Capítulo 7
Todo mundo tava olhando pra gente quando a gente saiu do carro, todo mundo parou e deu uma pausa no que tava fazendo, os olhos deles fixos na gente. Ajustando meus óculos, fui andando pra frente, tentando sair dali rápido, o barulho dos meus saltos podia ser ouvido claramente, tipo, tava tudo em silêncio, parecendo uma sala de exame. Era tipo quando o tempo dá um pause nos filmes de viagem no tempo.
Sr. Han pigarreou e olhou em volta, o que fez o povo voltar a trabalhar, tipo, o tempo começou a andar de novo. Esse ambiente me deixou super desconfortável. Abaixei o olhar, ajustando meus óculos e corri pro banheiro feminino.
Olhando no espelho, suspirei, foi mega estranho.
"Tudo bem?" Ouvi uma voz, e virei pra direita.
"Foi o centro das atenções, com certeza", a Carlota gargalhou.
"Foi estranho", respondi baixinho, olhando pra minha cara no espelho.
"Sabe por quê?", ela perguntou, parando do meu lado, pegou o batom e começou a passar, olhando pro reflexo dela.
"Por quê?", perguntei, olhando pro reflexo dela.
Ela passou os lábios uma na outra, sorriu olhando no espelho, botou o batom na pia e olhou pra mim, com um baita sorriso no rosto.
"O Han não leva ninguém, saca? Nem a assistente pessoal dele, e aquele sorriso que ele tava quando tava perto de você… Vai fazer a galera olhar chocada", ela disse, pegando o pó compacto.
"Vocês são chegados?", perguntei, curiosa pra saber a relação dos dois, porque ele não trata ela como trata a galera dele.
"A gente se conhece desde a faculdade, e meu pai é amigo do tio dele", ela deu uma batidinha com a esponja na bochecha e botou de volta na bolsa.
Chegando mais perto, ela encostou o rosto no meu: "Ele tá a fim de você, certeza", sussurrou. "Você é especial", ela soltou.
"Que nada", garanti, e saí do banheiro.
É muita loucura, ele é só um cara esquisito, idiota e metido.
Chegando no meu escritório, peguei as pastas que precisavam ser organizadas. Já são dez e meia, daqui a duas horas a gente vai almoçar. O Dylan me mandou uma mensagem perguntando se eu ia, ele tava felizão de saber que a gente ia se encontrar oficialmente como colegas de trabalho.
Bocejei, estiquei os braços e relaxei os ombros na cadeira, já deu por hoje. Peguei o telefone que tava tocando e atendi, encostando a cabeça na mesa.
"Alô?", falei com sono.
"Srta. Ana, tô te esperando no estacionamento", falou a pessoa do outro lado.
Levantei, esfreguei os olhos e olhei a hora, já são meio-dia, a gente tem que estar lá às 12:30. Peguei o celular e desci, salvando o número do Sr. Han no meu celular enquanto esperava no elevador.
Contato: Sr. Esquisito
"Desculpa a demora", pedi desculpas, entrando no carro, coloquei o cinto e virei pra esquerda, encontrando aqueles dois olhos castanhos me encarando.
"Pronta?", ele perguntou, o canto direito dos lábios se mexendo um pouquinho.
A Carlota, o Sr. Andrews e meus colegas falaram que o Sr. Han é do tipo que não sorri nem se botarem a câmera na cara dele, mas ele é uma pessoa totalmente diferente do que eu ouvi falar.
Talvez fofoca e boato mudaram a imagem desse cara.
"Sim", balancei a cabeça.
Chegamos no restaurante, fomos andando pro salão reservado, entramos e lá tava um cara que devia ter uns quarenta e poucos anos, cabelo meio grisalho, usava um smoking cinza com o paletó aberto, uma camisa branca e uma gravata cinza lisa. Do lado esquerdo dele tava uma pessoa que devia ter uns trinta e poucos anos, cabelo loiro com gel, dava pra ver bem as sobrancelhas loiras, usava uma calça azul, uma camisa azul clara e uma gravata azul com bolinhas brancas, e do lado esquerdo tava o Dylan sorrindo pra mim. O Dylan tava com uma calça jeans preta e uma camisa branca.
Indo pra mesa, cumprimentamos todo mundo, o Sr. Han sentou em frente ao cara com cabelo grisalho, e eu sentei em frente ao Dylan.
