Capítulo 28
“Eu simplesmente não entendo porque temos que vir pra escola no Halloween, a gente não vem pra escola em outros feriados, então porque esse?!” Bailey expressa a sua antipatia enquanto caminhamos pelo corredor lotado.
Bailey tá irritada com todos os seus professores passando mais dever de casa que o normal pra ela hoje, então ela tá reclamando pra gente sobre isso.
“Por que a gente ia perder aula por um feriado que é glorificado por assustar as pessoas e dar doces pra elas?” Fé questiona com uma revirada de olhos.
Por mais que eu odeie dizer isso, eu concordo com a Fé.
“Desculpa, B, eu concordo com a Fé nessa” eu digo pra morena.
“E eu concordo com a minha namorada linda” Aurélia diz se abaixando pra dar um beijo na minha bochecha.
“E também a gente não ia ter nada pra fazer durante o dia de qualquer jeito” eu adiciono enquanto nós quatro entramos no refeitório.
O celular da Aurélia toca, fazendo ela dar uma olhada rápida antes de suspirar.
“Eu tenho que atender, eu encontro vocês na nossa mesa” ela diz pra gente.
Ela rapidamente solta a minha mão antes de atender o celular com a irritação clara no tom de voz dela.
“Quem era?” Bailey pergunta se referindo pra pessoa que ligou pra minha namorada.
“Não sei, não me importo” eu respondo com um aceno de mão enquanto meus olhos pousam num cheeseburger.
Minha boca instantaneamente enche de água enquanto minha mão alcança e pega o hambúrguer esteticamente agradável.
Nós estamos na metade do caminho do caixa quando Fé grita e começa a esfregar violentamente o olho dela, fazendo eu franzir a testa pra ela.
Que merda?
“Você tá bem?” eu pergunto com cuidado pra ela.
Ela continua esfregando o olho enquanto responde.
“Não, um cílio caiu no meu olho e eu não consigo tirar” ela resmunga com irritação.
Ah.
Eu odeio quando isso acontece.
“Vai no banheiro e enxágua o seu olho com água, eu levo a sua comida pra mesa” eu digo pra ela.
Ela tira a mão do olho pra olhar pra mim só pra gritar de novo e continuar esfregando o olho dela, que tá ficando vermelho rápido.
“Obrigada, Hanna, eu te compro um biscoito” ela promete antes de sair correndo.
“É bom mesmo” eu murmuro mais pra mim mesma.
Bailey e eu rapidamente vamos pra fila, pedindo a nossa comida e indo em direção a nossa mesa do almoço.
Assim que estamos sentadas, nós imediatamente começamos a comer a nossa comida, famintas demais pra esperar pelo resto das nossas amigas.
“Ei, vocês viram a Aurélia?” Chadley pergunta enquanto senta do lado da Bailey.
“Ela atendeu uma ligação uns minutos atrás, por quê?” eu respondo no meio das mordidas do meu hambúrguer.
Foda.
Esse hambúrguer tá tão bom!
A nossa escola nunca fez hambúrgueres que tenham esse gosto antes.
“Eu preciso dar essa carta pra ela, é da Ava” ele diz, efetivamente me tirando do meu devaneio.
Eu pego a carta das mãos dele e começo a abrir só pra parar no meio do caminho.
Espera, o que eu tô fazendo?
Eu não deveria abrir isso, é uma invasão total de privacidade.
“Por que você tem uma carta da Ava?” eu pergunto pra ele com a maior calma que consigo.
Bailey continua devorando o seu almoço, olhando pra gente como se estivesse assistindo um filme divertido.
“Eu abri meu armário e ela caiu, isso tava colado nela” ele me diz, me entregando um bilhete azul.
Eu pego o bilhete da mão dele lendo ele rapidamente.
Olá erro,
Passe esse bilhete pra Aurélia.
-Ava.
Ah.
Eu odeio ela.
