Capítulo 28 Tecnologia Imperial Antiga
A dupla saiu do carro e foi pra cima da galera, que tinha largado a mesa cheia de rango e correu pra perto dos dois recém-casados.
A família e as amigas mulheres cercaram a Elina, levando ela pra dentro da casa pra se arrumar pro vestido.
Enquanto a família e os amigos homens gritavam e levantavam o Edward na direção da praia, onde o velho General Barr já tava esperando, a galera jogou o Edward na areia na frente dele e rapidinho fez um círculo, cercando os dois no meio.
O Edward se levantou, tirou a areia do corpo e falou: 'Pops, vamo só comparar as paradas, né?'
O velho general tirou a camisa, mostrando a metade de cima dos músculos enrolados, cheios de cicatrizes, mostrando os anos de glória do velho general, embora a barriga tivesse um pouco fofa, mas não conseguia esconder aquele corpo forte, atraindo um monte de 'uau' dos amigos e parentes.
O Edward olhou pro velho general se mexer pra valer, e já foi falando: 'Pops, mas eu fui oficial de operações especiais por uns anos.'
'Não fica se gabando, já esqueceu quem te ensinou essa manha? Deixa o Laozi te bater mais uma vez.' O velho general falou.
O Edward não teve jeito, tirou a camiseta e encarou a batalha, o corpo dele era diferente do velho general, que parecia um tigre, as linhas musculares dele eram mais uniformes e ele parecia mais ágil.
No meio dos gritos de animação dos amigos e da família em volta dele, o velho general tomou a frente, chutou com os dedos dos pés, que já tavam enterrados na areia, pra frente, e uma nuvem de areia e poeira voou em direção ao Edward.
Assustado, o Edward correu pra proteger os braços na frente do rosto, não aguentando e xingando: 'Velho idiota!'
O velho general aproveitou que ele tava protegendo o rosto, e com um passo de flecha, pulou pro lado direito do Edward, no ponto cego da visão dele, pra dar um chute pra baixo.
O Edward sabia que o general ia aprontar, e desviou com um pulo pra trás.
O velho general viu que o golpe não pegou, rapidinho juntou a perna, e partiu pra cima com o soco esquerdo duas vezes, e com o soco direito, forte, mirou na cara do Edward pra dar um soco pesado.
O Edward fechou as duas mãos pra evitar o soco esquerdo falso do velho general, olhando pro soco direito que vinha na direção dele, os nervos de reflexo no corpo dele, que eram só dele por causa das operações especiais, foram ativados.
Girando o corpo com força pro lado esquerdo, a mão direita dele agarrou o pulso esquerdo e puxou pra trás, a mão esquerda dele abriu e passou por baixo da axila direita do velho general, de baixo pra cima, e o calcanhar da palma da mão dele acertou o queixo do velho general com força e direto.
O velho general cambaleou umas vezes, e o corpo dele, que parecia um urso, caiu direto no chão.
A família e os amigos que tavam perto ficaram em silêncio, e então sete mãos e oito pés foram pra cima pra ver como o velho general tava.
O Edward foi abrindo caminho no meio da galera e gritou: 'Tá tudo bem, tá tudo bem! Provavelmente só uma concussão.'
A galera foi correndo levantar o velho general e sentar ele numa cadeira de descanso, e com os cuidados da Brenda, o velho general abriu os olhos rapidinho, e o Edward respirou aliviado quando viu ele acordar.
'Já tá com uns anos nas costas, mas ainda quer ir se exibir, essa é boa, né? Que vergonha.' A Brenda falou, segurando um leque pra abanar o general.
'Ah, nem consigo mais fechar os punhos direito nessa idade.' O velho general falou, passando a mão na cabeça, e aí viu o Edward querendo se misturar na galera pra vazar e gritou: 'Não corre, garoto, como você me chamou agora? Velho idiota, né?'
O Edward não teve coragem de olhar pra trás e saiu correndo mais rápido ainda, mas a família e os amigos que tavam no casamento tinham a ideia de só olhar a zoeira e tavam jogando ele pra fora da galera.
'Aiya, Pops, você viu porque ainda tá bravo, não consigo medir a parada direito.' O Edward falou no coração dele, não quebrei tua mandíbula te dando um tapa, você tá em forma.
O velho general botou a mão no ombro do Edward e falou num tom longo e sério: 'Tá bom, tá bom, a Elina tá nas suas mãos, cuida bem dela pro resto da vida.'
Na mesma hora, a Elina também terminou de se trocar, toda linda, e foi saindo devagar, acompanhada da família e dos amigos.
Aquele vestido de noiva branco sem costas com um buquê de flores misturou a doçura e a timidez da Elina de um jeito perfeito, o Edward foi pro lado dela e pegou o queixo dela, e no meio dos gritos dos amigos e da família, os dois se abraçaram forte e se beijaram.
Os dois completaram os votos com o mestre de cerimônias, e aí a festa começou com a voz grossa do velho general.
Tava todo mundo falando, rindo, brindando, e os noivos foram o assunto, cheio de cantadas, enquanto cantavam, dançavam e jogavam.
A parte boa sempre passa voando, e no quarto de casamento, a Elina tava deitada na cama olhando pro Edward, que tava todo bêbado, e foi caindo no sono aos poucos.
