Capítulo 38
A gente teve a manhã mais improdutiva, mas não tô reclamando, de jeito nenhum.
Bailey e Fé tão deitadas, de boas, juntas, de um lado da minha cama de casal, enquanto eu e Aurélia estamos deitadas do outro lado.
A Mãe de Hanna sumiu o dia inteiro, provavelmente ainda tá ajudando com os enfeites de Natal, enquanto minha Mãe se ofereceu pra cuidar das minhas irmãs mais novas hoje.
Ela já sabe que eu e as meninas conseguimos nos virar, por isso não checou a gente faz umas horas.
A Tia de Hanna falou que ia dar carona pras minhas outras tias.
Maddie e Skylar, acho eu.
Não faço ideia de quem são, mas tô doida pra conhecer elas.
Devia tomar um banho, porque a festa começa em cinco horas e eu tenho que fazer a maquiagem da Bailey.
Bailey, que não para quieta pra nada, a não ser quando tá dormindo.
O celular da Fé toca, avisando que chegou uma mensagem.
A Bailey, curiosa, checa o celular da Fé e logo abre um sorriso de orelha a orelha.
"Minha Mãe tá aqui com os nossos vestidos", a Fé avisa, e eu franzo a testa.
Tô tão confortável nos braços da Aurélia, mas acho que isso é bom, porque preciso tomar banho.
"Beleza, vai pegar e colocar no meu sofá. Vou tomar banho", eu falo pra elas.
É melhor não tomarem conta da minha cama de novo.
Me levanto, a contragosto, e saio da cama, indo pro meu closet.
Ouço um movimento atrás de mim antes delas saírem do meu quarto, então dá pra imaginar meu choque quando sinto um par de braços fortes me abraçando pela cintura.
"Posso ir junto?" Uma voz familiar sussurra baixinho, e eu reviro os olhos.
Não consigo segurar o sorriso divertido que surge no meu rosto.
"Claro, se conseguir manter as mãos longe de mim", eu brinco, e ela geme.
Vou deixar ela ir comigo de qualquer jeito, mas queria mesmo é me lavar direito, sem ter que lutar pra ficar em pé.
Ela passa um dos dedos, devagar, pela minha lateral, deixando arrepios por onde passa, antes de afundar o dedo, sacana, na cintura da minha legging.
Ah, não.
Mordo o lábio inferior, nervosa, quando de repente ouço a respiração dela falhar, a mão quente congelando no meu quadril nu, por baixo da minha legging fina.
Isso não vai acabar bem, né?
"Vou te perguntar só dessa vez", ela diz, rouca na hora, e eu me derreto toda enquanto mordo o lábio inferior com mais força.
Fode.
"Você tá sem calcinha?" Ela pergunta, calma, até demais.
Merda.
Dá pra ouvir a contenção na voz dela.
Um movimento errado e acabou o jogo.
Espera aí...
Talvez eu consiga sair dessa com os membros funcionando.
"Hanna?" Ela pergunta, com um tom de aviso.
Fode.
Que tesão.
Me mexo, desconfortável, pra me distrair do fato de que tô apertando as coxas com força.
"Não", eu solto, e ela rosna no meu pescoço.
Merda.
Isso não tá indo bem.
Aconteceu tão rápido, num piscar de olhos.
Num segundo, a mão dela mal encostava no meu quadril nu, e no outro ela tá segurando com firmeza meu centro gotejante, por dentro do tecido elástico.
"Fode", eu gemo desesperada.
Bom, pelo menos ela fechou a porta do closet.
Meus joelhos logo começam a fraquejar, se não fosse o outro braço dela se estendendo e me abraçando pelos ombros, eu provavelmente estaria no chão agora.
"Por que não?" Ela sussurra, sexy, e meu corpo estremece.
Justamente quando eu tava prestes a explicar o porquê, ela enfia dois dedos longos no meu canal ensopado.
Meu Deus...
Meus pensamentos são cortados na hora por uns segundos, enquanto ela acelera os dedos, fazendo minhas pernas tremerem, quase me comendo no meio do meu closet.
Fode.
Isso tá bom demais pra ser verdade.
"Ai, merda", eu gemo, e minha cabeça cai no ombro dela.
Isso faz ela acelerar, e eu solto um gritinho de surpresa.
Fode.
Não consigo saber se tô quase gozando ou se tô incrivelmente excitada por ela agora.
"Responde a pergunta, Wilder", ela exige.
Juro que os dedos dela aceleraram mais ainda.
Ai, meu Deus!
Aperto as coxas pra tentar diminuir a velocidade dos dedos dela, pra conseguir falar alguma coisa.
Prova ser uma péssima ideia, porque minhas coxas acabam empurrando os dedos dela pra cima, então agora ela não só tá indo mais fundo em mim, como a palma da mão dela tá esfregando sem parar no meu clitóris.
