Capítulo 56 Jogos de Palavras
“P”. Sob a orientação do fiscal, uma galera de candidatos que escolheu a profissão de assassino entrou num baita departamento. Caneta e papel, tudo preparadinho nas mesas e cadeiras de cada candidato. Que parada era essa tal prova? Todo mundo só tinha uma ideia meio por cima. Tipo, na primeira leva de provas de manhã, eles não sabiam o que rolava depois que saíam. Porque os resultados não eram anunciados na hora, só os candidatos que eram chamados pelo nome iam pra outro lugar, e o resto ficava esperando do lado de fora do departamento. Mesmo agora, ainda esperando, um monte de gente tava confusa, encarando uma cena tão estranha. Parecia que a prova desse ano tava diferente dos anos anteriores.
No meio do departamento tava um homem *magnífico*, usando um vestidinho cinza curto, com os olhos tipo moeda de cobre, checando os candidatos ali presentes. No fim das contas, o *magnífico* homem balançou a cabeça.
“A prova de hoje tá diferente dos anos anteriores, porque a faculdade fez uns planos novos. Diferente de antes, não testa especificamente algo que dá pra aprender. O que vocês aprendem no papel, no fim das contas, vai fazer de vocês tipo um tigre de papel. O que você precisa pra ser um assassino? Espero que vocês lembrem das minhas próximas palavras.”
Eles engoliram a seco.
Se *Gusrabo* tava sentado na penúltima cadeira da sétima fileira no departamentão, ele não tava ligando pro que o cara tinha falado antes, mas a mente dele ainda tava mergulhada no que a *coruja* tinha falado agora há pouco. Ele balançou a cabeça, irritado, olhou pra cima e começou a prestar atenção na explicação do homem *magnífico*.
“É capaz de um monte de gente já saber o que era pra fazer de manhã.”
Aquelas palavras do homem causaram um burburinho. Era verdade, tinha gente que já sabia qual era a parada da prova da manhã. A prova da manhã era, na real, uma frase, que deixava a galera confusa, sem entender nada.
“O que é um assassino?”
Depois veio outra frase.
“Resumir em uma frase só.”
O homem *majestoso* abaixou a voz de propósito, com uma expressão de quem tava zoando, e mandou: “A prova da tarde é diferente da de manhã, mas também é uma frase, também resumida em uma frase só.”
“E eu só vou falar uma vez.”
Eles começaram a ficar ligados, com medo de não conseguir lembrar depois.
“Primeiro de tudo, vou me apresentar. Sou da província *Coles*, na fronteira do Império. Meu nome é *Coles*? *Ramon*. Depois, vou fazer umas perguntas pra vocês. Quem sou eu?”
Depois de só duas frases, o homem *magnífico* disse de novo: “Tempo de meia hora, e vou recolher as provas em meia hora. Pensem bem em civis e nobres!”
O homem *magnífico* nem ligou pros candidatos confusos e foi saindo do departamento pra trancar a porta de boa.
Hulong!
“Que tipo de problema é esse!” O candidato gritou, puto, mas logo depois de gritar, percebeu que as outras pessoas, tipo ele, estavam todas perdidas, enquanto alguns candidatos já tinham começado a meditar, só pra balançar a cabeça no fim.
*Gusrabo* também tava confuso.
“Da província *Coles*, na fronteira do Império, *Coles Ramon*? Quem será que ele é?”
*Gusrabo* foi se perdendo em pensamentos, essa pergunta era bem difícil, *Coles Ramon* tinha uns braços meio brutos, costas de tigre e cintura de urso, se ele fosse um assassino, *Gusrabo* achava que não ia rolar, já viram um assassino com um físico *magnífico* desses? Esse tipo de corpo só serve pra soldados e lutadores, e assassinos também são super rigorosos com a forma do corpo. Se você quase não vê um garotão forte num departamentão, até umas meninas meio vagabundas são a mesma coisa.
