Emoções
O Abhay estava no escritório dele, sozinho. Era tarde da noite. Ele tava pensando um monte. As palavras do Victor tavam tocando na cabeça dele. Aquela ligação, depois o sequestro e aquela galera da mídia indesejada. Tudo interligado.
Os pensamentos dele foram interrompidos quando o Vishal entrou.
' Chote papa? Tá aqui a essa hora?'
' Ah, seu velho. Não consegui dormir hoje. Consegue fazer um café pra mim?'
O Abhay sorriu e fez duas xícaras de café. Deu a xícara pra ele e começou a falar.
' E aí, começou a trabalhar no lance da ligação? Victor e Mili estão bem.'
' Chote papa, preciso falar com você. Já tô trabalhando nisso.'
' Eu sabia, Abhi. Também acho que essa ligação tem a ver com aquela pessoa que o Victor falou.'
O Abhi concordou com a cabeça, tipo sim. Tomou um gole do café e disse: 'Sim, Chote papa. Acho que vou sumir daqui por uns dias. Tô com saudade dos meus rolês noturnos.'
Assim que ele terminou, os dois homens deram um sorriso malicioso. Os olhos do Abhay estavam escuros e o sorriso dele, cruel.
' Quer dizer que você vai pra cobertura?'
' Sim, Chote papa.'
Ele fez uma pausa por alguns segundos e continuou: 'Não vai me perguntar por que fui contra a criação dos meus pais, a sua e da Choti ma? Tenho vergonha de ir contra meus princípios. Desculpa.'
' Abhi, a gente sabe que você tem seus motivos. Mas sequestrar uma garota, pegar nela, vai contra nossos valores.'
O Abhay o interrompeu: 'E aqui estou eu, sequestrei ela, peguei nela, ameacei ela, casei com ela à força. Ela mentiu pros pais sobre a gente. Os olhos dela tavam tão cheios de dor, que nem dá pra explicar. Senti que ela sentia nojo de mim.'
Ele parou e depois disse: 'Mas eu tava inseguro naquele dia. Não aguento a dor de perder ela. Confia em mim, senti que ouvi a mesma voz. Mas depois do casamento, o Arin (o detetive dele) disse que era falso. Então não me importei mais, já que ela tava comigo. Mas agora ele disse que foi enganado naquele dia. A ligação foi feita de um número que tava fora da cidade. Aí, uns dias depois, rastrearam e tava nas Ilhas Andamão. Agora, de novo, tá morto. Não posso perder ela. Eu amo ela de verdade.'
O amor dele é puro, sempre foi e sempre será. Mas o que ele fez foi errado.
O Vishal abraçou o Abhay, que tava com lágrimas nos olhos. O Vishal sabia que, nesse mundo todo, se o Abhay tem medo de alguma coisa, é perder as pessoas que ama. A dor que ele viu nos olhos de uma criança de 10 anos, ele não consegue esquecer.
20 anos atrás, o Abhay ficou tão assustado que levou 5 anos pra ele ficar normal. Até nos estudos isso afetou. Mas a história da família do Abhay ajudou nisso, mesmo sendo segredo.
O Vishal ainda se lembra do Abhay com 10 anos, com as roupas sujas de sangue dos pais. Os olhos vermelhos, os lábios tremendo, mas ainda pedindo pros pais levantarem, abraçarem ele. E, no fim, ele desmaiou.
O Vishal disse: 'Já era. Seja forte e conquiste o coração dela. Você devia ter feito isso antes. Aí você devia ter casado. Ela ia ter aceitado o seu amor puro. E não esquece que você é um mafioso que não machuca ninguém inocente, mas ajuda as pessoas. Ela ia ter aceitado, sabendo da sua verdade, com certeza. Mas agora conquiste o coração dela. Mostre pra ela quem você realmente é. E me desculpa por aquele dia. Eu levantei a mão pra você. A Devi tava certa. Você tem seus motivos.'
O Vishal deu um tapa nele tão forte que os lábios do Abhay sangraram, com um tapa. Ele não parou até ficar satisfeito, e, por uma vez, o Abhay não o interrompeu. Até a Devika saiu do lugar, porque não aguentava ver o filho na dor, mas não o impediu.
O Abhay pegou as mãos dele nas mãos dele: 'Não, Chote papa. Não peça desculpa pro seu Abhi. Você ficou triste com isso. Achou que tinha falhado em me criar. Foi pecado meu. Vou conquistar o coração dela. Espero que a Mama, o Papa, a Choti ma e você me perdoem.'
Ele soluçou como uma criança.
O Vishal deu tapinhas nas costas dele: 'Eles vão te perdoar quando a Mrinal perdoar. Nós também vamos.'
O Abhay disse, falando a verdade: 'Vou pedir perdão pra ela logo. Prometo.'
Depois disso, eles decidiram voltar. O Abhi vai ficar na cobertura por uns dias.
