Capítulo 39
Aliyana
'Já viram o novo treinador de La Crosse? Ele é tesão em duas rodas, podia me esfregar a qualquer dia,' Kylie diz com o sotaque dela, meio caipira. O cabelo preto comprido e os olhos mel profundos te prendem na beleza natural dela. Agora, está me fazendo rir, enquanto ela mexe com eles daquele jeito maluco que só a Kylie consegue fazer.
Mas é a pele clara e a feminilidade dela que realmente fisga a pessoa. Lembro do dia em que conheci a Kylie. Éramos mais novas, né? Meses antes de começarmos na Universidade. Ela tava usando um vestido rosa curto e saltos tão altos que, quando ela veio marchando com a Ren pra se apresentar, eu tive que olhar pra cima.
Quando ela me abraçou, eu enfiei a cara nos peitos dela.
Aquele dia ainda me faz sorrir. Eu nunca tive uma amiga mulher antes dela. Especialmente uma tão famosa quanto ela. O nome dela tava sempre nas notícias, mas não muito nas revistas de fofoca.
A família Bray era uma das famílias mais ricas, tipo, pau a pau com os Delroy, Stone, Bezos e Gates. O pai dela era um homem respeitado no mundo todo. Quando ele falava, todo mundo ouvia. Ele era um empresário implacável, conhecido pela inteligência nos negócios. Eu sei porque fiz um trabalho sobre ele pra minha aula de Eco uns meses atrás.
Não demorou muito depois de conhecer a Kylie pra ela me apresentar a Diamond. Se a Kylie é a noite, a Diamond é a estrela que ilumina ela.
Ela tem cabelo loiro branco, tipo, do mesmo comprimento que o meu, e os maiores olhos que você não consegue esquecer, de tão azuis.
A pele dela é tão clara, mas é o jeito que ela olha pra algo ou alguém que deixa aquela impressão que realmente fisga a pessoa. Ela chamou a atenção do Ren e o meu amigo ficou viciado desde o primeiro dia. Parecia que era pra ser. Eu sabia, ele observava ela e eu sentia isso no fundo. Linda, pra sempre.
A ideia do Ren causa aquela dor naquele lugar familiar. Me lembrando que ela nunca foi embora. A dor de perder alguém nunca vai embora, te machuca, mas fica mais fácil porque você aprende a viver com ela. Às vezes, como nesse momento, te lembra que nunca vai sumir.
A Diamond é uma gênio famosa, mas com um monte de segredos, e um desses segredos, eu sei, é o motivo da morte do meu amigo. Eu sabia mais do que ela deixaria qualquer um ver, porque minhas atividades extracurriculares podem ter ficado em espera por enquanto, mas eu tinha amigos que me conheciam, amigos que sabiam que queriam continuar amigos.
Ela revira os olhos quando a Kylie tira o celular e começa a me mostrar fotos, e eu não consigo evitar de olhar.
A Josey continua ocupada com o aplicativo de jogos que ela tá criando. A Josey, eu conheci recentemente. Uns meses na faculdade e lá estava ela, no pé da escada. Ficamos próximas e, apesar da oferta dela de virar minha amante se eu quisesse dar uma chance pra ela, ela não me sufocou com esse conhecimento.
A Kylie me mostra uma foto específica de um close do bumbum do treinador de shorts.
'Uma bunda tão firme, você precisa pegar forte e ir fundo,' Kylie diz com uma voz rouca, enquanto minha pele fica vermelha, sabendo que a Kylie já transou um monte de vezes.
Uma noite depois da morte do Ren, eu visitei ela e a Diamond. Ficamos bêbadas de shots e Long Island Ice Tea. O assunto sexo surgiu e a minha amiga foi bem detalhista quando eu perguntei como era. Ela também foi completa com os jeitos diferentes que podia rolar e como funcionava. Na época, eu ainda tava esperando ter a chance de testar todas aquelas coisas com o Marco. Então, eu absorvi tudo e fiz anotações mentais, chegando até a pesquisar um pouco sobre o assunto.
'Que horas combinamos de começar?' Josey pergunta pra Kylie.
