Quarenta e Cinco
Clara
O Damien foi ver a Emma e o Justin. Eu queria ir junto ver como eles estão, mas não quero atrapalhar ele no trabalho dele. De qualquer forma, vou encontrar com eles pela casa. Prefiro deixar o Damien cuidar das responsabilidades dele sem a minha intromissão.
Quando acabo de comer a comida que o Damien me comprou, limpo tudo e lavo o prato e o copo. Eu fico pensando como o Damien teve a ideia de ir na loja comprar um vestido e lingerie pra mim. De alguma forma, eu duvido que ele fez isso sozinho. Talvez alguém ajudou ele. A Victoria ou a Katherine, talvez?
Ainda não superei a ideia dele ter comprado a calcinha pra mim. Fico pensando como ele escolheu a certa. Ele deve ter ficado ocupado fazendo tudo isso enquanto eu estava roncando na cama sem saber de nada que estava acontecendo no mundo.
A promessa dele ainda tá na minha cabeça. Espero que ele termine as coisas rápido pra gente poder fazer. Será que eu devia seduzir ele? Hmm... o que eu precisaria fazer?
Não acredito que eu tô pensando em seduzir alguém. Desde quando eu virei uma sedutora? Um monte de coisas mudaram desde que o Damien entrou na minha vida. Tudo na minha mente agora gira em torno dele.
Eu sumi de casa esse tempo todo e nem pensei em ir ver minha família. Será que eles sabem que eu não tô lá?
Só porque eu não vi eles me procurando não significa que eles não estão procurando. E se eles estiverem mesmo me procurando e eu aqui, sã e salva, planejando seduzir meu namorado, sendo que eles nem fazem ideia de quem ele é?
Não devo pensar nisso agora. Só devo manter a mente positiva. E se o Lázaro realmente conseguiu envolver o pai e ele fazer parte da situação que tivemos ontem? Ia ser tudo uma bagunça. Acho que nem estaria aqui agora. O pai ia estragar tudo.
Nossa... tenho que parar de pensar nessas coisas. Talvez ficar sozinha aqui seja o motivo dos meus pensamentos estarem indo pro meu pai.
Quero ficar aqui com o Damien, mas preciso ir pra casa agora ver eles. O Jason acabou de noivar e não quero estragar a paz em casa por causa da minha ausência. Talvez eu vá pra casa mais tarde, à noite.
A ideia de não estar com o Damien me dá uma sensação de vazio por dentro. A gente acabou de ficar junto depois de passar por momentos tão difíceis. Talvez eu deva ir amanhã e ter mais tempo com ele, mas eu sei que nunca vou ter o suficiente dele. Sempre quero estar com ele o tempo todo.
Ele até me prometeu algo interessante mais tarde. Não vou perder isso. Vou ficar aqui hoje à noite. Vou pensar em voltar pra casa amanhã.
Saio da cozinha e ando pela sala. Acho que o Raul, o Orfeu e o Athan foram com o Damien fazer a checagem. O Damien é um líder muito determinado. Se esses Vampiros fossem lobisomens, ele seria um Alfa. Igual o pai queria. Ele queria que eu tivesse um namorado Alfa. Eu arrumei um Alfa Vampiro no lugar e ele é tudo pra mim. Eu só amo ele do jeito que ele é; Vampiro ou não. Eu não ia gostar dele de outra forma.
Eu ando pelo corredor entre a cozinha e a sala. Nunca tinha ido nesse corredor antes. Se tem algum corredor que eu andei nessa casa, é só aquele que leva pro quarto do Damien. Eu não fui em nenhuma outra parte da casa além da sala, cozinha e quarto do Damien.
Talvez eu deva aproveitar essa oportunidade pra dar uma volta pela casa. Tudo que preciso garantir é não abrir nenhuma porta, senão vou acabar invadindo a privacidade dos outros ou me perdendo.
Eu ando olhando ao redor. Essa casa pode ser meio antiga, mas tem acabamentos modernos. Eu gosto do jeito que as paredes são envernizadas. Apesar da casa não ter muita decoração, o jeito que ela é construída já é bonito o suficiente.
"Oi, Clara", a Victoria sorri pra mim quando eu esbarro nela.
"Oi. Eu só tava dando uma olhada", respondo, achando necessário me explicar.
"Ah, tudo bem", ela diz.
"Onde está o Damien?", ela pergunta olhando pra trás de mim.
"Ele tem umas coisas importantes pra resolver. Ele tá fazendo uma checagem na Emma e no Justin. Eu vim com eles ontem à noite", respondo.
"Ah, aqueles caras. Eles são muito fortes. Vão conseguir se adaptar rápido. Sei que eles estão em boas mãos", ela diz.
"E você? Tá tudo bem com você?", ela pergunta.
"Sim, tô bem. Obrigada por perguntar", respondo e ela sorri pra mim.
