CAPÍTULO QUINZE
Scarlett tá no escritório dela, cuidando de uns paranauês da alcateia dela, quando a beta dela entra tipo um furacão.
"Por que você entrou no meu escritório assim?" Scarlett pergunta, encarando James, o Beta da alcateia dela.
"Me perdoe, Alfa, mas temos um problema."
"Qual é?"
"A A Rainha tá na nossa fronteira."
"Quem?" Scarlett fala, levantando da cadeira de repente e quase derrubando ela. "A Rainha?" Scarlett pergunta, com os olhos arregalados. Ela não queria acreditar nas palavras da beta dela, mas ela não ia errar. Ela sabe como a A Rainha é, porque ela foi no aniversário do Rei.
"Sim, a A Rainha. A gente devia avisar o Rei que ela tá aqui, já que não fomos avisados que ela ia vir? Acho que ela veio sem avisar ele. Ele pode estar preocupado e procurando por ela", James diz.
"Não", Scarlett retruca rápido. Ela tinha um feeling de que, se a A Rainha tava ali, ela não queria que o Rei soubesse.
"O que a gente faz então?"
"Me leva até ela primeiro."
"Por aqui, Alfa", James diz, saindo do escritório da Scarlett com ela atrás dele.
A Scarlett não conseguiu acreditar no que viu no minuto em que botou os olhos na A Rainha. Ela sentiu um arrepio por dentro quando chamou ela de A Rainha, ela podia ser a parceira do Alfa Rei, mas Scarlett sabia que ele nunca ia aceitá-la. Era só uma questão de tempo antes dela ser descartada como a última, e ela finalmente ia poder ocupar o lugar dela do lado dele.
"Parece que você se perdeu no caminho errado, minha rainha", Scarlett fala com um sorriso de canto. Ela sabia muito bem que Ana não tinha errado em vir pra lá, mas ela sentiu vontade de ofendê-la um pouquinho.
"Eu tô no lugar certo, Scarlett, e você vai fazer a sua rainha ficar aqui o dia todo?" Ana provoca de volta.
A Ana sabia que ela odiava ela por ser a parceira do Rei. Ela também sabia que o fato dela se chamar A Rainha fazia a Scarlett querer arrancar a cabeça dela pra ela ter o título pra ela. Que pena que ela não pode fazer isso, porque no minuto em que a Scarlett fizer isso, o título A Rainha nunca ia ser dela.
"É Alfa Scarlett, não só Scarlett."
"Não, não é, porque, como você disse, eu sou a sua A Rainha", Ana fala com um sorriso de canto, porque ela sabe que ganhou.
Ana
Já faz uns dias desde que a Scarlett me deixou ficar. Eu sei muito bem que ela não vai avisar o Rei que eu tô aqui. Ela me odeia e quer se livrar de mim, então qual jeito melhor do que me ajudar? Ela também garantiu que o Guerreiro que eu falei que eu sou a parceira do Rei nunca falasse sobre isso. A gente não quer que espalhem que eu tô aqui, pra ele não vir me arrastar de volta pro território dele.
Eu garanti que ia ligar pra Chloe pra avisar que eu tô segura, mas não falei pra ela onde eu tô. Eu tenho falado com ela e com a Charlotte. Eu sei que é arriscado, mas não queria que ela e a Charlotte se preocupassem muito comigo. Enquanto eu tava rolando a mídia social no meu celular, uma batida na minha porta é ouvida. Eu falo pra pessoa entrar, e a Scarlett entra.
"Olá."
"Como você tá hoje? Espero que esteja gostando de ficar aqui?" Ela pergunta, mas eu sei muito bem que ela não se importa.
"Eu tô bem, obrigada por perguntar, e eu tô gostando muito de ficar aqui", eu falo, o que é verdade, porque a Scarlett pode me odiar, mas ela sabe como receber um convidado.
"Que bom saber, mas não se acostuma muito."
"Não vou, e tem alguma coisa que você precisa de mim?" Eu pergunto, me perguntando por que ela tá aqui.
"Não, mas eu tô aqui pra te dar uma boa notícia."
