CAPÍTULO 5
Enquanto ela tava dormindo, a única coisa que ele podia fazer era mandar fazer o vestido dela. Ela ia usar um dos vestidos que ele mesmo desenhou e ele tava felizona por isso. Ver a Santa com a roupa que ele fez era uma parada que deixava ele feliz.
Ele chegou no departamento de costura e o vestido tava num cabide. Era lindo, ele admirou o vestido. Ficou olhando pra ele um monte de vezes e amou.
A Santa ama três cores: preto, vermelho e dourado. O vestido era preto, bordado com fio de fênix pra realçar a flor de lótus na cauda do vestido. Ele queria que ela parecesse mais uma Imperatriz e fazer todas as mulheres por aí terem inveja dela.
"Escolhe os acessórios que combinam com o vestido e arruma. Manda o vestido pro meu quarto", ele falou e saiu.
Ele ia dar pra ela pessoalmente quando eles chegassem na capital. Queria que ela usasse no dia em que toda a nação ia celebrar o nascimento de outro descendente real.
Xavier não voltou pro salão dele, mas foi pros campos de treinamento onde os novos recrutas estavam sendo treinados.
"Jovem Lorde!" todo mundo falou, mostrando respeito.
"À vontade", ele falou.
"Você tem alguma instrução pra gente?" o chefe perguntou.
"Eu só vim dar uma olhada nos novos recrutas. Como eles estão indo?" Xavier perguntou.
"Acho que eles têm potencial. Quando terminarem o treinamento, vão ser perfeitos", o chefe falou.
"Que bom de ouvir. Só garante que a patroa não vai ter com o que se preocupar."
"Vou estar em maus lençóis se isso acontecer."
"Vou indo e continuar o bom trabalho", Xavier falou e saiu dos campos de treinamento.
Xavier voltou pro salão dele e sentou na cadeira. Fazia dez anos que ele não via a capital. E agora que ele tava voltando pra lá, o que ia acontecer? Será que iam conseguir reconhecê-lo? Será que iam tentar matá-lo de novo? O que ele ia fazer?
A Santa provavelmente tava aprontando alguma coisa, considerando que ela tava levando ele dessa vez. Não era a primeira vez que ela ia pra capital e, mesmo assim, ela deixava ele o tempo todo. Agora que ela tava levando ele de volta pra casa dele, será que ela ia abandoná-lo lá?
Ele era um fardo grande demais pra ela a ponto de ela fazer isso? Será que ele ia ter a chance de contar pra ela o que ele realmente sente por ela?
A Santa era muito mais velha que ele e, mesmo assim, ainda tinha cara de menina. Ela parecia muito jovem, bonita e mais madura ao mesmo tempo. Ninguém conseguia se comparar com as habilidades dela em artes marciais. Lutar contra ela era inútil; ela nem precisava usar força alguma.
Ela tinha aquele olhar que matava, um sorriso que fazia você sufocar. Tudo nela era mortal e, mesmo assim, faz o coração dele disparar tanto que ele não viveria sem ela.
Quando ele era pequeno, ele ouviu dos plebeus a história da Dama Sagrada, diziam que ela era implacável e causava medo e caos por todo lado, mas ela se apaixonou e os massacres pararam.
Todo mundo vivia em paz e harmonia naquela época, mas o ministro da guerra atacou o palácio e causou uma guerra interna enorme. Durante a guerra, o marido da Dama Sagrada morreu lutando e isso fez com que ela voltasse a ser quem era. A Dama Sagrada massacrou todo mundo que tava envolvido em matar o marido dela.
Não houve paz até que todo mundo foi completamente exterminado. Depois de se vingar, ela ficou doente no caminho e finalmente morreu, deixando a filha que carregava um presságio de um lótus dourado: a Santa, a mulher por quem ele era apaixonado.
Ele ainda não tinha nascido quando a Santa assumiu o lugar da mãe como a patroa do palácio do Lótus, mas, assim como a mãe, ela matou todo mundo que tava envolvido em envenenar a mãe dela até a morte.
Ela fez com que eles tomassem o veneno mais mortal, que não tinha antídoto, pra fazê-los sofrer a dor que a mãe dela passou nas mãos deles. Depois da vingança, ela parou de matar e começou a se concentrar em fazer a paz.
A Santa mandou uma moça pra capital ser concubina do Imperador, o que criou um laço entre os dois e acabou com qualquer conflito. Agora o palácio era só negócios e manter o mundo seguro. Ele respeitava tudo isso, ele sabia o quanto a patroa se sacrificou e as coisas que ela faz pra manter a montanha segura.
Provavelmente era difícil ser líder com tanta gente que dependia de você. Era muito difícil pra ele às vezes, por isso ele só gostava de beber vinho e festejar, mesmo que isso deixasse a Santa brava. Ele deve a vida a ela e morreria por ela se chegasse a hora, ele só queria ver ela feliz o tempo todo e deixar todas as preocupações sumirem.
O dia finalmente chegou pra eles partirem pra capital. Tinha um total de seis carruagens saindo pra capital; duas pertenciam à Santa, duas eram pras criadas e as duas últimas tinham as bagagens e comida pra viagem. Como a punição dele era ir com os outros, não tinha carruagem pra ele.
Todo mundo tava em seus lugares esperando a patroa aparecer. Ele não tinha visto ela de jeito nenhum e não via a hora. Ele viu as criadas primeiro e sabia que ela tava logo atrás delas. Todo mundo imediatamente se ajoelhou pra mostrar respeito e ela saiu.
Ela tava muito linda num vestido preto com umas flores vermelhas. Ela andou majestosamente e passou por ele como se não o visse. Ela ainda tava brava e ele aguentava.
Nora estendeu a mão pra poder subir a escada pra entrar na carruagem dela. A carruagem da Santa tinha um emblema de lótus dos dois lados. Qualquer um sabia de quem era a carruagem só de olhar.
Como as cores dela eram limitadas, era totalmente óbvio quem estaria lá dentro. A carruagem em que ela tava indo tinha mais vermelho do que preto e tinha lótus dourados dos dois lados. Quando ela entrou na carruagem, as criadas e os guardas tomaram suas posições e eles estavam prontos pra sair.
Ele montou no cavalo e partiu. A montanha tava cheia de armadilhas; se você não pertencesse ali, ia ser facilmente preso e morto. Era difícil achar uma estrada, mas pra eles dava pra ver. A carruagem da Santa era a segunda no caminho, a primeira tinha as criadas dela.