"De nada. Você também é da família, sabe. Você significa muito pro Damien e o mínimo que posso fazer é garantir que você esteja bem", ela me diz. Não consigo evitar sorrir com as palavras dela. A família do Damien é muito querida mesmo. Eu queria poder me mudar e começar a morar com eles.
"Quer que eu te mostre a casa?", ela me pergunta.
"Claro", respondo.
Depois de me mostrar a casa, a Victoria também se oferece pra me mostrar a parte de fora da casa. O sol já foi embora e a escuridão começou a tomar conta. Tá tão bonito aqui fora. O sol está se pondo atrás da casa e a sombra da casa está sendo projetada na frente dela.
"Esse lugar é muito bonito", digo enquanto respiro o ar fresco.
"É. Você devia se mudar pra cá com a gente logo. A gente podia fazer um monte de coisas juntas", ela diz.
"Eu queria muito isso. Se as coisas fossem tão fáceis, sabe. Eu já tinha me mudado no primeiro dia", digo pra ela e ela me dá um sorrisinho.
"Eu entendo o que você quer dizer, querida. Pode não ser agora, mas talvez algum dia no futuro", ela diz.
"Tomara", digo pra ela e então suspiro.
Nós andamos pelo terreno em silêncio, cada uma com seus próprios pensamentos. E se meu pai estiver mesmo me procurando? Por onde ele ia começar a procurar? Ele não sabe onde eu poderia estar. Ele nem sabe onde meu namorado mora.
Ele ia procurar na casa do Liam, porque foi lá que eu passei a noite quando desmaiei no meu cio. Ele viu ele me trazer, então provavelmente ia perguntar pra ele. Quem mais ia saber onde eu poderia estar?
Emily! A Emily é minha melhor amiga desde pequena. Ele com certeza ia lá perguntar pra ela. A Emily conhece o Damien, mas não sabe onde ele mora. E se ela contar pra ele quem ele é? Só o nome e o fato dele ser um Vampiro ia ser o suficiente pra dar pistas pra ele.
Merda! Espero que isso seja só coisa da minha cabeça.
Talvez eu devesse mesmo ir pra casa hoje à noite antes que as coisas saiam do controle. Tenho medo que as minhas imaginações se tornem realidade.
"Vou entrar e ver como o Luther está. Quer vir?", a Victoria diz, me tirando da minha bad.
"Hum... Não, ainda não. Vou ficar aqui fora um pouco até o Damien acabar o que ele tá fazendo", respondo.
"Ok, se cuida", ela diz antes de entrar na casa.
Eu respiro fundo e olho pras árvores. Eu tô tentada a me transformar em lobo e correr pelas árvores, mas seguro meu lobo. Só quero ficar aqui por um tempinho até o Damien terminar pra eu poder ter um tempo a sós com ele.
Algo se mexe atrás de mim. Tenho certeza que consigo ouvir alguém atrás de mim. Não pode ser o Damien. Eu já saberia, porque o cheiro dele ia me entregar. Não pode ser ninguém da casa, porque esse cheiro é muito familiar.
Ai, não! Não! Não! Não pode ser!
Tenho que ficar parada pra não assustar a consciência dentro de mim. Tenho desmaiado muitas vezes ultimamente e não quero desmaiar dessa vez. O cheiro fica mais forte e os passos ficam mais perto.
Não! Por favor, não seja ele! Queria rezar o contrário, mas o cheiro é, sem dúvida, o dele.
"Clara!" a voz forte do pai ecoa atrás de mim, me fazendo tremer. Meu coração começa a disparar numa velocidade inacreditável quando eu viro a cabeça lentamente pra olhar pro meu pai.
Ele não parece nem um pouco feliz em me ver. Ele parece muito furioso e decepcionado. Os punhos estão fechados nas laterais e a mandíbula dura. Ele parece que vai explodir a qualquer segundo.
Ele não está sozinho, no entanto. Ele trouxe quase todo o grupo de guerreiros da alcateia com ele.
Como ele me achou? Quem contou pra ele onde eu estou? Será que foi o Lázaro? Ele seguiu com os planos dele de envolver meu pai?
"Pai! O que você tá fazendo aqui?" isso é tudo que consegue escapar pela minha garganta seca. Sinto um suor frio escorrendo pelas minhas costas.
"É isso que eu devia estar te perguntando", ele responde com uma voz indiferente que me faz engolir seco.
"Eu... Ahh", gaguejo.
"Você faz ideia do tanto que você me preocupou?" ele fala comigo e eu me estremeço.
"Onde ele está? Onde está aquele Damien?" ele grita comigo.
"Não! Não, por favor. Não ele, pai. Por favor, vamos pra casa. Eu vou com você", imploro enquanto lágrimas quentes ameaçam transbordar.
"Não! Nem pense em defendê-lo! Quem ele pensa que é, mantendo minha filha como se tivesse todo o direito de fazer o que quiser!" ele grita alto o suficiente pra ter certeza de que todos na casa consigam ouvir o que ele está dizendo.
Ai, meu Deus!
Isso não pode estar acontecendo! Não! Não! Não! Meu pesadelo virou realidade!