Capítulo 4
PONTO DE VISTA DO SR. HAN
Ver ela entrando no carro dele me deixou puto. Eu tava mexendo no botão da manga do meu smoking, pensando nela, pertinho de outro cara. Ela parece tão à vontade com ele, enquanto tava super nervosa na minha frente. Por que ela não me deu aquele sorriso dela? E os olhos dela brilharam quando viu ele.
Meu botão soltou da linha, o que me tirou dos meus pensamentos.
Ana… Ana…
Depois de uns CINCO ANOS, finalmente te encontrei.
Ela não faz ideia de como eu tava procurando por ela, sem saber que a gente tava no mesmo país, na mesma cidade, na mesma empresa e quase no mesmo lugar.
Fui andando pro estacionamento, entrei no meu carro e peguei meu celular no bolso.
"Onde você tá?", perguntei assim que ele atendeu a ligação.
Pensar nela tá me deixando louco, principalmente ela com outro cara.
Ele é o namorado dela?
Há quanto tempo eles estão juntos?
Porra… isso tá me deixando maluco.
"Por que tanta pressa, cara?", o Lan perguntou, rindo. "No meu escritório."
"Já tô indo", falei e desliguei a ligação.
Joguei meu celular no banco do passageiro e liguei o carro.
Eu diria que encontrar a Ana é destino, porque eu procurei por ela em todo lugar, mas, milagrosamente, encontrei quando tava visitando as lojas e escritórios pra checar as coisas.
A maioria das vezes, eu mando outra pessoa da equipe da gerência pra checar, e de vez em quando eu vou sozinho.
Uns dias atrás, entrei no escritório do Sr. Andrews, esperei por ele, porque ele tava ocupado com alguma coisa. Enquanto olhava em volta, percebi que tinha uma caixa de papelão na mesa dele, fui até a mesa e vi que as etiquetas de identificação dos funcionários estavam na caixa. Peguei uma das etiquetas, li e coloquei de volta, com os olhos fixos na etiqueta específica que tava em cima.
Senti felicidade e ansiedade me dominando. Eu não sabia se era verdade ou não. Eu só a encontrei. Tinha que ser ela. Definitivamente é ela. Cinco anos, PORRA, cinco anos que eu tava procurando por ela em todo lugar, mas ela tava aqui, na minha frente, trabalhando sob minhas ordens.
Srta. Ana Thomas
Minha boca se contorceu quando vi a foto dela.
Ela tava com uma camisa azul e um lenço branco. O cabelo preso num rabo de cavalo e ela tava meio diferente. Usava óculos e aquele sorriso que me mata.
Milhões de pensamentos de felicidade invadiram minha mente, porque eu não conseguia acreditar que finalmente sei onde ela tá e como ela tá.
Eu vou tê-la de volta.
Eu vou ter minha garota de volta.
Eu tô pra baixo desde a hora que soube que ela foi embora. Foi como se a alegria e a cor da minha vida tivessem se perdido, porque ela era a única que trazia um sorriso no meu rosto depois de anos. Voltei a ser o de antes depois que ela foi embora, parei de ter contato com minha família e sempre preferi ficar sozinho.
Jon e Bray me ligam pra ver como eu tô, mas eu tento acabar a conversa o mais rápido possível, porque eles tão preocupados comigo. Eles tentam me consolar e eu fico tipo que tô bem e já superei ela.
Mas não.
Eu não tava bem.
E eu não tava, e nunca vou superar ela.
O Sr. Andrews entrou, o que me tirou dos meus pensamentos com o barulho da porta.
"Tudo bem, senhor?", ele perguntou, olhando pra mim, com o rosto em claro espanto.
"Sim, ela tá", perguntei, mostrando a etiqueta pra ele.
Pegando a etiqueta, ele olhou pra foto e um sorriso apareceu no rosto dele.
"Ela é a Ana, trabalha na gerência", explicou.
"Como ela é?", perguntei, sentando.
