Capítulo 40 Oportunidade
O visitante pulou, mó cagado, e gritou: 'Aí, aí! Tudo não passou de um mal-entendido.' Depois dessa, partiu pra cima do Edward.
Edward, que já tava ligado na falta de oxigênio, levantou a arma e continuou atirando. Só que, quando foi erguer o braço, sentiu o corpo, que sempre respondia rapidão, tipo um bêbado. Mandou a pistola pra trás e foi pra cima do cara.
Sabia que tava mais lento, então partiu pra cima. Com a mão esquerda protegendo a cabeça, fez uma pose de defesa, tipo um escudo. A perna esquerda foi pra frente, forçando a cintura e o abdômen, mudando o centro de gravidade, e a perna direita disparou, um chute direto no sujeito.
O visitante tava esperto, como se não quisesse atacar. Os braços protegiam o peito, abaixou o corpo rapidinho, querendo aproveitar o centro de gravidade alto do Edward pra puxar ele.
Edward, com um monte de luta na vida e na morte, já tinha sacado a parada. Abaixou o braço esquerdo que protegia a cabeça, inclinou o corpo pra esquerda, de novo mudando o centro de gravidade. Aí, meteu um chute lateral que pegou no queixo do cara.
Com o som de 'ihhh', o cara perdeu o equilíbrio, tropeçou um pouco. O Edward, mó puto, pensou que se o cara levasse um tapa daqueles, ia apagar na hora.
Agora não dava pra pensar muito, recolheu a perna direita, apontando o pé pro chão, torcendo o corpo pra dar a volta, e com a perna esquerda, meteu o pé com força no alvo.
'Pá', o chute voltou e pegou na cara do cara, que dessa vez nem fez barulho, só caiu pra trás.
Edward, com o corpo mais pesado, foi pra frente, botando o visitante no chão e levantando o punho pra dar um soco.
O visitante botou os braços na frente da cara e sussurrou: 'Para, eu sou um infiltrado da Federação Livre. Se continuar me batendo, o Joe morre!'
Edward, com a mente meio bugada, parou sem se mexer, com os punhos levantados, e disse: 'Prova.'
'Já guardei a arma, qual é a prova?' O visitante cobriu o nariz sangrando com uma mão e com a outra entregou uma pílula em forma de cápsula e falou: 'Absorvedor de oxigênio de emergência, bota na boca e respira, mas não engole.'
'Prova!' falou Edward, com os dentes cerrados.
Naquele momento, mais do que tentar descobrir a identidade do cara, o Edward tava querendo provar que a Elina e as meninas não estavam em perigo.
'Eita! O Joe só vai viver mais uns cinco ou seis minutos! Acho que você não aguenta nem dez minutos, mesmo sendo forte. Por que não me mata logo e vai pro andar de baixo pra ganhar tempo? Se você morrer aqui, vai ser uma falha na minha missão.'
O visitante falou baixo, mas fez o Edward lembrar do Joe, que tinha desmaiado ali do lado por falta de oxigênio.
Decidindo não ser teimoso, pegou o absorvedor de oxigênio e mastigou na boca, uma sensação forte, característica dos compostos de manganês, espalhou-se.
Abriu a boca e puxou uma respiração forte, e aquele gosto horrível foi pros pulmões junto com o ar, fazendo ele tossir várias vezes, quase cuspindo a cápsula mordida.
'Respira em pequenas bocadas, respira pela boca e pelo nariz, alternando, essa parada não é muito boa, presta atenção.' O visitante terminou e correu pro Joe, que tava no chão.
Edward segurou os joelhos e tentou ajustar a respiração, se acostumando com o oxigênio ruim.
Foi atrás do visitante e pegou o Joe pelas pernas, e os dois correram pelas portas de vidro da nave espacial e pro elevador.
Os dois colocaram o Joe no elevador espacial, e o Edward viu o visitante cuspir a cápsula quebrada na boca no chão e fez o mesmo com o absorvedor de oxigênio.
Ele perguntou: 'Qual é o seu nome?'
O visitante apertou o botão do subsolo no elevador e se virou: 'Senhor Edward, pode me chamar de Freddy.'
Depois que o Freddy falou, ele forçou um sorriso pro Edward, mas o nariz quebrado e o maxilar torto deixaram o sorriso mó bizarro.
Edward sorriu sem jeito e perguntou: 'Quanto tempo pro subsolo?'
'O subsolo fica a uns duzentos metros debaixo da terra, não precisa se preocupar, você chega logo.' Freddy disse, tirando uma garrafa, tomando um gole, fazendo gargarejo e cuspindo direto no elevador.
Ele então entregou a garrafa pro Edward e disse: 'Toda vez que usar um gerador de oxigênio de emergência depois, vai dar uns danos na boca, então faz gargarejo se não quiser ter aftas.'
