Capítulo 24 Montanhas do Pôr do Sol
Os vinte e quatro movimentos da dança espiritual do "P" eram tipo uma tortura pro Gusrabo. A partir do segundo movimento, mesmo com a coruja ali pra guiar, os movimentos dele não eram nem peixe nem carne, e ele até caiu no chão várias vezes. Quando ele finalmente conseguiu terminar os vinte e quatro movimentos, tava todo largado no chão, mole.
A coruja falou: "Agora foi a parada da dança espiritual. Precisa se familiarizar e memorizar esses movimentos primeiro. Apagar as mancadas, praticar a dança espiritual na decoreba não adianta. Também precisa saber a parada da emoção e as sensações sutis dos movimentos, porque a dança espiritual é um conjunto de habilidades físicas pra estimular a força potencial do corpo humano. Não pode ser impaciente, e a calma é a base da parada toda."
Gusrabo, que tava jogado no chão, anotou essas palavras e olhou pra fora da janela. Já tava amanhecendo, o sol já tava raiando.
Gusrabo levantou devagar, se endireitou todo e achou que ia estar exausto, até com sono. Mas, sei lá, uma parada quente surgiu de repente no corpo dele, tipo umidificando tudo, e a dor nas costas ainda tava lá, mas o sono sumiu inexplicavelmente, o que deixou o Gusrabo surpreso.
A Coruja viu a situação do Li.
"Esse é o poder da dança espiritual. Fortalecer seu físico também limpa sua mente. Quando dominar a dança espiritual por completo, praticar três vezes por dia pode aumentar sua vida. Se praticar seis vezes, vai atingir um nível inimaginável."
Sentindo os benefícios que a dança espiritual trouxe, o Gusrabo ficou animado e perguntou umas besteiras: "Se eu praticar sete, oito ou até dez vezes por dia, não ia virar forte de boa?"
"Hum, você tá viajando demais. A parada da dança espiritual varia de pessoa pra pessoa. Se quiser aumentar a quantidade de prática, te aconselho a desistir."
"Por quê?"
A coruja não explicou, mas mandou o Gusrabo praticar no máximo seis vezes por dia, nem mais nem menos. A única explicação que deu pro Gusrabo foi que ele ia entender naturalmente quando ficasse mais forte no futuro.
Beleza, sem problema, o Gusrabo não quis fazer mais perguntas. Ele virou e saiu do quarto pra tomar um banho primeiro. Depois de fazer a dança espiritual, tava todo suado. Depois de lavar, Gusrabo mandou os empregados preparar o café da manhã. De quebra, voltou pro quarto e mandou os empregados acordarem ele em certo horário. Deitou na cama e fechou os olhos. Mesmo sem sono, o Gusrabo achou que ia ser melhor deixar os olhos descansarem.
Quando o empregado acordou o Li, ele deu mais umas ordens pro empregado, falando que talvez voltasse mais tarde, pra Sra. Gusrabo não ter que se preocupar.
Saindo do Gusrabo, o Li foi numa loja de ferro na rua. Essa loja de ferro é dos negócios da família Gusrabo. Assim que o Li entrou, um cara de meia-idade com a cara gorda veio sorrindo.
"Que bom ter o meu querido Terceiro Jovem Mestre por aqui!"
Li falou sem cerimônia: "Crox, tô com pressa agora. Preciso de uma adaga."
O cara gordo de meia-idade chamado Crox é o gerente dessa loja de ferro. O Li naturalmente conhece ele, e o outro também conhece o Li. Esse cara também é esperto. Sem falar nada, ajudou o Li a pegar uma adaga de três polegadas, guardada num pano preto dentro da loja. A adaga é lisa e brilhante, e mostra um friozinho de leve.
O Li assentiu satisfeito e falou: "Peguei essa adaga. Pode escrever a conta no final do mês, na moral."
Todo mês, o negócio da loja de ferro precisa de uma conta pra ser entregue pra Marcy, a governanta da família Gusrabo. De acordo com o que o Li entende da Marcy, a governanta, ela é uma velha muito cuidadosa. A quantidade de coisas que entram e saem é estritamente controlada, e o dinheiro ia ser descontado se tivesse um pequeno erro. Crox ficou visivelmente aliviado quando ouviu isso. Claro, o Li não sabia por que ele tava aliviado. O objetivo dele era pegar uma arma.
Saindo da loja de ferro,
O Li foi na direção da União de Aventura, que fica no lado norte do Principado, perto da Faculdade Rethas, e a União de Aventura também não fica muito longe da Faculdade Rethas, que, afinal, tá do lado das Montanhas do Pôr do Sol.
Quando o Li chegou na União de Aventura, a primeira coisa que ele viu foi um prédio de três andares com uma bandeira do Principado de Sparta tremulando em cima.
A União de Aventura tava bem vazia, e nenhuma porta comercial foi construída ali. Atrás da União de Aventura tinha uma fileira de muros, que tinham vinte metros de altura, e no meio dos muros tinha um portão forte feito de aço.
