Capítulo 62
Meus homens chegaram logo depois que o Colton foi embora. Eu liguei pra eles virem pra cá no momento em que me acalmei um pouco e pensei num plano concreto pra achá-la fácil.
Fui direto pro hospital assim que cuidaram do Jacob. Me certifiquei de não deixar eles mencionarem isso pro Marshall ou pra polícia. Não confio mais neles pra lidar com o Jacob. Se ele conseguiu escapar uma vez, com certeza vai acontecer de novo. Eu simplesmente não podia me dar ao luxo disso.
Estamos falando da vida da pessoa que eu mais amo na vida. Acho que não conseguiria viver bem sem ela na minha vida.
Colton tava sentado no banco com as mãos no rosto. Ele tava tremendo. Consegui ouvir ele fungando quando cheguei mais perto. Sentei do lado dele com compostura, mesmo sabendo que por dentro eu tava qualquer coisa, menos.
Eu tava surtando. Tô com medo das notícias que o médico vai nos dar. Tô até nervoso pra perguntar. Não quero saber. Só a ideia do ferimento da Kur, o sangue saindo, me dá uma ansiedade. Tô ficando louco agora.
Mas, precisava manter a calma. Me senti obrigado a fazer isso. Precisava ser o são aqui. O Colton não conseguia. Ele tava em pedaços. Fiquei surpreso, ao mesmo tempo não, de vê-lo assim.
Consegui ver o quanto ele ama a Kur. Sei que é burrice ter ciúmes agora. Mas, sério, não consigo evitar. Eu amo ela. Eu que deveria estar me destruindo agora. Eu que deveria virar o mundo de cabeça pra baixo quando a minha mulher tá ali lutando pela vida dela.
Mas ele fez isso por mim.
'Me desculpa.' Ele falou de repente, soluçando depois de um tempo de colapso. 'Não tá sendo fácil pra mim.' Ele fungou. 'Não posso perdê-la, cara. Você não sabe o quão difícil é perder alguém que você amava. Depois que minha mulher morreu, a Kur se tornou, literalmente, a única família que eu tenho. Eu a amo tanto. Ela é minha irmã. Vou ficar louco se ela me deixar.' Ele disse em meio ao choro.
Agora eu entendo. Por que ele reagiu dessa forma. Quase esqueci que ele é viúvo.
'Tudo bem.' Respondi calmamente.
Ele respirou fundo. 'Agradeço por você ser o calmo aqui. Sei o que você sente pela Rose. Quando a Hana estava morrendo, passar pela mesma situação passou pela minha cabeça. Eu a amo tanto. Mesmo agora ainda é difícil seguir em frente. Então, entendo o que você sente e sei que agora você tem a gentileza de me deixar ter o holofote. Fiquei surpreso comigo mesmo, de conseguir chorar tanto mesmo depois da morte da Hana.'
Me virei pra olhar pra ele. Ele tava chorando e soluçando como uma mulher. Mas ganhou meu respeito, confiança e admiração.
'Sinto muito… pela sua perda.'
Ele riu amargamente. 'Já faz muito tempo. Se… quando a Rose passar por isso, vou te avisar, Nile. Posso ficar mais protetor com ela do que o normal… como irmão.'
Assenti. 'Conto com isso.'
O médico veio, então, com as notícias. A Kur foi atingida perto do ombro, quase no peito. Felizmente, a bala não atingiu nenhum órgão vital. Ela perdeu muito sangue, mas conseguiram cuidar disso e de todos os outros perigos em potencial. A Kur finalmente estava estável.
Nós dois respiramos aliviados. Só tínhamos que esperar ela acordar. Colton se recompôs e finalmente parou de chorar. A luz no rosto dele voltou assim que ouvimos as boas notícias.
Horas se passaram e a Kur ainda não acordou. O médico nos aconselhou a não nos preocuparmos. Ela estava apenas se recuperando. Logo ela vai acordar, então esperamos pacientemente.
Vendo o Colton com as roupas ensanguentadas e a aparência desgastada, sugeri que ele fosse pra casa por enquanto, tomasse um banho e trocasse de roupa. Ele, literalmente, parecia horrível. Eu insisti pra ele fazer isso, pra Kur não se preocupar quando acordasse. Ela vai achar que aconteceu alguma coisa com ele.