Isso não pode ser de verdade.
"T-Tô, fode, d-deixa a-a, aqui, aqui!, minha, p-perereca respirar", eu respiro, e afundo a ponta dos meus dedos no braço dela que tá me abraçando pelos ombros.
Merda, que merda.
Eu vou gozar.
Mal se passaram quatro minutos!
"Então, você decidiu não usar calcinha e deixar esse pedaço fino de tecido ser a sua única proteção?" Ela pergunta, sabendo bem.
Não respondo na hora, porque sinto os dedos dela acelerarem, de novo.
Solto um gritinho, e meus olhos vão fechando, devagar, a cabeça caindo no ombro dela mais uma vez.
Ela sorri com essa reação.
"Hanna", ela fala, com um tom de aviso.
Fala, Hanna, fala!
"S-Sim!", eu gemo, com uma respiração funda.
Movo meu peso pra ficar na ponta dos pés, pra tentar escapar dos dedos dela, enquanto sinto meu orgasmo se aproximando rápido demais.
"Aurélia!", eu solto um gritinho.
Acho que isso anima ela ainda mais, porque ela acelera os dedos, de novo.
Meu Deus...
Juro que vi estrelas quando subi no meu orgasmo, tão alto, e a escada foi retirada de mim quando tudo me inundou em ondas de satisfação.
"Porra, Kingsbury, que porra!", eu praticamente grito.
Meu corpo inteiro treme violentamente enquanto eu gozo nos dedos dela, que não parecem querer diminuir o ritmo tão cedo.
Meus olhos reviram pela terceira vez, e agarro o pulso dela com delicadeza, forçando a mão dela pra fora da minha legging.
Fode.
Estranhamente, me sinto com mais energia.
"Seis minutos, um novo recorde", a garota de cabelo preto comenta, com uma expressão divertida, antes de colocar os dedos, que estavam dentro de mim agora há pouco, na boca.
Minhas coxas tremem na hora, por instinto.
"Cala a boca, Kingsbury", eu respiro.
Porra.
Precisamos fazer isso mais vezes.
"Pra que foi isso? Não que eu esteja reclamando", eu pergunto, curiosa.
Ela sorri com a minha pergunta, tira os dedos da boca faminta.
"Não sei, queria experimentar uma coisa nova", ela fala, calma, dando de ombros.
Bom, acho que dá pra dizer que ela conseguiu.
"Tô curiosa pra saber por que você decidiu ficar sem calcinha", ela fala, sincera.
Sério?
Agora?
Mal consigo respirar.
"Li em algum lugar na internet que é bom pra sua xereca", eu respondo, fazendo um sinal com a mão.
Ela concorda enquanto me desenrolo dela, pego duas toalhas e começo a sair do meu closet, com um pouco de dificuldade, puxando ela pra me acompanhar.
"Você ainda não entrou no banho?" A Bailey pergunta, com uma confusão óbvia no tom de voz dela, quando sobe a escada.
Merda.
Fui descoberta.
Apelo pra quinta emenda.
É nesse momento que a Haley resolve sair do quarto dela com uma expressão preocupada.
Ah, não.
"Você tá bem?" Ela pergunta, com uma voz fofa.
Franzo a testa, agachando pra ficar da altura dela.
"Sim, por quê?", pergunto, curiosa, pra garotinha de cinco anos.
A Haley faz uma expressão de confusão adorável.
"Você tava gritando e falando palavrão pra Aurélia", ela diz, e meu rosto empalidece.
Meus olhos arregalam enquanto a Aurélia e a Bailey começam a rir atrás de mim.
Isso não tem graça!
Como vou explicar essa merda pra uma garota de cinco anos?!
"Ah, é, U-Uhm, foram gritos de alegria", eu falo, sem jeito, olhando pra Fé em busca de ajuda.
Ela levanta as mãos em sinal de rendição, passando por mim e entrando no meu quarto.
Às vezes, minhas amigas são incrivelmente inúteis.
"Gritos de alegria? Pareciam malvados", a Haley fala.
Fode.
Não tenho tempo pra isso, de verdade.
"A Bailey vai responder todas as suas perguntas, eu e Aurélia temos que ir tomar banho", eu digo.
Levanto rápido e pego na mão da Aurélia, puxando ela pro banheiro.
"De novo?! Vocês não tinham acabado de terminar?!", ela zoa, e eu reviro os olhos pra morena.
Minha irmãzinha tá ali do lado.
Acho que não é nada que ela já não tenha ouvido.
"Vai se foder, Bailey", eu falo, enquanto a Aurélia liga o chuveiro.
A morena sorri com isso.
"Eu ia, mas a Aurélia já fez por mim", a Bailey diz, e eu fico de boca aberta.
Não consigo discutir, porque a Aurélia fecha a porta do banheiro pra a Bailey não ver a gente.
