Treze
O planeta tava congelando? Por quê? Como?
Que porra é essa?
Minha mente tava surtando, pensando no mundo congelando tipo um picolé do caralho – talvez a gente estivesse mesmo ferrado – talvez Deus, porra, se cansou de cuidar e ouvir as preces bosta das suas criações e de danificar a Terra, então ele simplesmente congelou o planeta inteiro. Tudo coberto de neve, então quase tudo que minha visão alcançava era um branco infinito, até meus olhos doíam, porque era tipo encarar o nada.
Analisei de novo o que tava em volta, esperando qualquer movimento – qualquer cor – excluindo os floquinhos leves de neve caindo no chão silenciosamente. Nenhum tipo de estrada ou caminho também tava visível.
"Era verão ontem." Murmurei.
"O último verão – ou melhor, a última mudança de estação que eu percebi foi há mais de sessenta anos." Elliot disse, passando por mim. Ele tava com as mãos atrás da cabeça, mas sua atitude despreocupada era contradita pelo tom triste da sua voz.
Segui seus passos – ou melhor, a linha que ele tava fazendo, porque a pilha de neve tava na altura dos joelhos dele – sem ter certeza pra onde ele tava nos levando. Ainda não tava claro pra mim como eu conseguia confiar totalmente nessa pessoa que eu nem sabia que existia até pouco tempo atrás, eu só confiava. E isso era muito bizarro.
Mas isso é só um sonho. Uma voz minúscula na parte de trás da minha mente sussurrou.
Sim, não? Nem eu sabia mais.
Talvez Leib fosse entrar no meu quarto e gritar comigo pra me acordar a qualquer minuto.
Leib. Ele era meu irmão mais velho. Mas a conexão familiar que eu esperava sentir com o pensamento nele não tava em lugar nenhum. Era como se eu o conhecesse, mas não realmente o conhecesse. Os detalhes estavam lá, os momentos em que estávamos juntos estavam lá, mas não havia sentimentos.
Parecia que eu só tinha sido informada de que eu tinha um irmão e que ele era isso e aquilo, mas nunca cheguei a estar com ele.
Tentei lembrar dos meus pais e amigos e era a mesma coisa, nada pra sentir, uma lousa em branco de emoção.
"Pra onde estamos indo?" Perguntei ao meu acompanhante.
"Para algum lugar onde não tem fios." Ele respondeu.
Eu não entendia a conexão desses fios com a explicação do que realmente tava acontecendo e não perguntei mais nada sobre isso por enquanto. "O que aconteceu?" Aqui. Com todo mundo. Com o mundo.
"Sua pergunta é muito ampla, você quer dizer com você?"
Merda, esqueci dessa parte.
Os estalidos da neve sendo perturbada eram os únicos sons que eu ouvi por um tempo. Porque eu tava morrendo de vontade de saber, ao mesmo tempo, uma parte de mim tinha medo de ouvir a verdade de que tudo que eu sabia era mentira.
"Tem algo errado com os fluidos que eu te dei, ou fui eu? Eu entreguei errado?" Elliot suspirou. Percorremos uma boa distância, mas eu não sentia nenhum cansaço dos dois. "Deixa pra lá. Ok, vou começar pelo começo, de acordo com os dados que eu coletei e, claro, vou tentar te contar de forma concisa, mas detalhada."
Assenti atrás dele, mas respondi um "É", mais tarde.
"Sujeito Trinta e Cinco de Fusão BioGenética, número do código 9401902604, esse é seu nome completo. Você foi criada em um laboratório usando um óvulo e esperma combinados. Resumindo, você não tem pais e era uma cobaia de laboratório. Sessenta e dois anos atrás, eles te 'cultivaram' com sucesso no que parecia um bebê de um ano de idade. O principal objetivo do estudo era testar a teoria de que não precisa da introdução de um óvulo fertilizado em uma mulher para que ela cresça e se desenvolva – simples, inocente até – mas uma organização militar sentiu o cheiro de você e propôs – sob a mira de uma arma – incorporar algo que permitisse que você fosse a máquina de guerra do país e, então, criar muitos outros como você se isso desse certo."
