Capítulo 25
Enquanto me abaixo pra pegar minha mochila, sinto uma fisgada na minha bunda.
Sério, de novo?!
"Para de bater na minha bunda, Kingsbury!" Eu grito pra garota de cabelo preto, que est�� com um sorriso no rosto.
Ela tem feito isso a manhã toda.
Desde que a Aurélia e eu saímos do nosso banho super quente, ela não para de bater na minha bunda.
Eu não faço ideia do porquê!
"Então para de botar na minha cara" ela brinca, me fazendo revirar os olhos pra ela.
A lógica dessa garota é um outro assunto.
Hojé eu tô usando um top estilo boho verde oliva com um par de jeans escuros e detonados. De sapatos, escolhi um par de All Star branco de cano baixo e no meu cabelo só fiz um coque em formato de leque.
A Aurélia decidiu ir um pouco mais casual com uma flanela verde e azul, que ela dobrou até os cotovelos, e um par de jeans skinny pretos rasgados. De sapatos, ela escolheu um par de All Star azuis de cano alto e deixou o cabelo em ondas naturais.
"Eu não coloquei minha bunda na sua cara, eu só estava alcançando minha mochila" eu digo, como quem não quer nada, enquanto pego meu celular e saio correndo do meu quarto.
Ela fica em silêncio enquanto corre até mim e pega minha mão rapidamente, entrelaçando nossos dedos no processo.
Safada.
Ignoro a sensação estranha na área do meu peito enquanto levanto a sobrancelha pra ela.
"O quê? Não quero que você se apaixone por mais ninguém" ela diz, apontando para as minhas coxas meio trêmulas.
Eu suspiro quando um rubor se espalha pelo meu nariz.
Pelo menos eu consigo andar dessa vez, ao contrário da primeira vez.
"Cala a boca, Kingsbury" eu digo pra ela enquanto descemos as escadas.
Meu Deus.
Quantas vezes eu já falei isso essa semana?
Ela me leva até o armário de lanches e o abre, só pra ficar olhando pra tudo por alguns segundos.
Eu olho pra ela e começo a rir quando vejo as engrenagens girando na cabeça dela.
"Não sei o que quero, escolhe você" ela me diz com um biquinho adorável, me fazendo revirar os olhos.
Não conta pra ela que eu falei isso.
"Para de fazer essa cara, você parece alguém do 'botchada'" eu digo pra ela enquanto olho o armário.
"Ai, princessa" ela provoca.
Eu a ignoro, meus olhos pousando em duas caixas de Pop Tarts.
Ah, eu não como isso faz um tempo.
"Morango ou blueberry?" Eu pergunto enquanto aponto pra caixas de Pop Tarts.
"Morango" ela responde, me fazendo engasgar.
"Nojento" eu digo, enquanto pego um de blueberry pra mim e um de morango pra ela.
Eu pessoalmente gosto de pensar que os Pop Tarts de blueberry são bem melhores que os de morango.
Ou talvez eu só seja louca por blueberries.
"Se você não gosta, por que tem?" Ela ri enquanto aceita o doce e fecha o armário.
"Minhas irmãzinhas são obcecadas por eles, meus pais e eu odiamos" eu digo, revirando os olhos enquanto caminhamos em direção à porta da frente.
As papilas gustativas delas ainda não se desenvolveram totalmente, o que elas sabem?
"Interessante" ela diz enquanto saímos da casa e vamos em direção ao carro da mãe da Bailey.
-
"Vocês estão namorando?" Bailey solta, enquanto enfio um punhado de batata frita na boca.
Nós estamos no almoço, mas a Aurélia e eu estamos recebendo olhares tortos o dia todo.
Normalmente eu só ignoraria, dizendo que são adolescentes sendo adolescentes, mas aí eu lembrei de como todo mundo era obcecado por ela no primeiro dia dela aqui.
"Ainda não" a Aurélia responde, já que eu estou comendo, me fazendo dar um tapa firme no ombro dela.
Se ela não calar a boca, vai dar a ideia errada pras nossas amigas.
Deus sabe que não precisamos de mais drama.
"Ah, então você é só uma pussy whipped" Fé responde, me fazendo engasgar com a comida.
Que porra, Fé?!
A Aurélia tira uma das mãos da minha cintura pra poder dar um tapinha nas minhas costas.
Foda-se.
Isso é tão constrangedor.
Quando eu não paro, ela alcança e pega meu refrigerante de uva. Eu pego a bebida dela com avidez e viro tudo.
"Por favor, a Hanna parece uma princessa de travesseiro" Bailey responde, me fazendo olhar feio pra ela.
Mais uma palavra, Pierce.
Mais uma palavra.
"Eu não sou uma princessa de travesseiro!" Eu digo firme, fazendo a Aurélia rir do meu estado alterado.
O que tem de tão engraçado?!