Levei ele pra fora do quarto da Kur, planejando dar as chaves do meu carro pra ele, pra ele ser mais rápido daquela forma. Também vou passar na lanchonete pra comprar um pouco de café. Queria estar bem acordado quando ela abrisse os olhos.
'Obrigado.' Ele respondeu, ainda um pouco abatido.
'De nada.'
'Escuta, Nile-' Ele parecia que ia dizer alguma coisa, mas foi interrompido quando viu algo atrás de mim.
'Colton?' Era uma voz desconhecida pra mim. Quando me virei, era o homem mais velho, com olhos castanhos familiares.
'Senhor Kunoe…' Ele respondeu, com os olhos arregalados.
Eu congelei, sabendo quem esse homem poderia ser. Ele caminhou em nossa direção com um olhar perplexo.
'O que você está fazendo aqui?' Ele perguntou. Seus olhos desceram pra camisa dele. Seus olhos se arregalaram. 'O que aconteceu com a Kur? Onde ela está?'
Não sei se deveria ficar surpreso por ele ter sabido imediatamente onde a Kur poderia estar.
Consegui ver o nervosismo e a complexidade do Colton, se ele diria a verdade pro pai dela ou não.
'Me diga, Colton.' Ele insistiu. 'Estou procurando por ela há horas. Estou muito preocupado. Ela não voltou desde que saiu pra comprar comida pra nós. Não quero que nada de ruim aconteça com ela também.'
Nossas sobrancelhas se ergueram em dúvida. 'Também?!' Falamos simultaneamente.
Então, deixamos ele explicar o que aconteceu, especialmente por que ele estava ali. O Colton assumiu que eram os problemas de saúde dele, mas estávamos mais do que errados.
'Sinto muito pelo que aconteceu com sua esposa, Senhor Kunoe.' Ele suspirou. Eu sabia que ele estava tendo segundas intenções, se contava ou não. Ele parecia frágil. Tenho certeza que ficaria devastado se soubesse sobre a Kur.
Mas ele merece saber a verdade.
'Senhor Kunoe-' Fiz uma pausa, sabendo que ele ainda não me conhece. Ele me olhou inquisitivamente. Não sei se é porque ele está se perguntando quem eu sou ou se estava esperando uma resposta sincera. 'Sinto muito. Ainda não me apresentei. Sou Nile Veselov, amigo… dela.'
Não acho que seja a hora certa pra contar sobre meu relacionamento com a filha dele.
'Algo aconteceu… com sua filha.' Seus olhos se arregalaram de medo. 'Mas não se preocupe, ela está bem agora.'
'O que aconteceu com ela?! Me diga!' Ele exclamou enquanto segurava meu braço com medo.
Colton e eu nos olhamos antes de contar a verdade. Embora cortássemos algumas partes, dissemos a ele o que realmente aconteceu na noite passada. Tivemos um entendimento silencioso de que Jacob seria nomeado como um stalker obcecado pela Kur. Ele a seguiu aqui, até o ponto de nos ameaçar e machucá-la, o que levou à história de como a Kur levou um tiro.
Ele parecia que não aguentava mais à medida que nossa conversa progredia. Foi uma boa ideia deixar os detalhes mais difíceis de fora. Ele parecia quase desmaiar, mas estava resistindo. Entendi que estava sendo muito difícil pra ele agora, considerando que sua esposa e filha estavam internadas no hospital.
Reafirmamos inúmeras vezes que ela está bem agora e dormindo profundamente em seu quarto. No entanto, não mencionamos a ele que ela ainda não acordou.
Ele perguntou se poderia visitá-la e o levamos ao quarto dela. Ele se sentiu aliviado ao ver a Kur dormindo e parecendo bem. A Kur parecendo um anjo agora ajudou a aliviar o clima.
Colton não ficou mais tempo pra acompanhar o Senhor Kunoe. Ele me deixou com ele e finalmente foi pra casa.
Eu observei o pai da Kur olhando pra ela com carinho.