Capítulo 57
Hope suspirou enquanto olhava para a janela que agora tinha raios suaves de sol brilhando através das persianas. Ela mal dormiu, a confissão que Harley deu a ela a manteve pensando a noite toda, tentando escolher onde e quando em sua memória ele havia mudado seu comportamento.
Ele nunca mudou.
Ele sempre foi o mesmo e mal parecia demonstrar o menor interesse nela até ontem, quando eles estavam em situações estranhas.
Logo depois que Harley foi embora, ela passou um tempo no jardim pensando nisso antes de ir para seu quarto. Não querendo encontrar mais ninguém e que lhe fizessem perguntas sobre qualquer coisa. Especialmente Ace, já que ele ia inundá-la com perguntas.
Ela gemeu, pegando seu travesseiro de seu lado e o forçando em seu rosto enquanto gritava nele.
Ela se sentiu pressionada.
Uma batida encheu seus ouvidos e em um instante um rubor preencheu suas bochechas, pois seu primeiro pensamento foi Harley. Ela se sentou, ajeitando seu cabelo bagunçado enquanto tirava as pernas da cama.
"E-é..." Ela parou no instante em que percebeu que sua camisola era meio transparente. Harley já a tinha visto com a camisola antes, mas ela não se importou, pois tinha certeza de que ele não se sentia atraído por ela.
Mas agora ele se sentia.
Ela se levantou e caminhou até a porta, destrancando-a lentamente antes de abrir a porta ligeiramente, espreitando, apenas para cruzar os olhos com Penélope.
"Por que você está sendo tão cautelosa!?" Penélope sibilou enquanto forçava sua entrada no quarto. Seus olhos predatórios examinaram todo o quarto, pois ela suspeitava encontrar Ace. "Não tem ninguém aqui."
"Quem você achou que estava aqui?" Hope perguntou com as sobrancelhas franzidas enquanto fechava a porta.
"Eu não sei. Ace, talvez." Ela revirou os olhos enquanto se sentava na cama.
"Você sabia que Harley... Me ama?" Hope perguntou em um sussurro enquanto timidamente olhava para o chão. Penélope arregalou os olhos para Hope, apenas para gritar de alegria e pular da cama, correndo para sua irmã com os braços abertos. Ela abraçou Hope em seu peito enquanto ria brincando.
"Ele disse isso!?" Ela engasgou, olhando para ela com admiração e Hope assentiu nervosamente.
"Ele disse muitas coisas... Então, antes de sair, ele disse que não podia apoiar as pessoas de quem eu gostava porque ele me amava..." Ela corou com o pensamento da noite passada e cerrou os dentes, tentando afastar o calor ao redor de seu rosto. "Ele disse que não queria me dizer porque achava que pararíamos de ser amigas..."
"Uau..." Penélope riu enquanto cruzava os braços no peito, olhando para sua irmã. "Eu estou vindo da sala de jantar agora e ele está lá, mas, surpreendentemente, ele não disse nada nem pareceu diferente do seu eu normal. Bem, ele reclamou de sua ressaca." Ela riu enquanto Hope suspirava tremidamente.
"Então ele esqueceu..." Ela pressionou os lábios. "Embora ele estivesse meio bêbado, sinto que ele... Queria dizer isso." Ela gemeu enquanto corria para a cama, jogando-se nela.
"Ele quer dizer isso." Penélope balançou a cabeça bruscamente enquanto sorria. "Definitivamente... Então você sente o mesmo?" Ela perguntou, caminhando em direção à cama onde Hope estava deitada de bruços no cobertor.
"Eu não sei..." Ela suspirou enquanto admitia e se sentava, olhando para Penélope. "Eu realmente não sei se eu... Eu passei a vida toda com ele e ele de repente me dizendo que... Me surpreendeu um pouco. Eu não sei o que dizer. Como vou falar com ele normalmente agora!?"
"É disso que ele tinha medo." Penélope revirou os olhos enquanto sorria. "Ele quer que você se sinta confortável perto dele. Como você sempre foi."
"Eu não acho que serei a mesma perto dele agora... Quer dizer... Eu não consigo mais vê-lo como meu melhor amigo. Ele agora é... Como um melhor amigo homem... Um cara." Ela corou com o pensamento, fazendo suas bochechas ficarem ainda mais vermelhas.
"Oh, bem, isso não pode ser evitado. Você agora sabe que ele é realmente um cara." Ela riu, estendendo a mão para dar um tapinha em sua cabeça. "Eu não acho que ele se lembre bem de ontem. Depende de você contar a ele ou apenas ignorar e voltar ao normal. Se ele se lembrar, ele não vai te perguntar sobre isso, sabendo que você não o está lembrando. Ele ficará bem mesmo que você escolha ignorar." Ela sorriu enquanto Hope assentia lentamente. "Agora vamos, vá se vestir, temos que provar o café da manhã, além de ter alguns negócios alfa para fazer com Harley." Ela riu com uma piscadela antes de sair correndo do quarto.
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Harley gemeu enquanto acariciava a têmpora, ainda sentindo a dor de cabeça latejar ao seu redor enquanto olhava para o tablet que o beta anterior lhe deu. Apenas algumas tarefas para ele e Hope fazerem pelo dia, já que o alfa e o beta anteriores assumem as tarefas maiores que exigiam decisões mais sábias.
Não era muito para eles fazerem. Felizmente para ele. Ele ia descansar se eles terminassem rápido o suficiente.
"Harley!" Penélope gritou ao entrar na sala, fazendo-o se assustar com sua voz. "Seu cachorro esperto!"
"O que você quer?" Ele perguntou, irritado, enquanto ela se sentava em frente ao silencioso Gabriel sentado ao lado de Harley.
"Só senti sua falta." Ela riu, servindo-se um pouco de chá.
"Você me viu há dez minutos." Ele franziu a testa quando ela assentiu.
"Sim, tempo suficiente para sentir falta de alguém." Ela riu. "O que aconteceu ontem à noite?"
"Eu apaguei." Ele riu enquanto colocava o tablet na mesa. "Acho que estava no jardim, mas de alguma forma acabei em um dos quartos de hóspedes aqui."
"Por que você bebeu tanto?" Gabriel perguntou com uma risada enquanto Penélope comia um bolinho de leite.
"Acho que é porque Hope acha que eu sou chato." Ele riu baixo, apenas para fazer uma pausa quando viu Hope na porta, caminhando em direção a eles nervosamente. Constantemente mordiscando o lábio inferior enquanto ela se aproximava cada vez mais da mesa.
Ela suspirou nervosamente ao se sentar em seu lugar habitual, diretamente de frente para Harley, que abaixou o olhar para seu prato.