CAPÍTULO 45
Ele cavalgou a noite toda e chegou em Vila das Acácias à noite. Quando ele chegou, a cidade inteira tava bombando.
"O que tá rolando?" ele perguntou pra uma das meninas.
"A Santa vai casar amanhã. O palácio de Lótus deu presentes pra todo mundo na cidade. É tipo uma festa," ela respondeu.
"Ah, valeu, obrigado."
Depois de ouvir isso, ele saiu da cidade e foi pra montanha. Se ela queria impedir o casamento, por que ela tinha corrido com ele daquele jeito? O que será que ela tava pensando?
Seja qual for a resposta, ele não tava nem aí, porque ele sabia de uma coisa com certeza: a Valery realmente queria casar com ele, e era só isso que importava. Quando ele chegou na entrada, os guardas deram as boas-vindas pra ele com um sorriso e deixaram ele passar. Quando ele chegou, ele correu pro salão Dourado, onde a Valery morava.
Ela não tava lá, mas o vestido de casamento dela tava pendurado. Era tipo, MUITO maneiro. Ele não via isso desde quando ele tinha ido embora, e os vestidos ainda nem tavam prontos. O vestido tinha uma cauda super longa, com uma fênix despreocupada nas costas.
Ele queria que ela fosse como aquela fênix, livre e vivendo a vida sem neuras. Além do vestido dela, o dele tava lá também, e tinha um dragão sinistrão nas costas. A fênix e o dragão sempre combinavam MUITO bem.
Ele tava quase saindo do quarto dela quando a Nora entrou, toda sorridente.
"Que bom te ver de volta," ela falou.
"Ainda bem que eu vim também. Onde ela tá?" ele perguntou.
"No lugar favorito dela, você vai achar ela lá," ela respondeu, sem dar todas as dicas, e saiu do quarto.
Ele sabia que a Nora queria que ele fosse encontrar ela pessoalmente. Então, ele saiu do palácio e foi pro lugar que ele imaginou. Quando ele chegou, viu ela parada lá, olhando pro lótus dourado.
Ela se virou e encarou ele. Ela não tava sorrindo, então ele não sabia se chegava perto ou não, mas ele era homem, então deu um passo em direção a ela, e a cara dela relaxou e ela sorriu pra ele.
Quando ele viu o sorriso dela, ele ficou tão feliz que andou mais rápido e abraçou ela. Ela deu uma risadinha enquanto ele a pegava no colo. Ele nunca tinha ouvido ela rir antes, e soou lindo.
Ele colocou ela no chão e olhou bem nos olhos dela. Ele não tava nem aí pro que aconteceu com os espiões quando ele foi embora. Quem quer que fossem, mereciam o que veio. Se você trai seu mestre, a justiça ia vir pra cima de você.
"Você tá mais linda do que da última vez que te vi," ele falou, passando a ponta do dedo no lábio inferior dela.
"Você também tá mais gato. Já resolveu as paradas com a sua família?" ela perguntou, depois de elogiar ele.
"Já sim, e obrigado por me dar essa chance," ele respondeu.
"Que bom que tudo deu certo pra você. Então, você tá de volta pra ficar agora?"
"Sim, tô, e você sabia que eu ia voltar?"
"Sim, você é meu e prometeu nunca me deixar. Se você não tivesse voltado hoje à noite, eu ia atrás de você," ela falou, sorrindo.
"Então eu devia ter esperado um pouco," ele brincou com ela.
"Não," ele calou ela com um beijo.
Ele queria fazer isso há muito tempo, e não conseguia acreditar que tava fazendo. Quando chegasse amanhã, o mundo inteiro ia saber que a Valery era a esposa dele, e ele era dela. Ele ia garantir que a dor fosse embora; ele ia fazer ela feliz pro resto da vida deles.
Ele abriu os olhos dela e viu uma parada fascinante. Ela tava brilhando por todo lado, então ele quebrou o beijo e olhou pra ela. Ela percebeu o que tava rolando e girou.
Tava tudo dourado em volta dela. Ela tava feliz, e a magia dela tava aparecendo também. Ele olhou pro lótus dourado, que tava fechado quando ele chegou, e viu que ele tava florescendo. Se ele contasse isso pra alguém, ia passar por otário. Ele pegou a mulher dele no colo e a levantou, enquanto ela continuava a rir.