"Sei, sei, Hanna" Fé responde, revirando os olhos, me fazendo suspirar.
Ela não acredita em mim.
Claro que não acredita.
Eu não sou uma princessa de travesseiro.
Pelo menos, eu acho que não sou.
Quer dizer, eu nunca comi pussy antes.
Mas não pode ser tão difícil...
Pode?
"Ei, amor" Alguém diz antes de me abraçar.
Meu nariz imediatamente é atingido pelo cheiro do perfume Victoria Secret.
Ugh.
Ava.
A Bailey, a Fé e o Chadley instantaneamente viram para a cobra, só pra imitar minha expressão facial, me fazendo sorrir.
Não riam.
Não riam.
"Eu não consegui te encontrar hoje de manhã, senti sua falta" ela continua, enquanto empurra a Bailey pra fora do caminho, pra poder sentar do meu lado.
Que porra-?
Ela tá falando sério agora?
"Ava, o que você tá fazendo aqui?" Eu pergunto calmamente, enquanto me encosto na frente da Aurélia.
A Aurélia sorri com isso, apertando os braços protetoramente em volta da minha cintura e encostando o queixo no topo da minha cabeça.
"Não estraga meu cabelo, Kingsbury" eu repreendo, mas não faço nenhum movimento pra me afastar dela.
A Ava percebe a posição atual da Aurélia e eu e franze os lábios.
Meu Deus.
Isso não vai ser bom.
"Vocês duas parecem mais próximas" ela diz azedamente, me fazendo revirar os olhos.
O que tá acontecendo com ela?
"Com ciúmes?" Eu pergunto petulantemente, ficando irritada com a obsessão doentia dela por mim.
Ela literalmente não tem motivos pra ter ciúmes da Aurélia.
"Dela? Definitivamente não" ela responde com arrogância, me fazendo franzir a testa.
Essa garota-.
Eu lentamente afasto os braços da Aurélia de mim, pra poder sentar reta e encarar a cobra nos olhos.
"O que há de errado com ela?" Eu pergunto retoricamente, com as sobrancelhas franzidas.
A Ava me dá uma revirada nos olhos, me deixando ainda mais irritada.
"Hanna, não-" a Aurélia começa a dizer, só pra eu cortá-la.
"Não, ela veio aqui sem ser convidada e tá tentando começar alguma coisa" eu digo, minha raiva começando a aparecer.
"O que não há de errado com a África" ela começa, me fazendo suspirar.
Como você de repente não sabe o nome dela?!
"O nome dela é Aurélia" eu digo firmemente.
Só respira.
Talvez ela tenha batido a cabeça em bora bora e sofrido de amnésia.
Quer dizer, essa é a única explicação lógica pra isso, certo?!
"Tanto faz" ela ignora.
Ugh.
Eu levo a mão pra bater na minha testa.
Ok.
Eu estou realmente com dor de cabeça por causa disso.
"Ela cheira a lixão, ela parece uma vagabunda, ela trabalha pra um ga-" ela grita rudemente, só pra ser interrompida por uma Fé irritada.
A Aurélia cheira a baunilha.
Que é um dos meus cheiros favoritos!
A Aurélia se parece com qualquer outra garota do segundo ano.
Aka não é uma vagabunda!
Quem se importa se ela trabalha pra alguém, isso só prova como ela é trabalhadora.
Que ela é!
"Já chega, ninguém te quer aqui, então vaza" Fé diz, cortando a cobra.
Graças a Deus.
"A Hanna me quer aqui" ela diz, como quem não quer nada.
Quem disse isso?!
Eu nunca disse que queria ela aqui!
"Não, eu não quero" eu digo diretamente, dando a ela uma expressão facial chocada.
Ela não vai me afundar no buraco com ela.
"Com licença?" Ela pergunta com um tom de voz chocada.
Ela não pode realmente estar chocada!
Eu já expressei meu ódio por ela inúmeras vezes!
"Você é uma cobra", eu cuspo, sem sentir pena nenhuma.
"Você fingiu dormir com meu namorado, você basicamente chamou minha amiga de vagabunda e, desde que você voltou, você praticamente está me perseguindo!" Eu digo com os olhos arregalados.
Ela não vê que ela é o principal fator em todos esses problemas?!
Ela olha pra mim antes de se levantar e sair pisando duro.
"Ugh, vadia do caralho" Fé suspira, enfiando um biscoito com gotas de chocolate na boca.
Eu jogo minhas pernas sobre as coxas da Aurélia, encostando minha cabeça confortavelmente no ombro dela no processo. Ela franze a testa pra minha expressão facial enquanto eu envolvo meus braços em volta da metade dela.
A Fé vê isso e sorri sorrateiramente pra mim.
"O que foi?" A Aurélia pergunta, envolvendo os braços em volta de mim protetoramente.