"Boa notícia?" Eu pergunto, chocada de ouvir ela falar isso.
"Sim, boa notícia, o Alfa Rei pediu pra toda alcateia procurar pela sua mãe perto das terras deles, e a gente tem…"
"O que você acabou de dizer?" Eu corto ela. Eu não consigo acreditar nas palavras que acabei de ouvir da boca dela.
"Eu falei que o Alfa Rei pediu pra toda alcateia procurar pela sua mãe perto das terras deles e…"
"Eu ouvi isso, mas você tem certeza?" Eu corto ela de novo.
"Eu tenho certeza sobre o quê?" Ela pergunta, parecendo irritada. Ela deve estar irritada de eu ficar cortando ela o tempo todo.
"Você tem certeza sobre as palavras que você tá dizendo?"
"Que tipo de pergunta é essa?"
"Eu tô perguntando se você tem certeza de que o Alfa Rei pediu pra você procurar pela minha mãe?"
"Sim, eu tenho certeza, e eu posso continuar o que eu tava falando?"
"Eu tô surpresa que ele fez isso, e sim, você pode continuar" Eu não consigo acreditar que o Theo fez isso por mim. O tempo todo, eu tava brava com ele por não me deixar ir procurar por ela quando ele já tinha feito toda alcateia procurar por ela. Por que ele não me contou que ele fez isso? Talvez eu não tivesse fugido duas vezes.
"Eu também tô surpresa, porque eu não sei o que ele vê em você pra ter toda alcateia procurando pela sua mãe, mas deixa pra lá. Como eu tava dizendo, uns dos meus rastreadores dizem que um humano viu ela numa cidade não muito longe daqui."
"Sério, eles acharam ela?" Eu pergunto, esperançosa que sim.
"Eles não viram ela pessoalmente, mas o humano diz que viu ela perto da cidade."
"Ainda é uma boa notícia, eu gostaria de ir pra essa cidade o mais rápido possível."
"Eu vou ter um carro e dinheiro pronto pra você em uma hora."
"Uau, eu vejo que você não vê a hora de eu ir embora, mas de qualquer jeito, obrigada. Eu vou estar pronta em uma hora" Eu sei que ela não gostou que eu ficasse aqui, mas eu não achei que ela queria me tirar da frente dela tão rápido.
"Eu gosto como a gente se entende bem, eu te vejo em uma hora", Ela diz com um sorriso falso e sai do quarto.
Eu não tenho muita coisa mesmo. As roupas que eu tenho foram dadas pra mim pela Scarlett, e não são muitas. Assim que eu termino de fazer as malas. Eu saio da casa da alcateia pra encontrar a Scarlett.
"Esse é o nome da cidade, e assim que você chegar lá, vai pra esse endereço. Os rastreadores tão ficando lá, e eles vão te ajudar a se instalar." Scarlett diz, mandando todas as informações pro meu celular. Ela também transfere dinheiro suficiente pra eu ter até chegar lá e me entrega as chaves do carro.
"Obrigada", eu falo, indo pro porta-malas do carro pra colocar minha mala.
"De nada, e espero não te ver de novo."
"Eu também", eu falo, fechando o porta-malas e indo pro lado do motorista pra entrar.
Eu dirijo por uma hora antes de finalmente chegar na cabana. A cabana é um pouco longe da cidade. Demorei 40 minutos da terra da Scarlett pra chegar na cidade. Eu tô imaginando que é porque a cabana é perto da floresta. Com a ajuda do Google Maps, eu encontrei a cidade com facilidade e o lugar onde os rastreadores tão ficando. Eu saio do carro depois de estacionar ele direito.
"Bom dia, Luna", Uma voz fala atrás de mim, o que faz eu bater a cabeça no porta-malas. "Desculpa, Luna, eu não queria te assustar", Ele fala, correndo pra me ajudar.
"Tudo bem, oi", eu falo, esfregando minha cabeça e dou pra ele um sorriso amigável. Pra ele me chamar de Luna, deve significar que ele sabe que eu sou a parceira do Rei. Eu tô imaginando que quando ele pediu pra toda alcateia procurar pela minha mãe, eles devem ter sabido que é a mãe da parceira dele que ele tá procurando.
