CAPÍTULO CINQUENTA E SEIS
“Obrigada,” eu falo, sorrindo. Estou quase perguntando uma coisa pro Theo quando meu estômago fala antes de mim.
“Parece que alguém tá com fome,” o Theo fala, sorrindo. Minha barriga soltou um ronco alto. “Deixa eu pedir pra alguém te trazer algo pra comer.
“Obrigada.”
“Tem alguma coisa em especial que você quer?”
“Não, qualquer coisa tá bom pra mim.”
“Beleza.”
A mente do Theo linka com alguém pra pegar comida pra mim. Ouço passos se aproximando da porta assim que ele termina. Foi rápido; me pergunto o que trouxeram pra mim. A porta se abre de repente e me assusta um pouco na cama. Olho pra porta pra ver quem entrou assim. Um sorriso aparece no meu rosto assim que a vejo.
“Chloe,” eu falo, com lágrimas nos olhos. Parece uma eternidade desde a última vez que vi minha melhor amiga. Minha vida virou outra coisa desde o dia em que conheci o Theo.
“Que bom que você tá viva,” a Chloe fala, me abraçando. Tenho certeza que o Theo deve ter pedido pro Liam trazer comida pra mim. Me pergunto por que ele pediu pro Liam em vez do Dan. Estou quase pedindo pra Charlotte aparecer quando ela entra correndo no quarto.
“Charlotte,” eu falo, com os olhos grudados na barriga dela.
“Ana, senti tanto a sua falta. Por favor, não me assuste assim de novo,” a Charlotte fala, com lágrimas nos olhos. Ela se aproxima e me puxa pra um abraço depois que a Chloe tira os braços de mim.
“Prometo que não,” eu falo, abraçando ela de volta. “Posso?” eu pergunto, apontando pra barriga dela assim que saímos do abraço. Quero sentir o bebê dela pela barriga.
“Claro,” Ela fala, se aproximando pra que eu possa tocar na barriga dela. A barriga dela é tão pequena que você quase não percebe.
“Obrigada,” eu falo, colocando a mão na barriga dela pra tentar ouvir o coração do bebê. Não acredito que a Charlotte tá grávida. Isso me faz pensar quanto tempo eu fiquei fora. “Incrível,” eu falo, ouvindo o coração firme da criança dentro do útero da Charlotte. “De quanto tempo você está?”
“Dois meses,” a Charlotte fala, sorrindo, esfregando a barriga.
“Que bom pra você e pro Dan,” eu falo, sorrindo.
“Obrigada, Ana, e que bom que você acordou,” o Dan fala enquanto anda pra perto e fica do lado da Charlotte.
“Eu também.”
Passo um tempo com todo mundo, pondo o papo em dia sobre o que tá rolando na vida deles. A Charlotte e o Dan estão grávidos do primeiro bebê deles. A Chloe e o Liam vão pegar a terra onde eu e o Theo nos conhecemos e fazer um bando próprio. Vou sentir falta de ver a Chloe todos os dias agora que eu e o Theo nos mudamos pro palácio.
“Obrigada,” eu falo pro Theo quando ele coloca a comida que ele pediu pra trazer na minha frente. Tive que esperar todo mundo ir embora antes de comer. “O Doutor disse que podia comer isso, certo?” eu pergunto pro Theo enquanto seguro meu hambúrguer perto da minha boca.
“Sim, você não é humana, então o que você come não vai afetar sua recuperação.”
“Que bom,” eu falo e dou uma mordida enorme na minha comida.
Assim que termino de comer, limpo as mãos e relaxo meu corpo de volta na cama. Ainda tô um pouco fraca.
“Theo, preciso te contar uma coisa,” eu falo, esticando a mão pra ele chegar mais perto.
“O que, meu mate,” o Theo fala, pegando minhas mãos nas dele enquanto se aproxima de mim na cama.
“Antes de apagar da última vez, não consegui explicar tudo. A questão é que eu sou….” Tô um pouco nervosa de contar pro Theo que eu sou híbrida. E se ele me deixar depois que descobrir? Mal sobrevivi ao que a Ava fez comigo. Não posso perder meu mate, mas devo a ele uma explicação pelas minhas ações. Respiro fundo e me preparo pra continuar falando.
“Eu sou…” Sou interrompida pelo Theo.
“Eu sei,” ele fala, apertando minha mão com carinho.
“Você sabe, como,” eu pergunto, com os olhos arregalados.
“Sua Mãe me contou,” ele fala, tirando o cabelo do meu rosto.
“E você não me odeia?” eu falo, encostando na palma da mão dele no meu rosto.
“Não, por que eu faria isso,” ele pergunta, franzindo a testa.
“Eu sou meio Vampira. Uma espécie que você odeia mais do que qualquer outra no mundo.”
“Amor, você esquece que minha melhor amiga é uma bruxa, e bruxa é motivo de muita dor na minha vida.”
“Você é uma pessoa incrível. Muita gente no seu lugar odiaria todos os vampiros e bruxas.”
“Mas eu não odeio porque só por você ser bruxa ou vampira não significa que seja você que eu odeio.”
“Vem cá,” eu falo, com lágrimas nos olhos. O Theo é tão incrível
“Tô aqui, meu mate,” ele fala, trazendo o rosto dele mais perto de mim. Selo meus lábios com os dele.