“Eu vou entregar pra ela, garante que a Harrington ali não coma a minha comida” eu digo apontando pra morena curiosa.
“Mal-educada” ela comenta.
Eu reviro os olhos antes de levantar e ir em direção ao prédio da escola.
Ótimo.
Eu tenho que olhar em basicamente toda sala de aula pra achar ela, já que eu não faço ideia em qual ela se enfiou.
Eu apresso os meus passos pra que eu possa terminar isso logo.
Eu olho em algumas salas de aula só pra perceber que elas estão vazias.
Ah.
Onde tá essa garota?!.
Eu olho em uma sala de aula só pra pular pra trás quando percebo que é a minha professora de primeira aula.
Merda.
“Eu sei que é você, Hanna” ela diz monótona.
Eu entro na sala de aula desajeitadamente.
“Oi, eu tô só procurando a minha amiga” eu digo.
Ela se vira pra me encarar.
“Srta. Kingsbury? Ela passou por aqui uns minutos atrás, parecia que tava indo em direção a sala de aula de educação no trânsito” ela me diz.
Que-.
“Ah, obrigada” eu respondo.
Eu saio da sala de aula desajeitadamente antes de ir em direção a sala de aula de educação no trânsito.
Por que ela ia atender uma ligação lá dentro?
Aquele quarto fede a leite estragado misturado com mingau.
Eu chego no quarto e vou cumprimentá-la só pra parar no lugar quando meus olhos pousam na cena que está acontecendo na minha frente.
Não.
Isso não tá acontecendo.
Isso não pode estar acontecendo!
As mãos da Aurélia estão segurando a cabeça da Fé no lugar enquanto as duas se movem em sincronia.
“Ai, seja mais gentil” Fé geme.
“Para de se mexer” Aurélia geme de volta.
Eu fisicamente sinto o meu coração quebrar enquanto continuo a olhar pra elas duas, meus pés congelados no piso embaixo delas.
Não, elas não iam-.
Eu inconscientemente deixo a carta da Ava cair enquanto levo uma das minhas mãos pra cima pra agarrar o meu peito cheio de dor.
Tudo foi uma mentira.
Ela não me ama.
Caramba, ela nem gosta de mim.
Eu sou uma idiota.
Ela conseguiu o que queria de mim e me deixou como lixo de ontem.
Essas últimas semanas não significaram nada pra ela?
Eu achei que a gente realmente tinha se conectado na semana passada.
Eu acho que o sentimento não é mútuo.
Eu sinto uma mão sendo gentilmente colocada no meu ombro, me fazendo olhar pra Chadley, que tá me dando um olhar triste.
“Vamos, Wilder, vamos te tirar daqui” ele diz.
Eu balanço a cabeça fracamente enquanto ele me leva pra longe da sala de aula e em direção ao meu armário.
Nós não chegamos longe antes de sermos interrompidos pela última pessoa que eu quero ver.
Bem, uma delas.
“Ah, a sua namorada tá ficando com a sua melhor amiga, isso não te parece familiar?” Ava zomba sarcasticamente.
Eu fecho os olhos e respiro fundo, lágrimas instantaneamente manchando as minhas bochechas. Eu calmamente me viro pra encarar a garota de cabelo preto sorrindo.
“Você venceu,” eu admito com um sorriso fraco, fazendo o sorriso dela vacilar.
“Você conseguiu arruinar não um, mas dois dos meus primeiros relacionamentos,” eu começo.
“Você arruinou não só a minha confiança, mas a minha amizade com a única pessoa que eu achei que podia confiar depois do dano que você causou na minha vida,” eu continuo enxugando as minhas lágrimas secando.
Não tem razão pra mim chorar.
Talvez eu só seja incapaz de ser amada.
Qualquer um que ‘me ama’ instantaneamente é arrancado de mim.
Eu não vejo os meus pais faz uma semana.
As minhas irmãzinhas estão na casa da minha avó.