"Então," Ele se virou e gesticulou pra mim enquanto andava pra trás. "Aqui está você, a conclusão desse teste, um sujeito quase indestrutível."
Elliot se virou.
Esperei por mais, mas ele permaneceu em silêncio.
"É só isso?" Perguntei.
Ouvir ele me contar informações sobre o meu verdadeiro eu era como experimentar déjà vu, minha mente subconsciente se lembrava disso, mas minha mente consciente só tinha fragmentos disso e precisava de um agente catalisador para lembrar completamente.
"Ah, não, não é só isso." Angústia era muito evidente na sua voz. "Você parecia uma criança nos seus primeiros anos quando eu te conheci, eu não tinha corpo ainda naquela época, só meros dados criptografados em uma máquina, mas ei, eu tava vivo e podia vagar pelo sistema a qualquer hora que eu quisesse," A tristeza nunca o deixou, mesmo de trás, eu podia sentir isso irradiando de Elliot.
"De qualquer forma, você era 'mais normal' naquela época e meio que uma criança, mas não demorou muito, eles te amarraram em uma mesa de metal e cortaram seu tronco. Eu nunca consegui esquecer seus gritos de dor enquanto eles cutucavam seus órgãos um por um, eu nunca consegui esquecer como você parecia toda vez que morria e depois ressuscitava apenas para morrer de novo." Eu não sabia se ele tava chorando, mas ele parecia.
O idiota empático da IA. Uma voz passageira na minha mente sussurrou.
Os pelos na parte de trás do meu pescoço se arrepiaram com as palavras que eu ouvi. Minhas emoções estavam uma bagunça no momento, que meu cérebro não sabia o que fazer me sentir, então eu fiquei com sentimentos vazios.
"Eles te prenderam em um tanque de vidro, te colocaram pra dormir e te mantiveram lá." Ele parou de andar e de falar completamente, ele apenas ficou lá e olhou para o céu cinzento acima de nós.
Esperei que ele se movesse e continuasse minha história que ele estava revelando.
O filha da puta teve que parar numa parte crucial.
Paramos a poucos metros do que costumava ser um shopping de um andar ou um supermercado, não consegui ver a placa, pois já estava coberta pela geada espessa.
"É errado pensar em assaltar aquele prédio ali?" Apontei pra estrutura que eu tava de olho há um tempo. "De repente, estou morrendo de fome." Esfreguei minha barriga, aliviando os roncos.
Elliot pareceu acordar do que quer que estivesse pensando e olhou pra mim. "Podemos fazer isso e então eu te conto o resto lá dentro." Ele se moveu em direção ao prédio.
"Espera. Não tem tipo, pessoas – habitantes – que provavelmente estão lá?" Minhas palavras o fizeram parar.
"Não, se realmente tiver, eles provavelmente estão morrendo ou mortos."
Olhei pra ele de forma engraçada, "Por que você acha isso, os humanos são mais durões do que você pensa."
"Certo, se eles conseguirem sobreviver a uma temperatura de menos vinte e oito graus Celsius, parabéns pra eles, cara." Apesar de sarcástico, a queda de temperatura me surpreendeu.
Como não éramos cubos de gelo humanos agora, quando eu só estava usando uma camiseta de manga comprida branca fina e uma calça combinando, e esse cara, um jeans preto, um jaleco de laboratório e uma camisa com buracos em forma de mãos? E ah, ele tava usando botas táticas e eu... não estava usando nada. Apenas andando descalça nesta pilha de neve a graus de morte Celsius.
Elliot deve ter visto meu espanto porque ele riu. "Não humano," Ele apontou pra si mesmo. "Não realmente humano," Ele apontou pra mim.
Certo, a verdade chocante de ele ser uma inteligência artificial escapou da minha mente.
"Como você tem um corpo? Onde estamos, aliás?"
"Você não acreditaria em mim se eu te dissesse que estamos em um lugar anteriormente conhecido como África." Ele começou a andar de novo. "E eu construí meu corpo, não sou incrível?"
África, então eu estava longe de casa.
Casa?
Eu só pude rir, eu não tinha casa nem pais. Eu era uma porra de um sintético feito pra matar pessoas.