Antes de sair, o Vishal disse: 'Acho que estamos perto dele. Dessa vez, ele vai ver a nossa fúria. Dessa vez, a gente ganha. Aquele traidor do Raichand, só espera e vê.'
Os olhos do Abhay escureceram, cheios de ódio: 'Ele mudou o nome, Chote papa, por isso estamos nessa luta há anos. Mas dessa vez parece que ele quer vir atrás da gente, por conta própria.'
O Vishal o encorajou: 'Bem, isso é verdade. Que comece a diversão.'
O Abhay brincou: 'A propósito, você ainda bate forte.'
' Bem, isso é verdade. A propósito, o seu cunhado Mridul também bate forte, né?'
O Abhay concordou com a cabeça, e os dois riram.
' Ele bate, afinal, eu sequestrei a irmã dele e o resto você sabe.'
Eles se desejaram boa noite um ao outro. Antes de entrar no quarto, o Vishal disse: 'Naquele dia, fiquei feliz em te ver com a Mrinal. Porque minha mente egoísta tava feliz em te ver casando com o seu amor. Mas os olhos dela cheios de dor me deixaram mais triste. Eu e a Devi estamos esperando o dia em que a Mrinal vai te aceitar de todo o coração. Até lá, durma sozinho e sonhe com a sua fada.'
Ele piscou e entrou. O Abhay sorriu feito um bobo e foi pro quarto dele.
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A Devika disse: 'Você nunca muda, né, Vishal? Não fica provocando ele.'
' Você ainda tá acordada? Você não devia, amor.'
' Mas não consigo dormir sem você.'
' Eu sei.' E o Vishal puxou ela pro peito e beijou a testa dela. E ela dormiu abraçada a ele.
' Eu te amo, Devi.'
' Eu te amo também.'
Ele riu ao ouvir a resposta dela, enquanto ela dormia. Depois, rezou pela felicidade deles, e principalmente pela felicidade do Abhi e da Mrinal, e pegou no sono.
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A Mrinal não conseguia acreditar no que ouvia. As cunhadas dela disseram que o Abhay ligava pra elas todo dia desde que eles se casaram.
Ele não faz nada?
Ele é um rei da máfia.
Então, como ele consegue fazer tudo isso?
Ki dorkar? Kichu na. Chere de Mira.
Ela tava feliz em saber que ele tinha uma boa relação com a família dela, até com o Mridul também. Ela tá quase pronta. As cunhadas dela a provocam muito hoje em dia.
Ela colocou os brincos que a Devika deu pra ela e as tornozeleiras que pertenciam à falecida sogra dela. As aulas dela na faculdade tão suspensas, porque os exames de outros ainda tão rolando. Ela foi pra cozinha e começou a trabalhar com a Devika. Elas fizeram comida juntas.
O Vishal e o Abhay já tavam na mesa do café da manhã. Eles tavam ocupados conversando. Bem, eles não falam sobre trabalho ou negócios quando tão com a família. O Abhay olhou pra cima quando ouviu um som familiar.
A mente dele voltou pra infância.
É o som da tornozeleira da mama.
Mas como?
A mente do Abhay ficou inquieta. E aí ele notou a Mrinal vindo da cozinha com a Devika. E meio que entendeu.
Ela colocou?
Sim, colocou. Por isso você conseguiu ouvir.
Só ela colocou. Por que as outras não?
Era a favorita da mama.
Ela também gosta de tornozeleiras?
Sim, ela gosta. E dos brincos dela. São da Choti ma. Ela tá tão linda.
Ela tá linda todo dia, seu burro.
Eles começaram a comer. O Abhay tava tentando olhar pras pernas dela, pra ver a tornozeleira, só pra confirmar. O Vishal viu a inquietação dele e sussurrou: 'Querido, ela tá bonita todo dia aos seus olhos. Eu sei. Primeiro coma, depois elogie ela. Você até esqueceu de dar o presente pra ela naquele dia.'
O Abhay se lembrou disso e sorriu, pensando na surpresa. Ele já tinha preparado.
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A Mrinal ficou chocada ao ver o Abhay comendo Halwa como se não houvesse amanhã. Até o Vishal também. Ela entendeu que eles gostam muito de Halwa. Principalmente o Abhay.
Quando chegaram ao portão pra se despedir do Abhay e do Vishal, os dois homens beijaram a testa das esposas. Depois, o Abhay também beijou a testa da Devika e o Vishal beijou a testa da Mrinal.
Quando o Abhay beijou a testa dela, lembrou ela dos dias de prova. Um dia ela sentiu o Abhay acordando ela beijando a testa dela. Ela sentiu felicidade e consolo com aquilo.
O Abhay sussurrou no ouvido dela: 'Gostou das tornozeleiras? É a favorita da mama.'
A Mrinal sentiu o amor e a tristeza na voz dele. Ela sorriu feliz e disse: 'Eu adorei. É muito bonita.'
' Você também tá linda.'
' Hum, obrigada.'
' Gostou dos brincos? São os favoritos da Choti ma.'