Vendo como ela tava brilhando e como o lótus dourado tava florescendo sozinho, ele sabia que a lenda do lótus dourado não ia acabar, ia continuar.
EPÍLOGO
VINTE ANOS DEPOIS
A Qara olhou pra filha dela, que tava super ligada na história que a Guardiã Esquerda, a Nora, a mulher que tava com ela desde o começo, tava contando.
Quando a mãe dela treinou ela por cinco anos, ela deixou a Qara com a Nora, com o marido dela, o Daren, e com outros professores que foram contratados pra garantir que ela fosse bem treinada pra se tornar a próxima mestra do palácio de Lótus.
Ela não sabia no começo que ia sentar num trono tão alto, mas graças à madrinha dela, ela agora era a mestra. Ela se casou com o Sumo Sacerdote, outra posição que a mãe dela abriu pra o palácio funcionar de boa.
Ela amava o marido dela, e tava feliz por ter alguém que compartilhava das opiniões dela. A mãe dela deixou a montanha e foi pra um lugar isolado com o marido dela, o grande príncipe. O amor deles era tipo lenda entre o povão.
Todo mundo queria que o amor deles fosse igual ao deles, e ela respeitava isso. Ela só esperava que o amor dela e o da filha dela aguentassem a tempestade e se tornassem fortes, como o da mãe dela e do pai dela.
****
A Valery se enfiou nas cobertas e dormiu do lado do namorado e do marido dela. Eles tavam casados há duas décadas, e ainda pareciam ter vinte e poucos anos.
Ela tava feliz vivendo o tipo de vida que o marido tinha desejado pra eles dois. Eles tavam longe de qualquer treta do mundo. Eles viviam a vida deles de boa, sem ninguém pra encher a paciência.
Eles construíram a casa deles num vale, um lugar onde ninguém ia se preocupar em ir. Pro resto do mundo, era chamado de Vale da Morte. Era um lugar que ninguém voltava depois de cair, mas como ela nasceu especial, e o marido dela atraiu a especialidade dela e ficou igual a ela, eles podiam morar lá de boa, sem ninguém pra atrapalhar.
Eles tinham tudo que precisavam, mas, acima de tudo, eles tinham um ao outro. Na vida dela, ela conseguiu fazer os outros felizes, o que foi uma baita conquista. Ela criou a filha dela, a Qara, bem o suficiente pra ela administrar o palácio, enquanto ela curtia o tempo com o marido.
Ela até tem uma neta, que ela chamou com o nome da mãe dela, a Wanda. A Nora se casou com o cara que ela amava e os dois ficaram na montanha. Um monte de coisas felizes aconteceram, mesmo quando teve umas tristes.
O imperador morreu e o filho dele, o príncipe herdeiro, assumiu. A mãe do Xavier virou a Imperatriz Viúva Grã-Consorte, a mulher mais poderosa de toda a nação.
Ela nunca mudou, mas pelo menos nunca encheu o saco dela depois do último encontro. O marido dela atraiu a maldição dela ao casar com ela. Como ele tava ligado ao lótus dourado da última vez, agora ele era igual a ela.
Ela teve a própria felicidade no final. Deram pra ela um homem que ia viver com ela pro resto da vida amaldiçoada dela. Eles iam viver e morrer juntos.
O Xavier olhou pra esposa dele, que parecia tá pensando muito, pelo menos não era tão ruim. Ele se aproximou e beijou os lábios dela suavemente. Ela fechou os olhos, e ele continuou. Ele amava muito ser íntimo com ela.
Mesmo depois de estar casado há duas décadas, ele ainda se sentia como um adolescente, e o amor dele pela Valery ficava mais forte a cada dia. Ele passou o braço em volta dela e aprofundou o beijo. Ela retribuiu o beijo, e ele sorriu. A esposa dele sabia o que ele queria, e ele também.
O que a esposa dele queria agora, ele sabia, e ia dar pra ela. Quando e onde ela precisasse, ele ia dar pra ela, porque ele não só devia a vida a ela, mas também encontrou uma felicidade profunda e muito mais com ela.
Igual ao que ele prometeu há muitas décadas, ele ia continuar amando ela, protegendo ela, mas, acima de tudo, ele ia garantir que a lenda do lótus dourado, que afetou a vida dela e a dele, continuasse.