Falou que era um assassino, e *Li* vetou. *Coles Ramon* não podia ser um assassino, mas seria um guerreiro? Ou um assassino?
*Li*, que tava meditando, não sabia que o tempo tava passando, e nesse meio tempo, alguns alunos já tinham começado a escrever as respostas no papel em branco.
Vendo o tempo passando, pouquinho a pouquinho, *Li*, que era calmo no começo, ficou meio ansioso. No final, ele voltou pra questão da Província *Coles*. A Província *Coles* fica na fronteira do Império *Xuanyuan*, no norte do império, o norte é um mundo congelado, onde tem um monte de florestas, é inverno o ano inteiro, e o vento frio corta. A maioria das pessoas que vivem na fronteira vivem na luta. Primeiro de tudo, a comida é difícil de conseguir. Se você passar pela fronteira, vai pertencer a um território alienígena, de um território alienígena forte, o Império Élfico!
Por isso, os costumes do povo da Província *Coles* são brabos, e todo mundo é marombeiro. Mesmo que a comida seja ruim, as pessoas conseguem ser fortes pra caramba. Gente que sai de lá quase nunca escolhe a profissão de assassino. *Li*, confiando na sua memória sinistra, começou a lembrar da aparência do *Ramon*, físico forte e usando mangas curtas cinza.
Pensando nisso, *Li* pareceu ter uma resposta, mas não tinha certeza.
Quando ele pegou a caneta na mesa e tava quase escrevendo a resposta no papel branco, pareceu que tinha esquecido alguma coisa, e tava com medo de começar a escrever porque, de verdade, ele parecia ter esquecido alguma coisa.
Espera aí!
*Li* pareceu ter lembrado.
“Lembrar do que ele falou depois?”
Essa frase era a chave, e *Li* lembrou com cuidado das palavras que ele tinha falado agora há pouco, e no fim, ficou nas últimas quatro palavras, civis e nobres!
Essas são as quatro palavras!
O cara tá jogando com as palavras!
Primeiro de tudo, a pergunta dele é: quem é ele? Que homem? Assassino? Soldado? Lutador? Sacrifício? Ele não perguntou qual era a profissão deles, mas tava pensando em quem era o outro lado. Deu no meio entre civis e nobres. Civis? Vendo os músculos brancos dele. Pele, será que ele pode ser um nobre? *Li* negou isso de novo. Mesmo civis, qual deles, morando na Província *Coles*, vai ter a pele escura e amarela? Sem chance!
Onde é inverno o ano inteiro, não tem sol nenhum, e tem um mundo branco de neve. Como é que as pessoas que moram lá podem ter a radiação forte do sol? Isso mostra que o outro lado pode ser civil ou nobre
*Li* tava com a vontade de perguntar pra *coruja*, mas ele escolheu desistir quando pensou nisso. No fim das contas, ele não podia depender da *coruja* pra tudo, mas ainda tinha que depender de si mesmo. Olhando pra um candidato que já tinha terminado de escrever a resposta, *Li* ficou meio ansioso.
Acabou o tempo!
A caneta de *Li* ainda não tinha escrito a resposta, porque ele tava bem confuso.
“Por que ficar brigando com civis ou nobres? Por que ficar brigando com assassinos ou outras profissões? Não importa qual for sua resposta, contanto que o outro lado negue, não é a resposta, porque não tem resposta certa nenhuma, no fim das contas é um jogo de palavras. Por que você não pode jogar um jogo de palavras?”
*Li* ficou bobo.
*Coruja* mandou um: calma aí.
*Li* abaixou a cabeça, pensou um pouco, e decidiu deixar os sentimentos ruins de lado. Agora, ele tinha que lidar com a prova primeiro, e perguntou com uma voz baixa: “O que eu faço?”
“Às vezes eu não sei se você é esperto mesmo ou não.”
“O que você quer dizer?”
A *coruja* falou: “Você pode perguntar pra ele direto. É um jogo de palavras. Ele não fala que você não pode perguntar pra ele. Pergunta pra ele direto, porque essa é uma pergunta sem resposta.”