' Sim. Também é muito bonito. Hum...'
O Abhay entendeu a pergunta não dita dela: 'Não ouse devolver seus presentes. A Choti ma não vai me perdoar. Os favoritos delas tão com a filha preciosa delas. Cuidem-se.'
O Abhay sabia que a Devika logo daria as joias da mãe dele pra Mrinal. Ele só respondeu: 'Ela fez o que sentiu, Choti ma. E ela fez certo.' Quando a Devika disse pra ele: 'Abhi, sua esposa linda me fez prometer manter elas comigo. Assim como você. Você devia pedir pra ela ficar com elas. Ela é a nora do Singh Raizada.' E choramingou.
O Abhay beijou a testa da mãe dele: 'Ela fez certo, Choti ma. Ela ia dar pra Mama também. Ela não tá aqui, então você é a pessoa certa.'
' Vocês dois são iguais.' E começou a acariciar a cabeça dele. Ele sorriu e dormiu no colo dela.
O Abhay tava esperando o dia em que ela ia usar. E o dia finalmente chegou.
O Abhay e o Vishal disseram tchau pra elas e foram pro escritório.
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A Mrinal voltou da varanda. Ela tava falando com a Didun dela no telefone. Inesperadamente, ela contou tudo pra ela sobre o Abhay. Tipo, que ele não entra no templo, pede bênção pros pais mortos de manhã, porque eles são os únicos deuses dele. Ele ama comer halwa e ela até notou ele usando aquela corrente de ouro sempre.
A avó dela ficou feliz em ouvir tudo isso. Mais tarde, ela soube que, na noite anterior, o Abhay pediu pra eles virem encontrar a Mrinal e passar um tempo com eles. Mas eles não puderam, porque as provas do Adi e da Barsha tão rolando.
A Devika tava assistindo filme dentro do teatro da mansão deles. Ela entrou quando saiu por causa da ligação. Ela viu a Devika dormindo e o filme tava pausado de onde ela parou. Ela sorriu ao ver o rosto da Devika dormindo.
Ela é tão legal. Até todo mundo é legal aqui. Menos ele.
Ela foi e pegou um cobertor. Cobriu a Devika com o cobertor direitinho e ajustou a temperatura do ar condicionado. Ela não queria acordá-la.
Vou acordá-la quando tudo estiver pronto.
Ela foi pra cozinha e começou a trabalhar com os outros. Ela notou que todos os trabalhadores são muito leais. Ela sentiu uma coisa depois de vir pra cá, que essa família é diferente, totalmente diferente. Eles nunca tratam aqueles trabalhadores como empregados. Todos eles fazem parte da casa.
Quando a comida tava quase pronta, a Mrinal ouviu um dos trabalhadores sussurrando pro outro: 'Hum, devíamos informar a babiji da Mrinal que precisamos mandar a comida do Vishal bhaiya e do Abhay baba pro escritório.'
' Sim, devíamos. Ela é nova aqui e a Choti bhabi tá dormindo.'
A Mrinal ouviu as conversas deles e foi pra perto deles. Eles voltaram a trabalhar. A Mrinal foi até eles e disse: 'Quem leva comida pra eles?'
Um deles disse: 'Asish Bhaiya vai pro escritório.'
Mrinal: 'Ok. Vamos embalar a comida deles depois que terminarmos. Aí vou perguntar pra ele.'
Eles concordaram e sorriram.
A Devika acordou e foi correndo pra cozinha. Ela viu a Mrinal embalando a marmita com os outros. De repente, teve uma ideia e sorriu.
' Ah. Desculpa, Mrinal. Dormi, porque tava muito cansada. Obrigada por preparar a comida.'
A Mrinal sorriu e disse: 'Não agradeça. Também faço parte dessa família e adoro fazer isso. Hum, você tá bem?'
' Sim, tô. Hum, se importaria se eu te pedisse uma coisa?'
' Não, Choti ma. Por favor, fala aí.'
' Se importaria de ir com o Ashish?'
' Não. De jeito nenhum. Adoraria.'
' Na verdade, eu costumava ir com o Ashish. Porque os dois esquecem tudo quando tão dentro daquele prédio idiota chamado escritório. Mas, nos últimos meses, não consegui, porque fiquei doente um dia, e os dois não me deixaram ir pro escritório. Você não precisa ir todo dia. Eu sei que você tá ocupada. Mas, por hoje, se você... Só por hoje. Você não se importaria, né?'
Bem, isso é verdade.
Ela entrou em pânico ao ouvir isso: 'O que aconteceu com você? Você tá bem, né? Espera, vou ligar pra doutora tia.'
' Não, Mrinal, tô bem. Desmaiei naquele dia, por causa da pressão baixa. Mas tô bem agora. Só tô pedindo pra você ir, pra você conhecer o escritório e eles também comerem direito.'
' Ok. Vou. Você vai descansar. E sim, por favor, coma antes de eu voltar.'
A Devika concordou e foi pro quarto dela.
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