Capítulo 35
Aliyana
6 meses depois
"Acha que este vai chamar a atenção dele?" A Guilia me pergunta pela enésima vez, encarando o espelho comprido e estreito e mandando umas poses bem sexys.
"Se o Papai te visse assim, ele ia te dar ATENÇÃO, sim." Ela estremece, franzindo o nariz. É, te entendo, irmã.
'Por que você é tão obcecada em fazer o Marco te notar? Ele é perigoso. Por que você não fica com o Deno, ele é uma opção melhor que o irmão dele. Confia em mim nisso."
Desde que o Ren morreu, o Marco me evita como se eu tivesse uma baita herpes. Eu o vejo, mas só quando ele aparece pra ver o Papai. Tem umas várias dessas 'aparecidas'. Na verdade, já são quase 4 vezes por semana. Antigamente era menos frequente e eu ainda ganhava um aceno DE reconhecimento.
Agora, é como se ele fosse outra pessoa e, apesar de eu não ser nenhuma santa, eu não fui a que o enganou, prometendo coisas só pra anunciar na vez seguinte que eu o visse que ia dar essas coisas pra outra pessoa. Esse foi ele.
Bem, ele não chegou a anunciar, mas as fotos dele beijando a bochecha daquela mulher falaram por si só.
Fico furiosa em silêncio porque, mesmo agora, 6 meses depois, eu quero dizer pra ele que ele fez promessas, chamar ele de mentiroso. Mas fico quieta, esperando que chegue o dia em que eu tenha coragem o suficiente pra ficar naquele hall enquanto ele passa por mim. Quando eu fizer isso, meus olhos nunca vão desviar dos dele, aí sim ele vai saber o que é mágoa e dor. Ele vai ver como ele me tentou a me entregar ao proibido. Agora estou manchada, cheia de emoções de coração partido de novo. Uma pecadora.
Só que dessa vez eu toquei nele, provei ele e ele me reivindicou só pra me jogar fora como a mestiça que eu deveria me sentir.
O Deno faz um esforço pra manter contato comigo. Não que ele tenha escolha, já que o Gabriel, o Michel e o Mero estão decididos a vingança e a única coisa que os impede de causar tremores num momento de silêncio bem instável somos eu e o Deno. E ainda tinha a possibilidade de que um deles fosse o assassino do Ren.
O Salvatore Moretti tinha o trabalho de manter eles na coleira, mas os caras não gostavam dele e deixaram isso claro quando encurralaram ele num bar pra 'cavalheiros'.
Mero, Michel e Gabriel, tinham a mesma idade que eu, mas nenhum deles tinha a minha mente calma e racional quando o assunto era vingar o Ren e a raiva deles não me ajudava a determinar qual deles matou o Ren.
Eu e o Deno concordamos nisso. Bem, pra ser honesta, concordamos em muita coisa. Inclusive na nossa amizade crescendo.
A última vez que eu vi o Deno foi há três dias. Eu estava saindo da faculdade quando meu celular começou a tocar com aquele toque irritante que ele colocou no meu celular. Acredite em mim, a sensação não era mútua. As pessoas andando ao meu redor fazendo cara feia e rindo me mostraram como a sensação não era mútua, enquanto eu procurava meu celular na minha bolsa de couro, enquanto Os Esquilos gritavam sobre bundas grandes do meu celular.
Eu sorri pra senhora mais velha, que era a professora de Cálculo, me lançando um olhar mortal enquanto minha mão finalmente pegava meu celular.
‘KINGMAN’ piscava na minha tela. E eu nunca vou admitir o sorriso que isso trouxe pro meu rosto depois do dia de merda que eu estava tendo. O vento estava gelado enquanto jogava meu cabelo comprido pra trás enquanto minha mão com luva, com as pontas dos dedos emborrachadas, deslizava na tela pra direita.
'E aí, Kingman.'
Ele riu, 'Gostou do toque novo?'
Eu gemi em horror fingido, 'Não começa. Eu vi 5 chamadas perdidas com o seu nome, bem esperto, Kingman.' Eu e o Deno tínhamos ficado próximos nesses últimos 6 meses e o meu charme relaxado veio naturalmente pra mim. Não precisava manter todas as minhas barreiras levantadas perto dele. Ele sabia que eu não era como as outras mulheres. Eu nunca tive a chance de ser, meu Papai fez questão disso.
Eu não via o homem como um Capo, e ele não me via só como uma mulher. Ele me via como Aliyana Capello, uma amiga que não ia ser inimiga dele. Ainda achava ele assustador quando ele ficava puto com o Gabriel e o Mero, mas eu sabia que ele não ia me machucar.
