Capítulo 22
Entrando na minha cabana, me jogo na cadeira, jogando pra trás, encostando os ombros nela. Sentando direitinho, fico olhando pro meu chefe, que tá todo concentrado no trabalho, um sorriso malvado aparece nos meus lábios, levanto e vou até meus colegas pegar os arquivos. Entro no escritório dele sem bater, caminho em direção à mesa e jogo os arquivos na mesa dele, o que faz ele olhar pra cima pra mim na hora.
"Não estão revisados, e eu não vou fazer isso", cruzo os braços no peito, olhando pra ele que pega os arquivos e começa a olhar.
"Pode me demitir se quiser", cuspo, saindo e fazendo um barulhão com meus saltos.
Demorou um tempão pra hora da pausa chegar, porque eu não tava fazendo nada, só ficava andando pra lá e pra cá, pra fora do escritório dele, pra irritá-lo, e não faço ideia de como ele consegue ser paciente. Descendo as escadas, encho a caneca dele de café, pego uma colherada enorme de açúcar e misturo no café, coloquei duas colheres cheias de açúcar, porque o Sr. Han não bebe café com açúcar.
"Sr. Han", coloco um sorriso falso na cara, entro e coloco a caneca na mesa e ele me olha com curiosidade.
Eu simplesmente não consigo aguentar fazer todas essas maldades, mas só quero que ele me demita ou que me deixe pedir demissão, e a ideia do contrato tá me deixando maluca.
Os olhos dele colados em mim, com as sobrancelhas franzidas, ele aproxima a caneca dos lábios, me encarando, ele dá um gole, tento fazer um sorriso quando ele morde o lábio inferior e engole o café com muita dificuldade.
Ok, desisto de agir assim.
Encostada na mesa, me aproximo quando ele põe a caneca vazia na mesa, a expressão dele mostra totalmente que ele está bem, mas tenho certeza que aquele café tava doce demais pra não dar dor de cabeça.
"Me deixa pedir demissão", rosno, encarando ele, quando ele levanta uma sobrancelha, divertido, e aquele sorriso aparece no rosto dele.
Como ele consegue mudar de humor num piscar de olhos?
Em pé, ele encosta na mesa, os olhos dele nunca saem dos meus e aquele sorriso brincando nos lábios dele, o que fez minha confiança idiota afundar. Ele se aproxima, o rosto a poucos centímetros do meu e a cena muda totalmente, ironicamente, agora eu sou a que está olhando pra ele com curiosidade, enquanto ele é o que está brincando aqui.
"Srta. Ana", a voz dele sai baixa, "Não esquece que eu sou uma pessoa de pavio curto."
"Não tô nem aí", respondo.
"Você é bem braba", ele franze a testa, "Então trabalhe por um ano sem receber", ele dá de ombros.
Sério, como eu posso trabalhar por um ano sem receber, tudo que eu quero é ir embora e nunca mais encontrar ele.
"De jeito nenhum."
"Seus truquezinhos não vão funcionar comigo", ele ri baixinho, "Você foi a que assinou o contrato sem cuidado."
Sim, ele está certo, nada está certo do meu lado e tudo o que está acontecendo aqui é culpa minha, eu não deveria ter assinado o contrato sem pensar.
"Ok", dou um passo pra trás, encarando ele, o sorriso dele se alarga, o que está me dando nos nervos.
"Você fica fofa quando está brava", ele ri, sentando e continua o trabalho enquanto eu o encaro.
"Babaca", grito alto e saio batendo a porta.
Me sinto culpada por não trabalhar o dia todo, fiquei debatendo comigo mesma se trabalho por um ano sem receber ou não.
Um mês sem receber seria aceitável, mas um ano é algo impossível, ele é uma raposa esperta, trabalhar por um ano sem receber com certeza vai me colocar na rua.
Estou no elevador, olhando pra frente, sem expressão, quando ele entra, a quietude domina até que ele a quebra.
"Você aceitou a proposta dele?", ele pergunta, olhando pra mim, enquanto meus olhos estão fixos na porta.
"Não é da sua conta."
"É sim", ele diz, olho pra ele, franzindo as sobrancelhas de raiva.
"Não é", eu zombo e saio.
Entrando no carro, coloco o cinto de segurança, sentindo o olhar dele ainda em mim, mesmo à distância.
"Você parece puta da vida", Dylan fala, ligando o carro.
"Mais ou menos", suspiro.
Ficamos em silêncio a viagem inteira e fico feliz que o Dylan não puxa assunto sobre nada do que aconteceu.
"Boa noite, dirija com cuidado", eu solto, saindo do carro, entro imediatamente.
Me refrescando, troco de roupa, coloco o pijama, sento no sofá, suspiro, tomando um gole de leite. Todos os meus pensamentos são sobre o que vou fazer nos próximos dias, eu só não quero encarar ele. Pego meu celular na mesa, conecto o fone de ouvido, coloco uma música e fecho os olhos, tentando relaxar meu cérebro cansado.
Minhas pálpebras se abrem quando meu celular faz um barulhinho de notificação, sento direitinho, destravo o celular.
'Dormindo?' é uma mensagem da Emma.
Sorrio, clico no chat, mas o celular escorrega da minha mão quando a campainha toca.
Removendo o fone de ouvido, coloco o celular no sofá e vou em direção à porta.
"É você?", pergunto curiosa para a pessoa que está na minha frente.
"Sou amigo do Han, só queria te pedir um favor, tive uma emergência, você pode cuidar dele um pouquinho, por favor?", ele diz e entra no elevador aberto rapidamente, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.
Que tipo de pessoa é ele e por que eu deveria cuidar do Sr. Han, ele não é uma criança. Indo em direção à porta aberta, paro no lugar, olhando pra ele, sentado no banquinho perto da prateleira, com a cabeça baixa.
Droga... ele está bêbado.