“Eu te amo; sou a loba mais sortuda por ter sido escolhida pra ser sua mate,” eu falo assim que nos separamos do beijo.
“Não, amor, eu sou o mais sortudo aqui, e eu também te amo,” ele fala e me beija de novo.
“Theo, não vi a Ekaterina? Ela já voltou pra casa?” eu pergunto assim que nos separamos do beijo. Fiquei pensando nela o dia todo.
“Não, ela não veio com os outros porque também está no hospital.”
“O que aconteceu com ela?” eu pergunto, preocupada
O Theo me conta tudo o que aconteceu depois que apaguei.
“Meu Deus, espero que ela esteja bem.”
“Ela está bem. Visitei ela alguns minutos antes de você acordar. Ela está se recuperando bem.”
“Que bom.”
“É.”
“Posso ir vê-la?”
“Você não está totalmente curada, então não acho bom você se mexer ainda.”
“Eu sei, mas preciso vê-la. Me sinto culpada pelo que aconteceu com ela. Preciso ver que ela está bem pra aliviar minha culpa,” eu falo, e o Theo leva um minuto antes de me responder. Tenho certeza de que ele estava debatendo consigo mesmo se devia me levar até ela ou não.
“Deixa eu pegar uma cadeira de rodas; você não vai andar até lá,” ele fala, levantando da cadeira perto da cama.
“Não me importo. Obrigada,” eu falo antes de ele sair.
O Theo volta alguns segundos depois com uma cadeira de rodas. Ele me ajuda a entrar na cadeira e me leva pra fora pro quarto da Ekaterina. Espero que ela esteja se recuperando bem, como o Theo diz. Caminhamos até o elevador e entramos. Parece que o quarto da Ekaterina é no andar de baixo. Estamos saindo do elevador quando esbarramos na pessoa que quero ver
“Ekaterina,” eu falo, sorrindo assim que meus olhos se fixam nela.
“São meus dois pombinhos favoritos,” ela fala, sorrindo. Ela também está sentada em uma cadeira de rodas. O homem que me lembro da luta é quem está empurrando a cadeira de rodas dela. A Ekaterina também tem o cheiro dele misturado com o dela, então ele deve ser o mate dela.
“Na verdade, estou indo te ver; quem diria as chances de te encontrar no caminho.”
“Também estou indo te ver. Sinto muito por só vir agora, mesmo que já tenham se passado horas desde que você acordou.”
“Não precisa se desculpar. Se alguém neste mundo pode demorar pra me visitar, é você.”
“Que bom.”
“Ouvi o que você fez por mim. Não sei como te agradecer o suficiente, Ekaterina. Você podia ter morrido fazendo o que fez, mas mesmo assim fez. Muito obrigada. Sou eternamente grata a você,” eu falo, puxando a mão dela na minha.
“Não precisa me agradecer; não podia deixar você morrer sem tentar te salvar,” ela fala, batendo na nossa mãos juntas.
“Obrigada de novo.”
“De nada, e como você está se sentindo? Já falou com sua loba desde que acordou? Sei que o feitiço da Ava deve ter bloqueado seu acesso à sua loba, mas você deveria conseguir falar com ela agora.”
“Não tentei. Deixa eu tentar.”
Bloqueio todo mundo ao meu redor e concentro minha mente em contatar a Eva. Parece uma eternidade desde que conversamos. Sinto falta dela
“Olá, humana, com saudades?” a Eva fala, depois do que parece uma eternidade pra mim
“Senti sua falta,” eu falo, sorrindo
“Eu também; que bom estar de volta.” Ela fala, sorrindo de volta
“Eu também, e prometo que assim que eu estiver totalmente recuperada, vamos correr.”
“Eu ia adorar, humana.”
“Eu sei que ia, e tchau por agora. A gente se fala depois.”
“Tchau, minha metade humana,” a Eva fala e desaparece no fundo da minha mente.
“Consigo falar com minha loba.”
“Que bom. Tenho certeza que em algumas semanas você vai estar…” Interrompo a Ekaterina quando coloco a mão na barriga dela. Não senti o cheiro imediatamente porque estava tentando descobrir o cheiro da outra pessoa que ela tinha.
“Você está grávida,” eu falo, com os olhos arregalados. Descobrir que a Charlotte estava grávida não foi surpreendente porque sei que ela tem um mate, mas pra Ekaterina, é.
Não sabia que ela tinha um homem na vida dela, muito menos que estava grávida.
“Sim, estou,” ela fala tristemente.
“Por que você soa triste por estar grávida? Você não quer ter filhos?”
“Quero, mas é complicado.”
“Tenho todo o tempo do mundo.”
A Ekaterina me conta como tem perdido todas as gestações dela no ano passado. Nem consigo imaginar a dor que ela deve ter sentido toda vez que perdeu um bebê. Ela até disse que essa foi um engano porque ela e o mate dela pararam de tentar engravidar.
“Sinto muito por você ter passado por tudo isso.”
“Tudo bem; com o tempo, vou superar.”
“Você é uma mulher muito forte, e espero que este bebê em seu ventre viva além dos três meses,” eu falo, apertando a mão dela com carinho.
“Eu também peço,” ela fala, sorrindo tristemente.