Capítulo 24
— Presta atenção em mim! — Aurélia faz beicinho do meu lado enquanto eu continuo lendo minha redação pra aula de história.
Eu já escrevi o rascunho na aula, então ele mandou a gente pra casa pra fazer as correções.
Nós estamos no meu quarto, na minha cama.
Depois que a mãe de Fé nos deixou, a gente combinou de tentar esquecer toda essa situação com a Ava.
Sério, essa parada toda é muito confusa, então eu tava mais que disposta a esquecer.
A Aurélia tá deitada do meu lado, mexendo no celular, ou, melhor, estava mexendo no celular, já que ela tá me enchendo com essa carência toda.
Eu acharia fofo, se eu não estivesse super estressada com essa redação.
— Talvez mais tarde. — Eu falo, ajeitando os óculos e continuo lendo minha redação horrivelmente escrita sobre 'A Grande Depressão'.
Eu tô entrando numa grande depressão só de ler essa redação idiota.
— Por favor, princesa? — Ela implora, fazendo bico, enquanto se vira pra me abraçar de um jeito meio estranho pela cintura, já que eu tô sentada em posição de índio.
— Para, vai te divertir. — Eu reclamo, começando a fazer umas mudanças no meu trabalho.
Ela dá um sorrisinho com isso.
— Nós duas sabemos que você é a única que pode fazer isso. — Ela fala, provocando, e minhas bochechas esquentam.
Ai meu Deus.
Ela não consegue ficar sem pensar besteira por um dia?
— Você pode descer e trazer um copo d'água pra mim? — Eu pergunto pra ela, enquanto continuo digitando umas correções na minha redação.
— Se eu for, você promete dar uma pausa na sua redação? — Ela questiona, me fazendo revirar os olhos com esse ultimato.
— Não, isso tem que ser entregue em uma hora. — Eu respondo firmemente, fazendo ela fazer beicinho de novo.
Ela tira os braços da minha cintura, se levanta e sai do meu quarto.
Eu ignoro essa leve implicância e continuo curvada sobre meu laptop.
Já tá quase acabando.
Uns minutos passam antes de eu soltar um suspiro de alívio e entregar minha tarefa desgraçada.
Finalmente, agora eu posso relaxar pelo resto da noite.
Eu franzo a testa quando percebo que a Aurélia tá lá embaixo faz um tempão.
Me pergunto o que essa esquisita tá aprontando.
Eu me espreguiço rápida e completamente, deslizando da cama. Fico de pé e vou direto pra escada.
Enquanto desço as escadas, eu sorrio, pois o cheiro de panquecas de mirtilo chega em mim.
Ela não fez isso, né?
— Você fez panquecas de mirtilo? — Eu pergunto com uma expressão divertida, entrando na cozinha.
Por favor, não me diz que ela fez pra mim.
— Yep, só o melhor pra minha princesa. — Ela confirma com um sorriso, colocando dois pratos de panquecas de mirtilo na frente dos bancos.
Aww.
Isso é muito fofo.
Meu sorriso não some nunca enquanto eu sento e admiro o trabalho dela.
Até agora a apresentação é 'A plus'.
Ela coloca uma garrafa de xarope de bordo na minha frente, assim como um garfo.
Eu agradeço silenciosamente, antes de praticamente afogar minhas panquecas em xarope, já que eu odeio panquecas secas. Coloco a garrafa no chão antes de cortar e dar uma garfada.
Santa-!
— Ai meu Deus. — Eu gemo, jogando a cabeça pra trás.
Essas são as melhores panquecas de mirtilo que eu já comi.
— Acho que eu tô apaixonada. — Eu declaro, enquanto ela coloca um pratinho de mirtilos na frente do meu prato.
Ela ri disso.
— Por mim ou pelas panquecas? — Aurélia provoca, mas eu a ignoro enquanto enfio outra garfada na minha boca faminta.
Só melhora.
— Caramba. — Eu gemo de novo.
Eu vejo uma escuridão começar a rodopiar nos olhos cinzas dela.
— Pelo menos agora eu sei que posso te fazer gemer de duas formas diferentes. — Ela brinca, me fazendo olhar pra garota de olhos cinzas.
Ela tinha que falar isso.
— Não se iluda, Kingsbury. — Eu falo, dando outra mordida no carboidrato celestial.
Eu não achava que orgasmos com comida fossem reais.