Suspiro, e puxo o capuz do meu moletom e tiro a legging estragada na hora.
"Segunda rodada?" A Aurélia pergunta, e os olhos cinzas dela olham minhas coxas molhadas e estragadas.
Vou gritar com ela, só que paro.
Eh.
Não tenho nada a perder.
"Por que não?", eu respondo, dando de ombros, e entro no jato quente.
Espero não nos atrasarmos pra essa 'festa de Natal anual' toda.
-
"Você lavou a porra das mãos?" A Bailey exclama quando vou tocar no rosto dela.
Reviro os olhos pra morena dramática.
Tá de sacanagem, né?
"Sim, agora fica quieta antes que eu fure teu olho", eu falo, com um tom de promessa, enquanto volto a passar rímel nela.
A Fé se recusa a se vestir até os últimos cinco minutos.
O que é estranho.
A Aurélia se recusa a parar de flertar comigo.
O que, por sua vez, me distrai.
A Bailey se recusa a parar de se mexer.
O que me irrita.
Basicamente, tô estressada.
Temos que estar todas prontas em dez minutos e eu nem sequei meu cabelo.
"Esse não é seu melhor trabalho", a Bailey fala, enquanto se olha no espelho.
Reviro os olhos pra crítica dela.
Vou até a minha mesinha de cabeceira e pego meu secador na gaveta antes de voltar pro meu lugar na frente da Bailey.
"Sai da frente", eu falo pra morena.
Ela levanta sem falar nada, me deixando sentar na frente da minha penteadeira com luz.
Ótimo.
Bora fazer essa merda logo.
-
"Você já acabou, porra?" A Fé reclama, enquanto me certifico de que tô com uma boa aparência no meu espelho.
Reviro os olhos pra ela enquanto pego minha clutch nude na cama.
"Cala a boca, Fé", eu falo pra garota que tá toda de smoking preto e branco, com o cabelo loiro acinzentado preso num rabo de cavalo baixo.
"Você viu a Aurélia?" Pergunto, porque não vi a garota dos olhos cinzas na última hora.
Nos atrasamos pra festa, como sempre, mas a Aurélia foi a que demorou mais pra se arrumar, de todas nós, até agora.
"Ela tá lá embaixo com todo mundo", ela me responde antes de sair do meu quarto.
Uhm, ok.
Me checo mais uma vez antes de suspirar e desligar a luz do quarto, seguindo atrás da minha melhor amiga.
No momento, tô vestindo o vestido branco curto, com uma textura estranha, que minha Tia de Hanna escolheu pra mim. Combinei o vestido simples com um salto nude, uns anéis de ouro e uma clutch nude 'YSL'. Meu cabelo tá com cachos soltos, porque não queria gastar muito tempo com isso.
Enquanto desço a escada, abro um sorriso quando meus olhos encontram um par cinza familiar.
Ela me encontra no final da escada, me ajudando a descer até o piso de ladrilho.
Não consigo parar meus olhos, que analisam curiosos o look dela.
Ela tá usando um smoking cinza e preto marmorizado, com uma gravata e uma camiseta combinando. Também tá com alguns anéis e um par de sapatos sociais pretos. O cabelo preto dela agora tá ondulado e com a risca lateral desarrumada.
"Você já acabou?" Ela ri, enquanto continuo analisando ela de cima a baixo.
Quê?
Tô apreciando uma obra de arte.
Mordo o lábio inferior enquanto me forço a olhar pra ela. Pego o paletó dela aberto nas minhas mãos, puxando o rosto dela com delicadeza em direção ao meu.
"Gosto disso em você", eu digo, confiante.
Ela levanta uma sobrancelha divertida pra mim, colocando as mãos nos meus quadris.
"Você tá linda, como sempre", ela elogia, ignorando totalmente o que eu falei.
Sorrio pra ela, e uma risada sobe pela minha garganta.
Ela que fala.
"Obrigada, mas falando sério, não podemos ficar sozinhas se você for usar isso", eu digo, apontando pro terno dela.
Ela ri disso, envolvendo meus braços na minha cintura, me fazendo encostar as mãos nos ombros dela.
"E por que não?" Ela zoa.
Essa sacana!
Mordo com força meu lábio inferior.
"Acho que você não quer saber", eu digo, dando um tapinha de leve no ombro dela.
Ela sorri, prestes a falar alguma coisa, só que a Bailey interrompe.
"Vocês vão se beijar ou não, porra? Precisamos ir, a Mãe de Hanna tá estressada porque não chegamos ainda", a morena diz, antes de sair do saguão com seus tênis brancos da Nike.
Reviro os olhos pra ela.
Puxo a Aurélia e pego na mão dela, entrelaçando nossos dedos, antes de sair de casa em silêncio.
Não consigo evitar que minha mente vague um pouco a caminho do carro.
E se ela não gostar da surpresa que planejei pra ela?