'Tô com um probleminha, tô indo te pegar, chego em 20 segundos.'
'18 segundos, Tchau.'
Ele tossiu tentando segurar a risada que eu tinha certeza que ia sair enquanto eu desligava a chamada. Celular na mão, bolsa no ombro, fui em direção ao estacionamento onde eu vi o Jere, e o inconfundível Matteo.
Fiz sinal pra eles com o queixo, e, como prometido, a Mercedes preta e vermelha do Deno surgiu numa vaga livre, duas vagas longe da cara emburrada do Matteo. Nossa, o Matteo era irritante.
Ignorei ele, e fui com meu corpo super produzido até o Deno enquanto ele pulava do carro, seu rosto coberto por um óculos de sol Harley Davidson que eu amava.
O homem era puro sexo, e era uma pena que ele não fosse o irmão que eu beijei ou aquele por quem eu sentia tesão por todos aqueles anos.
Por que eu sempre escolho o cara errado? Esse pensamento não era algo que eu tinha pela primeira vez, era mais tipo a milésima e primeira vez.
'Com o que a fabulosa Aliyana pode ajudar Sua Majestade hoje?'
O rosto dele ficou sexy sob o céu escuro e frio enquanto ele me abençoava com um sorriso pra acabar com todos os sorrisos. O Matteo se aproximou, mas o Deno fez um gesto com o pulso mandando ele ir embora. Eu mandei um agradecimento silencioso pro demônio que achou que um dos seus devia ser chamado Deno Catelli.
As roupas dele, uma calça de algodão italiana creme, uma camisa de linho que era alguns tons mais clara, aberta no peito, e com as mangas dobradas, diziam que, número um, ele não estava trabalhando em nada muito sério hoje.
Número dois, ele estava tendo um dia relaxante e algo mudou que ele estava aqui, na minha escola. Correção, já quase aqui na minha escola antes mesmo de falar comigo.
'Por que eu tô sentindo que essa não é uma boa notícia que eu vou ouvir?' Eu disse enquanto ele só ficou ali me olhando de moletom da Nike e tênis Asis. Eu não estava vestida pra encontrar um Homem Feito. Eu estava vestida pra ir pras aulas e encontrar a Kylie na academia pra relaxar numa banheira de hidromassagem.
'Você acertou, vai explodir sua mente. Entra no carro, vou avisar o Russo pra seguir.' As palavras dele não geraram nenhuma discussão da minha parte, quando ele ordenou isso e eu fiz o que me mandaram numa rápida sequência de jogar minha bolsa no banco de trás do carro dele e deslizar minha bunda no banco quente, cinto de segurança colocado. Tudo isso feito como se eu fizesse isso todo dia. Eu não fazia, mas já estive nesse carro tantas vezes que eu sabia o que fazer pra colocar minhas coisas no banco de trás.
Ele dirigiu na direção oposta à minha casa e dirigiu rápido. Eu esperava um monte de coisa acontecendo, ou o problema que ele tinha era sobre o Mero ou o Gabriel.
O que eu não esperava era que ele parasse numa pequena propriedade a duas horas da faculdade. Eu não sei como ele conseguiu fazer isso, mas quando chegamos no portão do lugar, o Matteo e o Jere não estavam em lugar nenhum. O pensamento fez meu pulso acelerar com a ideia de estar sozinha com o nosso futuro Capo, e uma parte de mim estava gritando de horror, enquanto a outra parte de mim me lembrava que eu não era uma idiota e que o Deno não ia me machucar.
Outra parte de mim, e era uma parte bem pequena e sombria, admitiu enquanto eu pulava do carro sexy dirigido por um Homem Feito bem gato e perigoso, olhando pra aquele monstro de quatro andares, que estar sozinha com um homem tão perigoso quanto o Deno Catelli enviou uma adrenalina doentia pelo meu corpo.
Era uma amostra de poder e eu amei cada minuto. Ele me mostrou a casa e o pedido que veio depois foi estranho, mas algo que eu concordei em fazer depois que ele encolheu os ombros e disse,
'Somos praticamente família.' É, eu não acreditei que ele ia me comprar uma casa e querer que ela ficasse no meu nome porque nós éramos 'praticamente' família.
Mas nós éramos amigos e irritar um cara mau como o Deno e recusar o presente dele não era algo que eu ia fazer. Amigos ou não. Então, eu sorri e agradeci. E agora, três dias depois, eu sou a orgulhosa dona de uma mansão enorme comprada pra mim pelo Deno Catelli porque nós somos 'praticamente' família.