'Qualquer hora depois que a gente abrir a porta, docinho.'
'Posso usar seu laptop rapidinho?' Josey pergunta.
'Claro, só toma cuidado com a pornografia,' Kylie responde piscando, enquanto a Diamond abre a porta pra já sair correndo da conversa da mente suja da Kylie. As duas tão tão longe de ter algo em comum. Se você não conhecesse elas, ia pensar que eram irmãs e se aguentavam. Eu sabia diferente.
Eu deixo a Kylie, a Diamond e a Josey na mansão. Observando a Kylie na calça jeans rasgada, Jordan e regata folgada, balançando os braços com pulseiras e tiras de couro que ela chamava de faixas de luto, flertando com o segurança na frente da porta.
Eu não confirmo se vou na festa enquanto saio de casa rindo.
A verdade? Eu não tenho certeza se quero ir mais, depois de ouvir que o Leonardo ia estar lá. Eu evito ele, tipo, desejaria todo o mal ao Marco sempre que eu o visse.
'Jere, você sabe se o Papa tá em casa?'
'Sim, Senhorita Capello, ele está em uma reunião com o Sr. Catelli.'
'Qual deles?' O Jere não fala nada sobre minhas mil perguntas, porque eu já fiz isso várias vezes antes. O Matteo normalmente me faz perguntas em cima das minhas, sem me responder nada. Eu normalmente continuo com umas palavras bem coloridas que o Papa não ia gostar de ouvir saindo da minha boca.
'Marco.' O nome leva meus nervos ao limite, e eu odeio isso. O nome dele só me irrita. Mas também não é surpresa nenhuma, ele tá lá.
'Pode esperar eu me trocar e me levar de volta pra casa da Kylie, Jere?'
'Sim, Senhorita Capello. O Sr. Deno Catelli também estará na sua casa.'
A minha cara fica vermelha quando eu vejo o Jere sorrindo pelo retrovisor. As pessoas na Famiglia são curiosas e, como o Deno era um Catelli, a notícia se espalhou como fogo de mato da minha amizade platônica nem um pouco pessoal ou privada com o Deno. Mas, sei lá, nada sobre aquele Catelli em particular era privado, exceto a conversa que precisávamos ter.
'Ele é só meu amigo, Jere,' eu esclareço antes de pular do carro e correr pra dentro, ignorando a risadinha do Jere.
Levo trinta minutos pra me trocar. Guilia e Filippo saíram, então eu não preciso fazer um bate-papo, o que funciona pra mim porque eu quero sair dessa casa antes de ver o Marco e perder a linha. Hoje, meu temperamento parece estar à flor da pele. E eu sabia que era por causa do homem que estava, tipo, na minha casa, no corredor, trancado em um escritório com meu pai.
O Papa não sai do escritório dele, mas eu sei que ele foi avisado da minha chegada e partida.
Mal passaram 20 minutos desde que eu cheguei aqui. A parte de baixo da casa da Kylie tá cheia com o nosso Campus.
'A gente é tão creepy, fazendo isso,' Josey murmura enquanto nós duas sentamos na janela, espiando o Leonardo. Ela estava sentada com os estudantes de biologia quando eu cheguei e a resgatei de passar vergonha. Ela tá afim da Linda Glade desde que a estudante de biologia ajudou a Josey a encontrar o celular dela. Mas a Linda não tá nem aí.
A Josey e eu estamos no mesmo barco, só que eu evito uma briga com o Marco, enquanto ela vai com tudo. De qualquer jeito, as duas não tão conseguindo o que querem. Ou, sei lá, quem.
O Leonardo fala alguma coisa e começa a rir.
O cara é algo pra se olhar, mas agora ele tá olhando pra uma morena bem carnuda e as D-cups dela. Não é a primeira vez que eu imagino o que o Ren faria se estivesse aqui.
Eu sinto falta dele, todo dia.
'Você pensa em falar com o irmão dele alguma vez? Tenho certeza que, se você fizesse isso, ele ia te surpreender. Ele não parece o tipo sombrio e carrancudo. Tenho certeza que o irmão dele é igual. Ainda não consigo acreditar que ele faz parte do Sindicato.'
