Vinte e Seis
Damien
Hoje à noite vamos levar Logan para fora de casa pra uma sessão de alimentação. Ele vai ficar mais fraco se passar muito tempo sem comer. Eu também preciso comer. Então vai ser melhor lá fora do que ficar aqui dentro desejando que a Clara ainda estivesse aqui comigo.
A rua tá animada como sempre. Todas as criaturas noturnas tão acordadas agora. Tem um bom número de Vampiros e lobisomens nessa parte do país. Acho que somos muito mais que os humanos.
Logan anda do meu lado. Orfeu, Luther e Victoria vieram junto. Raul, Amber e Katherine foram pra um bar. Os outros decidiram ficar em casa, já que os Vampiros podem ficar dias sem comer.
Quando a gente acha uma vítima fácil pra ele, Orfeu ajuda a gente a encurralá-lo.
"Okay. Quando você morder ele, na sua mente, você tem que contar até cinco segundos. Não passe disso ou vai acabar matando ele. Entendeu?" Eu falo pra ele e ele balança a cabeça. A gente fica de lado e observa ele enquanto ele devora sua primeira vítima.
A gente espera exatamente cinco segundos e ele tira as presas. Uau, ele vai ser um aprendiz rápido.
"Eu gosto desse garoto", Luther sussurra pra mim.
"É, ele é um aprendiz bem rápido", Victoria fala.
Depois de rodar pelas ruas, todos nós já comemos. Acho que vou conseguir ficar alguns bons dias antes de comer de novo.
Sem querer voltar pra casa e ficar pensando em estar com a Clara, eu escolhi ir pro clube onde o Raul, Katherine e Amber foram. Eu não sou fã de álcool, mas acho que deveria me soltar hoje à noite. Tenho certeza que a Clara tá se divertindo na festa. Eu também devia tentar me divertir.
Luther decide voltar pra casa com o garoto. Ele também não é muito fã de baladas. Victoria e Orfeu decidem vir junto.
"Se cuida, baby", eu escuto Luther sussurrando pra Victoria e depois beijando ela nos lábios. Victoria enrola as mãos no pescoço dele e o que era pra ser um selinho vira um beijo longo e barulhento. Graças aos nossos sentidos de Vampiro, não tem segredo, apesar da escuridão.
"Galera, arrumem um quarto", Orfeu reclama e eu não consigo evitar de rir. Eu noto um sorriso no rosto do Logan. Luther e Victoria ficam separados, cada um deles sorrindo um pro outro como adolescentes. É, esse é o poder da ligação que você divide com seu parceiro. Eu me pergunto como a minha tá.
Quando Luther e Logan vão embora, a gente vai pro bar. Toca uma música bem alta nos sistemas. Daria pra pensar que o teto vai explodir.
Eu não gosto de lugares muito barulhentos porque minhas habilidades de Auspex parecem multiplicar a altura do som. Quando a gente acha o Raul, a gente vai até ele.
"Galera, vocês vieram!" Raul grita quando ele nos vê.
"Claro que não tínhamos coisas melhores pra fazer agora", Victoria fala e revira os olhos.
"Onde tá o Luther?" Raul pergunta pra gente.
"Ele voltou pra casa com o Logan", eu respondo.
"Quem é o Logan?" Amber pergunta.
"O garoto novo", Victoria responde.
"Ah, eu ainda não sabia o nome dele", Amber fala.
"Eu sei, eu também", Katherine fala.
"Ele é um garoto bem quieto. Espero que ele fique animado com o tempo", Victoria fala.
"Vai ser ótimo pra ele se ele ficar perto da família. Ele vai se adaptar rápido", Orfeu fala.
A gente senta todo mundo junto na mesma mesa. A gente pede as nossas bebidas que eles trazem em grandes quantidades.
"É por isso que eu amo esse lugar", Raul fala, se referindo à quantidade de bebidas servidas.
"A música tá tão alta", eu reclamo, me sentindo muito desconfortável.
"Eu posso falar pro cara dos sistemas. Ele é um bom amigo meu", Raul oferece.
"Você devia fazer isso antes que meus ouvidos comecem a sangrar", eu respondo.
"Eu já volto", Raul fala e levanta da cadeira. Depois de um tempo, o volume da música diminui. Eu solto um suspiro de alívio.
Eu ainda tô no meu primeiro copo da minha bebida. Eu sinto tanta falta da Clara, eu nem me sinto tão bem. Eu não devia ter tomado aquela merda de álcool no meu corpo, especialmente depois de comer. Eu não tô acostumado com essa merda! Eu até toleraria um copo de vinho, mas não álcool puro.
Eu só fico lá olhando as garotas humanas balançarem seus corpos vigorosamente na pista de dança. Também tem umas mulheres velhas e um bom número de homens velhos.
"Eu vou lá pra pista de dança dar um pouco de companhia pra esses caras", Orfeu fala enquanto levanta da cadeira.