Tava com medo de *Li* não entender a *coruja* e falou: “Se tiver um beco sem saída na frente e um beco sem saída atrás, o que você escolheria?”
*Li* falou com um sorriso irônico: “Avançar é a morte, e recuar é a morte. Como é que você acha que eu vou escolher?”
A *coruja* detonou: “Por que você não consegue pensar um pouco! Você não vai pro lado!”
“É assim que faz?”
“Acredite se quiser, você pode fazer por conta própria. Diante de nenhuma resposta absoluta, tudo tá errado e tudo tá certo. Depende do humor do examinador.”
Dong!
A porta do departamento foi aberta com força, e *Coles Ramon* entrou. Quando ele viu os alunos olhando pra ele com atenção, a boca dele formou um sorriso em arco e falou: “Bom, tá na hora. Vou começar a recolher as provas agora.”
Assim que a voz dele acabou, *Li* se levantou.
Quando eu vi *Li* levantando de repente, todo mundo ficou sem entender nada e olhou pra *Li*.
*Coles Ramon* olhou fixo e perguntou: “Qual é o seu problema, candidato?”
Se acalmando, *Gusrabo* olhou pro *Ramon* e perguntou: “Professor, quero te fazer uma pergunta na hora de recolher a prova.”
Naquele momento, o próprio *Ramon* ficou sem entender. Nessa situação, tinha candidatos querendo fazer perguntas?
Mas, como um examinador, *Ramon* ainda manteve a postura de professor e falou de boas: “Pode perguntar.”
“A primeira coisa que quero perguntar é: quem é você?”
“O quê!”
O departamento silenciou na hora, e os outros candidatos que nunca tinham ouvido falar daquilo pareceram ouvir o som de uma agulha caindo. Qual é o problema? Perguntar pro examinador quem ele é. Esse cara é louco?
Ou *Coles Ramon* reagiu primeiro e zombou: “Você não acha a pergunta que você fez ridícula?”
*Li* sorriu, como se a pressão no corpo dele tivesse sumido na hora.
“Se a pergunta que eu fiz é ridícula, a pergunta que você acabou de fazer, professor, não seria mais ridícula ainda?”
O rosto de *Ramon* escureceu e ele mandou: “Você ousa dizer isso de novo?”
“Ha ha, dizer de novo? Quando você anunciou a prova agora há pouco, não tinha nenhuma regra que não podia fazer perguntas. Além disso, as perguntas que você fez pra gente deixaram a gente muito chateado. Primeiro de tudo, você falou que era da Província *Coles*. A Província *Coles* tem costumes brabos, e todo mundo é marombeiro. As pessoas que saem de lá, basicamente, não escolhem a profissão de assassino. Acredito que muita gente compartilha essa ideia comigo, mas como examinador da nossa profissão de assassino, você, na real, tá enganando, enganando a gente a pensar na direção da profissão, então a gente vai pensar em você como um lutador? Soldado? Gente sem vergonha acha que você é um estudioso e um sacrifício.”
*Li* de repente largou a expressão de quem tava zoando.
“Infelizmente, não são essas coisas. Você perguntou quem a gente é, eu não perguntei qual é a sua ocupação. Só posso voltar pras últimas quatro palavras que ouvi, civil e nobre. Infelizmente, minha visão não é boa o suficiente pra ver se você é um civil ou um nobre, então não consigo adivinhar. Felizmente, o professor não proibiu os candidatos de fazer perguntas, então só quero perguntar pro professor agora: quem é você? Nobre ou civil?”
Dessa vez, foi a vez do *Ramon* e os candidatos ali presentes ficaram chocados. Na real, nem o *Ramon* nem os candidatos pensaram tanto assim!
No fim das contas, *Li* adicionou uma observação bem indiferente, com uma zoeira profunda.
“Se o professor não quiser responder, não tem problema. Eu já tenho uma resposta no meu coração.”
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