CAPÍTULO DEZASSETE
Já faz uns minutinhos que o Theo foi tomar banho. Tô aqui na sala, esperando ele sair. Tava pensando em tomar banho depois dele, mas não tenho nenhuma roupa. O Theo fez a gente vazar da cabana sem me dar chance de arrumar minhas coisas.
Vou pro quarto pra ver se ele já saiu. Ele tá lá no banho faz um tempão. Entro no quarto e ainda ouço o chuveiro ligado. Ele demora no banho, certeza. Ia sair do quarto, mas ouço o barulho do chuveiro parando. Deve ter terminado. Me viro pra esperar ele sair pra eu poder ir.
Ele abre a porta e sai só com a toalha na cintura. Tô começando a achar que devia ter saído do quarto assim que ele terminou e não ficar esperando.
Nunca vi ninguém mais gato na minha vida que o Theo. A parte de cima do corpo dele ainda tá meio molhada do banho, e tá deixando o abdômen dele mais atraente do que o normal. Mordo os lábios pra parar de imaginar as coisas que tão vindo na minha cabeça, imaginando a sensação do corpo dele nos meus dedos.
"Consigo sentir sua excitação. Para de me encarar", o Theo diz, e me faz parar de fazer filhos com ele na minha cabeça. Minhas bochechas ficam vermelhas na hora que percebo que fui pega.
"Desculpa, é a ligação de companheiros que me atrai pra você", falo, mas é mentira, porque, mesmo que a ligação de companheiros me atraia pra ele, eu fiz filhos na minha cabeça com ele, sozinha.
"Eu sei. Pode colocar isso depois que você tomar banho", ele diz, me entregando uma camisa da mala dele. O serviço de quarto subiu as malas dele depois que a gente se instalou.
"Obrigada, e você tem alguma coisa pra eu usar embaixo?"
"Embaixo?" Ele pergunta confuso.
"Sim, não posso usar só uma camisa. Minhas..." Pauso porque essa pode ser a situação mais constrangedora com o Theo.
"Ah, pode escolher na mala o que você quiser. São todas novas", ele fala, voltando pro banheiro com um par de roupas nas mãos.
To tão feliz que não precisei explicar que precisava de alguma coisa pra cobrir a bunda, caso a camisa subisse enquanto eu durmo. Isso ia ser muito constrangedor.
Escolho a melhor cueca que encontro na coleção de cuecas dele. Entro no banheiro pra tomar banho depois que ele sair.
Demoro no banho. Limpei minha maquiagem no carro com os lenços umedecidos que o Theo comprou pra mim no caminho. Não preciso perder muito tempo no meu rosto. O Theo me perguntou porque eu tava parecendo uma morta. Menti, tava só testando uma maquiagem nova.
Depois de terminar de lavar meu corpo todo, saio do banheiro vestida com a camisa do Theo, que cheira a céu, porque tem o cheiro dele. E a cueca dele, que conseguiu cobrir minha bunda, mas tá quase caindo. Saio e vejo o Theo arrumando a cama. Fico chocada que ele tá arrumando a cama pra mim, ou pelo menos achei. Ele tira a camisa e deita na cama.
"Se você vai dormir na cama, onde eu durmo?"
"Na cama."
"Mas você que tá dormindo na cama."
"Sim, tô."
"A gente não pode dormir junto. Você concordou que a gente não ia acasalar."
"Só porque eu tô dormindo na cama não significa que eu vou acasalar com você, Ana."
"Então dorme no sofá."
"Não posso."
"Não pode ou não quer?" Não acredito que eu e meu companheiro estamos brigando por quem dorme na cama agora.
"Não posso, e não tenho tempo pra discutir com você a noite toda. Deita e dorme", ele manda.
Penso em dormir no sofá, mas não quero que meu pescoço doa amanhã de manhã. Com cuidado, entro na cama. Pego todos os travesseiros que ele jogou fora da cama e faço uma barreira entre a gente.
"Ana, isso é ridículo. Já falei que não vou acasalar com você."
"Eu sei, mas isso vai me dar paz de espírito."
"Que seja", ele diz, desligando o abajur da mesa de cabeceira.
"Boa noite", falo depois que me ajeito debaixo das cobertas. Ainda bem que o cobertor é grande o suficiente pra gente usar sem precisar ficar perto do outro. Ele não responde, e não me surpreende.
Na manhã seguinte, acordei sentindo calor. Também ouço alguma coisa batendo no meu ouvido. Fico me perguntando por que. Abro os olhos, mas ainda tá escuro. Estranho, mesmo com as luzes apagadas, ainda deveria conseguir ver. Tento virar pro outro lado, e é aí que percebo que tô presa. Alguma coisa tá me impedindo de me mexer na posição que eu tô. Tento com um pouco mais de força, e é aí que percebo que não é alguma coisa, e sim alguém. O Theo aperta os braços em volta de mim, me puxando mais perto dele. Não consigo ver com os olhos abertos, então nem entendo o quão perto ele quer que eu esteja, mas espera. O Theo tá com os braços em volta de mim, por quê, e quando eu cheguei do lado dele na cama? Nem sei de que lado eu tô.
