Quinze
Clara
Não consigo acreditar que o Damien tá aqui por mim. Ele correu o risco de ir pro território do inimigo só pra me ver. Me sinto a mulher mais feliz do mundo por estar com meu parceiro de novo. Puxo ele pra perto pra beijar melhor. Tava morrendo de saudade dos lábios dele. Morrendo de saudade das mãos dele, fortes e *sexy*, em mim.
O Damien se afasta do beijo e me olha nos olhos. Ele tá *sexy* pra caramba! Eu quero ele. Quero muito ele. Fico na ponta dos pés e beijo ele de novo. Não consigo ter ele o suficiente. Parece que fiquei muito tempo longe dele. Quero aproveitar a sensação dele.
"Clara", ele murmura nos meus lábios.
"Eu te quero", eu falo pra ele.
"Eu sei. Eu também te quero", ele diz.
Na hora, vou pros botões da camisa dele e começo a desabotoar rapidinho. Não sei o que tô fazendo, mas tenho certeza que é a ligação me fazendo fazer tudo isso.
O Damien pega minha mão e me impede de continuar desabotoando a camisa dele. O quê? Ele não me quer? Achei que ele tinha dito que me queria. Ele leva minha mão aos lábios e dá um beijo casto nela. Faíscas voam tipo agora pelo meu corpo.
"Clara, eu te quero muito, confia em mim, eu quero, mas não posso fazer isso com você. Pelo menos não aqui", ele diz.
"Então me leva. Me leva daqui", imploro pra ele e ele só balança a cabeça.
"Não, Clara", ele responde e começa a acariciar minhas bochechas.
"Por que não?" pergunto pra ele.
"Porque não quero repetir o mesmo erro que cometi da última vez", ele responde.
"Então você não veio pra me levar de volta?" pergunto pra ele, a decepção tomando conta de mim.
"Não, eu não vim te levar pra casa", ele diz.
Ah! Meus ânimos caem.
"Quer dizer, não posso te levar pra longe da sua casa. Não tenho o direito de te tirar da sua família quando eu quiser", ele explica.
"Você é meu parceiro, então temos que ficar juntos. No momento em que te encontrei, parei de pertencer à minha família. Eu pertenço a você", eu digo pra ele e ele passa as mãos no cabelo.
"Droga! Queria que fosse tão fácil quanto parece, Clara. Você é minha parceira, mas nem posso ter isso. É como se você estivesse tão longe, mas está aqui. Você é tipo a fruta Proibida que eu quero tanto provar, mas não posso ter", ele me fala. Os olhos dele estão cheios de mágoa e verdade. Só quero alcançar ele e beijar toda a angústia dele pra longe, mas isso não vai resolver nenhum dos problemas que temos.
"Não quero ser a fruta proibida, Damien. Quero estar com você. Quero estar com você", eu digo pra ele, e lágrimas começam a aparecer nos meus olhos.
Uma dor aguda percorre meu corpo, e dessa vez ela irradia pela minha pele como fogo. Eu me contorço e gemo, tentando não gritar e chamar a atenção. O Damien chega perto de mim e me pega nos braços. Ele parece alarmado ao me ver com tanta dor.
"O que foi?" ele pergunta.
"Dói. As queimaduras", é tudo que consigo responder.
"Onde?" ele pergunta, parecendo tão confuso. Eu ia sorrir com a fofura dele quando ele tá confuso, mas o fogo no meu corpo não tá diminuindo. Saio dos braços dele e corro pro banheiro. Talvez a água me acalme.
O Damien vem atrás de mim parecendo tão confuso quanto... sei lá!
Abro a porta do banheiro e entro correndo, indo direto pro chuveiro. Ligo ele na velocidade máxima e fico embaixo ainda vestida. O Damien fica na entrada do banheiro me encarando. Acho que pareço uma louca agora.
A água fria aos poucos acalma as queimaduras e eu diminuo a velocidade do chuveiro. O Damien vem pra perto de mim e fica ao lado do chuveiro. Ele não diz nada. Sorte que também não tô a fim de falar agora. Os olhos dele estão cheios de compaixão, em vez da confusão que tinha antes.
Quando sinto que as queimaduras diminuíram, desligo a água e saio do chuveiro. O Damien me pega no colo e eu não reclamo. Sei que meu vestido tá encharcado, mas por que me importar se ele não se importa?
Ele me leva de volta pro quarto e me coloca com cuidado no chão. Meu vestido tá grudando no meu corpo agora. Meus mamilos estão duros e marcando o vestido por causa da água fria. Não me preocupo em me cobrir. Quero que ele me veja.