Eu reviro os olhos, enquanto meus joelhos continuam plantados no sofá e meus dedos nas cortinas.
'Eu falei pra você que não posso, ele tá com a Camilla agora. Eu sou só meio italiana.' Eu não conto pra ela que o Marco não fala mais comigo. Ou que a gente se beijou três vezes ou que, da última vez, ele me tirou da minha porta sem nem um grunhido. Eu sou baixinha, mas não leve.
Alguns segredos só precisavam continuar sendo segredos. Eu não faço ideia porque eu admiti que tava afim do Marco. Se a Josey contar pra Kylie, ela vai saber exatamente quem ele é e o que eu tô passando. Porque a Kylie é apaixonada pelo Vincent e, tipo eu, ele não ama ela de volta.
Uma picada forte e estrondosa queima minha bunda e quase me faz cair da cadeira. Alguém me ajuda e eu giro pra olhar pra Kylie e Diamond, que estão rindo muito alto.
A música explode e as conversas altas de outras pessoas abafam a maior parte, o que dificulta dizer qualquer coisa e ser ouvida, muito menos ter uma conversa com todas elas.
A Kylie inclina a cabeça quando a música toca na casa com outra música.
Eu viro a cabeça por hábito enquanto começo a andar com minhas amigas e vejo dois motoqueiros andando atrás de mim. A Diamond corta eles da vista quando ela gentilmente coloca a mão nas minhas costas e anda do meu lado.
Isso acelera meus passos enquanto meus nervos vão pro limite.
O que o Rosco tá fazendo aqui? Eu vi ele pela última vez quando eu tinha doze anos. O único homem a deixar a Famiglia vivo. Eu sei, porque até agora eu achava que ele tava morto.
O cabelo longo, a pele raspada e as roupas novas não fazem dele uma pessoa diferente. Eu reconheceria ele em qualquer lugar, afinal, ele é a cara do meu tio.
O que ele tá fazendo aqui?
Quando chegamos na porta preta, que a Kylie chama de 'caverna do homem', ela digita o código e entramos.
Prateleiras escuras de carvalho nos cumprimentam quando as luzes se acendem, e as centenas de enfeites que as adornam de diferentes partes do mundo.
'Sentiu minha falta, docinho?' O motoqueiro desconhecido diz quando eu viro pra encará-lo. Ele tem o cabelo despenteado que parece que ele saiu do banho e passou os dedos nele como se fosse um pente. Os olhos de whisky dele são pequenos e, no momento, estão grudados na Kylie.
Ele deve ser as pastagens mais verdes que a Kylie tava falando quando ela disse que não tava mais afim do Vincent.
Embora eu tenha acreditado no que era, uma mentira. Eu não disse nada.
Eu sento no sofá solitário enquanto a Kylie conversa com o homem. Meu primo vem sentar do meu lado.
'Aliyana, você parece que viu um fantasma,' ele sussurra.
'Eu achei que você tava morto,' eu murmuro.
Ele não fala nada, mas eu sinto a confusão dele vindo em ondas.
'Liya, quer uma bebida, docinho?'
'Sim, Hennessey.' Meu Papa disse que Hennessey era uma bebida pra tomar quando você tava estressada. Agora, eu tô muito estressada.
Tinha quatro seguranças por ali, e o Leonardo. O Rosco era considerado um desertor do nosso tipo quando ele matou uma família inteira. A ideia daquela tragédia ainda me deixa amarga, mas a perda dele me faz entender quando um homem chega na loucura.
'Meus celulares tão atrás de mim, coloca seu número e deixa lá,' eu digo sem mexer muito os lábios, um hábito que eu aprendi com o Papa.
'Knight, para de encarar minha amiga, você tá deixando ela desconfortável,' Diamond rosna pra ele quando ela caminha pra gente com duas Coronas e eu solto um suspiro de alívio quando sinto os dedos dele tocando minhas costas enquanto ele pega o celular.
A calça jeans da Diamond é mais apertada do que eu me lembro que ela usava. Ela engordou recentemente.
