CAPÍTULO 27
"E então o quê?" Kelvin perguntou enquanto olhava preocupado para Emily que levou a mão aos olhos, tentando esfregar as lágrimas enquanto elas escorriam incessantemente pelas bochechas. "Tudo bem se você não conseguir terminar..."
"Não, ela vai continuar." Melanie interrompeu Kelvin, que estava começando a se preocupar com ela, sabendo que ela estava contando algo que não queria contar a ninguém. "Continue, Emily."
"Okay..." Ela suspirou tremendo enquanto respirava fundo, tentando se recompor um pouco mais antes de poder continuar sua história, sentindo seu próprio corpo tremer só de pensar nisso. A ideia de continuar a história sozinha lhe deu arrepios descendo pelos braços. "O rapaz foi para o quarto com minha mãe naquela noite e meu pai não voltou, pois alegou que ficaria fora por três dias por causa de um programa de negócios, mas eu sabia que ele estava vendo uma mulher a quem ele estava mais apegado. Uma mulher que eu achava que era minha segunda mãe, embora ela não falasse muito comigo. Então minha mãe aproveitou a chance de passar um tempo com o rapaz, sim, agora você entende por que ele ficou..." Ela suspirou mais uma vez. "Hum... Então, um dia, minha mãe teve que sair para encontrar o pai dela, que só queria saber como ela estava, não queria me ver, a propósito. Então eu fiquei sozinha com o rapaz que ainda estava por perto naquela época. Ele veio do quarto e me seguiu enquanto eu estava em nosso quintal apenas admirando as flores fracas que minha mãe estava tentando cultivar. Ele se agachou ao meu lado e perguntou se eu queria ser amada como ele prometeu no outro dia e eu perguntei se ele tinha minhas balas. Ele instantaneamente pegou três barras de chocolate e só me deu uma, dizendo que me daria o resto se eu o seguisse. Então eu fiz. Eu segui quando ele me levou para o quarto dos meus pais. Ele me disse para sentar na cama e disse que só estava trancando a porta para que minha mãe não me pegasse comendo doces pelas costas. Eu não achei que nada estivesse errado, então terminei minha barra de chocolate e pedi as outras. Ele caminhou em minha direção e de repente me empurrou com tanta força que minha cabeça bateu na fina cama com tanta força que doeu um pouco. Eu perguntei o que ele estava fazendo e ele disse que ia me mostrar como as pessoas grandes se amam e prometeu comprar ainda mais chocolates se eu o deixasse me mostrar. Nesse ponto, eu estava ficando com medo porque ele agarrou meus pulsos com tanta força, moveu meus joelhos à força. Nesse ponto, eu estava com muito medo para pensar que o que ele estava fazendo era realmente amar alguém. Então eu gritei o mais alto que pude, gritando com meus pulmões para que meus vizinhos me ouvissem, já que eu sabia que o filho deles estava no quintal com a mãe naquela época, então eu tinha certeza de que ela me ouviria. Eu gritei tanto que meus pulmões doeram como se eu os tivesse esfaqueado incontáveis vezes. Então, para me calar, ele forçou os lábios nos meus e eu fiz a única coisa que pude para afastá-lo. Eu o mordi com força a ponto de até sentir um pouco de sangue dele. Ele recuou com dor e instantaneamente me soltou. Consegui forçar meu pé em seu peito e corri para a porta quando ouvi a campainha. Instantaneamente destranquei a porta e corri pelas escadas, chorando histericamente enquanto ia para a porta. No momento em que a abri, vi minha mãe que estava chegando e minha vizinha que estava tocando a campainha. Ela perguntou se eu estava bem e por que eu estava com sangue por todos os meus lábios. Minha mãe instantaneamente disse a elas para apenas irem embora e que eu só me machuquei e não foi nada sério. Elas foram embora depois de hesitar e perguntar se tudo bem elas irem embora. Conhecendo minha mãe muito bem, eu disse a elas para irem embora para que ela não me batesse por isso. Então, quando minha mãe entrou em casa, eu contei tudo a ela com lágrimas nos olhos enquanto eu chorava, enquanto seu namorado descia as escadas, segurando um papel higiênico nos lábios para estancar o sangramento. Ele gritou comigo por mentir e que eu o atingi por não me dar doces ou algo assim. Minha mãe escolheu acreditar nele, já que ele comprou todos os tipos de coisas para ela, então ela me bateu e gritou comigo por ser uma mentirosa suja. O homem ordenou que minha mãe me abandonasse e prometeu se casar com ela, mas como eu era um problema para ele, ele não me queria como filha. Então minha mãe concordou e me deixou em um orfanato. Eu não recusei ir para lá porque sabia que não cairia nas mãos de um pedófilo e de uma mulher que não amava seu filho. Além disso, eu esperava que meu pai viesse me buscar em casa e seríamos apenas nós dois. Mas ele nunca mais voltou e minha mãe se casou com o rapaz e se esqueceu de mim. Eu fiquei lá por um tempo, mas as crianças mais velhas começaram a me intimidar por meus pais ainda estarem vivos, mas não me querendo porque eu era um erro. Então eu fugi um dia e entrei na floresta. Foi lá que meus novos pais me encontraram, à beira da morte por não comer depois de cinco dias inteiros, pois eu estava sozinha na floresta. Eles me acolheram e me criaram como se eu fosse filha deles." Ela mordeu o lábio inferior enquanto olhava para Kelvin, cujos olhos estavam arregalados de terror. Surpresa com a história dela que era um pouco demais para uma criança naquela idade.
"Eu... eu entendo por que você surtou ali." Kelvin desviou o olhar envergonhado enquanto cerrava os punhos. "Sinto muito mesmo por ter tentado me forçar a fazer... Se você tivesse me contado naquela época..."
"Você teria medo até de acasalar comigo se eu contasse." Ela riu baixinho, enxugando as lágrimas restantes. "Você teria muito medo de sequer me tocar."
"O Jase sabe disso?" Kelvin perguntou e ela balançou a cabeça em negação.
"Eu nunca contei a ele. Eu só contei aos meus pais quando eles me encontraram. Eles notaram que eu sempre estava tentando fugir deles e das empregadas enquanto elas tentavam me alimentar ou me dar banho. Eu estava com muito medo de todos. Demorou um pouco para me acostumar com a generosidade e com a forma como eles falavam comigo. Mas eu acabei me acostumando." Ela sorriu levemente. Admirando a maneira como Valentine e Gêmeos mostraram a ela um novo tipo de vida. Uma vida pela qual ela vinha chorando.