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Sobre a parada dele, mesmo com a demissão, veio aquele trampo e preparo pra uma vida que começou com tanta sombra.
- Saca que você é diferente das outras crianças, Ester, porque você não nasceu como as outras da iniquidade comum de magia nas suas veias, como uma forma de mostrar pro mundo o seu legado e as suas hordas enormes de acordo com favores, até um acordo que precisa ser respeitado.
- Então, não esquece que você faz parte de outra criatura. - Ela falou.
Até aquele momento, ela não sabia que parte de criatura alguma um demônio podia ser, até um lobisomem, mas ela não tinha nenhum sinal.
Em várias épocas da minha infância, quando eu chegava em casa, subia pro meu quarto, me jogava na cama, brincava, gritava, tocava e esfregava os travesseiros, até segurando a minha Boneca pro meu rosto.
Foi aí, eu percebi que minhas lágrimas estavam queimando, então, toda molhada de lágrimas, no meio disso, eu estava abraçando aquela amiga solitária no meu peito, me perguntando como eu seria, que acordo seria esse.
No meu quarto, foi quando eu chorei até dormir.
Mesmo que fosse imperfeito, mesmo que entendessem a minha tristeza, eu sabia que eu nunca tinha feito o coração de ninguém feliz e que eu não era pra nenhuma pessoa na terra o que Nenê era pra mim.
Eu não era nada mais que parte de um acordo.
Ali tava todo o meu sofrimento.
- Coitada, coitada, ai meu Deus...
- Então, quem eu seria...
Agora quando eu penso em quanto tempo a gente passou sozinha juntas.
Só de pensar em quem eles confiavam, naquela época e quantas vezes eu repeti a história do meu nascimento pra Boneca. Eu confiava nele que eu ia tentar com todas as minhas forças fazer as pazes por isso.
Sentir o quanto eu nasci sem, mesmo sob a estrela da qual confesso que me sentia culpada, mas ao mesmo tempo inocente.
Eu sempre ia me esforçar, quando crescesse, pra me tornar ativa e contente e bondosa, pra fazer algum bem pra alguém e pra conseguir algum amor por mim mesma se eu pudesse.
Agora, eu espero que não seja complacência pra mim derramar essas lágrimas quando eu penso nisso, eu me sinto perdida, eu me sinto mais do que suficiente não tão grata, mas bastante satisfeita, mas eu absolutamente não consigo impedir que elas encham meus olhos.
Mesmo que fosse suficiente, quando finalmente, quando eu parar de chorar, quando eu secar minhas lágrimas, quando eu puder convenientemente continuar na minha desgraça e solidão.
Eu senti que a separação entre mim e minha Madrinha tinha aumentado muito mais depois do aniversário, e eu percebi tão bem que eu preenchi um lugar na casa dela que devia estar vazio, que eu agora achava mais difícil.
Mesmo que pra mim, dia após dia, parecesse cada vez mais triste e difícil ou não, o mundo estranho, escuro e sombrio em que eu me encontrava, não era diferente, da escuridão que envolvia aquele mundo, lá fora entre túmulos e as névoas do mundo sobrenatural que os cercavam.
Até quando eu me aproximava de qualquer outra sombra, às vezes aquelas pessoas passavam por mim.
Foi nesse meio tempo, que por enquanto, no meu coração, mais do que nunca eu queimava de gratidão por ela.
Sabendo que o ministério está longe, mesmo que a mesma coisa acontecesse comigo em relação aos meus colegas de escola, foi mais do mesmo, como eu sentia pela Sra. Natasha, com a presença dela, até com a estrela dela, seu cajado em mãos.
Aquela assassina, mesmo que ela fosse a viúva, e ah! pra sua filha, da qual ela tinha orgulho, e que vinha vê-la uma vez a cada quinze dias!
Ela era a professora e ainda a Lady Killer, que não mostrava fraqueza.
Nesse período da infância, eu era muito retraída e quieta, que foi como eu tentei me tornar diligente.
Numa tarde ensolarada, quando eu voltava pra casa da escola com meus livros e minha pasta, eu observei a minha longa sombra ao meu lado enquanto eu subia silenciosamente pro meu quarto.
Foram esses momentos que vieram à mente, onde eu me via diante do inevitável, mesmo que agora, fosse um novo costume, quando minha Madrinha aparecia na porta do quarto e me chamava.
- Ah, ali eu achei, mesmo que eu estivesse sentada.
Até o que pertencia aos seus companheiros, colegas das trevas, em que ele veio correndo pra mostrar a verdade sem fim, embora fosse bem incomum.
Considerando que pra mim, no começo, ele era um estranho, um grande homem, um homem, um Cavalheiro, ele era muito mais que corpóreo e régio na aparência, todo de preto, com gravata branca, uma grossa corrente de relógio de ouro, óculos dourados e um pesado anel de sinete no dedinho.
