Capítulo 38
'Nile, espera. Para." Minha mão foi direto pro peito dele pra impedir que ele me beijasse.
As sobrancelhas dele franziram. Ele tava me olhando com curiosidade.
'Eu tô- eu tô cansada. A gente pode… a gente pode não fazer isso agora?" Eu falei, ofegante.
Nile só concordou, entendendo. O Nile que eu conheço ia fazer de qualquer jeito, mas ele sabia que eu tinha melhorado agora e eu usei isso como desculpa.
Ele beijou minha bochecha, demorando mais que uns segundinhos antes de me abraçar forte nos braços dele. Ele fechou os olhos e enterrou a cabeça no espaço entre meu ombro e pescoço, cheirando meu perfume na hora.
Eu fiquei parada. 'Você vai dormir aqui.' Apesar da minha frase soar mais como uma pergunta.
'Esse é meu quarto. Onde mais eu vou dormir?" Ele murmurou em resposta. Ele tava começando a pegar no sono, então eu evitei outra discussão.
Eu já não tava com sono. Minha mente foi invadida por um monte de pensamentos e meu coração tava sentindo algo que eu não deveria.
Eu forcei meus olhos a dormir e ignorei a distração. Talvez amanhã eu me sinta melhor. Eu consegui dormir, apesar do peso não ter sumido.
No dia seguinte, eu consegui acordar cedo de manhã. Mas Nile não tava mais do meu lado e o lado da cama dele já tava frio. Ele sempre foi de acordar cedo, o que era o oposto da gente.
Eu fiquei encarando o lugar agora vazio enquanto me sentava. A gente vai dormir junto toda noite que eu tiver aqui? Acho que não consigo lidar com esse esquema de dormir por agora.
Acordei ainda sem conseguir tirar o sentimento ruim. Apertei meus punhos de frustração. Tirei o edredom com força, levantei e fui direto pro banheiro. Talvez um banho me faça sentir melhor.
Quando eu tava procurando roupa no armário dele pra trocar, percebi que agora tinha roupa íntima feminina, arrumadinha no lado esquerdo do armário gigante dele. Tinha um monte, bem do lado das cuecas e calcinhas dele. Uma veia de repente saltou na minha cabeça, percebendo que ele ainda não tinha trazido ou comprado roupa pra mim.
Ah, que idiota! Eu vou castrá-lo, porra!
Desci pra procurar ele. Meu primeiro instinto tava me dizendo que ele tava na sala de jantar. Ou então eu tô com fome e só quero comer café da manhã.
Eu ouvi vozes quando tava perto da entrada da sala de jantar. Era a voz de Nile e da outra- meus olhos arregalaram quando eu ouvi a voz da mãe dele. Parei perto da porta, encostando minhas costas na parede fria, nervosa, de repente ganhando frieza nos pés.
Porra. Eu sabia. Essa é a casa dos pais dele, né? A propriedade é grande demais pra ele morar sozinho.
'Vejo que você trouxe aquela mulher pra cá, meu filho. Surpreendente.'
Eu ouvi o barulho de talheres. Obviamente, eles estavam tomando café da manhã. Não ouvi a voz do pai dele, não. Ou ele tava calado ou ausente.
'Vai ficar aí sentado… quietinho?