Ela entrega pro Knight, como eles chamam ele, uma Corona.
A Josey diz alguma coisa pro motoqueiro que tá com a Kylie e passa por ele.
A Kylie e a Josey pegam o sofá de couro marrom, mais perto da porta fechada.
A natureza fácil da Kylie se dissipa, enquanto ela olha pro meu suposto primo morto, parecendo quase entediada.
'Brincadeiras à parte, o que realmente te traz aqui?'
Ele suspira e dá um gole na cerveja, 'Estamos procurando SEU irmão, Vincent.'
Vincent? O nome dele me faz levantar e ir em direção ao cara no meio da sala vestido de couro.
'O que você quer com o Vincent?' O Vincent é um primo distante meu, mas ele é um Capo agora e um membro forte da Famiglia. Ele também é um primo em segundo grau dos irmãos Catelli. Isso não é bom.
'Eu não discuto os negócios do clube.' O homem na minha frente afirma e cruza os braços, tentando me intimidar.
O Marco Catelli é intimidador, o Deno também. Esse motoqueiro não me assusta.
'Ele não faz parte do seu clube. Ele é membro da Famiglia. Quando o nome dele saiu da sua boca, virou problema meu.' Eu olho pra ele, enquanto eu aponto o óbvio.
É assunto do meu pai e eu sou filha do meu pai.
Nós ficamos em um olhar fixo.
'Por que você não vai se servir de um copo daquela bebida que você queria, docinho,' Kylie intervém.
Ela tem um jeito pra sentir o perigo. Eu fico parada por uns segundos a mais antes de sair andando.
Eu vou direto pros armários cheios de álcool e faço exatamente isso.
Eu ignoro todos eles enquanto a Kylie manda eles se foderem de um jeito mais legal. Tem umas coisas que meu pai não precisa saber sobre hoje, mas eu preciso contar pra ele sobre isso. Ele ia querer saber que os motoqueiros estão procurando o Vincent.
A Kylie espera os dois homens saírem e abre a outra parte que ela mantém escondida nessa 'caverna'. Minha mente desliga e meu humor, embora pareça leve pra minhas amigas, é tudo menos isso.
Nosso dia cai na noite enquanto a Kylie nos diverte sobre seus encontros com o The Satan Sniper's Motorcycle Club, e seu irmão, Kevin, também conhecido como Killer Stone, que fazia parte do clube junto com meu primo, o que eu não compartilhei com minhas amigas.
Ignorando o olhar que a Diamond me dá quando eu saio pra pegar meu celular do sofá na sala da frente. Eu também ignoro o olhar que eu recebo da Kylie quando eu ignoro a ligação do Deno e a outra da minha irmã em favor de um copo de Hennessey.
Passa das 18h quando eu volto pra casa. Dizer que eu tô um pouco alterada é um eufemismo, eu tô quase bêbada, mas, graças a Gabriel e Mero, eu consigo lidar com a bebedeira.
'Guilia,' eu grito do pé da escada enquanto eu tiro meus sapatos rosa choque sorrindo com a rodopiada leve que eu sinto fazendo essa tarefa tão mundana.
'Guilia,' eu grito de novo. Meu celular apita e eu decido verificar o meu Alerta de Notícias. Meus olhos tão um pouco apertados antes de eu juntar minhas coisas o suficiente pra realmente ler uma frase coerente.
Empresário Bilionário, Marco Catelli e Herdeira Camilla Moretti noivos
Eu fecho meus olhos quando um milhão de emoções inundam minha mente. Eu não preciso ler o resto da manchete pra saber que eu não vou gostar. Eu sabia que ia acontecer, eventualmente. Eu não tô surpresa, mesmo que meu corpo sinta que acabou de levar um peso enorme de chumbo e engoliu ele.
O Marco pode casar com ela, tanto faz. Em uns anos eu vou ter superado.
Ele é um babaca arrogante e eu fico feliz por ver isso mais cedo. Eu odeio ele.
A minha irmã vem da parte de trás da casa, o escritório do meu pai.
