CAPÍTULO 43
"Eu falo sério, tá ligado? Se você for agora e cavalgar pra capital, vai conseguir salvar seus pais. Vai, vaza, nunca mais volta," ela falou pra ele, super fria.
"Não tô entendendo nada, Valery. Que porra tá rolando?" ele perguntou.
"Sou uma mulher cruel. Se um dia você me magoar, eu te mato, tipo, do mesmo jeito que vinguei todo mundo que me feriu. Não vou casar com você pra te ver todo dia, como se nada tivesse acontecido entre a gente. Não quero que você se force a sorrir, sabendo que fui eu que causei a morte dos seus pais, mesmo que eles tenham começado tudo isso. Então, tô te dando a chance de ser um bom filho. Pega essa garrafa e vai salvar seus pais," ela disse, entregando uma garrafinha pra ele.
Ele não sabia direito o que tinha acontecido com os pais, mas sabia que precisava ir salvá-los antes que qualquer coisa acontecesse. Ela tava dando uma chance pra ele se reconciliar com a família e acabar com os mal-entendidos.
Ela tava sendo fria só pra ele ir embora e fazer as pazes com os pais. Mesmo sendo a que tava mais sofrendo, ela ainda tava cuidando dele, protegendo, como sempre fez.
Ele abraçou ela forte, mesmo com ela tentando se soltar.
"Eu te amo e sempre vou te amar. Pode até ter feito isso hoje, mas fiz uma promessa pra você e nunca vou quebrar. Volto pra te encontrar, mesmo que você não queira me ver," ele falou e deixou ela ir.
Ele saiu do quarto dela e depois da casa dela. Preparou as coisas e se arrumou pra ir. Faltavam só uns dias pro casamento e a Valery tava chutando ele.
Ele montou no cavalo e saiu da montanha, cavalgando pra capital. Quando chegou, foi direto pro palácio. Quando o pai dele soube que ele tava lá, mandou chamar na hora. Ele encontrou o pai na cama, não tava com uma cara boa.
"Achei que você nunca mais ia voltar," ele disse.
Xavier foi até o pai e se ajoelhou.
"O que aconteceu?" ele perguntou, como se não soubesse.
O pai mandou todo mundo sair e fez ele sentar.
"Me desculpa por ter agido assim. Não devia ter feito o que fiz. Sou o culpado desse meu sofrimento. Espero que me perdoe. Devia ter aceitado tudo de coração, mas fui ingênuo e não queria que aquela mulher me tirasse tudo. Ignorei a sua felicidade e deixei esses esquemas continuarem, e agora sou eu que tô morrendo, e não ela," o pai confessou, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
"Pensei que fosse mentira, mas era tudo verdade. Você devia saber que ela teve piedade de você. Se você não fosse o governante dessa nação e meu pai, ela teria te matado, não teria te dado a chance de esfaqueá-la como fez. Por causa da sua ganância e ambição, ela acabou com o casamento. Me expulsou do lugar que chamo de lar. Como ela se importa comigo, me machucou e me deu um antídoto pra acabar com o seu sofrimento," Xavier falou pro pai, observando ele sentar tossindo.
"Ela te deu um antídoto? Achei que não tinha cura. Os médicos imperiais não conseguiram encontrar, como ela achou?"
"Ela não é chamada de Santa à toa. Ela te envenenou, então claro que sabe o antídoto," ele disse, tirando a garrafa com duas pílulas.
Ele pegou uma pílula e deu pro pai.
"Ela mandou eu dar isso pra você e pra mãe. Me pergunto o que aconteceu com a mãe," ele falou.
"Não sei o que dizer. Tô muito envergonhado. Me desculpa," ele disse, mas não conseguia continuar ali.
Já que o pai tinha tomado a pílula, ele ia visitar a mãe pra ver o que tava rolando com ela.
"Com licença, pai. Preciso ir ver a mãe," ele disse e fez uma reverência antes de sair.
Ele correu pro palácio da mãe e, quando chegou, ouviu ela gritando. Todos os criados estavam do lado de fora.
"O que tá acontecendo?"
"Você precisa ver com seus próprios olhos. Ela tá muito brava e se recusando a comer," a criada disse.
"Me leva lá," ele falou e seguiu a criada pra dentro.
Quando entrou, a mãe tava quebrando as coisas no chão. Tinha uma faixa no rosto e ele se perguntou o que tinha acontecido ali.
"Mãe, tô aqui," ele disse, e ela se virou.
Ela não conseguia olhar pra ele direito, então ele foi até ela e tocou nela.
"Você não pode olhar pra mim," ela disse, virando o rosto, mas ele a parou e tirou a faixa do rosto dela. Ele se sentiu mal ao ver o que tinha acontecido com o rosto dela.
"O que aconteceu com você?"
"Ela veio e fez isso comigo. Sou sua mãe e ela destruiu meu rosto," a mãe dele chorou.
O rosto dela tava muito machucado. Ela se orgulhava de ser bonita e agora tava com uma aparência horrível. A Valery tinha feito isso, e agora ele sabia o que ela quis dizer com pagar as dívidas. Ele queria rir e chorar ao mesmo tempo.
"Você nem se arrepende de todas as coisas traiçoeiras que fez? Não acredito que tentou me matar tantas vezes e ainda ficou na minha frente fingindo que se importava. Não acredito que tenho você como mãe. Tô muito magoado com tudo o que você fez. Não parou por aí, tentou matar ela várias vezes. Ela escondeu tudo isso de mim, mas descobri no final de qualquer jeito. Você devia me apoiar, me amar e não me machucar, nem sabotar nada do que eu faço. Como pode ser tão cruel e ingrata assim?" ele perguntou pra ela, fervendo de raiva.