- Essa é a criança que tanto se falou sobre ela, a filha do acordo? – Um deles perguntou.
Foi quando alguém no meio da roda de conversa, quando olhou, disse minha Madrinha em tom baixo.
Foi algum tempo depois que minha Madrinha disse, de sua maneira severa habitual:
- Essa é Ester, meu senhor.
Então, aquele Cavalheiro colocou os óculos pra me olhar e disse:
- Chegue mais perto, minha querida, vamos ver como você está melhor, Minha querida.
Ele apertou minhas mãos e pediu pra eu tirar meu chapéu, me olhando por um longo tempo.
Quando eu me aproximei, pra que eu pudesse satisfazê-lo com o pedido dele, eu disse: — Ah, sim, é isso mesmo. – No meio disso, quando eu olhei e me virei, quando ela achou que seria uma exibição, ele parou depois:
- Ah, eu vejo, sim!
Quando a avaliação terminou, ele finalmente tinha parado, ele parecia ter uma expressão diferente, ele estava tirando os óculos que ele colocou em um estojo vermelho, ele se encostou na poltrona, girando o estojo entre os dedos das duas mãos em que ele acenou pra minha Madrinha, que imediatamente tentou me dizer:
- Pode sair, querida, pode subir agora, Ester.
De qualquer forma, ele sempre visitava periodicamente, sempre que eu aparecia, ele colocava os óculos, me avaliando, dando alguns comentários, então minha tia me mandava subir, em direção ao meu quarto.
Quando eu cresci, mais vezes, todo mês, ou a cada quinze dias eu via esse homem, eu sempre pedia pra ele me avaliar, com sussurros.
- Sim, é isso mesmo. – Ele disse, puxando o meu cabelo pra cima.
- Está indo bem. – Ele disse, me virando, como se estivesse verificando algo, abaixo das costas da minha cabeça.
Então, minha Madrinha me dispensou, depois da sua avaliação periódica.
Naquela época, eu o cumprimentei, então eu saí daquele quarto, deixando eles conversando.
Deve ter sido dois anos depois, e eu já tinha quase quatorze anos quando, numa noite terrível, minha Madrinha e eu sentamos perto da fogueira.
Naqueles dias, eu lia em voz alta, e ela ouvia, naquele dia, eu tinha descido cedo, às 8 da manhã, que era quase nove horas, como eu sempre fazia, pra ler um dos livros estranhos que me davam.
Quando ela olhou e chamou minha atenção em termos de tom, enquanto eu via um livro feito de couro com o olho de um dragão, entre escamas e garras, que se abria pra mim.
Foi quando ela me disse pra parar, pra que ela pudesse me corrigir, naquele momento em que eu estava lendo aquele capítulo com palavras em vermelho, naquela época, quando se diz que nossa adoração entre as palavras dos acordos.
Estavam entre as medidas, em relação aos contos da cidade sombria, em que ele se curvou, escrevendo com o dedo na areia, quando trouxeram a mulher protegida pra sua presença, em que mais uma vez um veto de isenção, numa mobilização entre análises que ela fez.
- Agora, vamos continuar. - Ela falou.
Naquela época, no entanto, quando o questionaram, ele se levantou e disse, como ele deveria proceder.
Ele que está entre nós, mesmo que possamos ver, quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra nela.”
Eu parei quando vi minha Madrinha se levantar, colocando a mão na cabeça e gritando em uma voz terrível outro trecho do livro:
- Naquele agora, devemos vigiar ao renovar, é sempre um benefício, em que foi, portanto, para que, quando eu vier de repente, não a encontre dormindo.
- Agora, eu digo isso, portanto, eu digo a vocês, eu digo a todos:
- Ele está nos observando.
E num instante, quando ele estava repetindo aquelas palavras na minha frente, ele caiu no chão, naquele momento, não foi preciso eu gritar por alguém; Sua voz ressoou por toda a casa e foi ouvida na rua, era gritaria e até histeria que eu tinha que dar um fim, ninguém estava vindo me ajudar.
Quando a deitaram na cama, tudo isso pra que ela pudesse ficar ali por mais de uma semana, pra que ela mostrasse poucas mudanças externas em seu rosto velho, bonito e resoluto.
Mesmo que eu soubesse tão bem, com linhas fortemente esculpidas, era assim muitas vezes, durante o dia e a noite, com a cabeça apoiada no travesseiro ao lado dela,
Tudo isso aconteceu pra que meus sussurros pudessem ser melhor entendidos, eu a beijei, eu a agradeci, eu rezei por ela, eu pedi sua bênção e perdão, eu implorei pra ela me dar um sinal.
Pelo menos foi, mesmo assim, foi realmente que ele me reconheceu e me ouviu, nada de nada, mesmo que fosse com seu rosto, que não se mexia, mesmo quando um mensageiro chegou que minha Madrinha devia se preparar, pra ir pra outra dimensão sombria, mesmo que seja a mesma depois.