'Como foi seu dia, eu passei na loja de sorvete pra pegar uns beijos de chocolate pra você,' eu digo ignorando a confusão que tá acontecendo dentro de mim e a leve vontade de vomitar só de pensar nele e na Camilla juntos de alguma forma.
'ALIYANA.' Eu já vi o rosto da minha irmã assim antes, foi o dia que eu falei pra ela que ia embora pra Chicago.
Eu corro pra Guilia, encontrando com ela no meio do caminho, estado de bêbada esquecido.
A minha preocupação é instantânea.
'O que foi, Guilia? O Papa tá bem?'
Ela desaba no chão em um ataque de choro e eu me abaixo com ela. Por favor, Deus, não deixa ser o Papa.
Ignorando os barulhos dos sapatos dos homens que vêm em nossa direção.
'Eu sinto muito, sinto muito, eu disse não, mas o Papa...' Ela tá histérica.
Eu franzo a testa, pensando, o que mais poderia dar errado?
'O que foi, Guilia? O Papa tá bem?' Eu esfregando as costas dela enquanto ela chora. Repetindo minhas palavras enquanto eu dou tapinhas nas costas dela. Meu cérebro encontra uma possível resposta pra histeria dela, mas mesmo isso não consegue manter o flash de palavras que, há poucos minutos, se iluminaram na minha tela. O Marco tava noivo.
'Ela vai se casar,' A voz que eu ouço não é da minha irmã, nem do meu Papa. Eu tô um pouco mais que alterada, porque levo uns bons segundos pra separar meus pensamentos da realidade. Meus pensamentos sobre o Marco e sua noiva cheinha. Minha realidade é que o tal Marco tá parado bem do lado da minha irmã e de mim, que estamos no chão.
Noiva. Minha irmã vai ficar noiva.
'Ssshhh, casar não é o fim do mundo,' eu digo ignorando o Marco e o fato do sapato dele tá tocando na minha perna.
'Ela vai ficar noiva do Leonardo,' Marco diz quando eu ainda não olho pra ele.
Eu devia saber que ele não ia ficar muito longe. Ele tá aqui quase todo dia. E, embora eu tenha desejado ouvir aquela voz direcionada a mim, essas não são as palavras que eu quero ouvir. Palavras erradas, hora errada.
Eu não levanto a cabeça pra reconhecer que ele tá aqui. Eu sabia que esse dia ia chegar.
Há 6 meses atrás, eu teria sentido a dor, mas mesmo assim eu sabia.
O Papa não gosta dos Catelli, mas o Ren me disse que o pai dele queria que acontecesse um casamento entre nossas famílias.
Acho que ele conseguiu o que queria.
'Nós estávamos indo embora. Te vejo em breve, Aliyana. Sartini,' Marco diz parado ali, esperando eu levantar a cabeça.
Ele vai continuar esperando. Babaca.
Finalmente, ele se vira e vai embora e eu solto o ar que eu tava guardando desde que ele entrou no mesmo espaço que eu, lotando ele.
Ele leva algo com ele quando faz isso. Eu só não tenho certeza do que ainda.
'Vem, Guilia, você pode dormir comigo hoje à noite.' Eu não pergunto mais nada pra ela, e minha irmã não oferece as palavras que eu devia estar ouvindo.
Eu ignoro o meu Papa parecendo tão confuso. Eu nunca contei pra ele, a culpa é minha. Eu também não contei pra ela. Eu pego os Beijos de Chocolate e minha irmã sobe as escadas.
Eu comi a caixa de beijos enquanto eu segurava a Guilia aquela noite, sabendo que os próximos meses iam ser desafiadores pra ela. A lealdade dela pra mim ia ser o maior obstáculo a ser superado. Meu silêncio tava escrito em pedra. Ninguém podia saber sobre o Marco e eu. Ela era minha irmã, e eu queria acreditar que nosso sangue e laços eram mais fortes que os negócios de um coração. Eu devia saber que eu tava errada, muito errada. Eu devia saber que meu silêncio era poderoso, mas também muito perigoso. O Marco Catelli não gostava de ser ignorado.