"Ela é uma funcionária muito dedicada, trabalha aqui há quase quatro anos. É uma garota excelente, gentil e competente."
"Eu quero vê-la", falei, me levantando pra procurá-la.
"Desculpe, senhor, ela tá de folga hoje."
Andando pra frente, olhei pela janela, mexendo no botão da minha jaqueta.
"Sr. Andrews", virei pra olhar pra ele. "Promova ela, dizendo que ela vai ser minha assistente pessoal."
"Sério????", ele perguntou, totalmente chocado e confuso. "Obrigado, senhor, ela merece.", agradeceu, feliz.
"E sim, o trabalho do contrato é seu, faça-a assinar o contrato", andando em direção a ele, fiquei a poucos metros de distância. "E não faça ela passar por todos os detalhes do contrato com cuidado", ordenei, enquanto caminhava em direção à porta. "Harry vai deixar o contrato pronto pra hoje e você vai ter um aumento no seu salário", declarei e saí.
Encontrar a Ana é como um sonho, porque eu não conseguia acreditar que ela era a que tava na minha frente mais cedo. Ela tava lá, diferente, com aqueles óculos, a maquiagem, o cabelo e a roupa também.
Conversar com ela fez meu coração disparar, e ver ela nervosa era algo que eu gostava. Toda vez que ela entrava e falava, um sorriso idiota aparecia no meu rosto, como antigamente. É como se eu tivesse recuperado a cor da minha vida. A presença dela era algo que eu tava querendo muito ter de volta.
Estacionei o carro, saí e fui andando pro escritório do Lan. Ele é psiquiatra e também é especialista em aconselhamento.
Abrindo a porta, entrei e me joguei no sofá.
"Eu lembro que você me disse que ia encontrar a Ana hoje, e você tava todo sorridente ontem, e agora a carranca voltou", ele disse, arrumando a mesa e olhando pra mim.
"Hummm", murmurei em resposta, fechando os olhos e respirando fundo.
Por que eu não consigo tirá-la da minha cabeça?
Ela tá me deixando louco, só no primeiro dia.
"Parece que as coisas não foram bem, o que aconteceu?", ele perguntou, se inclinando pra frente.
Sentando direito, olhei pra ele, que tava pronto pra ouvir.
"Como fazer ela se lembrar de mim?", perguntei, saindo do sofá, indo em direção a ele e sentando na cadeira em frente à mesa.
"Primeiro, você tem que ser paciente."
"E?"
"E", ele repetiu depois de mim.
"E", levantei as sobrancelhas, esperando que ele me dissesse qual é a segunda.
"E, agora me diga o que aconteceu."
"Sério?", reclamei, enquanto ele sorria pra mim.
Contei tudo o que aconteceu hoje pra ele, e ele ficou bem surpreso que a Ana não me achou estranho por estar sorrindo como um lunático.
"Tudo bem, então você tá preocupado com o amigo dela?"
"Mais ou menos", eu debochado, mas era mentira, claro.
Sim, ele tá me preocupando... Tô preocupado com quanto tempo eles estão juntos... Tô preocupado com o que ela sente por ele... Tô preocupado com o que aconteceu entre eles... porra... isso tá me deixando maluco... Só preciso tê-la de volta.
"É só o primeiro dia, Jackie, espere uma semana."
"O quê? Uma semana?", fiz uma careta, olhando pra ele, questionando.
"O primeiro ponto era ser paciente", ele me lembrou, olhando pra mim com as sobrancelhas levantadas.
"Ah, ok, ok, tudo bem, eu concordo", inclinei-me dramaticamente.
Tudo bem, só ser paciente… Eu esperei sem saber onde ela tava por um tempão, agora ela tá comigo, então não vai ser difícil esperar… Só vou ser paciente por ela… Fazer dela minha e levá-la pra minha família. Não me importa nem que ela não se lembre do passado, desde que eu a tenha de volta.
"Vamos jantar", ele sugeriu e saímos pra comer.