Eu não contei nada disso pro Papai durante a palestra de 1 hora e o interrogatório de 2 horas sobre por que eu 'desapareci' como ele apontou tão alto com 'Porra do Deno porra do Catelli' (palavras do Papai, não minhas).
Obviamente, deu um monte de coisas pra esconder e minhas habilidades em mentir foram postas a prova pra acalmar o Papai.
Felizmente o Papai não guardou rancor por muito tempo e ele largou o assunto depois de deixar bem claro que, em nenhuma circunstância, eu poderia 'desaparecer' com o 'Porra do Deno porra do Catelli' de novo.
O Filippo, o sucessor do meu pai, ouviu tudo isso. Ele também não ficou satisfeito, quando veio no meu quarto e perguntou, sem rodeios, se estava rolando alguma coisa entre o 'Catelli' e eu.
Eu me encolhi porque alguma coisa aconteceu com o 'Catelli' e eu, mas o Catelli não era aquele de quem ele estava falando e eu não estava afim de saber o que aconteceu com a filha de um Homem Feito que enfiou a língua na garganta de outro Homem Feito.
ENTÃO, eu sorri pro meu irmão, depois de me encolher, e disse que era bom ter o Deno por perto depois do Ren. O rosto do Filippo suavizou e eu me senti péssima, mas disse pra mim mesma que o que eu falei era verdade, e era uma razão melhor que a alternativa.
Obviamente, eu não saí ilesa. O Papai negou qualquer noite pra mim completamente, e com o Matteo 'pirado' Russo por perto não tem sido fácil escapar. Não impossível, mas eu tenho que ser esperta. A última coisa que eu preciso é o Papai achando que eu tô por aí com o Deno pelas costas dele.
Eu expliquei isso pro Deno ontem quando ele me ligou informando que eu era a dona da casa agora, e me convidou pro Azure pra tomar um drink. Ele riu durante a nossa conversa de uma hora e achou engraçado que meu pai achasse que eu estava possivelmente me encontrando com ele, quando, na verdade, eu me encontrei escondida com o Marco.
Ele sabia que meu pai detestava a família dele, bem, quase todos eles. Aparentemente o Deno deixou escapar que o Marco, o pai dele e ele eram os únicos de quem meu pai não gostava e era por um bom motivo.
Ele também deixou escapar, quando eu expliquei pra ele que eu não podia ter noites de jeito nenhum, que ele contou pro Marco sobre o que aconteceu e o Marco achou a mesma graça. Eu não falei nada sobre isso e ele deve ter sentido o fim da nossa conversa porque ele desligou a chamada logo depois disso. Foi a última vez que eu ouvi do Deno.
Meus sentimentos pelo Marco Catelli me atingiram como uma onda de calor desde aquele beijo em frente ao dormitório e cresceram a cada dia desde então, mas a mágoa da rejeição dele depois tem me matado. Me matou mais porque ele estava por perto, mas não perto do jeito que eu queria que ele estivesse.
Nosso beijo daquele último dia não passou disso pra ele. Ele está em todo lugar, mas em lugar nenhum ao mesmo tempo. Eu sei, mesmo enquanto eu olho pra minha irmã, que eu preciso deixá-lo ir.
A minha irmã ainda não ficou noiva. Mas o Papai mandou chamá-la ontem, o que significava que ele tinha notícias. Eu podia ver que ela queria se casar, a Ilaria não estava facilitando a vida da minha irmã e a Guilia parecia que ia explodir logo.
Ela não ficou longe do Marco quando ele veio ontem esperando que a reunião dele com o Papai significasse que ele queria casar com ela. Mas esse não foi o caso, mesmo sendo ingênua a ponto de acreditar que ele me queria, sabia que enquanto ele distraía a Guilia ontem, ele tinha olhos pra uma certa cabeça morena, Moretti de olhos castanhos. Uma verdadeira deusa italiana.
A Camilla Moretti apareceu um dia depois do funeral do Ren. Minha irmã me disse que o Marco e ela tinham história. Eles cresceram juntos até a morte dos pais dela. Eu não era de fofocar, mas até eu fiquei intrigada com a história.
A chegada dela aconteceu numa hora imprópria. Me machucou quando eu descobri que ele estava namorando ela por uma coluna de fofoca que minha irmã colocou no meu celular. Me destruiu quando eu tive que olhar pra uma foto com os dois se olhando nos olhos e admitir que ele nunca foi pra ser meu. Ele era dela.
Até poucos meses atrás, eu esperei pela chance de vê-lo de longe. Uma parte de mim esperava que ele me visse e percebesse o que estava perdendo. Mas numa sexta-feira eu não o vi entrar na nossa casa.