Capítulo 26
‘Também… você não pode sair desta casa. Você pode dar uma volta por aqui, mas não vai botar o pé pra fora daquele portão. Já informei meus homens sobre isso.”
Sério, isso não me surpreendeu nem um pouco. Eu esperava que ele fosse me dar umas regras, tipo, morando nessa gaiola. Enquanto eu tava procurando a cozinha, percebi uns caras dele vigiando a casa. O que significa que escapar não era uma opção, de jeito nenhum.
O que eu ia fazer se escapasse? Me esconder e botar a vida dos meus amigos em risco? Que egoísmo o meu.
Eu balancei a cabeça em sinal de compreensão.
‘Bom.’ Daí ele olhou pro meu corpo. Os olhos dele estavam passeando de cima a baixo. Não era com maldade, no. Duvido, né, sendo que eu tava com a minha camiseta e jeans de sempre. Não tinha nada de sexy naquilo.
‘Você é minha mulher. Prefiro que você use vestido.’ Eu fiquei parada. ‘Vou mandar alguém comprar vestidos novos pra você.’
‘Eu tô confortável com essas roupas.’ Eu falei, meio emburrada.
‘Mas eu gosto de te ver de vestido. Você é linda. Mostra isso aí.’ Eu fiquei chocada com a declaração dele.
Não consegui responder porque ele de repente levantou da cadeira. Ele se abaixou e me deu um beijo no canto da boca, o que me pegou totalmente de surpresa.
Eu fuzilei com os olhos pro gesto dele. ‘Tô indo pro trabalho. Se comporta.’ Ele avisou antes de sair.
Eu fiquei parada em silêncio, a fome passou enquanto meu estômago embrulhava de tanta raiva. Minha vida deu uma reviravolta de verdade.
Antes de tudo isso, eu tava só sentada no meu escritório tentando me redimir. Quando veio o evento dos Veselov, de alguma forma se tornou o meu jeito de provar que eu ainda era boa no meu trabalho, mesmo depois de ter sido demitida por uns anos. Eu tava feliz com isso.
E depois teve o Nile. Nossa relação era complicada. A gente tava junto, mas sem saber o que éramos um pro outro.
Eu suspirei, lembrando que a gente não se via desde a nossa briga. Ele ficava me ligando, mas eu ignorava. Nixon também.
E agora não tem como eu entrar em contato com eles.
A depressão de repente me levou como uma enchente. Minhas mãos imediatamente cobriram meu rosto, pra não chorar.
Eu não vou. Não. Para, Kur. Seja forte. Esse é o seu futuro agora. Vou aguentar o Jacob e esse lugar.
Quem sabe. Talvez um dia eu aceite ele.
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A casa do Jacob era enorme e eu percebi que era bem longe do centro. Toda vez que eu olhava pela janela, via árvores e muito verde. Tinha umas casas ali por perto.
Não acho que ele tava planejando comprar uma casa em primeiro lugar. Essa casa não parece nova, de jeito nenhum. Ele parece ser o dono da casa há um tempo já. Tudo não parecia novo e todo mundo conhecia bem o lugar. Ele tava mesmo querendo dar um exemplo pra Quinn.
A noite tava ficando mais fria, indicando que o verão acabou. Me fez lembrar das vezes que passei o Natal com meus amigos. Era com a Belle ou com a família Anderson. Apesar do pai da Quinn ser bem chato, ele me respeitava. Ele admirava a nossa amizade e, por isso, me tratava como uma filha.
E agora nem no casamento da Quinn eu posso ir.
‘O que você tá fazendo?’
A voz dele, de repente, não me assustou. Foram as mãos dele que foram colocadas na minha cintura, acariciando as curvas de um jeito possessivo.
‘Procurando alguma coisa pra ler.’ Eu tava procurando um livro na estante dele. Tinha umas prateleiras cheias de livros aqui. E como eu tava entediada de ficar pensando no que fazer, decidi procurar alguma coisa pra ler.