Até ter certeza que a Elina e as meninas estavam seguras, o Edward não ia baixar a guarda, pegou a garrafa, tomou um gole, fez um gargarejo e cuspiu, a sensação forte na boca tinha diminuído bastante.
Com um 'ding' suave, as portas do elevador abriram e a dupla carregou o Joe pra fora.
Assim que saíram do elevador, Edward jogou o Joe no chão e começou a contatar o Dragão de Prata.
'Edward, onde você tava, o que aconteceu?!' A voz nervosa da Elina chegou aos ouvidos do Edward pelo fone de ouvido e o coração aliviou.
'As nuvens tão muito pesadas e teve raio, não tava conseguindo contato, agora tô no subsolo, tem uma unidade de retransmissão de sinal aqui.' disse Edward.
'E o Joe?' perguntou Elina.
'A gente tava na superfície, o nível de oxigênio tava tão baixo que ele desmaiou, a gente acabou de chegar no subsolo, acho que ele vai melhorar um pouco.' Edward disse, levantando as pernas do Joe e a dupla o levou pra botar ele ali do lado.
O Freddy botou a mão na artéria carótida do Joe e sentiu o pulso, lento, mas firme, ele disse: 'Não é nada grave, acho que ele acorda em breve.'
'Então, que bom que vocês tão bem, fica na escuta, já vou desligar.' Edward disse pra Elina, e terminou, olhou pra cara estranha e sangrenta do Freddy e sorriu sem jeito, dizendo: 'Acho que as suas lesões são mais graves, me desculpa.'
Vendo o Edward baixar a guarda, o Freddy sorriu e disse: 'Não é nada, a habilidade de combate do Senhor é ótima, perdi naquele ambiente sem oxigênio, que vergonha.'
'Aí, que prédio preto é esse no chão?' Edward olhou pra baixo e fingiu que tava olhando o Joe, não queria ver a cara torta do Freddy.
'São fábricas de comida de levedura, esse planeta produz comida pra nove galáxias vizinhas, somando onze bilhões de pessoas.'
Freddy disse, ativando a função selfie do comunicador, olhando pra cara de fantasma malvado, ele também se assustou.
Ele tocou no nariz machucado, a paralisia da lesão inicial diminuiu, tocou e fez careta de dor, todo o rosto tava horrível.
'Por que esse cara é tão assustador, o que aconteceu, como ele se machucou assim?' A voz da Elina no fone ainda tava tagarelando, ela tinha visto a cara feia do Freddy pela comunicação em tempo real.
'Nada, só um pequeno mal-entendido.' Edward só queria que aquilo acabasse logo, tinha um monte de perguntas pra fazer pro Freddy agora.
'Ele levou um chute na cara numa moto voadora?' Elina perguntou sem parar.
Edward tava tão puto com a pergunta que respondeu: 'Eu chutei!'
'O que ele fez pra você ter que chutar ele numa moto voadora?' Elina perguntou, sem dar bola pro Edward pirando.
Edward se ajeitou e respondeu: 'Não tinha moto voadora.'
'Se não tinha moto voadora, então o que bateu na cara dele?' A pergunta da Elina tava cada vez mais difícil, com o tom impaciente do Edward.
'Eu chutei!' A voz do Edward subiu uns graus, quase gritando, antes de tirar os fones e botar de volta no bolso.
A voz assustou o Freddy, que tava checando as lesões ali do lado, e ele se encolheu um pouco, dizendo, tremendo: 'Eu sei que você chutou.'
Edward botou as mãos no cabelo e coçou, tentando acalmar a irritação, e quando as emoções se estabilizaram um pouco, foi pro Freddy e sentou devagar.
Abriu a boca e perguntou pro Freddy: 'Por que o estado atual de Achilles é tão diferente das informações planetárias nos mapas?'
Freddy encostou a cabeça na parede e respondeu: 'É porque os mapas estelares do Império não são atualizados há cem anos, e já perderam a vontade de fazer isso.
Desde quinze anos atrás, quando Achilles foi forçado pelo Império de um planeta agrícola tradicional a um planeta agrícola moderno, o planeta foi morrendo aos poucos, e agora está à beira da morte.'
Edward perguntou confuso: 'Morrendo? Planetas também podem morrer?'
Freddy olhou pro Edward e disse: 'O Senhor sabe fazer piada, já viu a situação no chão, não é mais adequado pra vida sobreviver, todo mundo no planeta Achilles vive na metrópole subterrânea. As pessoas que vivem em Achilles só tem um trabalho, cuidar daquelas fábricas de comida de levedura incontáveis, essas fábricas emitem dióxido de carbono a cada momento nos últimos quinze anos, esses gases de efeito estufa causaram a destruição da ecologia de todo o planeta em um curto período de tempo.'