CAPÍTULO QUARENTA E NOVE
Abro os olhos e me vejo num lugar escuro e fedorento. Olho em volta pra tentar ver se reconheço onde tô, mas não reconheço. Tento botar meus olhos de lobisomem, mas não consigo. Tento contatar a Eva, mas também não consigo. Onde diabos eu tô? Me levanto do chão frio onde tava deitada e tento sentir o que tem na sala pra tentar adivinhar onde tô. Arfo um pouco, porque meus músculos doem quando eu me mexo. Acho que fiquei no chão um tempão. Boto as mãos no ar e tento sentir alguma coisa em volta. Vou pra direita e continuo tateando. Minhas mãos entram em contato com a parede. Encosto na parede e continuo andando pela sala. Tiro a mão das grades rapidinho quando encosto nelas. São feitas de prata. Me queimaram na hora que toquei. Devo estar numa prisão de vampiro ou caçador. Nem sei qual dos dois eu queria. Tô voltando pra onde acho que acordei, quando as luzes de repente se acendem no quarto. Fecho os olhos pra me acostumar com a luz.
"Olá, beleza, finalmente nos encontramos", uma voz atrás de mim diz; viro pra ver quem é o dono da voz.
O vampiro mais gato do mundo tá na minha frente. O cabelo dele é preto como a noite. Seus olhos verdes lindos me olham e analisam tudo. As sobrancelhas dele são grossas e cheias; mesmo com a pouca luz no quarto, dá pra ver como os lábios dele são vermelhos e cheios. Como um vampiro pode ser tão gato? Eles não são todos com cara de mortos? Por que ele parece humano? Se eu não sentisse o cheiro de vampiro nele, ia achar que ele era humano. Ele nem fede tanto assim. O cheiro dele tem uma mistura de morte, que é como todos os vampiros cheiram pra mim, e canela, sim, canela. Como isso é possível?
"Quem é você?" pergunto pro vampiro, enquanto ele vem na minha direção. A cada passo que ele dá, me pego com dificuldade pra não ficar olhando pra ele. O que tá acontecendo?
"Não acredito que você não me reconheceu, meu amor. Faz tempo, eu sei, mas eu não envelheço como esses cachorros", ele diz, parando na frente da minha cela.
"Eu não sei quem é você?"
"Sabe sim; só não lembra."
"Acho que eu ia lembrar se tivesse conhecido alguém como você."
"Deixa eu te ajudar a refrescar a memória então. Meu nome é Nickolas Adams. Seu mate, o Rei Vampiro."
"Você disse o quê", pergunto, arregalando os olhos. De jeito nenhum eu sou o mate do Rei Vampiro. Nem sinto atração por ele.
"Pode ser que você não lembre, meu amor, mas eu vou te ajudar a se lembrar."
"Isso é alguma piada ou sei lá o quê?"
"Eu não queria ter que fazer isso, mas parece que é o único jeito de você se lembrar de mim", ele diz e rasga a porta da minha cela. Ele tá na minha frente mais rápido que eu consigo piscar. Ele mostra as presas, e antes que eu consiga correr, ele enfia no meu pescoço.
Eu grito de dor quando as presas dele perfuram minha pele. Tento bloquear a dor no pescoço quando de repente começo a ver imagens na minha cabeça que eu não tô pensando. Elas estão passando tão rápido que é difícil dizer o que estão mostrando. A velocidade das imagens de repente para, e na minha frente tá o Rei Vampiro e uma mulher, não qualquer mulher, uma mulher que se parece comigo, mas eu sei que não sou eu. Eu vejo ela sorrindo pro Rei Vampiro, e ele também. Ela vai pra perto dele, e ele beija ela quando ela tá na frente dele. Acho que essa é a mate dele. A imagem deles na minha frente de repente começa a ficar borrada quando sinto a dor no pescoço sumir.
"Você não é ela; você é uma impostora", o Rei Vampiro diz, me jogando do outro lado do quarto.
Meu corpo bate forte na parede. Me encolho de dor e seguro meu lado. Eu sabia que ele ia perceber isso na hora que ele entendesse que a memória que ele tava mostrando era só dele. A única explicação lógica pra o que eu acabei de ver seria que eu me pareço com a mate dele, mas não sou ela. Eu posso me parecer com ela, porque sou descendente de vampiros. Tenho certeza que ele achou que ela tinha renascido.
"Eu nunca disse que era sua mate", digo, tentando me levantar do chão. Me levanto do chão, mas não é porque consegui reunir forças pra me levantar. Nickolas me pegou pelo pescoço e me levantou do chão. Meus pés dançam no ar enquanto me esforço pra tirar as mãos dele do meu pescoço. Ele tá me sufocando.
"Eu vou te matar por tentar me enganar. Você não é ela", ele diz, aumentando a pressão no meu pescoço. Tento botar as garras pra fora, mas não consigo. É como se eu fosse humana agora. Me pergunto qual feitiço lançaram nessa cela pra me deixar humana.
Sinto o ar diminuindo a cada segundo que ele continua me sufocando. Não acredito que vou morrer assim. Nem consegui lutar antes. Minha visão fica borrada quando de repente ouço alguém vindo me ajudar.
"Por favor, meu rei, não mate ela. Eu imploro, por favor, não mate ela", Mason implora de joelhos na frente da cela.
Mason, o que ele tá fazendo aqui? Ele não devia estar aqui. O Rei Vampiro não vai poupar a vida dele se o vir vivo. Quero gritar pro Mason correr, mas mal consigo respirar, quanto mais gritar.
"Por que eu não deveria matá-la? Ela não é Jane, então eu não preciso dela", Nickolas diz
"Ela pode não ser Jane, meu rei, mas ainda é uma híbrida. Ela pode te ajudar a reviver o reino vampiro. Por favor, poupe a vida dela", Mason diz,
O Rei Vampiro aperta as unhas no meu pescoço antes de me jogar com força no chão.
"Você tem sorte; ele tava aqui pra me fazer mudar de ideia. Eu tava com tanta raiva que esqueci que o seu sangue é tudo o que preciso pra reconstruir minha família e não o seu ventre", ele diz, saindo da cela. Ele bate a porta quando sai.
Eu tusso e massageio meu pescoço enquanto ele vai embora. Rastejo em direção ao Mason de joelhos do lado de fora da cela, mas antes que eu possa alcançá-lo, as palavras de Nickolas me param.
"Esqueci de adicionar, obrigado, Mason, por entregá-la pra mim", Nickolas diz, com um sorriso.
Olho pro Mason com os olhos arregalados, esperando que o que acabei de ouvir seja mentira e ele não tenha me traído. Ele não mantém contato visual comigo, e isso é suficiente pra provar que o Rei Vampiro não tá mentindo.