CAPÍTULO 40
A criança finalmente soltou e Nora pegou ela.
"Aquela moça é chamada de Tia Nora. Ela vai cuidar de você depois que a gente voltar pra minha casa. Ela vai te ensinar tudo que você precisa, pra você ficar forte como ela é. Ninguém no futuro vai te ignorar. Eles vão se curvar pra você e pedir sua ajuda. Você em troca não vai zuar eles, mas vai ajudar. Tá entendendo?"
"Sim, tô entendendo, mãe", respondeu a criança.
"Mas primeiro eu preciso te dar um nome", disse Valery e viu a carinha da criança brilhar.
Ela pensou um tempão no nome que queria dar pra criança e de repente surgiu um.
"Vou te chamar de Qara, você gosta?", perguntou ela.
"Sim, adoro. Obrigada, mãe", disse Qara e fez sua primeira reverência.
Valery olhou pra Nora e sorriu. A criança era esperta e ela amava isso nela.
"Nora, leva ela pro mercado e compra roupas pra ela usar. Quando a gente voltar pra montanha, fala pro departamento de costura fazer mais roupas pra ela", instruiu Valery pra Nora.
"Pode deixar", disse Nora e virou pra olhar pra Qara.
Nora estendeu a mão pra Qara e ela pegou. Ela observou as duas saírem do quarto. Sabia que elas iam ser muito próximas. Ela não ia poder encher a Qara de amor de mãe, mas sabia que um monte de gente ia mostrar isso pra ela e deixar ela ter uma infância que seria melhor do que a dela, e quando ela crescesse.
Ela ia ensinar Qara a ser uma mulher forte, uma mulher que não precisasse depender de ninguém, só dela mesma. Ela ia dar ordens no futuro e fazer as pessoas obedecerem. Só esperava que ela não a traísse como os outros tinham feito e estavam fazendo no momento.
Valery saiu do quarto também e viu que Nora e Qara já tinham ido. Ela aproveitou o tempo pra dar uma volta sozinha. Uma coisa que ela não fazia há anos. Dar uma volta numa cidade sozinha sem guardas e empregadas era divertido, mas ela sabia que seus guardas secretos estavam seguindo ela o tempo todo. Eles não a decepcionavam; se fosse outra pessoa, ela não ia conseguir perceber que estava sendo seguida.
Ela estava andando, vendo famílias se divertindo, quando sentiu que estava sendo seguida, mas dessa vez não eram seus guardas secretos. Outra pessoa estava seguindo ela e isso estava ficando interessante.
Seus guardas secretos tinham que proteger ela e sabiam as consequências de agir sem a ordem dela. Ela não gostava de brigar na cidade com tanta gente olhando. Então, não importa o que acontecesse, seus guardas não iam aparecer, a menos que ela quisesse.
Pra evitar qualquer derramamento de sangue desnecessário, ela prolongou a caminhada em direção à floresta ali perto. Podia sentir que não tinha ninguém lá e ia ser o melhor lugar pra conversar com quem estivesse seguindo ela. Ela parou no meio e olhou em volta.
Fechou os olhos e ouviu com muita atenção. Conseguiu ouvir eles pulando por cima das árvores, embainhando as espadas enquanto vinham pra onde ela estava. Abriu os olhos e pegou seu leque de esmalte. Estava rodeada por dez homens de preto.
Eles estavam com os rostos cobertos e ela se perguntou quem estava tão ansioso pra ver ela morta poucos dias antes do casamento. Ela se abanou e deu um sinal pros guardas secretos que estavam seguindo ela. Não eram muitos, só oito. Eles ficaram atrás dela e ela foi direto pros assassinos que tinham sido mandados pra cima dela.
"Consigo ver que vocês estão aqui por minha causa, mas a pessoa que mandou vocês contou quem eu sou antes de vocês me seguirem até aqui?", perguntou ela.
"Sim, sabemos quem você é e se você for tão boa quanto dizem, lute com a gente sozinha", disse um deles, implicando que os guardas não deveriam interferir.
"Justo. Vamos fazer do jeito que vocês querem, então. Se não me matarem em dez movimentos, o enterro é de vocês", disse Valery e fechou o leque.
Já fazia muito tempo que ela não tinha um treino normal, e era como se fosse agora. Todos vieram pra cima dela e tudo que ela teve que fazer foi defender, sem atacar. Seus guardas ficaram olhando enquanto ela se defendia dos inimigos.
Ela conseguiu perceber que a mãe do Xavier estava tão impaciente que agora só tinha que mandar assassinos, mas de alguma forma não parecia o método que ela usaria. Tinha outra pessoa por trás do ataque.
Ela parou no momento em que o décimo movimento foi feito e ainda não tinha um arranhão no corpo. Olhou pra eles e sorriu.
"Dei uma chance pra vocês, mas falharam e ainda se dizem os melhores. Tô muito decepcionada", disse ela enquanto abria o leque e jogava tudo pra longe com um golpe.
Os assassinos caíram nas árvores. Bateram nas árvores com tanta força que quando caíram, estavam todos gemendo, mas conseguiram se levantar. Ela não ia mais fazer nenhuma gracinha.
Ela se moveu na velocidade da luz e cortou as gargantas de todos, exceto a de um. Estava com o leque na garganta dele e conseguiu perceber que ele estava com muito medo agora que todos os colegas dele estavam jogados no chão mortos.
"Vou te perdoar se você me contar quem mandou vocês", disse ela, olhando pra ele.
"Não sei quem mandou a gente, mas fomos pagos com isso", disse ele, tirando um pingente de jade raro que um dos guardas dela pegou o pingente e olhou pra ele.
"Isso é da família real", disse ele.
Esse guarda costumava trabalhar no palácio, então sabia das coisas.
Ela olhou pro assassino e perguntou.
"Você sabe quem te deu esse pingente?", perguntou ela.
"Posso desenhar o rosto dele, se quiser", disse ele.