Capítulo 4 Cerco
Ele correu pro lugar onde tinha estacionado a sua motoca voadora, só pra descobrir que ela tinha sumido.
Dando uma olhada em volta, ele parou um soldado que tava carregando uns suprimentos e perguntou: "Tinha uma motoca voadora estacionada aqui agora pouco. Onde ela tá?"
"Ah, um sargento do Departamento de Logística levou ela embora agora pouco."
Na frente da barraca do Departamento de Logística, **Edward** tava questionando o sargento, bravo: "Por que você desmontou a minha motoca voadora desse jeito? Eu ainda tenho uma missão pra ir."
O sargento fez cara de inocente e falou: "A **Elina** me falou que você ia pra uma missão amanhã e pediu pra eu desmontar rapidinho e limpar o motor."
**Edward** olhou pra motoca voadora em pedaços no chão e balançou a cabeça, sem saber onde ia conseguir outra.
"E aí, rapaz, quer uma carona?"
Ele olhou na direção da voz e viu a **Elina**, vestida com uniforme militar e uma capa, sentada numa motoca de cavalaria Imperial, preta.
"**Elina**, eu vou pra uma missão especial, não é piquenique", **Edward** falou, sem jeito.
"Já tô pronta! Munição, comida e água, tudo no jeito!" **Elina** fez a continência na motoca de cavalaria.
"Aff, sargento, vai lá falar com o general. **Elina**, você senta atrás", **Edward** subiu na motoca de cavalaria e ligou o motor.
"Então, Operativo Especial A19, qual o nosso destino?" **Elina** passou os braços na cintura dele, sentada atrás.
"Alvo, Chels Grand Canyon", **Edward** falou e girou o acelerador.
Chels Grand Canyon era o único caminho do porto espacial pra cidade de Aipida.
Por causa dos veículos de transporte grandes, eles só podiam voar baixo por essa estrada e não podiam fazer um desvio. E Chels Grand Canyon era o lugar mais bom pra uma emboscada nessa estrada.
Dos dois lados da estrada larga de transporte, duas fileiras de paredes de pedra se estendiam pra cima, parecendo um pouco com uma falha geológica.
**Elina** olhou pro canyon através do telescópio e se encolheu toda, tentando cobrir o corpo inteiro com a capa. Já fazia quatro horas que o **Edward** tinha ido fazer o reconhecimento.
Eventualmente, a curiosidade forte dela e o tédio fizeram ela desobedecer a ordem do **Edward** e apertar o botão no comunicador.
"**Edward**, entra se você receber."
Não teve resposta, o que fez ela se sentir inquieta.
"Bom, nesse caso, eu vou te procurar."
Pensando nisso, ela não hesitou mais e abriu o mapa de batalha no pulso.
"Deve ter alguns soldados Imperiais guardando os dois lados do canyon. O comunicador do **Edward** apareceu por último, hum, aqui. Então ele deve estar no lado oeste do canyon agora."
Ela deu umas palmadinhas na motoca escondida na pilha de areia, checou o rifle eletromagnético e caminhou pro lado oeste do canyon.
Nesse momento, **Edward** tava deitado na areia do lado leste do canyon, se sentindo muito irritado. Ele tava encarando o forte pequeno na frente dele por mais de duas horas.
"Quando que esses dois fortes pequenos apareceram aqui? Eles não tão marcados no mapa."
Por causa da supressão do encouraçado em órbita síncrona, o exército rebelde não conseguia atualizar o mapa de batalha a tempo. Esses dois fortes pequenos foram montados dos dois lados do canyon. Se um fosse atacado, o outro podia dar apoio de fogo rapidinho.
"**Edward**, entra se você receber."
"Recebido, **Elina**. Fica onde você tá."
Ele tocou no controle que tava piscando aleatoriamente e olhou pra cima pra continuar encarando o forte pequeno na frente dele.
"Não dá pra ir mais longe", ele pensou, e abriu a mira no capacete pra olhar pro forte pequeno. Ele aumentou a ampliação e observou com cuidado.
O canhão de energia de pequeno calibre em cima do forte pequeno tava pendurado. Pelo buraco de tiro na parte de baixo do forte pequeno, ele conseguia ver os soldados se movendo lá dentro.
"Não dá pra passar por aqui. Apesar de ter um ponto cego na visão desse forte pequeno, se eu for assim, vou ser visto pelo forte pequeno do lado oeste. Se ao menos o forte pequeno do lado oeste pudesse ser cegado por um tempo."
Aí ele tava pensando nisso, ele aumentou a ampliação da mira e olhou pro forte pequeno do lado oeste.
"Hã? Que que é aquilo?"
Ele aumentou a ampliação de novo e encontrou que na duna de areia na distância do forte pequeno do lado oeste, tinha um saco de areia muito pequeno e anormal. Ele se mexeu algumas vezes e parou, aí se mexeu mais algumas vezes e parou de novo.
Ele abriu o comunicador rapidinho e perguntou, inquieto: "**Elina**! Onde você tá?"
"Tô no lado oeste do canyon, em... deixa eu ver..." **Elina** olhou pro mapa de batalha. A área inteira tava dividida em vários quadradinhos. Ela achou rapidinho a fileira e coluna que marcavam a posição dela no mapa. Quanto mais tarde a letra, mais perto do leste. Quanto maior o número, mais perto do sul.
Ela falou: "Perto da duna de areia na posição C9 no mapa de batalha. É isso mesmo". A voz da **Elina** veio pelo comunicador.
