CAPÍTULO ONZE
Eu abro os olhos e me vejo no meu quarto. Sinto uma mão na minha; olho pro lado e vejo a Chloe do meu lado, com lágrimas nos olhos. A Chloe ainda tá aqui; eu queria acreditar que a última coisa que eu lembro foi só um pesadelo. Se ela tá aqui depois de eu abrir os olhos, quer dizer que não foi um sonho. Alguém realmente sequestrou a Mãe.
"Chloe, o que eu vou fazer?" eu pergunto, quase inaudível, com lágrimas nos olhos. Não leva nem um segundo pra eu começar a chorar.
"Vai ficar tudo bem; a gente vai achar ela," Ela diz, me abraçando.
Depois de chorar o que pareceu uma eternidade, eu saio do quarto pra achar o meu mate. Eu lembro de sentir o cheiro dele antes de apagar, então fico surpresa de não ter visto ele quando acordei. Fico meio magoada que ele não esperou pra me ver acordar ou nem veio depois. Bato na porta do quarto dele e espero ele me dizer pra entrar antes de ir. Senti o cheiro dele dentro do quarto, e consigo ouvir o coração dele lá dentro. Então eu sei, com certeza, que ele está no quarto dele. Depois de alguns segundos, ele me diz pra entrar. Eu abro a porta devagar e vejo o meu mate colocando a camisa. Antes da camisa cair no corpo dele, eu vejo um vislumbre lindo dos seus tanquinhos. Sinto minhas bochechas esquentando com a ideia das minhas mãos passando por eles.
"O que você quer?" Ele pergunta, com firmeza. Não acredito que essa é a primeira pergunta que ele me faz. Acabei de acordar depois de desmaiar, e ele nem consegue me perguntar como eu tô. Isso dói muito, vindo do meu mate.
"Tenho certeza que você ouviu que a minha mãe sumiu. Eu queria ir procurar por ela."
"Você não vai a lugar nenhum."
"Por quê?" Eu pergunto, confusa.
"Porque não é seguro pra você sair."
"Por que não é seguro pra eu sair?"
"Corre a notícia que eu achei a minha mate. Um monte de inimigos meus vão querer a sua vida."
"Eu sei disso, mas não é como se, se me pegassem, eles pudessem me usar pra te ameaçar ou qualquer coisa. Você não se importa comigo."
"Eu não preciso te mostrar que me importo com você. Você não vai sair."
Essa afirmação não faz sentido. Se você não mostra pra alguém que você se importa, como ela vai saber? Ele tá falando como se tivesse perdido a cabeça.
"Eu preciso ir. Não posso ficar aqui e não fazer nada enquanto a minha mãe tá sumida."
"O seu Alfa antigo tá procurando por ela."
"Mesmo assim, eu ainda preciso tentar procurar ela sozinha."
"Não, você não precisa."
"Sim, eu preciso."
"Ana," Ele diz, num tom de aviso. Essa é a primeira vez que ele fala o meu nome, e ele parece bravo ao dizer isso. Isso me deixa triste, que a primeira vez que o meu mate fala o meu nome é quando ele tá bravo comigo, mesmo ele não tendo o direito de estar. "Você não vai sair desse território, e pronto."
Eu tô quase protestando, mas sei que não vai adiantar nada. Saio rápido do quarto dele e vou pro meu. Quando chego no meu quarto, de repente me sinto esgotada de tudo. A minha mãe sumiu, o meu mate se recusando a me deixar ir procurar por ela, e o jeito que ele fala comigo, como se eu não fosse a mate dele, a igual dele. Eu não seguro as lágrimas e deixo elas caírem como sempre, e choro sobre a minha vida horrível desde o dia que eu conheci o meu mate.
Eu ouço a porta do meu quarto abrindo enquanto tô deitada na cama, e não preciso olhar pra saber quem é. Sinto o cheiro da Chloe, mas não é só o dela; eu sinto. Ela também cheira a Liam, e quando ela fica na minha frente, eu não consigo me controlar e choro mais, quando vejo a marca no pescoço dela. A Chloe só está aqui há algumas horas, e ela e o Liam já completaram o processo de acasalamento. Eu não quero ter ciúmes da minha melhor amiga, mas ainda dói. Eu tô aqui há mais tempo e conheci o meu mate primeiro, mas o meu mate é o motivo de eu estar chorando na minha cama. Por que me deram um mate tão cruel? Por quê? Eu pergunto, sem olhar pra ninguém.
"Ana, por que você tá chorando? Você se machucou em algum lugar, ou tá chorando por causa da sua mãe?" Chloe pergunta, preocupada.
"Os dois," eu digo, quase inaudível.
"Onde você se machucou? Precisa que eu chame o médico da alcateia?" Ela pergunta e procura no meu corpo por ferimentos, mas não acha nada, porque eu não tô ferida fisicamente.
"Chloe, dói aqui, dói o jeito que ele me trata, e eu não consigo fazer nada pra parar a dor," eu digo entre lágrimas, apontando pro meu coração. Eu sinto como se estivessem apertando o meu coração e tirando ele do meu corpo. Tudo o que ele fez comigo, ver a Chloe feliz com o Liam só depois de conhecer hoje, e com a mãe sumida, é demais pra mim agora.
