CAPÍTULO 21
Ele tinha sacado que algo estava MUITO errado com ele no segundo em que a cara da Valery mudou naquele dia. Ela não deixava ninguém chegar perto daquela flor de lótus, a menos que fosse crucial. Ele estava com medo de perguntar a real razão de ela ter feito aquilo, mas parece que ela leu a mente dele.
"Você estava morrendo e eu tive que impedir", ela falou.
"O que isso significa?" Xavier perguntou, parando de massageá-la.
"Aquela noite, quando eu te tirei da estalagem, você foi afetado pela magia da flor de lótus. Eu só percebi depois que você voltou. Eu tive que te estabilizar e te fazer se acostumar com a magia, senão eu ia te perder. Eu não suporto essa ideia", ela confessou para ele e ele se emocionou.
Ela realmente se importava com ele, mesmo não dizendo isso primeiro. Ela não era boa com as palavras, mas pelo menos ele era bom em decifrá-la do jeito dele. Ele a abraçou por trás e beijou o topo da cabeça dela.
"Eu te prometi que nunca te deixaria e eu estava falando sério. Obrigado por salvar minha vida toda vez", ele disse.
"De nada. Você tomou seus remédios?" ela perguntou e ele riu.
"Tomei tudo, não se preocupe. A Nora não saiu até eu acabar com a tigela toda", ele disse.
"Bom, porque se você não tomar, tenho medo de que você exploda em fogos de artifício sem avisar", ela disse e ele engasgou. Ela estava zoando com ele?
"Isso não pode ser verdade!"
"Que tal você parar de tomar e ver? Se você explodir em fogos de artifício, tenho medo de não conseguir te recuperar mais. Eu vou encontrar sua alma e prender no lugar mais escuro de todos", ela o ameaçou e ele sorriu.
Agora ele sabia que ela estava sendo brincalhona. Era o jeito dela de fazê-lo tomar seus remédios e ser sério com sua vida. Ele a respeitava por isso.
"Eu vou tomar os remédios no horário e te ouvir. O que você mandar eu faço", ele prometeu.
"Que tal você começar esfregando minhas costas, já que você mandou todas as minhas criadas embora?"
"Você tem certeza que quer que eu faça isso? Eu sou um homem, afinal."
"Então vá e chame minhas criadas de volta. Vá descansar, essa é uma ordem", ela disse e ele sorriu.
"Vou estar te esperando quando você terminar", ele disse, levantando-se.
Ele olhou para ela mais uma vez e sorriu. Xavier saiu do banheiro e ordenou que as criadas voltassem e terminassem o que estavam fazendo.
Não era que ele se importasse de esfregá-la, mas ele queria que ela mantivesse sua pureza e não trouxesse vergonha para ela. Ele não ia ser um cara esperto, mas ia pedi-la em casamento primeiro, casar com ela e então fazê-la dele. Ela merecia algo melhor e ele ia se certificar de que ela fosse tratada assim.
Ele voltou para seu quarto e instruiu suas criadas a encher a banheira. Ele levou um tempo para se ensaboar. Ele não tomava banho há uns dias. Quando terminou, vestiu novas roupas e se preparou para visitar Valery. Ele estava prestes a sair quando decidiu escrever uma carta para sua mãe e seu pai.
Ele sentou, pegou um pedaço de papel, uma pedra de tinta e um pincel. Sua criada pessoal estava moendo a tinta enquanto ele escrevia cuidadosamente a carta para seus pais. Ele estava dizendo a eles que havia decidido pedir Valery em casamento e que queria se casar com ela. Eles poderiam se opor, mas ele não ia viver sua vida sem ela. Ele estava pedindo a bênção deles e que o deixassem ir.
Ele selou a carta e colocou seu selo nela. Ele chamou um mensageiro e entregou pessoalmente a carta a ele.
"Certifique-se de entregá-la diretamente ao Imperador ou a seu assistente. Não deixe mais ninguém recebê-la", ele disse.
"Vou obedecer à sua ordem", disse o mensageiro e saiu.
Ele tinha muitas coisas para preparar e uma pessoa em particular seria de grande ajuda para ele. Ele saiu de seu salão para ir procurá-la.
A Valery não conseguia parar de sorrir enquanto as criadas a ajudavam a se trocar. Saber que ele a respeitava o suficiente para não se aproveitar dela era algo que ela realmente admirava.
Ela queria ter aquele tipo de amor que seus pais tinham antes de conhecê-los e mesmo depois disso. Seria tão ruim para alguém como ela buscar sua própria felicidade?
Ela colocou suas armaduras de unhas, o colar que Xavier comprou para ela na capital e algumas presilhas no cabelo.
"Você está linda, Senhorita", Nora disse quando entrou no quarto.
"Obrigada. Onde você esteve?" ela perguntou.
"Eu estava na cozinha. Já que você terminou aqui, que tal irmos ao pavilhão perto do jardim?" ela perguntou e Valery olhou para ela. O que a Nora estava aprontando de novo?
"O tempo está bom; posso assistir o pôr do sol. Vamos", ela concordou, querendo saber exatamente o que estava acontecendo. Havia algo que Nora não estava contando para ela.
Ela entrou na liteira e os homens a levaram para o pavilhão que Nora havia sugerido. Ela desceu da liteira, entrou no pavilhão e sentou na cadeira confortável com uma almofada. A mesa estava posta e a panela de chá estava fumegando no fogão a carvão.
Tinha alguns petiscos legais lá. Ela se perguntou qual era a ocasião. Ela pegou um biscoito e mordeu. Estava macio e bem mastigável. Ela ainda podia sentir os ingredientes frescos usados no cozimento.
A Nora serviu o chá feito com orvalho da manhã das flores na xícara e passou para ela. Ela sentiu o cheiro fresco antes de dar um gole. Algo estava errado, ela podia sentir.
Enquanto estava sentada apreciando o pôr do sol, ouviu o som de uma cítara, estava perto. Ela olhou ao redor e viu o tocador. Ela sorriu e percebeu o que essas pessoas estavam aprontando. Eles prepararam tudo isso para que ela pudesse ter uma noite agradável e romântica.
Xavier estava sentado tocando a cítara de jade verde de sete cordas que ela deu a ele um ano atrás. Ele estava tocando sua música favorita. Era uma melodia que sua mãe costumava tocar e ela ensinou a ela.