Eu quero que ela me abrace assim pra sempre.
"Ela te chamou de vagabunda, lixão e zombou de você por ser uma trabalhadora, quem faz isso?" Eu digo baixo, já que a Fé está atualmente reclamando pra Bailey e pro Chadley sobre algo relacionado a doces.
"Ela é só uma garota muito ciumenta e amarga" ela diz.
Bem, eu não posso discordar dessa afirmação.
"Ela gosta de você, então ela não gosta da ideia de qualquer outra pessoa, além dela, estar com você" ela me informa, fazendo eu olhar pra ela.
Foda-se.
Eu acho que estou me apaixonando por uma Kingsbury.
E estou me apaixonando rápido.
Eu dou um sorriso gentil pra ela enquanto movo meus braços fracos pra cima e em volta do pescoço dela, fazendo ela sorrir pra mim.
"Você vai me beijar?" Ela provoca, me fazendo rir.
"Não se você continuar falando" eu provoco de volta, me inclinando pra ela.
O cabelo preto dela é comprido o suficiente pra criar uma cortina que esconde nossos rostos de todo mundo.
Nesse momento, eu não me importo se alguém nos pegar nos beijando.
"Meu Deus, tá acontecendo!" Bailey grita animadamente, me fazendo rir dela.
A Aurélia vai conectar nossos lábios, só pra eu me inclinar pra trás, provocando, fazendo ela rosnar. Eu sorrio divertida com a reação dela antes de conectar nossos lábios ansiosamente.
Foda-se.
Isso tá quente.
Eu inclino minha cabeça, deslizando sem esforço meus dedos no cabelo preto ondulado dela.
"A gente devia dar um pouco de privacidade pra eles" Fé sussurra antes que os três dos nossos amigos se levantem da mesa de piquenique de metal azul.
Uau.
Isso foi meio fofo.
Eu quero me afastar e dizer pra eles que tá tudo bem, que eles podem ficar, mas eu só acabo trazendo a cabeça da Aurélia mais perto da minha.
Bem, eu fiz o meu melhor.
"Entreguem um quarto" Bailey reclama, jogando uma batata frita na gente.
A Aurélia sorri contra meus lábios com isso.
Eu tiro uma das minhas mãos do cabelo macio da Aurélia pra mostrar o dedo do meio pra minha melhor amiga.
Eu continuo beijando a garota de olhos cinzentos antes de inevitavelmente pular longe dela quando ouço o toque irritante da escola, indicando que temos que ir pra nossa terceira aula.
Ugh.
Eu odeio essa aula pra caralho.
"Fucking cockblock" a Aurélia resmunga com irritação.
Pelo menos eu não sou a única frustrada com essa interrupção.
"Relaxa, Kingsbury, eu tenho uma surpresa pra você mais tarde" eu digo com uma piscadela.
Nós duas nos levantamos pra nos encontrar e seguir nossos amigos.
Ela pega minha mão possessivamente, me fazendo rir da proteção dela.
"Que tarde é essa que estamos falando?" Ela sorri, me fazendo revirar os olhos pra sua safadeza.
Quem diria que eu ia conhecer alguém mais safada que eu?
"Mais tarde, como no seu aniversário" eu digo, fazendo ela suspirar.
A minha mãe me mandou uma mensagem mais cedo hoje dizendo que o aniversário da Aurélia é em algumas semanas e que vamos comemorar no 'clube' delas.
Meus pais chamam de clube na minha frente, mas eu sei que o nome é outro.
"Isso é daqui a algumas semanas" ela diz, como quem não quer nada, trazendo um sorriso ao meu rosto.
"Eu sei" eu digo enquanto paro do lado de fora da sala de aula dela.
Eu vejo o sorriso no rosto dela se alargar enquanto ela olha pra mim.
"Ugh, tá bom" ela responde, desistindo pra que eu não me atrase muito pra minha terceira aula.
Ha!
Eu venci!
"Você quer fazer biscoitos depois da escola?" Eu persuado com um sorriso infantil, instantaneamente levantando o ânimo dela.
A Isabella e a Haley ainda estão com minha avó.
Eu não faço ideia se a Bailey e a Fé querem vir hoje à noite, considerando que a Aurélia e eu quase demos um show pornô ao vivo pra elas.
E finalmente, eu duvido que o Chadley queira passar a noite com duas garotas sexualmente privadas que poderiam acabar se pegando a qualquer momento.
"Já era, princessa" ela concorda antes de se inclinar pra dar um beijo na minha bochecha.
Ah.
Isso foi muito fofo.
"Agora vai, você sabe como sua professora fica quando você se atrasa" ela diz, me virando e me empurrando em direção à minha aula.
Jesus Cristo.
As mulheres são tão exigentes às vezes.
Eu coroi com isso, acenando pra ela antes de ir pra minha aula.