Ela dá de ombros, pegando uma garrafa d'água na geladeira.
— Você não vai comer? — Eu pergunto, inclinando a cabeça pro segundo prato de panquecas.
Ela não acha que eu consigo comer tudo isso sozinha, né?
— Claro, por que não? — Ela cede, indo em direção ao banco do meu lado.
Eu passo o xarope pra ela, que aceita feliz e coloca nas suas panquecas. Ela dá uma garfada e imediatamente sorri com o sabor.
Viu? Eu não tô exagerando!
Essas são, literalmente, as melhores panquecas de todas!
— Elas são bem boas. — Ela comenta, me fazendo olhar pra modéstia dela.
Elas são muito melhores do que 'bem boas'.
Nós duas ficamos em silêncio, saboreando nossas panquecas. Levamos só uns minutinhos pra acabar com tudo, antes de estarmos completamente cheias.
— Eu lavo a louça. — Eu me ofereço, fazendo ela me dar um olhar estranho.
O quê?
Eu consigo ser prestativa quando eu quero.
— Você não precisa. — Ela me diz.
— Eu quero. — Na verdade, não, eu só me sinto horrível por deixar ela fazer uma refeição inteira pra mim, depois de eu basicamente ter colocado ela pra fora do meu quarto.
— Além disso, você precisa tomar um banho. — Eu falo, me referindo à roupa que ela tá usando o dia inteiro, menos a jaqueta que eu coloquei na cadeira da minha mesa assim que chegamos aqui.
Ela ri da minha vulgaridade.
— Ai, princesa. — Ela provoca, colocando a mão no peito.
Eu reviro os olhos antes de ir lavar a louça.
—
Eu tô deitada na minha cama, vestindo uma regata preta e um shortinho soltinho, enquanto a Aurélia toma banho.
Depois de lavar a louça, eu troquei de roupa e decidi fazer uma chamada de vídeo com a Fé, decidi que vou tomar banho de manhã.
— Onde tá a sua outra metade? — Fé pergunta com um sorriso, me fazendo revirar os olhos.
Eu sinto que as piadas dela não vão parar tão cedo.
— Ela tá no banho. — Eu respondo, não querendo brigar com minha amiga agora.
Eu tento não pensar na imagem da garota de cabelo preto nua.
Coberta de água.
— E você não tá lá com ela por quê? — Ela pergunta, interrompendo meus pensamentos, fazendo minhas bochechas esquentarem.
Porque eu sou muito medrosa.
— Fé! — Eu exclamo, fazendo ela levantar as mãos em sinal de rendição.
— O quê?! Tudo que eu tô dizendo é que não é nada que ela já não tenha visto antes. — Ela continua, gesticulando pro meu corpo com um encolher de ombros.
Ela tá falando sério agora?!?
— Fé! — Eu exclamo de novo, com os olhos arregalados.
Ela ri disso.
— Eu não tô errada. — Ela responde, dando de ombros.
Ugh.
Ai meu Deus.
— Eu preciso de amigas novas. — Eu suspiro, enquanto a água do chuveiro corta.
Ai meu Deus.
— Por favor, sua vida ia ser chata sem a gente. — Ela fala com naturalidade.
Claro.
Sei.
— Você pode estar certa ou não. — Eu falo, fazendo ela sorrir.
Eu acho que eu inflacionei um pouco o ego dela.
— Eu preciso ir, a Aurélia acabou de sair do banho. — Eu informo, fazendo ela sorrir.
— Tchau, vai se foder! — Ela grita antes de encerrar a chamada de vídeo.
Meus olhos se arregalam de vergonha.
Ai meu Deus!
— Ei, onde eu coloco isso? — Aurélia pergunta, enquanto continua secando o cabelo com uma toalha aleatória.
A minha boca seca instantaneamente com a visão da garota de cabelo preto.
O cabelo longo e preto dela tá molhado, dando um ar mais sexy.
Eu aperto as coxas.
Em vez da regata vermelha que ela tava usando antes, ela tá com um top esportivo cinza claro, que combina com as íris dela.
Ela tem piercing no mamilo?!?
Santa-!
O estômago dela tá todo exposto, mostrando seus músculos abdominais proeminentes.
Ela faz exercício?
Eu deixo meus olhos descerem mais um pouco, em direção à calça de moletom cinza claro que tá perigosamente baixa nos quadris, revelando a cintura de uma marca popular de cueca.
Caramba.