A Chloe não diz nada, mas me abraça, mas isso só piora as coisas. Ela cheira a Liam, e por mais que eu queira dizer pra minha melhor amiga que eu não quero ela perto de mim agora, porque ela cheira ao mate dela, eu não consigo. Isso me faria parecer que eu não tô feliz por ela, que eu tô, mas também tenho ciúmes do que ela tem. Um bom mate enquanto eu tô presa com um horrível.
Depois que não tem mais lágrimas no meu corpo, eu paro de chorar. Agora, eu só tô olhando pro teto, imaginando os horrores que a minha mãe pode estar enfrentando onde quer que ela esteja.
"Você falou com o Rei Theodore sobre te ajudar a procurar a sua mãe?" Chloe pergunta, do meu lado na cama.
"Eu não pedi pra ele ajudar. Eu perguntei se podia sair, mas ele se recusou."
"Por quê?" Chloe pergunta, confusa
Eu conto pra ela sobre a nossa discussão hoje de manhã.
"Eu entendo por que ele quer que você fique, mas também entendo como é mais importante você tentar procurar por ela sozinha. Ele podia ter tentado te fazer entender melhor."
"Eu sei que a minha vida tá em perigo porque eu sou a mate dele, mas ele não entende como eu preciso fazer alguma coisa. Ficar aqui só imaginando se ela tá bem tá me matando."
"Eu sei, e não se preocupe. Eu vou falar com o Liam e ver se ele consegue convencer ele a te deixar procurar por ela. Ele pode deixar um dos seus guerreiros da alcateia te seguir de volta pra casa."
"Obrigada, e eu espero que ele ouça o Liam, porque se não, eu vou ter que ir sem a aprovação dele."
"Eu não acho que essa seja uma boa ideia. E se acontecer alguma coisa com você?"
"Eu não consigo pensar nisso agora, mas se até o fim de amanhã ele ainda não me deixar ir, eu vou ir de qualquer jeito."
"Hmm," Chloe diz, porque ela sabe que quando eu tomo uma decisão, não tem como mudar.
Na manhã seguinte, quando eu tô quase entrando na cozinha pra fazer o café da manhã, ouço Liam e Theo discutindo na sala de estar.
"Você tem que entender por que ela precisa ir. É a mãe dela que estamos falando," Liam diz.
A Chloe deve ter falado com ele ontem à noite antes de dormir.
"Eu não quero entender; eu só quero manter ela segura."
"Eu sei, mas ela precisa ajudar na busca pela mãe dela. Ficar aqui e não fazer nada tá deixando ela louca. Deixa ela ir, ou pelo menos manda ela com os seus melhores guerreiros pra proteger ela."
"Eu não vou deixar ela sair, e pronto," Ele diz, com firmeza.
"Se não se importar de eu perguntar, por quê?"
"Você não precisa saber por quê; tudo que você precisa saber é que a minha mate nunca vai sair daqui," Ele diz e sai da sala.
Eu não entendo por que o Theo continua me protegendo do mundo. Primeiro, ele não me deixa falar com a minha mãe ou com a Chloe. Agora ele não vai me deixar procurar por ela enquanto ela tá sumida. É como se eu fosse prisioneira dele aqui, e eu me pergunto por que ele continua me protegendo de qualquer coisa relacionada à minha alcateia antiga.
Mais tarde, à noite, eu me preparo pra ir; já que o meu mate não queria que eu fosse da maneira certa, eu vou escapar hoje à noite. Depois de me vestir toda de preto pra facilitar a mistura com a noite. Eu deixo um bilhete pra Chloe dizendo pra ela não se preocupar comigo e esperar o meu retorno seguro. Eu amarro a corda de roupa que eu fiz na minha janela pra descer rápido sem fazer barulho. Eu podia simplesmente pular do segundo andar, onde é o meu quarto, mas todo lobisomem por perto me ouviria quando eu tocasse no chão.
Eu solto um suspiro de alívio quando toco no chão sem fazer barulho. Eu saio devagar da casa do meu mate, rezando muito pra não ser pega. Quando chego perto da fronteira, me escondo atrás de uma árvore não muito longe e verifico quantos guardas estão guardando. Parece que são muitos, mas eu tenho um plano. Eu tiro minhas roupas rapidamente e me transformo na minha loba. Eu subo na árvore e rosno bem alto na direção oposta que eles estão. Eles ouvem isso e não perdem tempo checando o que está acontecendo. Eu uso essa oportunidade e corro pela fronteira, garantindo mascarar o meu cheiro para que eles não possam me seguir quando descobrirem que eu sumi.
Ser capaz de mascarar o seu cheiro é algo que só eu posso fazer, e eu não sei por quê. Quando eu era mais nova, eu usava isso sempre que meus amigos e eu jogávamos esconde-esconde, mas parei quando descobri que eu era a única que conseguia. A Mãe me fez prometer nunca contar pra ninguém sobre isso. Com a mãe na minha mente, eu aumento a minha velocidade, e corro pra estrada principal pra encontrar uma carona de volta pra minha alcateia antiga. Eu espero não me arrepender de sair dessa maneira.