eu saio correndo, tentando evitar a conversa.
"Levem isso pra lá", o Sr. Han instrui os trabalhadores que estavam colocando os móveis no showroom.
Já são quatro e meia, e faz quase uma hora e meia que estão arrumando o showroom. Viemos de táxi porque o carro do Sr. Han quebrou e o Harry levou pra consertar.
Eu examino o ambiente. Entendo porque ele tá no topo dos empresários. A empresa oferece o melhor para seus clientes, a qualidade dos móveis é visível e a Ucomfy é conhecida como a melhor marca de móveis. A reunião hoje foi sobre o novo projeto, que é para a abertura de um hotel, e tenho certeza que vai ser um sucesso também, porque tudo que ele faz dá certo.
De repente, o Sr. Han me puxa pra perto dele, o que me faz bater no corpo dele. Eu olho pra cima, com as sobrancelhas franzidas. "Cuidado, garota", ele solta.
Dando um passo pra trás, eu olho pra trás. Dois homens carregando um sofá. Eu olho pra ele, ajeitando meus óculos. "Obrigada", eu agradeço baixinho.
Eu olho pra ele, que está parado na frente da carrocinha de algodão doce. Saímos da loja às seis e andamos um pouco. O Sr. Han se vira e vem na minha direção, segurando o algodão doce de patinho amarelo, que parece fofo.
"Toma", ele diz, estendendo o palito.
"Acha que vou comprar pra mim?", ele sorri quando me olha curiosa.
Eu pego o algodão doce e dou uma olhada na figura fofa. Um sorriso surge nos meus lábios. Dando uma mordida, deixo o açúcar derreter na minha boca.
"É bom, obrigada", eu digo, enquanto ando. Olhando pro doce, dou outra mordida.
Ele para no lugar de repente, o que me faz parar também. Eu olho pra ele quando ele se aproxima. Ele pega o palito de algodão doce da minha mão e morde do mesmo lado que eu.
Eu engasgo com a atitude dele quando ele me entrega de volta.
"Não quer dividir?", ele pergunta, me olhando divertido.
"Isso é beijo indireto", eu murmuro pra mim mesma, mas quando vejo a sua expressão de deboche, eu sei que ele ouviu. Mentalmente, dou um tapa na minha cara pela minha burrice.
"Parece que a Ana assiste e lê muito drama", ele se abaixa pra ficar na minha altura. "Não importa, já nos beijamos diretamente", ele diz baixinho. Minhas bochechas começam a esquentar e meu coração volta a disparar.
Ele se endireita e anda pra frente. "Vai ficar parada aí, Ana?", ele fala alto, o que me tira dos meus pensamentos. Eu pisco, tentando entender o que ele disse antes.
"Babaca", eu xingo ele baixinho, enquanto o sigo, mordendo o algodão doce de raiva.
Paramos na rua pra pegar um táxi. Eu fico do lado dele de novo, fingindo que nada aconteceu. Como ele pode ser tão casual depois do que falou? Eu ouço meu toque de celular. Tirando o celular tocando, eu atendo.
"Onde você tá?", o Dylan pergunta assim que eu atendo.
"A caminho de casa", eu respondo secamente, tentando não ficar nervosa, já que os olhos do Sr. Han estão em mim.
"Vamos jantar juntos?"
"Onde?"
"No mesmo lugar, às 19h, pode ser?"
"Pode ser, te vejo lá", desligando, coloco o celular na bolsa.
"Ana", ele chama. Eu olho pra ele. "Vamos jantar", ele pede, com a voz firme também.
"Desculpa, tenho planos", eu corto, olhando pro lado.
"Já tá quase na hora, é por minha conta, por você ter ajudado", ele insiste.
"É meu trabalho, Sr. Han", eu respondo, com os olhos fixos na rua.
"Acha que vou te beijar de novo como da última vez?", com a voz perto do meu ouvido. Tenho certeza que se eu virar pra esquerda agora, nossos rostos vão se encostar. "Não se preocupe, não vou te deixar nervosa", ele solta, endireitando e colocando as mãos nos bolsos.
"Não tô nervosa, tá? Quer jantar, ok, vamos jantar", eu grito e saio andando.
Ele tá me dando nos nervos agora.
Sentamos um de frente pro outro, a mesa quadrada de madeira entre nós. O Sr. Han afasta o vaso de flores que estava no centro da mesa. Ele desliza e olha pra mim.
"Tá brava?", ele pergunta, se inclinando da cadeira.
"Não tô", eu respondo, olhando pro lado.
"Sabe de uma coisa, Ana?", ele pergunta divertido.
"O quê?", eu pergunto em voz alta, franzindo as sobrancelhas.
"Você fica fofa quando tá brava", ele se encosta na cadeira, enquanto eu olho pra ele, com a boca aberta.
Por que ele tá sendo tão galanteador?
"Jantar com você vai ser o pior jantar da minha vida", eu cuspo, puxando o prato pra perto de mim. Pegando o garfo, eu enrolo o macarrão nele.
Tento terminar a refeição o mais rápido possível, pra poder ir pra casa e dormir bem. Estar com ele faz o tempo passar devagar, e eu odeio isso. Já mandei uma mensagem pro Dylan dizendo que não vou poder ir.
Esvaziando o prato, eu olho pra ele, que também já terminou a refeição.
"Acabou?", eu coloco a bolsa pra levantar.
"Você gosta do Dylan?", ele pergunta, com a voz fria e a expressão mostrando que não tá de brincadeira.
"O quê?", eu olho pra ele, espantada, tentando ouvir de novo o que ele acabou de dizer.
O que isso tem a ver com ele?
Ele me olha, tentando obter uma resposta. Ele sabia que eu tinha entendido o que ele quis dizer. Meu coração começou a disparar. Como ele sabe?
Eu não tenho problema em ter um relacionamento com o Dylan. Toda vez que as pessoas interpretam mal nosso relacionamento, isso me deixa feliz, pensando em nós dois juntos.
"Não é da sua conta", eu rosno em voz baixa e vou pra frente. Ouço seus passos, ele me segue.
Pegando um táxi, eu entro rápido, e ele entra num instante também. Indo pro fundo, eu olho pela janela, sem dar uma olhada pra ele.
Fico em silêncio, e ele também fica em silêncio. Eu percebo ele me encarando, e ele desvia o olhar quando eu não dou atenção. Encostando a cabeça no lado da janela, finjo que ele nunca existiu.
Ele não tem o direito de se intrometer na minha vida pessoal. Por que ele tá sendo um babaca? Eu fico ali na viagem chata, até a escuridão me dominar.