Agora eu tô excitada pra caramba.
A Fé tava certa.
Eu preciso ser comida.
Eu fico em silêncio, apontando pra minha cesta de roupa suja no canto do meu quarto.
Ela sorri, jogando a toalha usada na cesta e indo na minha direção, que tô com o corpo fervendo.
— Sabe, se você quiser que eu te coma. — Ela começa, enquanto senta com o traseiro firme nos meus quadris, se inclinando pra que nossos narizes se encostem delicadamente.
— Você podia só ter pedido. — Ela sorri.
Bem, ela ofereceu.
— Me come. — Eu exijo, sem pensar duas vezes, fazendo ela sorrir com a minha vontade.
— Talvez de manhã. — Ela provoca, antes de rolar pra fora de mim e se cobrir.
Tá de sacanagem?!?
— Ugh, eu te odeio, Kingsbury. — Eu reclamo, me virando pra longe da figura tentadora dela e desligando o abajur.
— Te amo também, princesa. — Ela diz, envolvendo um braço em volta de mim por trás e me puxando contra ela.
Ugh.
Isso não tá ajudando a minha situação!
—
— Caramba. — Eu gemo, enquanto ela empurra minhas pernas pra cima e enfiou dois dedos em mim.
Eu acordei uma hora antes do meu alarme tocar, aumentando minha frustração da noite passada.
A Aurélia acordou logo depois, só pra rir de mim.
— Aww, você parece um esquilo chateado. — Aurélia provoca, me fazendo olhar pra garota de olhos cinzas.
— Cala a boca, Kingsbury. — Eu falo, enquanto saio da cama.
Ela senta e se apoia nos cotovelos, me observando.
— Não me diga que você ainda tá chateada por ontem à noite. — Ela fala, provocando.
— O que você acha? — Eu pergunto, colocando um monte de papéis da escola na minha mochila.
— Eu posso te ajudar agora, se você quiser? — Ela sugere, me fazendo olhar pra ela.
— Não, você não pode, eu tenho que tomar um banho gelado porque você demorou muito. — Eu falo, fechando o zíper da mochila.
— Ou eu posso te recompensar no banho. — Ela sugere de novo.
Eu paro e começo a pensar na proposta dela.
Eu tô puta.
Eu tô sexualmente frustrada.
Eu tô excitada.
Eu preciso gozar.
— Anda logo, eu não tenho a manhã toda. — Eu falo, tirando minha regata preta, fazendo meus seios pularem livres.
Ela tá hipnotizada pela vista e sai da minha cama e vem na minha direção. Eu dou um gritinho de surpresa quando ela me pega no colo e me leva pro banheiro.
— Você tem uma hora, faça o seu pior. — Eu digo, dando todo meu consentimento.
— Ah, eu pretendo. — Ela diz com confiança.
A minha mãe me deu o chuveiro com uma prateleira e a Aurélia não tá deixando passar essa chance hoje de manhã.
Ela já me fez gozar duas vezes e eu não faço ideia da hora.
Ela pretende fazer uma terceira vez, pelo jeito no rosto dela.
— Caramba, eu tô perto. — Eu suspiro enquanto ela continua a segurar minhas coxas contra meu estômago e esfregar freneticamente meu clitóris.
Eu grito silenciosamente enquanto meus quadris começam a arfar contra a mão dela.
— Goze. — Ela comanda.
Meus olhos reviram enquanto meus quadris cambaleiam violentamente, liberando minha terceira onda de tesão da manhã.
— É isso. — Ela encoraja, enquanto minha cabeça se inclina pra trás contra a parede de vidro.
Caramba.
Minhas coxas doem.
Ela se agacha entre minhas coxas rosadas e me lambe com cuidado, evitando meu feixe de nervos supersensível.
Ela leva o tempo que for, relaxando gentilmente a língua entre minhas dobras inchadas.
Quando ela termina, ela fica de pé na altura total e alivia lentamente minhas coxas na prateleira.
— Acho que eu não consigo andar. — Eu digo, cansada, enquanto minha cabeça continua encostada na parede de vidro.
— Eu vou te ajudar o máximo que eu puder. — Ela promete, antes de pegar minha mão e dar um beijo suave no dorso dela.
— Agora, vamos tomar um banho de verdade, a Bailey e a Fé chegam em uns minutos. — Ela me diz, me fazendo gemer.
Merd*.
Eu esqueci que a gente tem aula.