Foi meio-dia do dia seguinte que o Edward acordou de novo, tava com uma dor de cabeça e nas pernas, se vestiu e passou a mão na cabeça enquanto descia pra ver a família almoçando.
'Ah..! O noivo acordou, eu devia saber que era só isso que você ia ter, devia ter te comparado com a bebida.' O velho general falou, cumprimentando ele enquanto sentava pra comer.
'Pops, cadê a Elina?' O Edward perguntou enquanto botava um copo de suco.
A Brenda entregou um panqueca de maçã pro Edward e falou: 'Sua esposa foi pro mercado negro cedo de manhã.'
O Edward quase cuspiu o suco e perguntou: 'O que ela tá fazendo no mercado negro?'
'Falou que o lugar da lua de mel é longe, e que é muito ruim usar uma nave normal pra fazer a viagem, então vai ver se consegue comprar coisas militares no mercado negro e modificar.' O velho general falou, levantando com a Brenda do lado dele e se preparando pra sair.
'Vocês também vão sair?' O Edward perguntou, mastigando a comida.
O velho general falou com a sobrancelha levantada: 'Vocês dois já acabaram com o casamento, agora é nossa vez, não temos que ir pegar umas coisas?' Aí puxou a Brenda pra fora da porta, deixando o Edward sozinho, de queixo caído.
Naquele momento, o comunicador do Edward tocou e ele atendeu, a carinha animada da Elina apareceu na tela umas vezes e estabilizou.
'Tô no Ferro-Velho dos Irmãos Pedro, consegui uma parada boa, vamo, vamo, vamo.' A Elina falou animada, com a cara toda corada.
'O que os dois devem ter pra tá tão felizes?' O Edward falou enquanto botava a jaqueta, não conseguiu evitar de pensar no casamento de ontem, onde os dois irmãos tinham jogado bebida neles, e de repente sentiu que tinha feito uma amizade ruim.
'Você vai ver quando chegar lá, vai ficar chocado.' A Elina falou e desligou.
O Edward saiu e chamou um táxi, o motorista olhou pro rapaz com interesse enquanto ele falava o destino, e não demorou muito pro táxi parar na frente do Ferro-Velho dos Irmãos Pedro.
Ele entregou os créditos pro motorista e o motorista olhou pro Edward com um sorriso, tirando o chapéu pra mostrar metade do couro cabeludo queimado e falou: 'Você é o Lord Edward, não é? Obrigado por trazer a paz pra Dosas, nunca ia aceitar esse dinheiro, tenha um bom dia.'
O motorista terminou o discurso e com uma acelerada saiu voando, o Edward olhou pro táxi que tava indo embora e murmurrou: 'Tenha um bom dia também.'
Ele passou pelas portas de ferro manchadas e entrou na fábrica, percebendo que não era diferente do lugar da infância dele, quando não tinha esse nome.
Quando era adolescente, ele ia na casa dos irmãos e ficava brincando, escorregando na montanha de lixo várias vezes, indo pra cima dos irmãos com uma barra de ferro no lixo como uma arma eletromagnética, naquela época o irmão mais novo ainda conseguia falar.
Mais tarde, quando a Resistência foi esmagada e o Exército Imperial ocupou a cidade, aqueles cruéis soldados imperiais cortaram as línguas das crianças capturadas pra aterrorizar os moradores que estavam escondendo os feridos, aquele irmão mais novo azarado foi um deles.
'O Irmão Edward chegou.' O mais velho dos Irmãos Pedro falou, 'A Elina tá mexendo em alguma coisa na oficina.'
Com isso, ele se virou pra mostrar o caminho pro Edward seguir.
'Ainda tá bagunçado aqui como era antes.' O Edward falou.
'Bem, depois que o Pops morreu, a gente tava planejando seguir os passos do pai dele, afinal, é aqui que os catadores intergalácticos vendem o que roubam, é bom ser bagunçado.' Ele falou, abrindo a porta pesada da oficina.
Só dava pra ver a Elina em pé em cima de um equipamento estranho, batendo em alguma coisa, com o irmão Pedro tagarelando e gesticulando do lado dela.
Entrando um pouco, o Edward percebeu que a máquina estranha parecia um oito que tinha sido colocado no chão, coberto por canos e fios tortos.
Enquanto a Elina ajustava, a máquina grande emitia um som baixo e ritmado, e com esse som veio uma coceira leve no corpo do Edward, além de uma onda de calor.
A Elina viu o Edward chegando e sinalizou pro irmão Pedro desligar o aparelho.
O barulho parou e então o Edward sentiu o calor sumir e a coceira desapareceu, ao invés disso ele sentiu o ar ao redor dele soltando um cheiro de grama e árvores, muito refrescante.
'Edward, olha essa parada, é irada? Não tem muitos desses caras grandes na Galáxia inteira, só no exército.'
A Elina falou animada, correndo e abraçando o Edward, fazendo o Edward ficar todo sujo de óleo também.
'Pra que serve esse cara grande?' O Edward olhou pra ele por meia hora, mas não conseguiu descobrir que tipo de aparelho era.
'Adivinha.' A Elina perguntou e esperou com interesse pela resposta do Edward.
'Um purificador de ar?' O Edward respondeu, coçando a cabeça.
A Elina e o Pedro congelaram na hora, antes dos irmãos botarem a mão na barriga e começarem a rir.