Capítulo 32
Ela bota a lata na mesa com força e olha direto pro Dylan que tá sentado na frente dela. Ela veio pro bar do churrasco à tarde, cansada de procurar a gatinha dela, que sumiu. Estava de saco cheio de tudo que aconteceu essa semana.
"Deixa eu descascar pra você", ela grita imitando o Sr. Han. "Sabe", pegando a lata, ela vira a bebida e se inclina pra frente. "Ele tá me evitando agora?" ela fala baixinho.
"Ana, o que aconteceu?"
"Nada", ela responde alto, levantando a lata e fazendo um brinde no ar.
O Dylan fica quieto e observa ela bêbada, se fazendo de boba, porque não pode fazer nada, e pensou que ia fazer ela se sentir melhor. Ele manda uma mensagem pro Sr. Han dizendo pra se apressar.
**Ponto de Vista do Sr. Han**
Correndo pra mesa deles, sento do lado do Dylan, que tava olhando pra ela enquanto ela tagarelava alguma coisa.
"Finalmente você veio", o Dylan diz, com os olhos fixos na Ana.
"O que aconteceu?", pergunto curioso, olhando pra ela.
"Não sei, ela tá aqui bebendo desde a tarde e te xingando",
"Sr. Han", o Dylan chama, a gente não troca olhares, porque os nossos olhos estão fixos na Ana. "Eu sei que você tava ocupado, porque a gente tava no mesmo lugar",
"Você veio aqui depois de voltar do trabalho?",
"Sim", ele responde com a voz cansada.
"Ah, quantas latas ela já tomou?" Eu olho debaixo da mesa pra ver se tem latas vazias, mas não tem nada. Sentando direito, eu olho pra ela de novo.
"Uma", o Dylan fala, sem tirar os olhos dela.
Ela deita a cabeça na mesa e senta de novo, toma mais um gole e bota a cabeça pra baixo de novo. Acordando, ela fala alguma coisa de repente e algumas das palavras dela me fizeram entender por que ela tava chateada.
Eu tava acompanhando a Lara porque o pai dela não tava e ele é muito amigo do meu tio, e ela também me ajudou muito, ficou acordada a noite toda quando eu tava doente. Eu só fiquei bravo com ela no nosso último encontro porque não gostei do que ela falou.
"Ela tá com a mesma agora?", pergunto curioso, sério mesmo, ela tá bebendo aquela lata desde a tarde, já são quatro horas.
"Sim",
"Como você sabe que ela tá...?"
"Minha irmã me ligou, ela não pôde ficar com ela porque tá na nossa cidade natal. Ela me disse que o gatinho dela sumiu também", ele fala antes que eu termine a pergunta.
"Você", ela grita de repente chamando a nossa atenção, não só a nossa, como também a galera em volta da gente. Se aproximando, ela aponta pra mim. "Você... Você", ela faz uma pausa quando arrota, esvaziando a lata, ela olha pra mim e aponta de novo. "Eu vou... Eu vou te matar", ela grita com a voz baixa.
Sentando direito, ela tira o casaco e começa a desabotoar a camisa.
"Já vou", me levanto imediatamente, pego o casaco dela do banco e cubro o corpo dela, enquanto a abraço pra carregar.
"Tô com calor", ela se contorce no meu abraço.
Colocando o celular dela no bolso da minha calça, eu a carrego no estilo noiva.
"Sr. Han", eu paro no lugar, virando pra olhar pra ele.
"Eu vejo o quanto ela te ama, mas é melhor você tratar ela bem, senão eu vou aproveitar a chance", ele diz, cada palavra soando séria.
"Vou tratar sim, e sinto muito que você não vá ter a chance", dou de ombros e dou um sorriso pra ele.
pra ser sincero, sou grato a ele porque ele entende. O Dylan e eu nos encontramos frequentemente pro nosso projeto e eu contei pra ele sobre a Ana. Ele ficou feliz que ela tem uma família e saber que eu posso cuidar dela, mas ele sempre me lembra pra tratar ela bem.
Ele é um bom amigo mesmo.
Abrindo a porta do banco do passageiro, eu coloco ela no banco, puxando o cinto de segurança e prendendo. Meus lábios se curvam num sorriso quando eu ouço ela murmurar alguma coisa baixinho.