"Não se mexe mais. Eu tô te vendo. Eu não falei pra você ficar onde você tava? Por que você foi pra lá?" **Edward** montou a arma eletromagnética, pronto pra atirar a qualquer momento pra atrair a força de fogo do forte pequeno do lado oeste e cobrir a retirada da **Elina**.
"Eu te liguei e você não respondeu. Eu tava preocupada com você", **Elina** falou e botou a cabeça pra fora pra olhar em volta.
"Puxa a cabeça de volta e faz a camuflagem ficar um pouco mais clara! Eu consigo te ver direitinho do lado leste do canyon", **Edward** olhou nervoso pro forte pequeno do lado oeste, com medo da **Elina** ser descoberta.
Aí ele viu a carinha entrando rapidinho no saco de areia, e aí a cor do saco de areia sumindo devagar e, finalmente, se misturando com a areia em volta.
"É tão óbvio assim?" O tom da **Elina** tava meio desanimado.
"Pra uma recruta nova, você não tá mal. Agora se retira devagar pro esconderijo. Não, espera um minuto. Tive uma ideia", **Edward** tocou no nariz e contou pra ela o plano de batalha dele.
No lado oeste do canyon, **Elina** tava deitada embaixo da rede de camuflagem, tentando desesperadamente controlar a animação.
"**Irmão Edward**, você ainda não chegou na posição?" A voz dela soava impaciente.
"**Moça**, tô engatinhando. Essa é a terceira vez que você me apressa em dez minutos", a voz do **Edward** também soava impaciente.
"**Irmão Edward**, minhas mãos tão tremendo..." **Elina** falou e esticou a mão esquerda pra segurar a mão direita tremendo dela. Aí as duas mãos começaram a tremer juntas sem parar.
"Ah, é normal. **Elina**, checa a sua arma e a munição. Faz isso mais algumas vezes", o suspiro do **Edward** também veio pelo comunicador.
**Elina** começou a checar o rifle eletromagnético e as balas de informação várias vezes. Finalmente, ela simplesmente pegou um punhado de areia e contou.
"Tô na posição. Se retira pro outro lado da duna imediatamente depois que você atirar. Vamos começar."
Ouvindo a ordem do **Edward**, **Elina** pegou o rifle eletromagnético, abriu uma fenda na rede de camuflagem e esvaziou o pente com todas as balas de informação no buraco de areia na frente. Aí ela botou a rede de camuflagem e começou a se mover pro outro lado da duna.
As pequenas ondas de areia agitadas pelo tiro no buraco de areia atraíram a atenção do forte pequeno do lado oeste. O canhão de energia de pequeno calibre em cima do forte pequeno virou meia volta e apontou pro buraco de areia.
Daqui a pouco, um barulho enorme veio, e junto com isso, vários sacos de areia enormes se movendo em alta velocidade na areia.
**Elina** já tinha se movido pro outro lado da duna, mas ela não tava afim de deitar direitinho. Ela não queria perder essa cena emocionante que ela tinha criado.
Ela viu os vários sacos de areia enormes no chão ficando maiores e maiores. Vários vermes de areia enormes pularam de seus respectivos sacos de areia e correram pro buraco de areia um atrás do outro. Os vermes de areia se contorceram juntos, rugindo um pro outro e fervendo. Nesse momento, o buraco de areia era tipo uma panela fervendo, levantando areia e poeira por todo o céu.
"Meu Deus, três rainhas", **Elina** pensou, e enfiou o braço na areia pra compensar a tremedeira causada pelos vermes de areia.
Várias explosões violentas foram ouvidas. Ela olhou na direção do som e viu que o forte pequeno no lado oeste tinha virado um monte de escombros.
Dentro do forte pequeno do lado leste, **Edward** tava segurando uma adaga ensanguentada e arfando.
"Parece que nossos problemas ainda não acabaram. Quando os vermes de areia se retirarem, eu quero que você vá pro forte pequeno do lado oeste e chegue os corpos primeiro", **Edward** tirou o corpo do sistema de controle e deu a ordem.
"O que foi? Você se machucou?" A pergunta ansiosa da **Elina** veio pelo comunicador.
"Não, só tinha dois soldados e uma motoca voadora nesse forte pequeno. Tô preocupado que a equipe pequena daqui tenha saído em patrulha."
**Edward** botou a adaga de volta na bainha e começou a checar o sistema de vigilância no painel de controle.
"Forte pequeno do lado leste, aqui é a equipe de patrulha. Ouvimos uma explosão. O que aconteceu?"
Tiveram perguntas contínuas do comunicador no corpo. **Edward** escolheu ignorar.
"Tem sete corpos aqui e provavelmente os destroços de cinco ou seis motocas voadoras."
"É melhor você vir pro forte pequeno do lado leste rapidinho."
**Edward** se sentiu muito impaciente nesse momento. Se a equipe de patrulha voltasse, ele ia ter que se retirar do forte pequeno primeiro. Uma vez que o forte pequeno fosse perdido e o outro lado pedisse reforços, a missão de guerrilha dele ia estar em grande problema.
"Nenhuma das motocas serve. Eu tenho que correr", a voz da **Elina** soou meio desanimada.
"Então é melhor você começar a correr agora. Vai pra sala de controle do forte pequeno e mira a boca do canhão de energia pra uma hora. Eles devem vir daquela direção. Eu tô indo pra cima agora pra recarregar o canhão de energia."
"Se eu for atirar com o canhão, pra onde você vai?"
"Tem um ponto cego na direção de uma hora pro canhão de energia. Eu vou achar um ponto alto pra dar fogo cruzado com você."
**Edward** recarregou o pente e saiu correndo do forte pequeno, correndo pra uma duna de areia.