Chadley me traiu com a Ava.
Aurélia beijou a Fé, a minha namorada beijou a minha melhor amiga.
“Eu desisto, eu fisicamente não tenho energia pra lutar por alguém que não me quer,” eu declaro.
Eu respiro com dificuldade, sentindo uma onda de lágrimas subir nas minhas órbitas.
“Você arruinou todos os relacionamentos que eu tive, por isso, você venceu,” eu digo com uma risada sem humor.
Ela finalmente tá feliz?
Ela me dá um olhar de remorso enquanto eu nunca quebro o contato visual com ela.
“Parabéns, eu espero que você aproveite o seu prêmio” eu digo com outro sorriso falso enquanto eu me afasto dela.
“Hanna, espera-” ela diz com um tom de voz culpado.
“Deixa ela em paz, Ava, você já fez o suficiente” Chadley diz com raiva pra garota.
Ele me ajuda a abrir o meu armário antes de pegar a minha mochila e fechar a porta de metal. Ele hesitantemente coloca a mão dele na área do meio das minhas costas.
Lembra quando eu disse que esse ia ser o melhor dia de todos?
Esse é o pior dia de todos.
-
Chadley pediu um Uber e voluntariamente me acompanhou pra casa, não que eu esteja reclamando.
Eu realmente preciso de um amigo agora e ele por acaso está aqui.
“Toma, come isso” ele diz se abaixando do meu lado e me entregando um pacote de bolachas água e sal.
No caminho pra cá eu senti uma doença repentina e fiz o motorista parar pra que eu pudesse esvaziar o meu estômago.
Eu não sei porquê.
Chadley silenciosamente segurou o meu cabelo pra trás enquanto eu continuava a deixar a comida sair do meu corpo, algumas lágrimas saindo dos meus olhos no processo.
“Eu não tô com fome” eu murmuro enquanto me enrolo numa bola e encosto a minha bochecha na almofada do sofá.
Eu tô sendo um pouco patética?
Sim.
Pra ser justa, eu perdi a única garota que eu desenvolvi sentimentos muito fortes por.
Chadley suspira, levantando e sentando na minha frente, colocando as bolachas no meu colo.
Eu chego mais perto dele e encosto a minha cabeça no ombro dele.
“O que você tá fazendo?” ele pergunta com um tom de voz confuso.
Eu enrolo os meus braços mais forte em volta do meu corpo.
“Só me abraça” eu digo pra ele.
“Hanna” ele diz com o mesmo tom de voz.
“Chadley, por favor” eu imploro fracamente só querendo ser abraçada.
Ele suspira, concordando com os meus desejos e enrolando seus braços vagamente em volta dos meus ombros.
Eu mordo o lábio enquanto fecho os meus olhos, algumas lágrimas caindo pelas minhas bochechas.
Foda.
Eu tô tão cansada de chorar!
Por que eu tô chorando por alguém que não me quer?
“Ei, vai ficar tudo bem” ele consola.
Eu deixo as minhas lágrimas salgadas mancharem o meu rosto enquanto o meu corpo começa a tremer com os meus soluços.
“Por que ela não me quer?” eu pergunto pra ele vulnerável, não me importando o quão ridícula eu pareço agora.
Ele me afasta dele e segura o meu rosto nas mãos dele.
“Hanna, olha pra mim,” ele exige calmamente enquanto eu continuo a soluçar.
Eu balanço a cabeça fracamente enquanto olho pro meu colo.
“Hanna Anne Wilder, olha pra mim,” ele diz de novo.
Eu continuo soluçando enquanto eu olho pra cima pra ele através dos olhos marejados.
“Hanna, você é uma pessoa linda, por dentro e por fora, você é gentil com todos que você encontra,” ele começa.
Ele leva os polegares dele pra cima pra enxugar algumas das minhas lágrimas, só pra serem substituídas por um novo conjunto de lágrimas.
