CAPÍTULO 24
Desde que o grande príncipe voltou pra montanha, a patroa dela tava feliz. Eles finalmente mostraram o que sentiam um pelo outro, mesmo que o Xavier não fizesse ideia do sofrimento que a patroa passava toda vez.
A certa altura, ela desmaiava e dormia por dois meses, ela não queria que isso acontecesse de novo; talvez com eles expressando o amor, a dor fosse menor pra ela.
Ela tava ocupada treinando dança, já que a patroa amava dançar, quando o grande príncipe apareceu. Ela fez uma reverência pra ele e ele sorriu pra ela.
"Jovem lorde, como posso ajudar?" ela perguntou.
"Você é uma dançarina muito boa, tô impressionado", ele elogiou, sorrindo.
"Obrigada, mas ainda não cheguei lá", ela respondeu, e ele só balançou a cabeça.
"Ela vai se orgulhar de você, sei o quanto ela ama essa dança", ele disse.
A Nora sabia que o Xavier sabe um monte sobre a patroa, o que deixava ela menos preocupada. Ver ele ali também era por causa dela, ela pensou.
"Então, o que você quer?"
"Preciso da sua ajuda, e é sério", ele falou.
"Contanto que não seja nada de ruim, vou te dar uma mão", ela prometeu, se perguntando o que era.
"Quero pedir a patroa em casamento e não sei o que fazer. Tem alguma ideia?" ele perguntou, e ela sorriu.
\Pra ser sincera, ela sabia que um dia como esse ia chegar, mas será que eles tavam prontos pra encarar o mundo com isso?
"A Santinha cresceu quase toda na montanha, então acho que pedir ela em casamento aqui não vai ser bom. Que tal você levar ela pra fora da montanha, se fantasiar e levar ela pra uma pousada legal e mostrar do que você é capaz?" ela sugeriu.
"Tem certeza que ela vai aceitar?"
"Se for você, ela pode aceitar. Se não funcionar, a gente tenta outra coisa. A patroa só quer que você seja honesto e sincero, então vai em frente", ela falou.
"Obrigado, vou tentar agora e ver no que vai dar."
"Te desejo tudo de bom e, por favor, proteja ela, mesmo que ela consiga fazer isso sozinha. Faça ela feliz, ou eu vou atrás de você", ela avisou.
"Eu vou amar e proteger ela pro resto da minha vida. Prometo", o Xavier prometeu.
"Bom então. Vou voltar pros meus treinos; você vai e faz o que tiver que fazer. Não vou te acompanhar. Vocês precisam de privacidade."
"Obrigado, te devo uma", o Xavier disse e deixou ela treinar.
Ela sorriu enquanto assistia ele ir embora. Era bom ter alguém que você ama te amando de volta. Será que ela ia ter a chance de experimentar isso também? Ela tinha se preocupado com a Patroa a vida toda, e agora era hora de encontrar algo pra fazer.
Ela parou de treinar e voltou pro quarto, onde se lavou e trocou de roupa. Ia sair da montanha e ver o que tinha de novo na cidade, e talvez comprar umas coisas pra patroa.
Ela pegou uma carruagem e foi pra cidade. Quando chegou, desceu e começou a andar. O mercado tava cheio de gente e animado. Ela parou em uma das lojas e entrou.
Começou a olhar em volta, até que algo chamou sua atenção.
Aquilo seria perfeito como presente, então ela foi pegar, mas alguém pegou primeiro. Ela ficou tão brava que queria bater na pessoa, mas quando olhou pra cima, derreteu. Só ficou olhando pra pessoa e se perguntando o que tava rolando.
"Finalmente, te encontrei", o cara falou, e ela olhou pra ele com muita raiva.
"Me dá isso", ela falou, apontando pro grampo de cabelo que tinha sido roubado dela.
"Que tal a gente fazer o seguinte? Você vai comigo naquele restaurante e almoça comigo, e eu te dou esse grampo de presente."
"De jeito nenhum que eu vou fazer isso", ela disse e olhou pro dono da loja, "não tem mais nenhum grampo assim?"
"Acho que só tem esse", o dono respondeu, e ela sabia que tava encrencada.
Ela precisava daquele grampo, e o único jeito de ter era almoçar com um cara que ela tinha batido uns anos atrás. O que tava acontecendo?
"Me diz a sua resposta agora. Tenho coisas pra fazer", ele falou, apressando ela a responder.
"Você promete que vai me dar o grampo assim que eu almoçar com você, certo?"
"Sim, prometo", ele falou.
"Beleza, vou almoçar com você. Mostra o caminho", ela disse.
A Nora seguiu o estranho pro melhor restaurante da cidade. O gerente a conhecia, claro, mas ela balançou a cabeça, e ele se conteve. Ela sentou em uma das mesas e o estranho pediu o almoço deles.
"Você não faz ideia de como foi difícil te encontrar?" ele perguntou.
"Por que você ia se dar ao trabalho de me procurar? Não somos amigos."
"Eu sei, mas na minha vida inteira, você foi a primeira garota a me humilhar assim. Como uma garota pode brigar com um homem? Por que você fez isso comigo naquele dia?" ele perguntou.
"Quer saber a verdade?" ela perguntou.
"Sim, quero muito", ele respondeu.
"Eu odeio homens que se aproveitam das mulheres. Quando te vi com ela, achei que você tava sendo impróprio com ela, então fiz o que fiz pra resgatá-la. Só depois que ajudei ela a escapar que descobri a verdade, que você não era um cara mau", ela confessou.
"Então, você sabia e não se deu ao trabalho de vir se desculpar?" ele perguntou.
"Eu queria, mas naquela época você já tava bravo e jurando me matar quando me encontrasse. Não ia arriscar", ela falou.
"E agora te encontrei. O que você acha que vou fazer com você?"
"Não vai poder fazer nada aqui; eu posso simplesmente pedir desculpas e você vai ter que aceitar. Você não pode e não vai me machucar, porque eu não vou permitir, e a pessoa que eu sirvo também não", ela falou.
"Quem você serve?"
"Uma pessoa bem assustadora", ela disse, sorrindo, enquanto a comida deles era colocada na mesa.