Capítulo 35
Depois do meu banho relaxante e necessário, percebi que não tenho nada pra trocar, então enrolei a toalha no corpo e saí do banheiro.
'Me dá algo pra vestir, Veselov.' Exigi enquanto secava meu cabelo com a outra toalha.
Notei que ele não se mexia de jeito nenhum, sentado na cama, só me encarando. Os olhos dele estavam cheios de intensidade.
'Você não vai me dar algo pra trocar?' Perguntei com atrevimento. 'Vou pegar uma friagem fudida se ficar assim.'
Ele se levantou lentamente da cama e veio na minha direção. A mão dele alcançou meu pescoço, me puxando pra perto dele. A outra pousou na minha cintura. Ele inclinou a cabeça, a testa encostada na minha.
'Senti sua falta, lyuBImaya.' Os olhos dele se fecharam, sentindo o momento entre nós. Sentindo a mim, com nossos corpos grudados um no outro. 'Não suportaria os dias sem você do meu lado. Prefiro brigar a te perder.' Então os braços dele me rodearam e me abraçaram forte.
Fiquei surpresa com essa demonstração repentina de afeto. Sinceramente, não estava acostumada com isso. Ele era bruto, possessivo e safado, mas nunca assim. Fiquei parada, meio sem jeito, mas o calor e o cheiro dele me deram conforto. Parecia que finalmente estava segura.
'Não quer saber a história?' Perguntei, sem saber o que dizer ou fazer depois da confissão dele.
Minhas mãos subiram pelas costas dele e meu nariz se encostou no peito dele, inalando seu cheiro másculo. Ele cheira tão bem. Dá vontade de ficar grudada nele.
Espera. Meus olhos arregalaram.
Felizmente, ele finalmente me soltou bem na hora que percebi que tinha pirado.
'Certo. Vou pegar algo pra você trocar.' Ele de repente me pegou de novo e me colocou na cama dele.
'Não precisa. Meu tornozelo não dói tanto mais.' Reclamei, porque aquilo estava me dando vergonha.
'Falou a que caiu no chão.'
Respondi com um resmungo. Ele foi para o armário e pegou umas roupas pra mim, que eram, de novo, a camisa gigante dele e a cueca box.
'Tá de sacanagem?' Repreendi. 'Por que você não me comprou roupas?'
'Você não quer? Eu certamente prefiro você nua.' Ele se virou com a intenção de devolver a camisa para o armário.
'Não, não! Me dá isso.' Peguei a camiseta da mão dele rapidinho. 'Por que você não pode comprar uma, hein? Você não comprou uma pra mim antes? Você sabia que eu ia ficar presa aqui e só me deu sua camisa.' Eu repreendi.
'Para de reclamar e veste essa porra de camisa.' Fuzilei ele com os olhos. Ele então pegou a toalha que estava enrolada no meu corpo, fazendo uma carranca.
Bati na mão dele, sabendo o que ele ia fazer.
'Eu sei me vestir, seu cuzão.' Fui andando pra trás, pro meio da cama, segurando a toalha com força, mas ele continuou tentando pegar.
Acabamos numa posição íntima, eu embaixo dele, com ele pairando em cima de mim. O joelho dele encostado entre minhas pernas. Quase tocando minha virilha.
Paramos de discutir e só ficamos nos encarando. A mão dele, que estava do lado da minha cabeça, foi para o meu rosto. Os dedos traçaram meu nariz, meus lábios e meu queixo.
A cabeça dele se abaixou lentamente pra mim. Em transe, eu ainda sabia o que ia acontecer em seguida.
Toc, toc, toc.
Em um milissegundo, nós dois nos afastamos um do outro, ouvindo alguém bater na porta.
'Jovem mestre, o almoço está servido.' A voz do outro lado da porta parecia ser de um velho. Julgando por como ele chamou Nile, ele deve ser um mordomo.
'Vai se trocar. Vamos almoçar. Você não come direito desde que desmaiou.'
Surpreendentemente, não senti fome. Ele deve ter me alimentado quando eu estava entrando e saindo. Mas por que não consigo lembrar de nada?
Franzi a testa. 'Por que você ainda tá aqui? Não vai sair?'
Ele cruzou os braços. 'Você está tentando me privar do seu corpo?' Franzi a testa. 'Você sabe que, desde que você voltou, tem agido toda tímida perto de mim.'
'Que porra, Nile! Sai daqui!' Empurrei ele pra longe da cama. Forcei ele a ficar de pé e o levei até a porta pra sair do quarto.
Ele de repente se virou e me encarou, o que me pegou de surpresa. Automaticamente apertei a toalha com força.
Ele se abaixa e me beija levemente nos lábios. 'Te espero lá embaixo.' Então ele vai embora, me deixando chocada.
'Manda alguém comprar roupas pra mim, seu idiota!' Ele continuou andando pra fora da porta e fechou, ignorando meu grito.
O que deu nele? Ele mandava comprar roupas pra mim antes e agora vive me obrigando a usar as camisas dele. Idiota estúpido.
Logo depois de me trocar, desci as escadas para encontrar a sala de jantar. Meu estômago finalmente começou a pedir comida. Demorou um pouco pra eu achar, porque a casa era enorme. Tinha muitos quartos e parecia um labirinto pra mim.
Ele mora aqui sozinho? E se os pais dele morarem aqui também?
A ideia da mãe dele me deixou nervosa. Quase esqueci do nosso encontro. Ela me avisou sobre o filho dela. Que eu sou só um dos brinquedos dele. Esse pensamento me deixou abatida.
Encontrei Nile, que estava encostado na parede perto da porta, com os braços cruzados. Ele estava viajando, mas levantou os olhos quando ouviu minha movimentação. De novo, ele estava me encarando intensamente. Ele sempre foi assim desde que nos tornamos íntimos. Me pergunto se meus olhos ficam assim quando eu encaro com tanta força quanto ele. Afinal, nossos olhos eram como o reflexo um do outro.
Os olhos dele foram dos meus pés descalços, demorando nas minhas coxas visíveis, meus seios que, apesar da camisa enorme, as montanhas gêmeas ainda eram visíveis por causa do tamanho. E finalmente os olhos dele pousaram nos meus.
Cruzei os braços. 'Vai só ficar me encarando assim? Que pervertido.' Resisti a um sorriso.
Ele estende a mão e se afasta da parede. Fui na direção dele, pegando na mão dele.
'Você fica linda com minhas roupas.' Ele disse, colocando as mãos na minha cintura.
'É por isso que meu pedido de roupas próprias foi em vão?' Enrolando meus braços no pescoço dele. Ele se encostou no meu corpo ainda mais. Meus seios retos contra o peito dele.
A cabeça dele de repente se abaixa, os lábios encontrando os meus. Meus olhos se arregalaram e, em surpresa, cobri os lábios dele com o dedo indicador, parando-o. Ele ficou chocado com minha ação.
'Estou com fome.' Eu disse, quebrando o transe.
Eu pude ver que ele não estava feliz que eu parei o beijo dele, mas ele se comprometeu por causa de mim, já que ele sabia que eu não comia uma refeição decente desde aquela noite.
Então ele segurou minha mão e me arrastou perto da porta. Na verdade, era o limiar da sala de jantar.
Enquanto comíamos, não consegui evitar sentir culpa pelo beijo. Me lembrou da intimidade de Jacob e eu.