CAPÍTULO TRINTA E SEIS
Tô na sala assistindo TV quando escuto a porta da frente abrindo e fechando. Theo deve ter chegado do trampo. Desligo a TV rapidinho e corro pra porta pra encontrar com ele.
'Oi, amor, bem-vindo a casa,' falo, indo até o Theo.
'Como foi seu dia, minha linda Ana?' Theo fala, subindo as escadas comigo do lado.
'Foi bom. Quanto tempo você quer descansar antes de ir?'
'Ir pra onde?' Theo pergunta enquanto entramos no nosso quarto.
'Não me diga que você esqueceu,' falo, olhando pro Theo desacreditada. Não acredito que ele esqueceu que a gente ia sair hoje. Depois do nosso primeiro date, o Theo e eu decidimos sair mais vezes. Foi legal da última vez, então decidimos fazer de novo. O date de hoje não é nada sério. A gente só vai no cinema.
'Desculpa, esqueci. A gente pode ir depois que eu descansar por duas horas, se não se importar.'
'Tanto faz, não me importo.' A gente não tá indo em um date sério porque o Theo foi trabalhar hoje. Ele trabalha quase todo dia, então é difícil achar tempo pra ficar com ele.
'Obrigado'
Duas horas depois, Theo e eu vamos pro cinema.
'Que filme você quer assistir?' Theo pergunta, rolando o celular. Ele não largou o celular desde que a gente chegou no cinema. Não é a cara dele. Tá me deixando preocupada, achando que algo pode estar errado.
'Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis.'
'Ok,' Theo fala, indo na direção de onde ele acha que é a fila pra pagar.
'Não é por ali, é por aqui,' falo, redirecionando ele.
'Obrigado,' Ele fala e finalmente tira a atenção do celular, pra poder pagar os ingressos.
'De nada. Tem algo errado, Theo?'
'Não, não tem nada de errado. Por que você perguntou isso?'
'Você tá usando muito mais o celular do que o normal.'
'Ah, desculpa por isso.'
'O que tá te prendendo tanto no celular?'
'O gerente geral da minha empresa pediu demissão essa semana. Tenho que resolver tudo relacionado aos meus negócios pessoais por um tempo, antes de achar um substituto.'
'Por que você não me contou? A gente teria ficado em casa.' Aposto que as coisas tão difíceis pra ele agora. Duvido que seja fácil pra ele cuidar dos negócios e governar o reino dos lobisomens.
'Você tava ansiosa pelo nosso date hoje à noite. Não podia te decepcionar dizendo que eu tinha que trabalhar. A gente sai porque eu trabalho muito. Não podia fazer isso com você.'
'Theo,' meu coração se enche pelo lobisomem na minha frente. Ele se importa muito comigo.
'Sim, Ana,' Ele fala, sorrindo.
'Muito obrigada por tentar me fazer feliz, mas você esqueceu uma coisa.'
'O quê?'
'Ia ser chato no date se você usasse o celular o tempo todo que a gente taria vendo o filme. Posso querer comentar uma cena que a gente acabou de ver, mas você não ia ter visto porque taria no celular. Vamos pra casa. A gente pode sair em um date assim que você achar um substituto.'
'Ah,' Theo fala, percebendo que não pensou nisso.
'Sim'
'A gente tá aqui, e eu já comprei os ingressos. Vou guardar o celular, e a gente vai tentar aproveitar a noite.'
'Não é uma má ideia.'
'Eu sei. Vem, vamos pegar pipoca antes de começar o filme,' Theo fala, nos levando até a bomboniere.
Enquanto o filme termina e os nomes do elenco começam a aparecer. Eu me viro pro Theo pra perguntar se ele gostou do filme, mas não consigo. Theo tá apagado na cadeira. Ele deve estar exausto por cuidar da empresa e governar o reino dos lobisomens. Eu queria poder fazer algo pra ajudar. Não entendo nada de como tocar uma empresa, e a empresa do Theo não é pequena, que eu pudesse dizer que consigo aprender a tocar em poucos meses. O Theo é dono de mais ou menos mil hotéis no mundo. Ia levar uns anos pra eu aprender a tocar uma empresa tão grande. Eu podia ajudar ele a governar o reino dos lobisomens. Isso parece um pouco mais fácil do que ajudar ele com a empresa. Vou falar com ele sobre isso. Não gosto de ver ele tão estressado. Acordo ele pra gente ir pra casa.
Saio do prédio da escola com um sorriso no rosto. Acabei de me matricular nas aulas. Adicionei alguns cursos de negócios. Pretendo aprender pra poder ajudar o Theo a tocar a empresa dele. Sei que ele pode achar outro gerente geral em breve, mas a pessoa ainda pode pedir demissão de novo. Quero pedir pra ele transferir os negócios dos hotéis pra mim assim que eu aprender a lidar com isso. Serei uma solução permanente pra ele.
\Já faz algumas semanas que voltei pra escola. A escola é estressante. Tenho muitas aulas de manhã cedo. Nem sei por que eu quis voltar. Tô na cozinha tentando terminar meu café o mais rápido possível, pra não me atrasar pra aula hoje.
'Bom dia,' Theo fala, entrando na cozinha. Eu balanço a cabeça pra ele porque tô de boca cheia de cereal. 'Come devagar. Você vai engasgar com a comida.'
'Não posso. Vou me atrasar.'
'Não se preocupa, já resolvi isso.'
'Você resolveu o quê?'
'Resolvi seu problema de atraso.'
'Você pediu pra o tempo esperar por mim,' falo sarcasticamente. Olho pra ele, pensando se ele fumou crack essa manhã.
'Não posso fazer isso, e você sabe. Fiz outra coisa pra ter certeza de que você nunca mais se atrasa.'
'O quê?' pergunto, curiosa pra saber como ele resolveu meu problema de atraso.
'Por que a gente não vai lá fora?'
'Ok,' falo e coloco meu prato na pia depois de tomar a última gota de leite na tigela.
Saímos juntas, e o grito que escapa dos meus lábios é de alegria assim que vejo o que tem na minha frente.
'Não acredito,' falo, sorrindo. Corro pro carro estacionado do lado de fora da nossa casa. Toco nele, e é real. 'Você comprou um carro pra mim.'
'Sim, comprei, e espero que você goste do que eu peguei.'
'Amo. É como se você soubesse que eu sempre quis um Mercedes,' falo, enquanto continuo admirando o lindo Mercedes Benz G-class azul que meu mate comprou pra mim.
'Fico feliz que você tenha gostado. Aqui estão as chaves,' Ele fala e coloca as chaves na minha mão.
'Obrigada,' falo e beijo ele.
'De nada,' Theo fala assim que eu solto os lábios dele dos meus.