Chega de apreciar o ambiente. O Li foi lá pra esperar alguém, mas não precisava mais. De acordo com a hora, eram nove e meia, o que tava certo, mas a equipe mercenária do Velho Roland não tava muito longe, e um grupo de pessoas tava sentado no chão.
O Li correu pra lá.
"Velho Roland, por que você tá aqui tão cedo?"
Vendo a figura do Li, o Velho Roland e os outros ficaram um pouco surpresos.
"Seu garoto tá mesmo aqui!"
Vendo a aparência destemida do Li, o Velho Roland sussurrou de novo: "Deixa pra lá, venha assim que chegar, mas Li Xiaozi, posso te avisar que você não pode sair da nossa área por três metros quando entrar nas montanhas do pôr do sol com a gente mais tarde, senão você vai ver!
O Li assentiu vigorosamente para o aviso do Velho Roland.
"Oh, quem sou eu? Acabou sendo o Terceiro Jovem Mestre da família Gusrabo!"
Nesse momento, uma voz feminina veio de trás do Li, e o Li imediatamente virou a cabeça e ficou um pouco surpreso, então a cara dele ficou sombria.
Smolton Kaka!
Tinha cinco jovens com roupas de cetim azul em volta do Smolton Kaka, cada um com o nariz alto, uma figura esguia e pele fina. Todos olharam pro Li com maus olhos.
Smolton Kaka, em particular, viu o Li com uma chama nos olhos, mas logo a chama sumiu e ela olhou pras pessoas em volta do Li em vez disso.
"Corpo de mercenários de melancia?"
Velho Roland e os outros se levantaram, Um olho brilhava, alguns marmanjos babavam, Smolton Kaka, que tava vestida com uma armadura curta hoje, protegia só uma pequena parte de cima e de baixo... metade, e suas pernas brancas longas, como neve, e seus picos retos, quadris e cintura formavam um arco perfeito, e qualquer homem ia esbarrar nela quando visse ela.
O Li se sentiu sem palavras quando viu essa situação. Claro, não era a orientação do Li na Montanha Brokeback, mas o Velho Roland ainda tava flertando e orgulhoso de dizer na frente da pergunta da Smolton Kaka:
"Sim, nós somos o corpo de mercenários de melancia! Silêncio"
Smolton Kaka e os cinco jovens em volta dela começaram a rir.
"Corpo de mercenários de melancia, é o corpo de mercenários que fez a missão da besta por dez anos? Ouvi dizer que eles só são o corpo de mercenários de primeira classe até agora!"
O jovem em volta da Smolton Kaka cobriu a boca e riu até a barriga doer.
As pessoas em volta riram de novo.
Nesse momento, o Velho Roland e os outros, onde estavam antes o orgulho e a emoção... sentindo, não importa o quão lindas as mulheres não são qualificadas para humilhar a dignidade de uma pessoa, mas eles não refutaram, nem repreenderam de volta, mas abaixaram a cabeça e não falaram nada.
O Li olhou sem expressão pra isso e encarou a Smolton Kaka.
A Smolton Kaka caminhou devagar até o Li, soltando suavemente, com uma leve zombaria:
"Adorável Terceiro Jovem Mestre de Gusrabo, eu achei que sempre tinha uma família normal de Gusrabo além da luxúria e da falta de vergonha. Não esperava que você andasse com um plebeu tão de baixo nível. Você não acha que tá desmoralizando a gente, nobres?"
Li perguntou fracamente, dando de ombros.
"Nobres são humanos?"
Hã?
Smoldon Kakaton, o Li perguntou de novo: "Eu disse que nobres são seres humanos?"
Smolton Kaka desprezou: "Não é uma pessoa ou um civil?"
"Aquele plebeu é um ser humano?"
Smolton Kaka encarou, e os cinco jovens atrás dela acompanharam por um longo tempo.
Smoltonkaka foi esperta o suficiente pra não responder essa pergunta seletivamente. Se ela ousasse dizer que civis não eram seres humanos, ia dar problema. O status nobre era mais alto que os civis, mas os civis também tinham que ser respeitados. Ao mesmo tempo, ela percebeu vagamente que esse Gusrabo Li a deixava um pouco imprevisível.
Mas ela reagiu rápido, e a resposta dela agora parecia ser.
Vendo Smolton Kaka hesitando, o Li gritou severamente: "Me senti profundamente ferido pelo que você disse agora. As leis imperiais estipulam claramente que civis não podem ser humilhados. Você não tratou os civis como seres humanos ao responder minhas perguntas agora! Smolton Kaka, lembre-se que você é uma estudante! Você é uma nobre com boa educação e estudante da Faculdade Lesas! Você é responsável pela resposta que acabou de dar! Senão, vou pro salão militar e te denunciar, dizendo que você ignora o texto imperial!"