"Até onde eu sei, a África é um país quente."
Depois de cavar um pé abaixo, Elliot abriu a porta de vidro coberta de gelo com um rangido e gesticulou pra eu entrar primeiro. "Como eu disse, o mundo congelou."
As luzes da loja estavam milagrosamente acesas, o piso de cerâmica tava seco e nenhum sinal de perturbação chamou minha atenção. "Tem eletricidade."
"Sim, tem." Ele respondeu de trás de mim. "Não é como se tivesse um apocalipse zumbi ou tufões e furacões pra danificar os cabos de energia."
Peguei um carrinho e caminhei pra a seção que dizia macarrão instantâneo. "Como isso aconteceu então?"
Ouvi Elliot pegando coisas no nosso caminho pra a seção mencionada e depois jogando no meu carrinho. "Uma queda repentina de temperatura em uma noite, um pouco de chuva, vento leve e então havia gelo nas estradas na manhã seguinte. Depois disso, a temperatura continuou a cair até que os aquecedores não conseguissem mais fornecer calor suficiente e as pessoas começaram a evacuar para países mais quentes."
O carrinho tava meio cheio nesse momento, estávamos apenas pegando coisas que queríamos comer e alguns suprimentos em caso de emergência. Espera, ele podia comer?
O lugar tava completamente silencioso e a voz de Elliot e as rodas do carrinho eram os únicos barulhos que enchiam a vasta área. "Houve canais de notícias atualizando as mudanças no clima até o quinto ano, mas pararam de repente no meio do sexto. Nenhum som foi ouvido de televisores ou rádios desde então. Ainda havia alguns nas redes sociais, mas também morreram alguns anos. A última coisa que ouvi foi o termo 'O mundo está hibernando', até agora não há notícias se ainda existem pessoas – seres vivos – que ainda estão vivos."
Então, havia a possibilidade de que fôssemos os únicos vivos vagando por este planeta, "E aqueles naquele laboratório, não eram humanos?"
"Você acha que eles têm uma panela elétrica para que possamos cozinhar refeições quentes?"
Dei de ombros.
"Aqueles lá não são humanos per se," Paramos na seção de suprimentos elétricos e pegamos algumas extensões de cabo e também colocamos no carrinho uma pequena panela elétrica no caminho.
"Ah! Vamos sentar em um daqueles sofás." Ele fez uma curva acentuada para a área de móveis. Eu não fazia ideia de que esse lugar era espaçoso. Talvez eles tenham um slogan na linha de 'Procurando? Nós temos!'
Então algo me ocorreu, "Você sabe quantos anos eu tenho?" Uma pergunta idiota, mas eu precisava saber.
"Hmm, você é alguns anos mais nova do que eu – provavelmente cinquenta e sete ou sessenta e um."
Ok, eu fiquei um pouco surpresa, mas nada superaria a notícia de 'o mundo congelou e possivelmente nenhum humano restou vivendo mais'.
"Nossa, eu sou velha."
Ele se jogou no sofá de couro em exposição por alguns segundos e depois se levantou e pegou as extensões com ele.
"Ei,"
Elliot fez um som na parte de trás da garganta.
"Sobre o que você estava me contando sobre eu ser mantida em um vidro," Eu queria saber, e o que quer que ele tenha me injetado pra desencadear minhas lembranças reais não estava funcionando.
"Você ainda não lembrou de nada?" Ele se jogou de volta. Ele vasculhou a coisa que tínhamos pegado no carrinho e tirou o pequeno saco de batata congelada, a faca, a panela de arroz e algumas garrafas de água... com conteúdo gelado.
Pegando uma batata, ele começou a descascá-la com a faca de frutas. "Você foi mantida em um tanque, tudo bem, e o objetivo daquelas pessoas loucas era te 'potencializar'. Para fazer isso, eles fizeram uma série de testes em você novamente, como testar a flexibilidade do seu DNA para se adaptar a introduções estrangeiras." Ele pegou outro e fez o mesmo.