"Clara..." ele começa a falar, mas fecha os olhos e aperta a ponte do nariz.
"É o calor", respondo pra pergunta não dita dele. Ele abre os olhos na hora e me olha nos olhos.
"Quanto tempo faz? Quer dizer, desde quando isso tá acontecendo?" ele pergunta.
"Desde ontem à noite", eu respondo.
"É sempre tão ruim assim?" ele pergunta.
"A última vez, eu desmaiei", eu respondo e os olhos dele se arregalam.
"O quê? Onde você estava? Você estava em casa?" ele pergunta, parecendo bem preocupado. Na hora, me arrependo de ter falado, mas não quero mentir pra ele. Já temos problemas demais pra lidar.
"Não, eu tava fora", eu respondo.
"Sozinha?"
"Eu tava com alguém."
"Quem?"
"Um estranho", respondo e mordo a parte de dentro da bochecha. Droga! Ele tá tão bravo agora.
"Você desmaiou na frente de um estranho? O que você tava fazendo lá fora, de noite, com esse estranho?" ele me pergunta. Ele parece tão sério com isso. A cara de compaixão já sumiu.
"Não sei. Tava com tanta coisa na cabeça que decidi sair pra clarear. Não sabia que ia esbarrar com ele e ter as ondas de calor ao mesmo tempo."
"Ele?" ele me corta.
"Sim", grito pra ele. Não sei por que ele tá tão bravo. Acho que ele tá exagerando. Não é culpa minha não conseguir me manter consciente depois de encontrar com ele.
Ele fica andando de um lado pro outro no quarto. Consigo ver que ele tá tentando controlar a raiva. Não sei se é comigo que ele tá bravo ou com o estranho que eu desmaiei na frente.
"E o que ele fez? Ele te trouxe pra casa?" ele me pergunta.
"Ele me levou pra casa dele e me trouxe pra casa de manhã", eu respondo. Não me importo de estar gritando com ele, mas também tô brava por ele estar exagerando.
"Ele o quê?" Acho que ele vai explodir.
"Por que você tá bravo comigo agora? Nada disso foi minha culpa. Eu nunca quis que nada disso acontecesse", eu digo pra ele. Ele não responde. Ele só fica andando bravo de um lado pro outro. Toda essa briga tá me deixando com muito frio. Tava com vontade de seduzir ele com o vestido molhado, mas tô tão brava agora que nem quero mostrar meu corpo pra ele. Passo por ele, vou pro armário e pego uma camisola. Tiro o vestido e me seco com a toalha. Depois de colocar a camisola, volto pra minha cama.
"Fala comigo quando você parar de ser um Vampiro bravo", eu digo pro Damien e afasto o cobre-leito.
Entro na cama e sento ali olhando pra ele. Acho que não consigo dormir sabendo que ele ainda tá bravo comigo. Ele depois vai até a cama e senta na beira.
"Sinto muito mesmo pela forma como reagi", ele fala e fecha os olhos.
"Queria muito ter vindo aqui e ter um tempo bom com você, pelo menos por hoje. Dói muito que outro homem venha te socorrer quando eu não estava lá por você. Sinto muito por ter gritado com você", ele diz.
Depois de falar isso, só quero pular nele e me aconchegar nos braços dele, mas só fico sentada onde estou.
"Tudo bem", eu digo simplesmente.
Há silêncio por algum tempo, enquanto cada um de nós fica ocupado com seus próprios pensamentos.
"Bom, tá ficando tarde. Acho que você deveria ir dormir", ele diz, saindo da cama.
"Acho que já vou", ele diz, coçando a nuca. O quê? Ele vai embora? Mas ele acabou de chegar aqui.
"Ah", é tudo que consigo dizer. Tô brava com ele, mas não quero que ele vá embora. Ele preferia estar aqui brigando comigo do que estar longe. As lágrimas começam a aparecer nos meus olhos de novo. Não vou chorar. Não vou chorar. Não sei por que tô tão sensível hoje à noite, mas tava morrendo de saudade do Damien e não consigo implorar pra ele ficar.
Ele vai até a janela. É por onde ele entrou? Como ele conseguiu fazer isso? Meu coração começa a bater forte nos meus ouvidos. No minuto seguinte ele não vai estar mais aqui. Vou só chorar até dormir.
"Damien!" chamo ele antes que ele faça o movimento. Saio rápido da cama e corro pra ele. Caio nos braços dele e o abraço com força.
"Não me deixa", imploro pra ele e choro no peito dele.