"Eu sou Lucas, eu sou um dos rastreadores", Ele fala e se oferece pra carregar minha mala pra mim.
"Obrigada", eu falo, dando a mala pra ele. "Meu nome é Ana, mas você pode me chamar de Ana."
"Luna Ana", Ele fala e começa a andar em direção à casa.
"Só Ana, sem Luna", eu falo pra ele, entrando na casa.
O lugar é bonito, tem um interior de cabana moderna.
"Me desculpa, mas eu não posso fazer isso", Ele fala, subindo as escadas.
"Por quê?"
"Você é a parceira do Alfa Rei, certo?"
"Sim, eu sou."
"Então você deve entender por que eu não posso te chamar pelo seu primeiro nome e isso", Ele fala, parando na última porta do lado direito.
"Sim, eu entendo" Eu não sei por que eu ainda me importo e tento fazer as pessoas me chamarem pelo meu primeiro nome até agora. Eu não sou mais a mesma Ana antes do meu 18º aniversário.
De agora em diante na minha vida, eu sempre vou ser conhecida como a parceira do Rei e Luna do reino dos lobisomens. Essa é uma grande responsabilidade, e eu não sei se eu quero ou não. E pra completar, o meu parceiro não gosta de mim, e ele também não vai me rejeitar. Eu tô começando a me perguntar se fazer 18 anos foi o marco pra uma vida horrível pra mim.
Já faz uma semana desde que eu cheguei na cidade onde um humano disse que viu a mãe e até agora nada. Eu perguntei pra toda alma viva na cidade e procurei em toda a floresta e nada. A cada dia que passa, eu rezo pra ela estar bem, e quando eu encontrar ela, não seja tarde demais.
Nós estamos jantando depois de procurar por ela o dia todo. O Lucas não é o único rastreador ajudando. Eu tô ficando na cabana com outros dois. Os nomes deles são Noah e Oliver. Os dois são mais velhos que o Lucas e eu. Eles também são parceiros. O Lucas é dois anos mais velho que eu, mas ele ainda não encontrou a parceira dele. O Noah e o Oliver são cinco anos mais velhos que eu.
"Por que a gente nunca procurou aqui antes?" Eu pergunto, apontando pra uma área da cidade no mapa no meu celular. Tem uma parte da cidade que a gente nunca entrou, e eu me pergunto por quê.
"Não é seguro", Noah fala,
"O que faz ser inseguro?"
"Vampiros são conhecidos por morar lá", Oliver fala
"Ah", eu falo, entendendo por que a gente nunca procurou lá antes.
"Aquele foi realmente o lugar que o humano disse que viu a sua mãe entrando", Lucas fala, e eu sinto o sangue deixar o meu corpo.
"O quê?" Eu não consigo acreditar que eles viram a mãe entrando no território dos vampiros. Minha experiência com um vampiro é o suficiente pra me dizer que entrar no território deles é como entrar na sua morte.
"É, mas a gente acha que ele viu errado, porque não tem como a sua mãe entrar no território dos vampiros."
"Sim, você tá certo. Ela nunca entraria no território dos vampiros." Eu falo, e eu espero que eu esteja certa
Depois do jantar, eu não consigo parar de pensar no que o Lucas falou. Eu tenho pensado em se o humano tava certo, e a mãe tá no território dos vampiros. É possível que os sequestradores dela viram o humano e pediram pra mãe entrar sozinha sem eles segurando ela.
Eu queria que tivesse um jeito de eu entrar e checar. Eu acho que eu poderia mascarar o meu cheiro, e daquele jeito, os vampiros não vão sentir o cheiro de lobisomem em mim e vão achar que eu sou humana. Eu sei que eles tem humanos lá dentro, porque eu vejo eles entrando todo dia. Eu também posso botar maquiagem e me fazer parecer pálida e quase morta, tipo um visual de vampiro. Eu vou na cidade amanhã e comprar um pouco de maquiagem. Eu espero não me arrepender do meu plano e me matar ao invés de encontrar a mãe.