Eu estava sentada em um sofá em frente a ele e ouvi cada palavra com a esperança de dar um pontapé inicial no meu cérebro e lembrar minhas memórias, para que eu não fosse mais uma porra de uma peça sem noção. A sede de lembrar de tudo o que esse cara estava me contando estava aumentando.
"Os meses passaram até que eles descobriram sua composição e vários bebês mortos depois, eles ainda estavam com problemas em como 'evoluir' você."
Bebês mortos? Ah, no que o mundo tinha se tornado? "Que porra, bebês?" Eu fiquei totalmente enojada com o que ouvi.
Elliot usou a faca para cortar as garrafas e jogou seu conteúdo na panela de arroz. Eu o observei se mover, ele não seria confundido com um robô pela maneira como ele se movia. "Sim, você me disse antes, você sempre sonhou com essa parte depois do seu condicionamento – no início dos testes."
A bebê de olhos cinzentos.
Era real..? Era eu?
Lá estava de novo, a confusão repentina de saber qual era a realidade e qual não era. Por um segundo, eu me perdi com as imagens torrenciais de bebês flutuando em tanques em meus pensamentos, que me esqueci momentaneamente onde eu estava.
"Por que os bebês estavam mortos?" Eu engasguei, não pude evitar. A pena por eles e o nojo por aqueles que fizeram isso eram uma bola na minha garganta que era tão difícil de engolir.
"Eles testaram neles porque a porcentagem de cada teste funcionando em você era muito baixa e as probabilidades de destruir seu corpo com a introdução eram maiores. Assim, a maneira mais segura – palavras deles, não minhas – era testar o DNA extraído de vários sujeitos naqueles pobres pequenos, para evitar danificá-la, mas infelizmente nenhum deles sobreviveu."
Foda-se. Peguei a coisa mais próxima que eu podia ver – o vaso sentado na mesa lateral ao meu lado – e vomitei. O pensamento daqueles pequenos seres humanos sendo cutucados e quem sabe o mais que foi feito com eles me fez vomitar com mais força.
Elliot ficou quieto enquanto meu engasgo preenchia o silêncio da seção de exibição de móveis.
Demorou um pouco até que minha garganta se acalmasse e quando eu pensei que tinha esvaziado meu estômago de sucos intestinais, eu tirei meu rosto do buraco do vaso e encarei a IA.
"T, você está verde."
Sem comentários, Sherlock. Eu podia sentir minha verdura e, por alguma razão, a tremedeira dos meus joelhos.
"Devo continuar?"
Eu respondi a ele com um aceno de cabeça porque minha garganta estava crua e doía até engolir.
Elliot abriu a tampa da panela de arroz para verificar suas batatas. "Eles finalmente desistiram quando o último lote dessas crianças não deixou nenhum sobrevivente e decidiram apenas transferir os testes para você." Ele colocou a tampa de volta e olhou para suas mãos.
Seu cabelo mais preto que preto desceu para emoldurar um lado de seu rosto. O homem tinha o cabelo em uma espécie de corte moicano, no qual as longas mechas de cabelo no topo desbotavam, tornando-se mais curtas à medida que desciam para a base da cabeça. Cílios tão pretos quanto seu cabelo escondiam seus olhos semelhantes a joias enquanto ele piscou momentaneamente.
"Primeiro teste e você morreu,"
O quê? Eu apertei o vaso com força.
"Não por muito tempo, porém, você felizmente foi revivida e não teve nenhuma reação violenta ao sujeito introduzido – bem, além de você morrer."
Eu não disse uma palavra e deixei ele continuar.
"Eles injetaram em você um gene mutante de um termófilo,"
"Geogemma barossii" Murmurei. "Assim como o do..." Eu não sabia como chamar, 'o outro mundo que eu acordei'? 'Minha realidade alternativa', 'a configuração virtual'?
Ele abriu a tampa novamente e espiou dentro da panela. "Sim," Elliot devolveu a tampa com uma carranca. Acho que as batatas ainda não estavam cozidas. "E esses foram fragmentos de memórias, Trinta e Cinco – de outras pessoas – eles apenas fizeram parecer que eram suas."
Eu queria chorar, porque suas palavras eram como um tapa da realidade. A realidade de eu estar sozinha sem memórias reais de uma família.