Tento sair dos braços dele sem acordá-lo, mas paro assim que ouço o coração dele batendo no meu ouvido. É incrível. É só um batimento normal, mas com cada batida, eu ouço. Sinto meu corpo todo se acalmando. Isso não é estranho? Também explica o barulho que me acordou.
Consigo me mexer um pouco na força dele e me dar um pouco de espaço. Consigo ver, mas ainda tô perto dele. Olho pro rosto dele e vejo como os cílios dele espelham o rosto dele enquanto ele dorme. Vejo a boca dele murmurando alguma coisa, mas não consigo ouvir o que ele fala, mesmo com as minhas habilidades de lobisomem.
Inconscientemente uso minhas mãos pra acariciar o rosto dele, e acho que acabei de cometer meu primeiro erro do dia. Os olhos do Theo se abrem na hora que ele sente minha mão, e antes que eu possa registrar o que tá acontecendo. Me vejo no chão, do outro lado do quarto. Sim, você leu direito, o Theo me jogou pro outro lado do quarto.
"Theo", falo, chocada que ele me jogou pro outro lado do quarto porque eu tava tocando no rosto dele. Ele não fala nada e entra no banheiro. Não acredito que ele me empurrou pra longe dele desse jeito. Ele que tava me segurando perto dele. O Theo se comporta de um jeito estranho às vezes.
Nos arrumamos e continuamos nossa viagem de volta pro território do Theo. Tô um pouco animada pra ver a Chloe e a Charlotte. Tava com saudade delas. Enquanto estamos indo pra casa, pergunto pro Theo uma coisa que tá me incomodando desde que eu vi ele ontem.
"Theo, posso te perguntar uma coisa?"
"O que você quer perguntar?"
"Como você sempre me encontra?"
"Parece que você esqueceu quem eu sou."
"Não, não esqueci, não consigo esquecer quem você é."
"Se você lembrasse quem eu sou, você também lembraria que uma única palavra minha pode fazer todo o clã de lobisomens te procurar."
"Ah", não acredito que a Scarlett me entregou pro Theo. Eu realmente achava que ela era a única que nunca ia contar pro Theo onde eu tava.
"O que você tá pensando tá errado."
"Você consegue ler meus pensamentos?" Pergunto, surpresa, me perguntando se ele consegue.
"Não consigo, mas sei que você acha que a Scarlett me contou onde te encontrar. Ela não contou, foi o beta dela."
"Ah", isso significa que dá pra confiar na Scarlett quando o assunto é fugir do Theo. Vou ter isso em mente.
\Depois da nossa conversa, continuamos a viagem de volta em silêncio. Descanso meus olhos um pouco. Tomara que, na próxima vez que eu abrir, a gente já esteja em casa.
Abro meus olhos e me vejo no meu quarto. Saio da cama e vou pro banheiro pra me arrumar. Já deve ser hora do jantar. Tenho certeza que o Theo deve ter me carregado pro meu quarto quando chegamos. Tô até surpresa que ele não me acordou.
Depois que termino de me arrumar, desço pra procurar alguma coisa pra comer. Entro na cozinha e vejo o Theo. Ele tá cozinhando, nunca soube que ele cozinhava.
"Senta", ele diz de costas pra mim. Deve ter sentido meu cheiro entrando. Me sento em um dos bancos da cozinha.
"Come", ele diz, colocando um prato de comida na minha frente. Sei que ele quer que eu coma, mas será que ele podia falar comigo com mais emoção nas palavras dele?
"Obrigada", falo, pegando o garfo que ele colocou do lado da comida. A comida é macarrão com frango. Enrolo o garfo no espaguete e provo. Ele me observa enquanto eu provo a comida, e fico surpresa que ele quer saber se eu gostei ou não.
"Tá incrível", falo, e realmente tá. Ele sabe cozinhar, e me pergunto onde ele aprendeu. Me surpreende que o Rei Alpha saiba cozinhar. Você esperaria que pessoas como ele tivessem gente fazendo cada coisa pra ele. "Onde você aprendeu a cozinhar?"
"Come sua comida e não fala." Vejo que ele não quer conversar comigo e só quer ficar me olhando enquanto eu como. Não entendo porque ele tá me observando comer, não tô com medo, mas também não é normal.
Depois que termino de comer, espero que ele saia, mas ele não sai. Ele me segue pra sala. Será que ele tá me seguindo pra ter certeza que eu não vou fugir? Já falei pra ele que não vou fugir, então ele não precisa ficar de olho em mim. Tô quase falando pra ele que não precisa, quando ele fala.
"Amanhã é lua cheia. Já preparei tudo. A única coisa que você precisa fazer é estar no quarto comigo. Se meu lobo sentir você perto, ele vai estar mais calmo, e as chances dele matar alguém vão ser menores."
"Tudo bem."
"Bom, e certifique-se de dormir cedo. Vamos ficar acordados a noite toda."
"Ok, eu vou."