Capítulo 15
A cena na minha frente é tipo, chocante, eu diria. Só não sabia se devia rir do jeito do Sr. Han ou ter pena do gatinho. O bichano tá ali, pertinho dele, tentando andar pra frente, e ele tá numa posição tipo que vai jogar dardo, segurando uma vassoura, tentando afastar o gatinho.
Sr. Han, o cara forte e de coração gelado, tá empurrando o gatinho com uma vassoura.
Se o gatinho não estivesse nessa, eu ia rir litros, juro. Corri pra perto deles pra ajudar o bichinho, mas ele larga a vassoura, me puxa pela gola e me traz pra frente dele.
Sério, como ele consegue esconder aquela figura dele atrás da minha? O gatinho tenta andar na direção dele, sei lá, talvez goste dele, mas ele empurra meu corpo pra esquerda e pra direita, olhando os passos do gatinho. Cada vez que o corpo dele encostava no meu, dava umas fisgadas.
"Tira essa coisinha daqui, Srta. Ana", ele rosna, me puxando pra perto do peito dele, e meus ombros foram parar no peito dele, duro que só.
Ele tenta assustar o bichinho com a perna direita, mas o gato só ronrona e olha pra ele.
"Xô, xô", ele grita atrás de mim, mas eu fico parada, sem fazer nada, porque a proximidade dele tava fazendo uma magia no meu corpo.
Ok, não era pra eu estar sentindo isso, e eu simplesmente não gosto, não gosto de concordar com o fato de que ficar com ele parece familiar, tipo, eu gosto.
"Vai embora", ele grita pro gatinho, que agora senta e olha pra gente. Saindo dos meus pensamentos, dou um passo pra frente e ele corre pra fora, pra minha casa.
"Animais são proibidos aqui, Srta. Ana, e tenho certeza de que você sabe disso", ele resmunga, e quando me viro pra olhar pra ele, a risada que eu tava segurando saiu sozinha, só de olhar pra ele.
"Nunca imaginei que o Sr. Han tinha medo de gatinhos", eu solto, rindo no meio.
"Eu só tenho alergia ao pelo", ele fala, rangendo os dentes pra não passar vergonha. Mas a cara dele tá toda vermelha e ele tá muito fofo, tipo, se eu fosse a namorada dele, ia ficar na ponta dos pés e beijar as bochechas dele, porque ele parece uma criança que foi pega roubando um biscoito.
"É mesmo? Tenho certeza de que vou ficar famosa se postar isso nas redes sociais", minha risada enche a sala dele, imaginando os comentários, meu estômago começa a doer e uma lágrima escorre, eu seguro o estômago e tento me acalmar respirando fundo, mas não consigo, é muito engraçado de assistir e eu tô feliz por ser a sortuda que sabe o segredo dele.
"Srta. Ana", ele me chama com a voz baixa, ele dá um passo e isso me abala completamente, eu paro e olho pra ele, tentando não explodir, porque ele tá me encarando.
"Parece que você tá gostando da situação", ele diz, dando outro passo.
"Em vão, podia ter tirado uma foto de você todo vermelho", eu digo, rindo de novo.
"É mesmo?", ele dá mais um passo.
"É sim", eu gargalho, dando um passo pra trás.
"Você ia", ele dá um passo.
"Ia sim", eu rio, dando um passo pra trás, olhando pra ele.
"Vamos ver quem vai ficar vermelho", ele fala baixinho, enquanto passa a mão direita na minha cintura e me puxa pro peito dele, eu olho pra cima, encostando o queixo no peito dele.
Tudo parou, eu tava curtindo provocar ele uns minutos atrás, mas agora virou outra coisa, sinto algo no fundo do meu estômago e um rubor quente sobe pelas minhas bochechas. Fico encarando ele sem piscar, e ele me olha, com os olhos macios, mas aquele sorriso de canto ainda no rosto.
Ele me pega pela cintura, com a outra mão na minha cintura também, traz o rosto dele mais perto do meu, enquanto eu só fico olhando pra ele.
Como eu disse antes, meu corpo tá me traindo, quero empurrá-lo, mas não faço. Eu simplesmente não sei por quê, depois de pesquisar no Google porque alguém flerta com você, as respostas me deixaram envergonhada, na viagem chata de ontem, eu só pesquisei no Google 'por que ele flerta com você' e dizia que é porque ele se sente atraído por mim, eu sei que essa resposta é algo que todo mundo sabe, eu fui tão burra em fazer isso, mas ler aquilo me fez sentir diferente, achei que ele só brincava pra me irritar, mas toda vez que ele falava, os olhos dele diziam tudo.
Nossa, acho que preciso ir ao médico, porque tô ficando louca agora.
Ele chega mais perto, o rosto a centímetros do meu, eu fecho os olhos em resposta. Não sei por que tô fazendo isso, talvez eu só esteja fora de mim e não consigo controlar as batidas aceleradas do meu coração.
Ele chega ainda mais perto, nossos lábios quase se tocam, ele desvia os lábios. "Minha garota tá toda vermelha", ele sussurra no meu ouvido direito, o que me faz abrir os olhos de repente. Eu olho pra ele, que está me encarando. Ele me carrega ainda mais alto, de modo que meus lábios roçam em seu queixo.
Por que não consigo fazer nada? Meu corpo para de funcionar, eu odeio isso, odeio ficar parada, mas adoro.
Eu fico olhando pra ele, nossos rostos a centímetros de distância porque eu inclino a cabeça para trás, ele sorri enquanto se move para a frente, mas coloco minha palma sobre seus lábios depois de um longo debate da minha mente e coração. Sinto seu sorriso na minha pele, olho em seus olhos macios.
"Ana", ouço Dylan me chamar.
Tiro minha mão, me mexendo em seus braços.
"Larga", eu sussurro, porque ele me segura firme, sem me soltar.
"Sr. Han, me solta", eu rosno, olhando pra ele, mas ele nem se mexe, ele avança num piscar de olhos e captura meus lábios.