Eles conversaram sobre o projeto que ia rolar e eu fui anotando os pontos que deviam ser escritos. Depois que a conversa acabou, todo mundo levantou e apertou as mãos, falando que tavam ansiosos pra trabalhar juntos. Os outros dois homens foram embora, deixando só eu, o Dylan e o Sr. Han.
"Cê vai pra casa?", o Dylan perguntou, já tava de tardezinha e eu não tinha mais nada pra fazer no escritório.
"Eu te levo", o Sr. Han falou alto, dando um passo pro lado, chegando mais perto de mim.
"Oi, sou o Dylan, amigo da Ana", o Dylan se apresentou, botando a mão pra frente, de boa, como se tivessem feito formalmente antes.
Olhando pro Sr. Han, notei que ele tava com a mandíbula travada, a linha do maxilar dele, que já é forte, tava tão dura que dava pra ver que ele tava puto.
O que deu nele?
"Sr. Han", respondi, tentando evitar o climão que tava rolando. Levantei a mão pra cumprimentar o Dylan, já que ele ainda tava com a palma estendida. Mas antes da gente encostar a pele, o Sr. Han agarrou a mão dele e fez o aperto de mão, olhando pra ele, deu pra ver que ele tava fazendo força pra não apertar forte.
Ele tá maluco? Por que ele tá tratando meu amigo como se não quisesse conhecer ele?
"Sr. Han, o chefe da Srta. Ana", ele apresentou, precisava falar isso? Tipo, o Dylan já sabe que ele é meu chefe e eles já fizeram tudo isso antes como parceiros de negócios, mas essa apresentação de chegar junto não rola.
Esse cara é burro.
"Ouvi falar de você pela Ana", o Dylan falou, piscando pra mim.
"Que bom saber que a Srta. Ana fala de mim, espero que não seja nada ruim", ele respondeu grosso, dando uma encarada nas últimas palavras.
"Ah, ia te levar pra casa, mas, sei lá, até mais, preciso discutir isso com eles", ele falou, e foi embora. "Te ligo mais tarde", ele disse, passando por mim.
"Beleza, Sr. Han, tchau", pegando minha bolsa e meu celular, empurrei a cadeira da mesa.
"Espera", ele mandou, antes que eu pudesse dar um passo.
"Oi?", perguntei, virando com a ponta do salto.
"Eu te levo e…",
"E?", perguntei, levantando as sobrancelhas pra ele, com os braços cruzados no peito.
"Quero te pedir um favor", ele perguntou, com a voz suave, os olhos fixos em mim, e ele tava bonitinho daquele jeito sincero.
O Sr. Han, conhecido por ser frio, o popular, o CEO mais gato, me pedindo um favor tão fofo.
Sério, isso tinha que bombar nas redes sociais, acho, porque ele é tipo, a favor da mídia.
"O quê?", perguntei, franzindo o nariz, curiosa pra saber o que ele queria.
Ele se abaixou pra ficar da minha altura, os olhos dele olhando direto pros meus: "Seja minha namorada", ele sussurrou.
"Quê?", quase gritei.
Graças a Deus que é uma sala reservada, se não, ia chamar a atenção de todo mundo.
"Minha mãe marcou um encontro às cegas pra mim e eu não tô a fim, então quero que você finja ser minha namorada",
Ok, isso faz sentido, se não, por que ele ia me pedir pra ser a namorada dele, sendo que tem um monte de gatas querendo ele? Não faz sentido.
"Por que você não fala pra sua mãe que não gosta?", perguntei, jogando umas indiretas pra ele.
"Se eu pudesse, por que eu ia te pedir um favor?", ele explicou, de boa, olhando pra mim.
"Mas, desculpa, não dá, arruma outra pessoa", berrei, e virei pra ir embora.
De repente, ele me puxou pra um abraço, dei uma parada, o toque dele me fez sentir outra coisa, só conseguia ouvir o coração dele, parecia familiar.
"Eu não te solto até você dizer sim", ele riu.
Sério, isso é tão infantil, como ele pode pensar numa parada dessas?
"Me larga", gritei como uma bruxa e me debati nos braços dele, mas não consegui movê-lo nem um centímetro.
Beleza, parece que o truque dele funcionou, porque eu tava tentando me livrar dele, mas não consegui.
"Tá, tá", desisti, depois de tentar tanto me soltar dos braços dele, me soltando, ele foi andando pra frente, pedindo pra eu seguir ele.
"Tão imaturo", falei alto, com raiva, e ele só ignorou, dramaticamente.
Ele é louco, sério, muito louco.