Ele era grato por essa maldição, porque se não fosse por ela, ele nunca teria conhecido uma mulher tão maravilhosa e adorável, que agora ele chama de sua. A Valery era a mulher dele, a Santa dele, a Mestra dele, a mulher dele e, acima de tudo, o lótus dourado dele.
Como se ela tivesse ouvindo todos os pensamentos dele enquanto eles faziam amor, ela começou a brilhar do jeito que ela sempre faz quando tava MUITO feliz. Ele quebrou o beijo e olhou bem nos olhos dela e sussurrou, "Eu te amo."
Ela olhou pra ele e sussurrou de volta, "Eu também te amo," antes de juntar os lábios com os dele pra outro beijo incrível.
FIM.
A LENDA DA VÍBORA
PRÓLOGO
Tinha MUITOS jeitos de comemorar o aniversário de vinte e um anos, mas ela nunca tinha pensado que ia ser desse jeito. Vestida com um robe preto, lindo e chique, com a víbora enorme e sinistra nas costas, ela andou devagar e confiante pelo corredor enquanto ia pro trono dela.
O salão tava lotado com os seguidores dela, crianças até dizer chega; todos usando as cores específicas deles. Atrás dela, a Oráculo seguia ela. O único som presente era o dos tambores sendo tocados. Ela finalmente chegou e ficou lá.
Os dois líderes entre as Oráculos deram um passo à frente, e todo mundo começou a recitar um versículo que ela tinha visto e lido nos livros antigos. Ela não entendia por que eles tinham que dar todo esse trabalho.
A parada toda demorou uma hora antes que entregassem pra ela o que era mais precioso. Deram pra ela a caixa; pelo que ela ouviu, a caixa tava fechada há cinco séculos. Ela abriu a caixa, e lá tava a beleza.
Tantas joias preciosas, ela nasceu e foi criada numa família rica, mas isso era demais. Um monte de gente ia matar por isso. Uma das sacerdotisas ajudou ela a colocar a touca, que tinha o formato de uma víbora, uma corrente dourada com um pingente de víbora, uma pulseira, uma tornozeleira e, finalmente, o anel.
Pelo que ela aprendeu nos últimos seis meses, ela ouviu o quão poderoso tudo que ela tava usando era. Qualquer coisa podia ser usada como arma, mas também vinha com um preço. Um preço que ela já pagou e ainda tava pagando.
Todo mundo gritou e mostrou a admiração antes que ela sentasse naquela cadeira alta com duas víboras esculpidas como apoios de braço. No entanto, a cerimônia não tinha acabado ainda; ela tava se perguntando quanto tempo ia levar, porque ela também tinha uma festa pra ir.
Se ela não aparecesse, ia ser um problema MUITO grande. Ela podia ser toda poderosa agora, mas o pai dela assustava ela MUITO.
"Víbora, a cerimônia chegou ao fim. Tem alguma coisa que você quer dizer pros seus filhos?" a sacerdotisa líder perguntou.
A Víbora se levantou e olhou pros filhos dela. Ela nunca tinha pensado que ia acordar e se encontrar com tantas crianças. Ia ser MUITO difícil lembrar de todos.
"Eu sou nova em tudo isso, mas eu quero que vocês saibam o quanto eu agradeço por fazer parte da família. Eu espero que vocês continuem sendo leais como eram antes de eu chegar.
Eu sou nova, e alguns de vocês podem não gostar, mas todos nós não temos escolha, o que me leva à minha próxima declaração; eu espero que vocês nunca me sacaneiem nem façam nada que possa prejudicar minha família, porque eu posso garantir uma coisa.
Eu sou uma pessoa MUITO vingativa, mas também posso ser uma pessoa amorosa e carinhosa. Já tá tarde, e hoje à noite eu preciso que todos vocês voltem pras suas famílias e fiquem juntos. Amanhã nós começamos a parada de verdade," ela falou e começou a descer as escadas indo em direção ao corredor.
Ela tava indo embora e não via a hora de. Por mais que isso fosse emocionante e tudo, ela precisava de um MEGA descanso, especialmente depois de tudo que ela passou.
"Víbora, onde você quer ir agora?" o sacerdote líder perguntou.
"Eu tô indo pra casa, John, e vocês todos também," ela falou e sorriu.
O que vai esperar por ela na frente? Ela não sabia e com certeza não tava nem aí.