Droga, ela é tão fofa.
"Me bota no chão", ela reclama como uma criança no meu colo.
"Tenho medo que você não esteja estável", eu olho pra baixo pra ela, levantando a sobrancelha.
"Tô sóbria", ela aponta o dedo indicador pro ar, olhando pra mim, ela sorri. "Eu consigo ficar de pé", ela solta com uma risada.
Saindo do elevador, eu a carrego pro meu quarto. Deitando ela na minha cama, eu sento no chão na beira da cama, tirando os sapatos e as meias dela, e levanto.
"Sabe", ela levanta de repente na minha frente, me pegando de surpresa.
"O quê?", pergunto suavemente enquanto a seguro pra ajudar ela a ficar de pé.
"Meu gatinho sumiu", ela faz beicinho triste.
"Eu vou achar ele pra você", eu garanto.
"Você não tem medo disso?" ela olha pra mim nos meus olhos, procurando uma resposta.
"Vou ter, por você",
"Sério?" ficando na pontinha dos pés, ela me beija na bochecha direita, me deixando surpreso.
Eu olho pra ela, enquanto ela tava me olhando como se estivesse com vontade de me ver.
O comportamento dela tá me deixando quente e me deixando louco agora.
Eu coloco a palma da minha mão esquerda sobre o meu pulso direito atrás das costas dela pra parar meu relógio inteligente, pois ele começou a apitar por causa do aumento da frequência cardíaca.
Eu chego mais perto, nossos olhos ainda se olhando, ela dá um passo pra trás e coloca o dedo indicador no meu peito.
"Não... Não... Você vai pra Lara", ela fala baixinho com a voz desapontada.
Meu coração apertou quando eu ouvi ela, não achei que ia afetá-la. Eu não tive tempo pra ela por causa da pressão do projeto novo e de ir ao hospital.
Eu nunca pensei que minha garota ia sentir ciúmes.
"Vamos conversar amanhã, é melhor você descansar agora", segurando os ombros dela, eu faço ela sentar na cama, pegando os sapatos dela, eu viro pra ir embora, mas não consigo, movendo o olhar pra baixo pra minha calça, eu vejo a palma da mão dela agarrando o tecido.
"Jackie", ela chama com a voz suave dela, o que fez com que os sapatos que eu segurava caíssem no chão. Meus olhos arregalaram de surpresa, virando, eu seguro o rosto dela.
"Me diz se você conhece o antigo eu antes de ir", ela pergunta com a voz baixa, olhando nos meus olhos profundamente.
"Sim...Sim", eu gaguejo de felicidade.
"Me chama mais uma vez", eu peço chegando mais perto dela.
"Hã?",
"Ana, você lembra?" pergunto suavemente, franzindo as sobrancelhas, meu coração ansioso pela resposta.
"Você é burro", ela faz uma careta, levantando as mãos.
Um suspiro sai dos meus lábios, sabendo que falar sobre isso agora não vai adiantar nada. Eu simplesmente não consigo acreditar que ela está bêbada, como se tivesse tomado umas dez latas, mas ela só tomou uma.
Se inclinando pra trás, ela descansa o corpo na cama e olha pra mim, mordendo o lábio inferior, ela sorri amplamente fofamente. "Vem... dorme comigo", ela estende os braços.
"Não... vou dormir no sofá",
"Aaarrhhhh", ela grita alto como uma criança enquanto se debate na cama, como um peixe no chão sem água.
"Ohh...ok", eu dou um passo à frente, segurando as mãos dela. "Você está me fazendo perder a paciência", eu falo, me curvando sobre o corpo dela, apoiando as palmas das mãos na cama de cada lado da cabeça dela, eu olho pra ela, que está me olhando com um sorriso largo.
"Você vai se arrepender disso de manhã", eu me gabo, me aproximando dela.
Eu não consigo mais me controlar e ela está me deixando louco, afrouxando a gravata, eu abotoo alguns botões na parte de cima com a mão direita enquanto sinto calor, meus lábios se contraem em um sorriso quando me aproximo dela, mas meu sorriso cai quando a vejo dormindo.