Eu não gostava muito de ler nem odiava. Eu simplesmente não tava interessada nisso e não tinha tempo. Mas agora eu tenho todo o tempo do mundo. Já tinha até terminado de andar por esse lugar, memorizando o labirinto até saber pra onde ir.
‘Você tá bonita nesse vestido.’ Ele sussurrou no meu ouvido. As mãos dele ainda acariciavam a minha cintura.
Ele então me virou, ficando de frente pra mim. Me encostou suavemente na estante. Os lábios dele foram pros meus, me beijando suavemente até ficar mais forte e apaixonado. Quando a mão dele foi pro meu peito, eu peguei no pulso dele, parando ele.
‘Não.’ Eu falei, enquanto a gente se separava.
‘Não vou fazer tudo o que prometi.’
‘A gente não vai passar do beijo. Pelo menos foi o que eu pedi.’
Ele suspirou enquanto dava um passo pra trás, se afastando de mim. O suspiro dele era de frustração e decepção.
‘Se eu deixar essa passar, você vai fazer outra de novo.’ A cara dele tava mostrando uma carranca. ‘Por favor. Não vou te rejeitar, desde que eu esteja pronto. Mas, por favor, me dá um tempo pra me ajustar. Tudo veio muito rápido.’
A respiração dele tava pesada. ‘Tudo bem.’ Ele dá outro passo pra frente de novo. A mão dele encontrou o meu pescoço de novo, inclinando ele pra perto dele pra gente se beijar de novo.
Eu tava deixando ele me beijar, mas nunca passava disso. Na primeira vez que ele me beijou, eu não afastei ele, já esperando que ele fosse fazer alguma coisa do tipo. Afinal, ele me rotulou como a mulher dele.
Quando ele de repente ficou muito grosso e forçava, foi quando eu rejeitei as investidas dele e implorei pela bondade dele. Eu não fui nada além de boa e compreensiva, então em troca, ele também foi bom comigo e me deixou me ajustar. Eu prometi pra ele que, quando eu finalmente estivesse pronta, ia dormir com ele de boa vontade.
Durante os nossos beijos, eu só penso que ele é bonito, pra afastar o nojo que eu tava sentindo. Beijar outra pessoa é nauseante. Dei a sorte do Jacob ser bonito e isso ajudou a aliviar o sentimento.
‘Você é uma boa garota.’ Ele disse de repente, parando o nosso beijo. ‘Tô feliz que você tá dando uma chance pra gente.’
Ele levanta o meu queixo, me deixando ver o meu rosto e os meus olhos. ‘Você é linda. Você é mais bonita que qualquer mulher que eu conheço. Com seu caráter e charme, você vai ser uma ótima mãe pros nossos filhos.’
Eu zoei.
‘Por quê?’ Ele perguntou. O rosto dele mostrava curiosidade, não raiva, pela minha reação.
‘Você acha que um chefão do tráfico ia ser um bom pai?’
‘Por que não? Meu pai era muito bom pra mim. Ele me ensinou todas as coisas que eu sei. Ele era firme, o suficiente pra me disciplinar e me amar.’
‘Você herdou isso do seu pai.’ Eu falei, meio que mais pra uma pergunta.
‘Sim.’ Ele cruza os braços, me deixando ir. ‘Eu sou filho dele. Tudo que ele tem, naturalmente, vira meu.’
‘Onde ele tá?’ Eu perguntei de repente, curiosa sobre a família dele.
‘Por mais que eu queira te apresentar pra minha família, meus pais já morreram. A pergunta não é se um chefão do tráfico pode ser um bom pai. É possível. Mas ele vai ter uma vida longa pra ver os filhos crescerem? Esse é um mundo perigoso, afinal.’
‘Então você não é um bom pai ou pessoa, se arrisca a vida de alguém pra ficar nesse mundo.’ Eu retruquei, quase gritando com ele.
‘Você tá falando de você, amor?’ Ele então fecha o corpo dele no meu. Eu tentei dar um passo pra trás, mas já tava encostada na prateleira atrás de mim.
Ele rosna. ‘Eu te quero. E ninguém vai me impedir de te ter.’