"Você tá falando sério?" Victoria pergunta pra ele com uma sobrancelha levantada.
"Sim, por que não? Eu sou um cara solteiro", Orfeu responde com um encolher de ombros.
"Deixa ele", Raul fala enquanto volta pra mesa. Victoria só encolhe os ombros e bebe sua bebida.
"Deixa ele aproveitar a vida de solteiro enquanto dura", Katherine fala com um sorriso malicioso e depois arrasta a mão pela mesa, acabando por entrelaçar seus dedos com os dele.
"Amber, você também tá solteira. Por que você não vai pra pista de dança e aproveita a noite?" Raul fala pra Amber que franze a testa de aborrecimento.
"Eu não quero", ela fala.
"Ah, qual é. Se solta. Você não devia só ficar sentada ali e deixar a noite ir pro lixo", Raul tenta convencer ela, mas ela ainda o dispensa.
"Okay, é sua escolha. Que tal a gente ir se divertir?" ele fala enquanto olha pra Katherine com olhos apaixonados.
"Seria ótimo", Katherine responde. Os dois terminam suas bebidas e vão pra pista de dança.
"Esses caras são inacreditáveis!" Victoria fala quando eles desaparecem na multidão dançante.
"Eles só estão tentando se divertir. Eu não vejo problema nisso", eu falo enquanto giro meu copo preguiçosamente na mesa. Eu nem consegui chegar na metade da minha bebida.
"Eu queria que o Luther não tivesse que voltar pra casa. Eu já sinto falta dele", Victoria fala enquanto se encosta na cadeira. Ela bufa e fecha os olhos.
"Eu tô pensando em ter filhos", Victoria fala do nada. O olhar de tédio no meu rosto desaparece imediatamente e eu olho pra ela com os olhos arregalados. Amber também parece muito surpresa.
"Você tá falando sério?" Amber pergunta pra ela, o choque claro na voz dela.
"Sim, por que não? Quer dizer, a gente nunca teve filhos naquela mansão. Acho que crianças vão trazer alegria e animação pra casa. Além disso, eu não vou mais ficar entediada quando tiver um bebê pra consumir meu tempo", ela responde.
"Você tá certa. Vocês já estão juntos há um bom tempo. Acho que seria melhor se vocês começassem a planejar o futuro do relacionamento de vocês", eu falo pra ela.
"Você já conversou com o Luther sobre isso?" Amber pergunta pra ela.
"Ele foi o primeiro a levantar o tópico de ter filhos, mas a gente nunca foi adiante pra discutir isso. Eu vou conversar com ele sobre isso", ela responde.
"Você devia", eu falo pra ela.
Na minha cabeça, eu começo a me perguntar se a Clara e eu algum dia teríamos filhos nossos. Eu nunca pensei em ter filhos antes, até agora. Eu me pergunto como nossos filhos seriam. Tenho certeza que a Clara seria uma ótima mãe.
Depois de um tempo, eu não aguento mais ficar no bar. Raul, Orfeu e Katherine ainda não voltaram.
"Alguém mais quer ir pra casa?" Eu pergunto pra Victoria e Amber.
"Sim, eu tô ficando muito entediada aqui", Victoria responde.
"Orfeu e os outros não parecem estar prontos pra ir pra casa ainda", Amber fala.
"Deixa eu ir falar pra eles que a gente tá indo e perguntar se eles querem vir junto", Victoria fala enquanto levanta da cadeira.
Eu fico sozinho na mesa com a Amber. A gente não tem nenhuma conversa pessoal desde aquela noite em que ela entrou no meu quarto e saiu quando estava brava comigo. Eu olho pra ela e vejo seus olhos fixos em mim. O silêncio entre nós parece muito estranho, apesar da música ainda tocar no fundo. Eu sei que eu devia começar uma conversa, mas por que eu me sinto muito estranho?
Eu vivi com a Amber por muito tempo. Ela sempre fez investidas em mim no passado e eu sempre decepcionei ela e a gente sempre seguiu em frente. Por que eu sinto que ela tá me evitando agora? É por causa da Clara?
Eu sou salvo de começar uma conversa pelo retorno da Victoria.
"Eles querem ficar muito mais tempo. Acho que a gente devia ir por conta própria", ela fala. Amber e eu levantamos dos nossos assentos e saímos do bar.
Quando eu chego em casa, eu começo a me perguntar se a festa de noivado já acabou. Eu espero que a Clara tenha se divertido muito. Será que o Fabian encheu o saco dela por eu não ter aparecido?
Eu sinto muita falta dela. Tá levando toda a minha força não me esgueirar pra casa do Fabian e procurar por ela. Se a festa já acabou, ela deve estar no quarto dela agora. Eu podia esperar por ela lá até ela entrar.
Eu estive com ela hoje de manhã, mas acho que não vou conseguir aguentar a noite inteira sem ver ela. Eu sinto muita falta dela.