“Você é uma mulher forte, isso é só um pequeno revés, depois de colocar tudo isso pra fora do seu sistema, você vai voltar mais forte do que nunca” ele incentiva.
Ele silenciosamente me abraça, eu enfio o meu rosto no ombro dele com a roupa enquanto os meus braços se enrolam em volta dele.
Nós ficamos assim por alguns segundos.
Ele me abraçando enquanto eu choro no ombro dele.
Quando eu termino de chorar, eu não consigo negar que eu me sinto um pouco melhor.
“Obrigada” eu digo pra ele enquanto nós nos afastamos um do outro.
Eu levo as minhas mãos pra cima pra enxugar as minhas lágrimas e secar os meus olhos.
“Você quer passar a noite na minha casa?” ele questiona, me fazendo levantar uma sobrancelha suspeita pra ele.
Ele não tava me avisando sobre um abraço literal?
“Eu entendo que os seus pais não vão voltar até amanhã e eu duvido que você queira ficar na mesma casa que a sua ex” ele explica.
Eu deveria?
Quer dizer, eu não quero ficar na mesma casa que a Aurélia, mas também não quero dormir no mesmo quarto que o Chadley.
“E a sua mãe? Onde eu ia dormir?” eu listo.
“Minha mãe ia ficar feliz em te ver de novo e a gente tem um quarto de hóspedes” ele afirma.
Eu não sabia disso.
Desde quando eles têm um quarto de hóspedes?
“Ok” eu concordo, já que eu não quero estar aqui quando a Aurélia chegar da escola em algumas horas.
-
“Meu Deus, Hanna Wilder, é você?” a mãe do Chadley solta um suspiro quando eu apareço de trás do filho dela.
Eu sorrio fracamente pra ela enquanto Chadley fecha a porta da frente atrás da gente.
“Olá, Sra. Huntington” eu a cumprimento educadamente.
Chadley gentilmente pega a minha bolsa antes de colocar no ombro dele.
Hum, ok, eu acho?
“Eu só vou mostrar o quarto pra ela, ela teve um dia difícil” Chadley explica brevemente pra mãe dele.
A Sra. Huntington franze a testa com essa informação.
“Eu espero que você se sinta melhor, querida,” ela diz enquanto Chadley me leva em direção as escadas.
“Eu tô fazendo frango à parmegiana pro jantar, eu subo pra te chamar quando estiver pronto” ela adiciona, me fazendo sorrir.
Ela ainda é a mesma mulher doce pra mim, mesmo que o filho dela e eu tenhamos terminado.
Eu não posso dizer o mesmo pra maioria das mães por aí.
“Muito obrigada” eu agradeço a ela.
Eu continuo seguindo o Chadley só pra ele parar numa porta perto do quarto dele.
Ele sorri antes de abrir a porta revelando um quarto escondido e aconchegante.
Ele tem uma cama grande no meio, contra a parede.
Duas luminárias de cada lado da cama king size.
Uma televisão de tela plana em cima de uma cômoda longa em frente a cama.
Simplificando, parece um quarto de hotel.
“Você pode tirar um cochilo, assistir televisão, o que quiser,” ele diz enquanto coloca a minha bolsa na cama feita.
“Aquele é um banheiro,” ele me diz apontando pra uma porta fechada aleatória.
“Eu vou estar lá embaixo se você precisar de mim” ele me diz com um sorriso antes de passar por mim, fechando a porta no caminho dele pra fora.
Eu bocejo, me surpreendendo.
Eu acho que todo aquele choro realmente me deixou cansada.
Eu tiro os meus sapatos e tiro a minha bolsa da cama pro chão. Eu instantaneamente entro na cama, cansada demais pra trocar de roupa.
Assim que eu estou confortavelmente acomodada no colchão de espuma viscoelástica, eu sou imediatamente apagada.
Todos os meus problemas sumindo quanto mais eu durmo.