Mas toda a minha tristeza e autopiedade desapareceram após alguns segundos. Eu estava muito consciente e isso me surpreendeu. Em um momento eu estava pronta para soluçar, e então depois eu estava bem. Parecia que outra consciência em mim estava comendo minhas memórias daquele quarto branco.
"Era uma guerra sempre que eles introduziam coisas em você, porque você lutava e resistia a elas com tudo o que podia. Mas eles eram grandes e sua força não era suficiente para detê-los. Quero dizer, o que uma criança de dois anos pode fazer, certo?" Esse homem na minha frente, enxugou as lágrimas e direcionou seu olhar para a panela. "Eu só podia assistir pelas câmeras de vigilância ao redor dos quartos, mas eu não estava ciente de sentimentos ainda na época."
"Tubos e agulhas estariam em seu corpo após cada injeção de genes e você ficaria lá sem se mover por semanas. Você basicamente cresceu sem saber que estava sequer existindo, porque isso continuou por uma década!"
A angústia em seu tom fez minhas próprias lágrimas surgirem. Como uma máquina como ele podia sentir tanto, ou melhor, como ele podia sentir alguma coisa?
"A dor não te incomodava mais a ponto de você nem mesmo receber nenhum anestésico toda vez que passava por procedimentos cirúrgicos." Quando Elliot finalmente olhou pra mim, seus olhos estavam brilhando de dor. Eu olhei para sua beleza e tristeza. "Acelera seu cérebro pra lembrar, para que eu não precise mais te contar isso, porque é doloroso demais voltar a isso." Ele fungou e verificou suas batatas antes de tirá-las uma por uma com a mão.
"Robôs comem?" Eu estava triste e com raiva, mas surpreendentemente não tão triste e com raiva quanto ele. Eu tive que direcionar a conversa para outra coisa, porque ele claramente odiava relembrar isso, não importa o quanto eu quisesse saber tudo.
Seus olhos ametista encontraram os meus mais uma vez. "Este sim." Ele mordeu a batata cozida para enfatizar seu ponto.
"Você – sabe – faz cocô?" Fiquei mais curiosa. "Do que você é feito, de qualquer maneira?"
Ele estreitou os olhos pra mim, "Eu sei o que você está fazendo e é tão óbvio quanto aquele vômito no seu vaso."
Ah, ele notou. Levantei, andei para o outro lado da área e coloquei o vaso pútrido com meu vômito ao lado de sua parede.
"E não, eu não cago porque meu corpo – que é feito tanto de órgãos quanto de metais – utiliza os alimentos que eu ingiro em energia diretamente através de seu próprio átomo, então nenhum será excretado." Eu ainda ouvi a voz de Elliot – embora mais suave – do outro lado.
Eu estava quebrando meu cérebro por coisas para perguntar – porque havia tantas que meu cérebro estava em branco, mas então meus pensamentos voltaram para suas palavras no lugar subterrâneo, "Quem é Nathan?" Sentei no meu lugar anterior e olhei pra ele.
"Você tem certeza de que quer saber?" Havia indecisão em seu rosto.
"Por quê? E você também se recusou a me dizer na época." Por que se preocupar em mencionar o nome dele quando ele não ia me dizer quem ele era de qualquer maneira?
Elliot levantou as mãos como se estivesse se rendendo, "Ok, vamos colocar desta forma. Nathan era nosso amigo e então ele não era."
Hum-hum.
Eu estava prestes a retrucar que essa não era uma explicação válida quando senti uma sensação familiar na parte de trás da minha cabeça. Um 'Que porra?' Era as últimas palavras que saíram dos meus lábios enrijecidos antes que meu corpo caísse e entrasse em convulsão.
Eu estava ciente do que estava ao meu redor, era só que eu não conseguia controlar os movimentos erráticos do meu corpo, mas eu nunca ouvi Elliot se levantar de onde ele estava sentado. Nenhum barulho – nem mesmo uma respiração – veio dele.
Minha audição estava ficando abafada e minha visão estava uma merda, e isso era alucinante pra caramba.
"Graças a Deus." Foram as palavras do idiota enquanto meu corpo continuava em convulsão.