CAPÍTULO 2
O Guardião Esquerdo sorriu pra ela e disse: "Fico feliz que você nunca mudou. Ficaria preocupado se minha patroa estivesse perdida. A Consorte Real deu à luz a outro menininho e o Imperador vai fazer uma baita festa pra ele em uma semana."
"É o que parece; acho que a consorte está ocupada. Quantos filhos ela teve depois que entrou no palácio?"
"Essa seria a quarta criança", ele respondeu.
"Ela é muito sortuda, não é à toa que ela é muito favorecida", ela comentou, pensando em como ela nunca seria capaz de ter aquele sentimento de dar à luz uma criança.
"É porque você a criou bem, patroa. Por causa da sua graça, ela é quem ela é hoje."
"Acho que dá pra dizer isso. Então o Xavier sabe?"
"Ele sabe."
"Qual foi a resposta dele?"
"Ele ainda está bebendo; provavelmente não está levando isso numa boa."
"Bom então. Prepare para a viagem, vamos partir em dois dias e o Xavier vai se juntar a nós. Mande uma mensagem para ele e diga para ele voltar ao palácio imediatamente", ela instruiu.
"Farei isso imediatamente. Vou me despedir agora."
"Adeus!"
A Valery observou enquanto o Guardião Esquerdo saía e suspirou. Era hora de resolver uma questão que ela estava empurrando para o lado há anos.
"Nora!"
"Estou aqui, o que posso fazer por você?"
"Prepare os homens e deixe-os se estabelecer na capital primeiro. Mande-os fazer reconhecimento e espionar aqueles generais. É hora de derrubá-los", ela disse.
"Vou começar agora."
"Vá e faça sua coisa, eu vou dar uma volta", ela disse, levantando-se.
A Nora saiu do salão e ela também se mexeu.
Ela levou um tempo para ver como seu palácio estava agora. Enquanto ela estava dormindo, ele tinha sido muito bem cuidado. Ela ia recompensar todos por serem responsáveis.
O Palácio de Lótus consistia em muitos salões; havia o salão principal, no qual ela conduzia os assuntos do palácio; seu salão dourado, onde ela residia como a patroa; o salão vermelho que ela costumava viver antes, quando ela era a jovem patroa e recentemente desocupado; outro salão onde o Guardião Esquerdo reside com sua família; salões para empregadas e guardas.
O palácio ocupava toda a montanha e, como não faltava dinheiro, eles facilmente expandiram e construíram mais salões se tivessem muitos.
Sua montanha tinha mais de três mil discípulos; alguns eram responsáveis por cultivar as terras, alguns eram comerciantes, espiões, guardas reais, soldados, estudiosos.
Não havia nenhuma cidade onde você não encontraria um seguidor ou discípulo do palácio de lótus. Eles eram como uma praga em todos os lugares e difíceis de encontrar às vezes, embora alguns fossem pegos.
Sem informação, ninguém chegaria a lugar nenhum, era preciso saber o que estava acontecendo ao seu redor para entender a situação e planejar o próximo passo.
Ela saiu do palácio e caminhou em direção ao túmulo de seus pais. Ela orou e esperou que eles estivessem reunidos e bem onde estavam. Ela sentia muita falta deles.
Ela era jovem quando seu pai faleceu, deixando-a e sua mãe sozinhas. Sua mãe ficou tão devastada que não conseguia ver ninguém. Ela era muito jovem naquela época e não entendia nada.
Sua mãe não a viu por três anos, mas partiu para uma matança. Ela entendeu por que ela fez isso quando cresceu. Seu pai foi assassinado e sua mãe só estava buscando justiça pelo amor de sua vida.
Ela nunca realmente teve o amor de sua mãe, pois ela estava ocupada lamentando o amor de sua vida e quem a amaria agora?
Ela sentou-se ao lado do túmulo e se perguntou como seria a vida se eles estivessem ambos ao seu lado agora? Eles teriam orgulho dela? Eles a culpariam pelo que ela fez nas últimas duas décadas?
Eles sorririam para ela e diriam que ela é a melhor? Ela tinha tantas perguntas e, no entanto, não havia ninguém para responder.
Ela suspirou e respirou fundo; ela tinha uma longa jornada pela frente agora. Ela não se lembrava da última vez que foi à capital, mas era hora de fazer isso. Ela tinha contas a acertar e era o momento perfeito para isso.
"Santinha, você tem visitas", disse a Nora e ela olhou para ela.
Quando ela começou a andar como um gato? Ela não a ouviu se aproximando.
"Quem é?"
"É o Prefeito da Cidade do Salgueiro", ela respondeu.
Por que aquele velho viria vê-la no dia em que ela acordou? Eles colocaram espiões em seu palácio enquanto ela estava dormindo?
"Leve-me até ele", disse a Valery e a Nora a ajudou a se levantar.
Ela voltou ao palácio e encontrou o prefeito esperando por ela no salão principal, onde ela recebe visitas. Ele a cumprimentou respeitosamente e esperou por ela até que ela se sentasse.
"Prefeito, por que você está aqui?"
"Santinha, estou aqui para pedir um favor", ele disse.
"Vá direto ao ponto, eu tenho coisas para fazer", ela disse.
"Ouvi dizer que você vai viajar para a capital e estava me perguntando se poderia me levar junto", ele disse e ela sorriu.
"Eu não sei como você soube de todas essas notícias, mas me faz pensar se você colocou seu povo na minha casa", ela disse e viu o homem tremendo.
"Eu não ousaria, Santinha."
"É melhor que seja assim, porque se eu descobrir que alguém está me espionando, vou esfolá-los vivos e pendurá-los nas árvores da estrada da montanha para que todos os vejam ao passar pela montanha como um lembrete e um aviso de quem eu sou", ela ameaçou e o homem caiu de joelhos.
"Eu não faria isso, Santinha. É por causa da sua graça que eu ainda posso ser prefeito da cidade. Eu não faria nada vergonhoso para você."
"Eu realmente espero que sim, porque estou de mau humor. Então, o que eu ganho por te levar para a capital?" ela perguntou, mudando de assunto.
"Eu tenho algo na minha mansão que pode ser do seu agrado", ele respondeu e ela se perguntou o que seria.
"O que é?" ela perguntou.
"Será melhor para você se você vir por si mesma. Receio não poder movê-lo facilmente", ele disse.
"Vou partir em dois dias, então vamos ver que coisa é essa antes de eu decidir deixar você vir", ela disse e olhou para a Nora.
"Vou preparar a carruagem", disse a Nora e saiu do salão.