CAPÍTULO 34
Tudo o que ela queria, desde que era pivete, era ser livre, tipo descer que nem cachoeira. Era tão difícil ela pedir isso?
Com a viagem que ela tinha acabado de planejar, ela vai usar esse tempo pra tentar esquecer essa conspiração pra matar ela. Ela não queria cometer traição nenhuma, mas eles tavam planejando fazer isso com ela.
Ela não queria lembrar o que a mãe dela escreveu pra ela na carta que deixou antes de morrer. Ela não queria acreditar que podia ser verdade. Ela queria provar que a mãe dela tava errada e agarrar a própria felicidade.
"Você tá aqui", disse Xavier atrás dela e ela virou pra olhar pra ele, botando um sorriso na cara.
"Me achou?"
"Eu sempre te acho em qualquer lugar, meu amor. Trouxe seus lanchinhos", ele disse, segurando a bandeja com uma tigela cheia das bolinhas de pérola.
"Vamo ali sentar na varanda", ela disse, apontando pra uma varanda ali perto.
"Bora, vamo lá", ele falou e começou a andar pra varanda.
Ela sentou confortavelmente depois de chegar na varanda e Xavier botou a bandeja na frente dela. Ela pegou uma colherada e comeu. Não era bom comer tantas bolinhas desses pós.
Eram muito azedas, mas eram boas pro sistema imunológico. Ela acabou rapidinho; ela queria que Xavier visse que ela tava com boas intenções. Ela comeu o que a mãe dele tinha mandado, mesmo que ele não fizesse ideia do que ela tava planejando atrás dele.
"Desculpa não ter sobrado nada pra você", ela disse, botando a tigela no chão.
"Tá tudo bem; faz bem pro seu corpo. Da próxima eu como", ele disse, olhando pra ela.
"Vou escrever uma carta pra sua mãe e agradecer pessoalmente pelos presentes. Faz tempo que não escrevo uma", ela disse.
"Ela vai adorar. Ela gosta muito de você. Me contou tudo o que você fez por ela", Xavier contou animado.
Se ele soubesse o quão doida era a mãe dele, ele não estaria falando o que tava falando agora.
"Eu ainda lembro quando ela era só uma cantora aqui. Ela tinha a voz mais linda e minha mãe também gostava muito dela. Quando ela morreu, achei que ficar aqui ia ser ruim e ela gosta do seu pai depois de ver ele um dia.
Então, ela concordou em ser enviada pro palácio e manter a paz entre a família real e nossa montanha. Ela sacrificou muito. Fico feliz por ela. Ela foi atrás da felicidade dela e agora é uma mulher muito respeitada. Ela tem muita sorte", disse Valery.
"Ela tem sorte porque teve você e sua mãe pra se apoiar. Eu ainda sou grato porque, por causa dela, te conheci e agora vou casar com a mulher mais linda do universo", ele disse, segurando a mão dela na dele.
"Eu também sou grata por ter te conhecido e agora vou casar com você", ela disse, encostando a cabeça no ombro dele.
Xavier ainda sentia que tinha alguma coisa errada. Faz dias que ela tava mostrando essas vibes, mas no momento em que os presentes chegaram, ela piorou. Quando ela deixou cair o frasco do pó de pérola, ele sabia que tinha alguma coisa, e na hora em que ela impediu ele de pegar o outro frasco, ele sacou.
A mãe dele tava aprontando alguma coisa e ele só esperava que ela não estivesse querendo machucar a Valery. Ele daria a vida por ela e qualquer um que tentasse machucar ela ia enfrentar a fúria dele.
Ele sabia o quanto a mãe dele era ambiciosa, mesmo quando ele era pivete. A cara da mãe dele quando viu ele era misteriosa. Ele queria dar o benefício da dúvida, mas agora ele tinha certeza de que a mãe dele tava brincando com fogo.
Ele tinha testado o pó antes de fazer os cozinheiros prepararem os lanchinhos e eles não tavam envenenados. Ele ia garantir que nada machucasse ela. Mesmo que fossem os próprios pais dele, ele ia declarar guerra contra eles quando se tratasse da Valery.
Ele deu um selinho na testa dela e viu ela botando um dos sorrisos dela. Era esse tipo de sorriso que fazia a vida dele seguir em frente. Ele passou o braço em volta dela.
"Vou sair da montanha amanhã", ela contou pra ele e ele tomou um susto.
"Tá tudo mal?"
"Não, tem uma coisa que preciso fazer. Volto em três dias", ela contou pra ele.
"Posso ir com você?"
"Não, você se prepara pro nosso casamento. Você me prometeu que ia me dar o melhor casamento de todos. Tem que cumprir essa promessa, aconteça o que acontecer. Quando eu terminar, volto pra você", ela falou pra ele e ele ficou muito preocupado.
"Tem certeza disso?", ele perguntou pra ela.
"Tenho, então anda comigo", ela disse, sentando direito.
"Adoraria", ele disse e se levantou. Ele puxou ela devagar até que ela ficasse em pé.
Ele pegou na mão dela enquanto os dois começavam a andar pela montanha.
Ele morava na montanha há muito tempo e ainda tinha lugares que ele nunca tinha visto antes. Eles seguiram um caminho estreito que levou a uma caverna. Ele olhou pra ela e ela sorriu pra ele.
"Que lugar é esse?", ele perguntou.
"Entra e eu te mostro", ela disse, levando ele pra dentro da caverna.
A caverna tava tão escura que ele não conseguia ver nada. Ela estalou os dedos e, de repente, as lâmpadas se acenderam. As lâmpadas iluminaram toda a caverna e ele seguiu ela por trás enquanto ela mostrava o caminho. Ele nunca imaginou que existiria um lugar desses. Ele seguiu ela até que chegaram a uma parede de repente.
"A gente chegou num beco sem saída?", ele perguntou, percebendo que não tinha mais caminho pra eles seguirem.
"Não, olha isso", ela disse.
Ele viu Valery cortar a mão e sentiu muita dor vendo ela daquele jeito. Ela usou a mão sangrando pra tocar a parede e ele sentiu toda a caverna tremer. Ele chegou mais perto dela e ela sorriu pra ele.
A parede começou a se mover e ele percebeu depois que era uma porta escondida. Ela abriu bem grande e as lâmpadas se acenderam. Valery entrou e ele também.