CAPÍTULO QUARENTA E SETE
Mãe volta num piscar de olhos com um monte de coisas do hospital. Eu pego tudo dela rapidinho e começo a trabalhar pra salvar a vida do Mason. Mãe me ajuda a colocar as luvas. Eu pego um pedaço ENORME de algodão e mergulho em água oxigenada. Uso pra limpar os machucados dele. Em todo lugar que eu toco na pele dele com o algodão, ele se contorce de dor. Ele tá cheio de cortes no peito. Fico pensando quem fez isso com ele. Não sei quantas vezes eu murmurei 'desculpa' pra ele, mas quando eu termino, tô falando isso como uma reza.
Usei as bandagens que a Mãe comprou e cobri os machucados dele. Ele ia precisar de pontos, mas eu não sou Doutora, então não posso costurar os machucados dele. Não sei fazer, e não conseguiria mesmo se me dissessem como. Ia parecer que eu tava machucando ele mais do que ajudando, passando uma agulha na pele dele. Bandagens é o que vamos usar pra estancar o sangramento dele por enquanto.
Depois que termino com a parte de cima do corpo dele, tiro a calça pra ver se ele tem alguma lesão. Parece que o joelho dele saiu do lugar. Fecho os olhos e coloco de volta no lugar. Começo a achar que escolher ser repórter foi a pior escolha de carreira pra mim. Limpo alguns machucados nas pernas e no rosto dele. Depois que acabo de cuidar dos machucados dele, levo ele pro quarto de hóspedes com a ajuda da Mãe. Ainda bem que o quarto de hóspedes é embaixo. Os machucados do Mason iam abrir se tivéssemos que levar ele pra cima.
Abro os olhos e viro na cadeira que tô dormindo quando escuto o Mason tentando dizer alguma coisa. Corro rapidinho pra perto dele pra ver se ele precisa de alguma coisa. Ele pegou febre durante a noite, então tive que ficar perto dele pra garantir que a temperatura do corpo dele baixasse. Devo ter dormido na cadeira.
"Como você tá se sentindo?" pergunto, colocando a mão na testa dele pra checar a temperatura do corpo dele. A febre dele baixou um pouco.
"Melhor," ele diz, com a voz rouca. "Por favor, me ajuda a sentar."
"Claro," digo, envolvendo minhas mãos em volta do tronco dele pra poder levantar a parte de cima do corpo dele.
"Obrigado," ele diz quando termino de ajustar os travesseiros atrás das costas dele.
"O que aconteceu com você? O que você tá fazendo aqui? Como você chegou aqui? Como você sabia que era aqui que ficava a minha alcateia antiga?" Joguei todas as perguntas que eu queria fazer pra ele no momento em que o encontrei na floresta.
"Vou tentar responder todas as suas perguntas, mas primeiro, posso tomar um copo d'água?"
"Claro, vou pegar um pra você na cozinha. Me dá um minuto," digo, indo em direção à porta.
"Obrigado," ele diz antes que eu saia.
Busco rapidinho um copo d'água na cozinha e volto pro quarto dele pra dar pra ele.
"Aqui está," digo, entregando o copo d'água pra ele.
"Obrigado," ele diz quando termina de beber a água. "O que aconteceu comigo foi que eu fui punido por ajudar você a resgatar sua Mãe. Fui trancado e só consegui escapar ontem à noite. O que eu tô fazendo aqui é porque esse é o último lugar que o Rei Vampiro procuraria por mim. Cheguei aqui dirigindo; roubei um carro de um humano. O Rei Vampiro mencionou que você mora aqui uma vez quando eu tava perto dele."
"Sinto muito que isso aconteceu com você por minha causa. Tenho certeza que você queria nunca ter me conhecido."
"Não é sua culpa; eu sabia das consequências de ajudar você a resgatar sua Mãe. Você não precisa se sentir mal por isso."
"Eu ainda sinto muito."
"Tá tudo bem."
"Obrigado por não me odiar, e você precisa de alguma coisa? Tá com fome?"
"Tô bem; você fez um trabalho excelente com meus machucados. Obrigado."
"Não precisa agradecer. É o mínimo que posso fazer por te colocar nessa situação."
"De qualquer forma, obrigado, e tem uma coisa importante que eu preciso te contar."
"Tô ouvindo."
"Fui visitar minha filha alguns dias atrás. A bruxa que tá me ajudando a manter ela segura me contou uma coisa importante sobre ela e acho que você vai querer saber o que ela disse."
"O que a bruxa disse?"
"Ela me disse que minha filha nunca pode ser marcada."
"Por quê?" pergunto, confusa
"Porque ela é híbrida."
"Não entendo."
"A bruxa disse que se um vampiro ou lobisomem marcar um híbrido, aquele vampiro ou lobisomem vai morrer."
"Não acredito em você."
"Sinto muito, Ana, mas é a verdade. Se o Theo te marcar, ele vai morrer."
"Não, você não pode estar falando a verdade. Eu não acredito em você," digo, enquanto as lágrimas começam a se formar nos meus olhos, pois o significado das palavras dele me afoga.
Eu nunca posso ficar com o Theo. Nunca podemos completar o processo de acasalamento, mesmo que ele quebre a maldição dele. Eu ainda serei uma vampira, e assim que ele me marcar, ele vai morrer. Não consigo acreditar que, por ser parte vampira, isso vai fazer o amor da minha vida morrer. Não quero acreditar nisso.
"Sinto muito, de novo," Mason diz, com simpatia escrita em todo o rosto dele.
Lágrimas descem pelo meu rosto quando percebo que nunca posso ficar com aquele que foi destinado a mim por causa do que eu sou. Corro rapidamente para fora do quarto de hóspedes e subo as escadas para o meu quarto. Assim que entro, ouço a Mãe entrar. Ela deve ter me ouvido chorando. Ela me pergunta o que está acontecendo. Eu conto para ela o que o Mason me disse. Assim como eu, ela deseja que o que Mason me disse fosse uma mentira, mas ambas sabemos que a possibilidade de ser verdade é maior. Nem sei o que vou fazer. Estava planejando sacrificar minha vida pelo reino lobisomem, mas isso é diferente. Mesmo que eu sobrevivesse a isso, ainda não posso ficar com o Theo. Por quê? Por quê? Eu fui amaldiçoada por ser híbrida? Agora, eu queria nunca ter nascido híbrida.